Usina de Letras
Usina de Letras
                    
Usina de Letras
206 usuários online

 

Autor Titulo Nos textos

 


Artigos ( 57948 )
Cartas ( 21205)
Contos (12792)
Cordel (10234)
Crônicas (22052)
Discursos (3145)
Ensaios - (9189)
Erótico (13450)
Frases (45037)
Humor (18878)
Infantil (4090)
Infanto Juvenil (3126)
Letras de Música (5497)
Peça de Teatro (1328)
Poesias (138520)
Redação (2984)
Roteiro de Filme ou Novela (1056)
Teses / Monologos (2416)
Textos Jurídicos (1932)
Textos Religiosos/Sermões (5190)

 

LEGENDAS
( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )
( ! )- Texto com Comentários

 

Nossa Proposta
Nota Legal
Fale Conosco

 



Cordel-->VEJO O PEIXE VARANDO A CORRENTEZA -- 28/03/2005 - 15:38 (José de Sousa Dantas) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
VEJO O PEIXE VARANDO A CORRENTEZA

Entre as ÁGUAS barrentas da enchente vejo o peixe varando a correnteza
José de Sousa Dantas, em 28/03/2005

O inverno este ano no sertão
começou no meado de janeiro,
na quinzena final de fevereiro,
o cinzeiro invadiu a região,
trinta dias constantes de verão,
mas em quinze de março, com presteza,
a dinâmica da santa natureza
liberou as torneiras de repente.
Entre as ÁGUAS barrentas da enchente
vejo o peixe varando a correnteza.

O carão, o nhambu, a juriti,
avisaram que a chuva ia chegar,
o campônio vendo o tempo mudar
se animou para ver o cangati,
a traíra, o piau, o tambaqui,
o pacu, o cascudo, na represa,
pela margem e na alta profundeza,
em qualquer curso d’água e na vertente.
Entre as ÁGUAS barrentas da enchente
vejo o peixe varando a correnteza.

Nevoeiro se forma no nascente
e a barra da chuva vai crescendo,
o relâmpago no céu resplandecendo
com trovão ribombando incontinenti,
a alegria do povo é evidente,
acabando com o antro de tristeza,
a paisagem de toda redondeza
se renova com a planta florescente.
Entre as ÁGUAS barrentas da enchente
vejo o peixe varando a correnteza.

Cai a chuva molhando todo o chão,
escoando por toda cachoeira,
vale, monte, serrote e capoeira,
serra, encosta, caatinga e grotão,
ficam cheios açude e ribeirão,
muita água acumula na represa,
e a vazão da sangria com largueza
aparece veloz, surpreendente.
Entre as ÁGUAS barrentas da enchente
vejo o peixe varando a correnteza.

Pelos corgos, riachos, poços, rios,
correm peixes que vão fazer desova,
para reprodução em água nova,
que se junta nos vales e baixios,
estendendo-se aos terrenos baldios,
produzindo uma paisagem de beleza,
cheia de encantamento e singeleza,
um cenário real e atraente.
Entre as ÁGUAS barrentas da enchente
vejo o peixe varando a correnteza.

Com a chuva, há mudança da paisagem,
que se torna repleta de encanto,
com o verde marcante em todo canto,
realçando nas copas da ramagem,
na campina, o perfume da aragem
se espalha na branda macieza,
no lugar de calor vem a frieza,
alterando o clima que estava quente.
Entre as ÁGUAS barrentas da enchente
vejo o peixe varando a correnteza.

Tem babugem e tem pasto para o gado,
tem a rama de angico e de aroeira,
de pau d’arco, mofumbo e catingueira,
todo o campo se encontra esverdeado,
tem ração e plantio no roçado,
o sertão está cheio de riqueza,
com fartura, que chega em toda mesa,
para o homem ficar bem mais contente.
Entre as ÁGUAS barrentas da enchente
vejo o peixe varando a correnteza.

Sinto o cheiro da flor de catingueira,
de angico, pinhão e marmeleiro,
de velame, jurema e de pereiro,
camará, fedegoso e aroeira,
muçambê, jitirana e marizeira,
dos demais vegetais da redondeza,
das ervanças com sua sutileza,
cada uma com cheiro diferente.
Entre as ÁGUAS barrentas da enchente
vejo o peixe varando a correnteza.

Toda vez quando chove no sertão,
logo cedo se vai a pescaria,
no riacho do açude e na sangria,
onde a água se verte em borbotão,
chega peixe de toda direção,
e o homem com sua esperteza,
aproveita no campo essa proeza
pesca, brinca em qualquer um afluente.
Entre as ÁGUAS barrentas da enchente
vejo o peixe varando a correnteza.

O campônio se acorda bem cedinho,
escutando o cantar da passarada,
veste a roupa de campo e bate enxada,
antes toma um gostoso cafezinho,
sai pra roça seguindo o seu caminho,
com os filhos e sua camponesa,
sacha todo plantio, faz limpeza,
e a lavoura se torna mais virente.
Entre as ÁGUAS barrentas da enchente
vejo o peixe varando a correnteza.

Com a água minando em todo chão,
o campônio se sente animado,
resistente, feliz, realizado,
e agradece fazendo a oração,
vendo os frutos da sua plantação,
continua lutando com firmeza,
com amor, com coragem e fortaleza,
cultivando no seu próprio ambiente.
Entre as ÁGUAS barrentas da enchente
vejo o peixe varando a correnteza.

Vez em quando eu procuro visitar
o lugar que nasci e fui criado,
roça, açude, riacho, rio e gado,
e os velhos amigos do lugar;
tiro um tempo também para pescar,
respirando um ar cheio de pureza,
o meu peito se enche de surpresa,
revivendo as paisagens plenamente.
Entre as ÁGUAS barrentas da enchente
vejo o peixe varando a correnteza.


Comentários

O que você achou deste texto?        Nome:     Mail:    

Comente: 
Perfil do Autor Renove sua assinatura para ver os contadores de acesso - Clique Aqui