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Cordel-->A VIDA DE BELARMINO ERA PLENA POESIA -- 19/08/2005 - 20:13 (José de Sousa Dantas) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
A VIDA DE BELARMINO ERA PLENA POESIA
José de Sousa Dantas, em 18/08/2005

Nasceu na Várzea da Serra,
município de Paulista,
o famoso repentista,
conhecido em nossa terra,
sua POESIA encerra
beleza, brilho, magia,
encanto, arte, estesia,
eloqüência e dom divino.
A VIDA DE BELARMINO
ERA PLENA POESIA.

Foi BELARMINO DE FRANÇA
UM TROVADOR NO SERTÃO,
que cantou com emoção
para toda a vizinhança,
que conserva na lembrança
seus VERSOS por simpatia,
que ele compôs um dia
e se canta como um hino.
A VIDA DE BELARMINO
ERA PLENA POESIA.

Um POETA iluminado,
talentoso, inteligente,
criativo, competente,
feliz, alegre, inspirado,
brilhante, entusiasmado,
que a todos envolvia,
com sua filosofia,
de autêntico nordestino.
A VIDA DE BELARMINO
ERA PLENA POESIA.

Qualquer uma criatura,
se fizesse indagação
sobre certa informação,
o POETA com postura,
decência e desenvoltura,
num instante construía
a versão e respondia,
com seu estro repentino.
A VIDA DE BELARMINO
ERA PLENA POESIA.

Tocava a alma da gente,
a POESIA do poeta,
tornando-se predileta,
marcante e conveniente,
seja de prosa ou repente,
cada uma transmitia
lições de sabedoria
desse bardo paladino.
A VIDA DE BELARMINO
ERA PLENA POESIA.

Os seus VERSOS estão vivos
e vêm sendo recordados,
lidos e recomendados,
por serem educativos,
distintos e sugestivos,
formados com melodia,
rima, métrica e harmonia,
num linguajar cristalino.
A VIDA DE BELARMINO
ERA PLENA POESIA.

O poeta repentista BELARMINO FERNANDES DE FRANÇA (26/12/1894 – 20/03/1982) nasceu em Paulista quando distrito de Pombal - PB. Um livro com mais de 200 páginas contendo versos do poeta está em fase de conclusão, pelos escritores VERNECK ABRANTES e IRANI MEDEIROS.
Na sublime e agradável COLETÂNEA, o leitor irá navegar, conhecer, reviver e se deliciar no MUNDO DA POESIA, que toca e mexe profundamente na alma do ser humano.

No primeiro poema selecionado, MENTALIDADE DE CRIANÇA, o poeta BELARMINO assim se expressou de forma impressionante com sua poesia telúrica, colhida do chão nordestino:

“Ó DEUS de misericórdia
iluminai minha mente,
para que nesses meus VERSOS
faça ver a toda gente
tudo que fui no passado,
quem estou sendo no presente.
.......................
Eu tinha a idéia que o MUNDO
só era aonde eu morava,
o céu um vaso emborcado,
que nos cobria e cercava,
e bem no centro do mundo
nossa morada ficava.”

Apesar de pouca escolaridade, BELARMINO desenvolveu de forma brilhante poemas sobre a IMORTALIDADE DO POETA, onde afirmou:

“Aos doze anos de idade,
ler ainda eu não sabia,
mas os reflexos poéticos,
nesse tempo eu já sentia
inoculando em meu cérebro
as flamas da POESIA.

O POETA nunca morre,
antes alcança vitória,
faz versos, arranja fama,
enche seu nome de glória,
depois que foge do MUNDO
vai viver sobre a história.

O POETA é um dos tais
que o tempo jamais consome,
morre o corpo, deixa o nome
no livro dos imortais;
entre a fama e os anais,
seus versos nobres estão;
no seio frio do chão,
dorme a matéria incompleta.
Desaparece o POETA,
mas a POESIA não.”

O POETA é um ser sensível às dores do mundo e do homem, mesmo nos momentos que não possui o seu próprio sofrimento, e reconhecendo esse dom, BELARMINO se expressou nessa estrofe magistral:

“O POETA se distingue
pelo DOM santo que tem,
porque se ele é quem canta
os sentimentos de alguém,
quando sofre canta ou chora
seus dissabores também.”

Sobre o poder da natureza, BELARMINO desenvolveu várias estrofes, dentre as quais destaca-se:

“Admiro uma abelha pequenina
com seu dom eficaz, misterioso,
fabricar um mel doce, saboroso,
sem ter cana, sem fogo e sem usina,
substância que a própria medicina
nos afirma conter muita pureza,
extraído das flores, com certeza,
mas o homem, com a sua idéia rica,
não desvenda o mistério nem fabrica.
QUANTO É GRANDE O PODER DA NATUREZA.”

Sobre a vida do camponês, BELARMINO entendida muito bem os seus costumes e o seu trabalho:

“Oh! DEUS de misericórdia,
Vós como Pai verdadeiro,
dai-me inspiração POÉTICA
e pensamento altaneiro,
para compor alguns versos
sobre o CAMPONÊS roceiro.

Assim vive ele envolvido
nos grandes labores seus,
trabalhando a bem de todos
para nobres e plebeus,
sempre afastado do MUNDO,
porém mais perto de DEUS.”

Ao completar 84 anos de idade, BELARMINO sentindo forte emoção externou seu pensamento num de seus poemas com 12 estrofes:

“Andei a primeira vez
de quatro pés, e depois
prossegui andando em dois,
hoje estou andando em três,
mas DEUS assim não me fez,
nem nasci desta maneira,
esta perna de madeira,
uso por necessidade.
Oitenta e quatro de idade
não é boa brincadeira.

Na vida que idolatro
fiz ano mais uma vez,
saí dos oitenta e três,
entrei nos oitenta e quatro,
já vou transpondo o teatro
desta vida passageira,
descendo a íngreme ladeira
em busca da eternidade,
Oitenta e quatro de idade
não é boa brincadeira.”

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