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Contos-->A mulher que amava demais. -- 29/06/2003 - 17:05 (Marcelo de Oliveira Souza,IWA Instagram:marceloescritor) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
A MULHER QUE AMAVA DEMAIS


Maurine era uma adolescente pacata, que não gostava muito de ir a essas festas populares, muito menos gostava da confusão do carnaval. Morava com seus pais, que sempre se preocupavam com ela, porque ela possuía somente uma amiga que se chamava Sandra e viva a fantasiar a vida através das novelas de televisão.
Num desses dias de domingo, ela foi almoçar na casa de sua única amiga e deparou-se com um rapaz, cerca de uns quatro anos mais velho que ela, como ela tinha quatorze anos, ele, que se chamava Miro, já ia completar dezenove anos de idade no final do ano. Ela se encantou totalmente com ele, algo que nunca acontecera, pois nunca saía de casa, muito menos para aventurar uma paquera, mas como o destino é caprichoso...
Logo Miro já estava interado sobre tudo que Maurine preferia, e sempre prestando uma grande atenção a ela, que não deixava de tirar os olhos do nosso amigo, durante todo o almoço na casa de sua amiga.
No outro dia ela só imaginava como seria beijar a primeira vez, pois ela nunca tinha praticado, o que não perdeu tempo, indo praticar com uma laranja e depois com um cubo de gelo, não sei como.
Um belo dia quando Maurine estava de volta para casa no ponto de ônibus, nosso personagem veio por trás e tapou-lhe os olhos perguntando suavemente quem seria, nunca ela iria imaginar, mas não demorou muito tempo, ele se revelou, indo juntos para casa, que moravam no mesmo bairro, ele que vinha do cursinho pré-vestibular.
Assim começou um episódio de amor, que sua mãe começou a perceber alguma diferença no cotidiano dela, mudando os horários, chegando cada vez mais tarde, e cada vez mais alegre, sem conseguir esconder tanta felicidade naqueles olhinhos, que inda pouco só reluzia a tristeza da sua alma.
O tempo foi passando, e sua pobre mãe toda radiante com a repentina alegria da filha, deixava tudo acontecer debaixo de seu nariz, não pensava nem em comentar com Miguel, seu marido.
Uma noite ela pediu aos pais para sair com Sandra a uma festa que irá acontecer na orla da cidade, o que foi prontamente acatado o pedido, até seu pai não tinha contestado, só recomendou cuidado e que não demorasse muito...
O romance entre eles ia acontecendo, em que num domingo, Miro foi apresentado à sua família, durante um especial almoço, feito por Maurine e Maria, sua mãe. Ao termino, durante a sobremesa, foi chamado para a sala por Miguel, com aquela tradicional conversa de intenções de namoro, Miro muito descontraído comentou que só queria namorar e respeitaria sua filha como uma irmã, pois ele era muito novo para um compromisso sério, depois ia deixar rolar...
Miguel não gostou muito da resposta mas visto que o comportamento de sua filha tinha mudado para melhor acentuadamente, resolveu dar uma chance.
O nosso casal sempre saía para ir ao cinema ou ao shopping , nunca variava de horários rígidos impostos pelo pai da garota, mas numa dessas escapadas ao shopping, Miro desviou e levou a menina para um hotelzinho do centro da cidade para namorar mais à vontade, ela indo sob muitas ressalvas, contudo não deu outra, a virgindade de Maurine foi pro beleléu, virou coisa do passado.
Agora sempre aos domingos era dia de ir ao shopping, quer dizer ao motel do centro, sorte que o carinha ainda usava camisinha, porque se não fosse isso já teria engravidado a garota.
Num desses domingos, ele não apareceu, parece que já não tinha tanto interesse, porque aquela regularidade que tinha há um a- no atrás não existia mais.Maurine não saia de casa sem ele, somente para o colégio onde fazia o curso de magistério.
Sandra comentava com ela sobre isso, o que provocou uma grande desconfiança em todos, e começaram a bolar um plano para averiguar a vida de Miro, mas Maurine não permitiu isso, dizendo que se alguém tinha que descobrir algo seria ela sozinha, que os pais não podiam se meter assim na vida dela, então todos eles terminaram esquecendo o assunto.
Chegando mais um dos domingos, Miro revela que não tinha mais interesse em continuar o namoro, pois estava apaixonado por Iracema, o que foi recebido com muita discussão e troca de ofensas, nem se parecendo de longe com aquela pacata garota, contudo ele foi embora debaixo de muita chuva e deixou a menina ali plantada no ponto de ônibus.
A nossa garota se tornou muito vingativa, foi até o cursinho onde Miro estudava e aprontou o maior escândalo, querendo saber quem era a tal da Iracema, rolando a maior confusão, quando descobriu, a baixinha deu um monte de sopapo e puxões de cabelo, arrancando alguns tufos. Todo santo dia tinha confusão no final da manhã, ela já saía direto do colégio para o curso dele, e o pau comia. Até que um dia Iracema saiu do curso, para alívio de todos. Mas quem disse que ela deixou o Miro em paz? Queria voltar a qualquer custo, alegando na cara dura que ele foi o seu primeiro amor, paixão e homem. Miro não queria nem saber mais de voltar, sempre que ia namorar alguém era, aquele vexame, pois Maurine marcava mais que zagueiro da seleção, não adiantava os pais dela aconselharem exaustivamente, mas era a mesma coisa, ela já ia pessimamente no colégio.
O pior aconteceu quando Miguel descobriu que ela não era mais virgem, foi com sua filha armado de um facão para a residência de Miro, chegando lá ele conversou com os pais daquele rapaz mostrando o seu instrumento de trabalho, vociferando em bom ton que sua filha não ia ficar no prejuízo, pois aquele moleque tinha tirado a inocência de sua criança, reinando o maior tumulto na casa do rapaz, culminando em várias facãozadas na cabeça do pai de Miro.
Miguel foi parar no xilindró, mas saiu, pois era réu primário, o que não terminou o pesadelo para a família de Miro, pois a garota não deixava mais de assedia-lo dizendo que ele tinha que pagar por isso. Ele impunha para ela um monte de humilhações perante o público e ela não fazia por menos...
Num final de tarde, ela já estava de plantão na frente da casa de Miro, passando quase o dia inteiro, esperando ele sair, mas ele tinha passado o dia todinho fora, havia saído pelos fundos, mas na empolgação voltou pela frente com uma paquera nova, o que logo Maurine percebeu, indo encima da rival com um revólver, que ninguém sabe da procedência, atirando na sua oponente e em seu “amado” em seguida desferiu um tiro em sua boca morrendo intantânemente.
Miro ainda conseguiu sobreviver depois de muitas operações, mas nunca esqueceu do fato, mesmo se quisesse não dava, pois ficou com um problema no nervo ciático, e quando acordava aparecia um tremor no lado esquerdo do corpo.
Quanto a Maurine, seu enterro foi muito simples, deixando um grande trauma também na família, em que sua mãe exigiu que pusessem na sua lápide depois do nome, aqui jaz A MULHER QUE AMAVA DEMAIS.


MARCELO DE OLIVEIRA SOUZA
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