Depois que o Manezinho
Contou para a rapaziada
Que uma cacinha ele viu
No varal dependurada,
Muita vontade eu tinha
De ver também a calcinha
E saí na disparada.
Cem quilômetros de estrada
Numa hora eu percorri,
Achei que valia a pena
Por isso não desisti
E, enquanto eu dirigia,
A calcinha parecia
Coisa que eu nunca vi.
Excitado eu me senti
Vagando em pensamento
E a calcinha no varal
Balançava com o vento,
Corria mais, sem parar,
Para logo desfrutar
De um prazeroso momento.
Achava ser um portento
Com a sorte que eu tinha,
Tão empolgado eu estava
Que um pensamento me vinha:
"Vou chegar na hora exata
Quando aquela bela gata
For lá tirar a calcinha".
Ao chegar junto à casinha
Um cachorro já latiu,
No varal vi a calcinha
E meu corpo reagiu,
Mas uma velha encurvada
Apareceu na sacada,
Olhou pra mim e sorriu.
Quando a boca ela abriu,
Era tal como gamela,
Nem um só dente havia,
Pude ver a sua goela;
Parecendo uma bruxa
Com aquela boca murcha,
Falou que um dia foi bela.
- Esta calcinha revela
O quanto eu era bonita,
A prova está em você
Que por ela se agita
E isso é o que me conforta,
Pois com esta boca torta
Eu fico um pouco esquisita.
Naquela hora bendita
De calafrio eu suei
E a velha prosseguiu:
- O que você sente eu sei,
No mundo as coisas movem,
Um dia também fui jovem,
Da vida esta é a lei.
Esta calcinha eu comprei
No meu tempo de estudante,
Somente uma vez a usei
Quando eu fui debutante,
Serve-me hoje para olhar
E saudosa recordar
A glória daquele instante.
Vejam como foi frustrante
Saber que entrei de gaiato,
Voltei triste para casa,
Mas não lamento o fato,
Pois lembrei desta verdade:
A grande curiosidade
Um dia matou o gato.
BENEDITO GENEROSO DA COSTA
benegcosta@yahoo.com.br
DIDREITOS AUTORAIS RESERVADOS
* Caro Pedrinho Goltara,
Agora você ficou sabendo o caso da velha enfermeira,
aposentada e banguela, irmã do Dr. Pedroca.