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Contos-->POR CAUSA DO SONHO -- 05/07/2003 - 17:31 (Edmar Guedes Corrêa****) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
POR CAUSA DO SONHO

Lá no sertão de Minas Gerais havia um menino muito pobre que sonhava em estudar e ser um grande homem. Mas não havia escolas por lá e ele só aprendeu a escrever o nome e poucas palavras.
Certo dia a família foi obrigada a se mudar para a cidade em busca de trabalho; pois, o pai perdera o pouco que tinha com a última grande seca.
Era um rapazinho de dez anos quando foi posto na escola.
Em pouco tempo, ele aprendeu a ler e escrever como os outros de sua idade. Era o melhor aluno da escola e só tirava a maiores notas. Acabou se tornando o orgulho da família.
Não foi reprovado em nenhum dos oito anos em que estudou o primário e o ginásio. Por isso, ao completar dezoito anos, entrara no colegial. Mas, para manter os estudos, passou a trabalhar e a estudar a noite. E foi assim durante todo o colegial, até terminar os estudos.
Ainda faltava-lhe a faculdade. Sabia que tinha um grande futuro pela frente. E passar no vestibular não lhe seria dificultoso.
Com muito custo, conseguiu pagar um cursinho no ano seguinte. Estudou muito, mas muito mesmo! Não saia para se divertir e nem aproveitar a vida. Ficava todo o tempo disponível com a cara enfiada nos livros preparando-se para o vestibular.
Quando os exames chegaram, fez as provas sem muitas dificuldades. Antes mesmo de saber o resultado, sabia que havia passado. Em poucos anos seria um grande advogado.
Quando contou para os pais que entrara na faculdade, foi uma alegria geral. Houve uma pequena comemoração porque em breve o futuro da família estava garantido. Não haveria mais miséria, fome e certamente deixariam de viver naquele cubículo na favela.
Cursou a faculdade com afinco. Durante os anos de estudos, não fazia outra coisa a não ser trabalhar durante o dia e estudar a noite e nas horas vagas. Não tinha namorada, não ia às festas e não se divertia. Dizia que depois de formado, ia ter tempo para aproveitar a vida. E se orgulhava de se abster a essas trivialidades. Nossa! E como!
Finalmente depois de longos e ardorosos anos de estudos, conseguiu terminar os estudos. Agora sim, só lhe faltava a formatura e receber o tão sonhado diploma.
Poderia ter saído para comemorar quando as aulas findaram, mas não! Estava muito ocupado com o vestuário para o grande dia. Primeiro as roupas, depois a diversão. Quem aguardou até aquele momento então poderia aguardar um pouco mais.
No dia em que seria o dia mais importante de sua vida, aquele homem que não era mais um menino, resolveu dar um passeio ao Shopping Center para conter a ansiedade. A mãe quis lhe acompanhar, mas ele decidiu ir sozinho. Queria sentir o prazer que se absterá durante todos aqueles anos: sair sozinho. E então ele foi.
Mas aquele passeio, que seria o primeiro passeio de verdade daquele homem, acabou não acontecendo. Distraído, pensando no grande momento que aconteceria horas depois, ele atravessou a avenida sem olhar para os lados e acabou sendo atropelado por um caminhão.
Morreu ao dar entrada no hospital. Foi uma grande perda. Não viveu sua vida porque queria realizar um sonho, mas morreu justamente por causa desse sonho.

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