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Cronicas-->Crónica do copo d´água -- 12/03/2003 - 20:15 (Adriano de Mesquita) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
É meia noite. Não sinto sono e não tenho que fazer. A televisão desligada. O rádio mudo. Estou sozinho em casa, embora todos estejam aqui. Estou só nesse mundo populoso e todos que estão só como eu agora, compartilham da minha mesma solidão.
A garoa cai lá fora e sei que só reparo nela agora, porque não há nada mais nesse instante, além do barulho quase imperceptível de um som de goteiras que ecoa dentro da minha cabeça. Ouço, para além da goteira, apenas um cão que ladra para noite sem lua em seu desespero canino, como se estivesse preso por uma coleira, ao seu pescoço, que o sufoca, do lado de fora da casa. E talvez esteja.
Esse quase silêncio total do mundo parece querer me ensurdecer, e na total falta do que fazer, bebo um copo d´água. E enquanto bebo, penso. Penso que, se fosse possível, eu me embriagaria com essa água; se fosse possível eu me afogaria de bebedeira e não sentiria o chão da minha falta de perspectiva e de ideais. Eu queria que nela houvesse todos os alucinógenos do mundo e que cada gole me desprendesse e me levasse cada vez mais longe desse mal que é estar sempre pensando, pensando e nunca concluir nada, porque estou sempre perdido em uma espécie de coisa nenhuma. Acredito que se talvez eu estivesse bêbado, se eu estivesse totalmente fora de mim e não tivesse certeza alguma dos meus atos, eu teria mais controle sobre mim; sim, talvez eu saberia mais das coisas que penso, porque as penso e porque sempre as deixo no pensamento; talvez, desta forma, eu teria mais controle sobre meus atos e quem sabe? eu seria menos sensitivo e mais coerente. Quem sabe se eu parasse de pensar sobre tudo, sobre todos, se eu parasse de me culpar por tudo, se eu não me importasse mais com as coisas, as coisas mínimas... quem sabe se eu não temesse tanto a vida, se eu não me temesse tanto, se eu não me questionasse como me questiono (porque sei que em mim não há respostas) e apenas por agora meu mundo interno parasse por um único e indivisível instante, eu conseguiria ficar em paz e somente beberia esse copo d´água...

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