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Cordel-->METENDO A LÍNGUA -- 13/08/2005 - 21:09 (Andarilho) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Número do Registro de Direito Autoral:131438347905991600
METENDO A LÍNGUA
Silva Filho


Nossa língua portuguesa
Volta e meia nos engana
Lisa, solta - que leveza!
É uma casca de banana
Com apenas a certeza
De ser mesmo lusitana.

Juntaram grego e latim
Na construção de Babel
Todo mundo achou ruim
Portugal pôs no papel
E depois sobrou pra mim
Neste modesto Cordel.

Que se fale no Brasil
Essa língua dissidente
Disse o Rei em Estoril
Quando a lei se fez vigente
Como obrigação civil
Para toda essa gente.

Quase fica o espanhol
Para saudar a Rainha
Mas protestou um reinol
O Pero Vaz de Caminha
Pois xingar no futebol
Só ao português convinha.

E assim nós recebemos
Esse legado bem luso
E com ele aprendemos
Que porca tem parafuso
E outras coisas colhemos
Neste contexto difuso.

Hoje o nosso ‘portunhês’
É um exemplo de cultura
No inglês e no francês
Temos mais desenvoltura
Um turista tem mais vez
Se falar uma mistura.

Quando ponho um ACENTO
Ninguém deve se sentar
Se dois "ss" estão dentro
Este ASSENTO tem lugar
Então vou ficar atento
Pra não mais escorregar.

Muito cuidado com o POR
Para não virar galinha
Pra preposição compor
O acento não se avizinha
Pode ser constrangedor
PÔR ovos na entrelinha.

Ninguém vai ter cozimento
Quando ASCENDE o fogão
Se ACENDE o pensamento
Alguém pensa em carvão
E tem como agravamento
Um verdadeiro TISSÃO.

Tem o xis com som de zê
EXALANDO algo estranho
E o zê só quer saber
Quem é mesmo esse zanho
Que pretende se meter
Tentando passar por fanho.

Já vi o zê reclamando
Do seu uso desregrado
Quem andava ABUSANDO
Tornou-se mais ABUZADO
E quem vem ATAZANANDO
Vai morrer ATASANADO.

O relógio que ATRAZA
Para mim, não adianta
E nem me queima a BRAZA
Passando pela garganta
Mas a BRASA me arrasa
Quando a dor se agiganta.

A SEÇÃO com o cedilha
É somente uma porção
SESSÃO que não se partilha
Vem a ser reunião
Mas o “C” não se humilha
Com esta conspiração.

Inda há outra CESSÃO
Para quem quiser Ceder
Também não é ACESSÃO
Que traduz Aquiescer
Mas cuidado com a CEÇÃO
Que põe tudo a perder.

É bom lembrar do SENSOR
Flagrando o mau motorista
E do CENSOR DELATOR
Com função de analista
Ou CENSOR que faz favor
De pôr o povo na lista.

Para não ficar pra TRÁS
Dispense o verbo Trazer
Essa regra me compraz
TRAZ aqui qu’eu quero ver
Quando se fala DEMAIS
DE MAIS não vejo crescer.

Há um trema atrevido
Sobre o U, muito freqüente
Não se sabe se argüido
Deixa o U mais eloqüente
Com este U convencido
A língua bate no dente.

Ninguém sucesso alcança
Se o português vai MAL
MAU aprendiz se balança
Pra não passar por BOÇAL
Mas BOSSAL não é nuança
De cunho gramatical.

E uma tal Cacofonia
Que sempre faz um fuá
Provocando correria
Nunca diga VOU-ME JÁ
Como falou minha tia
Já deixou o COPO LÁ.

Pleonasmo - um tormento
Com tamanha redundância
Dizendo ENTRAR PRA DENTRO
Faz-se enorme extravagância
DORMIR UM SONO – comento
Só na fase de infância.

Falso argumento é Sofisma
"O povo está muito bem"
Quem é esperto já cisma
Quem é fraco diz amém
Há quem fácil se abisma
Porque noção nunca tem.

Há o QUE, POR QUE, PORQUE
Pra me deixar aturdido
Não me pergunte o PORQUÊ
Pois não sou esclarecido
POR QUE você quer saber?
Isso não faz mais sentido.

Existe ainda UM QUÊ
QUE agrava a confusão
Se me perguntam POR QUÊ ?
Eu não tenho explicação
Somente quem muito lê
Tem chance de conclusão.

Quem fizer uma PESQUIZA
Não terá bom resultado
E também não ANALIZA
Sem que seja apoucado
E quem no tema REPIZA
Vai ser mal interpretado.

DESLIZAR não vem de LISO
Mesmo sendo no lajeiro
Pois vou deixar um aviso
LIZO é um forasteiro
Não é assunto pra RIZO
Porque RISO vem primeiro.

E sobre semivogais
É bom saber um segredo
Juntas nunca são rivais
Diga FL(Ú)IDO sem ter medo
E noutros casos iguais
Vale fazer um arremedo.

ESTRUPO não faz temer
ESTUPRO não tem perdão
DESCRIÇÃO pra Descrever
Pra Discreto – DISCRIÇÃO
Na Net nunca vou ver
Quem tentou CONECÇÃO.

Há um risco iminente
Pra quem anda descuidado
E um professor eminente
Deixou tudo declarado
Quem hesita é prudente
Se exitar, vai reprovado.

Ao tomar o verbo Haver
Com função de Existir
Flexão não vá fazer
Para plural conseguir
Há regras pra escrever
Hão regras – vou dirimir.

DISCRIMINAR é ruim
Se denota preconceito
DESCRIMINAR tem o fim
De absolver um sujeito
Quando digo: vá por mim
Se errar, eu dou um jeito.

AONDE pensa que vai?
Dá noção de movimento
ONDE reside o seu pai?
Lugar certo, pavimento...
Quem se segura não cai
Em terreno lamacento.

Também devemos lembrar
Formas verbais sem o "i"
PERDOAR, CONTINUAR
Só CONTINUE por aqui
Exceções não vão faltar
Neste grande abacaxi.

Metendo a língua, termina
Com a melhor das intenções
O saber nunca germina
Quando faltam revisões
O cordel também ensina
Gramática, regras, bordões.

/aasf/

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