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Cordel-->CHEIRO do AMANHECER no sertão -- 15/02/2005 - 14:58 (José de Sousa Dantas) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Inda hoje eu sinto o CHEIRO do AMANHECER no sertão
José de Sousa Dantas, em 15/02/2005

O LUGAR onde nasci,
dele estou distante agora,
relembro e meu peito chora,
porque nunca lhe esqueci,
desde o dia que eu saí
do meu sublime torrão,
aumentou minha paixão
pelo canto hospitaleiro.
Inda hoje eu sinto o CHEIRO
do AMANHECER no sertão.

Um FILME na minha mente,
sobre a velha cercania,
vem passando todo dia
do que houve antigamente,
e eu revivo no presente,
fazendo a contemplação
das cenas da região,
seguindo o mesmo roteiro.
Inda hoje eu sinto o CHEIRO
do AMANHECER no sertão.

Toda MANHÃ, quando acordo,
eu penso no meu lugar,
e aí começo a sonhar,
muitos detalhes, recordo,
incontinente eu transbordo
felicidade e emoção,
me encho de inspiração
e o verso faço ligeiro.
Inda hoje eu sinto o CHEIRO
do AMANHECER no sertão.

Eu recordo com saudade
o casarão, o roçado,
o campo, o curral, o gado,
a velha propriedade,
estou hoje na cidade,
numa outra ocupação,
dirigindo construção,
no meu cargo de engenheiro.
Inda hoje eu sinto o CHEIRO
do AMANHECER no sertão.

Eu moro na capital,
não esqueço o interior,
sou filho de agricultor,
nasci na área rural,
município de POMBAL,
onde tive a formação,
recebendo a proteção
dos meus pais o tempo inteiro.
Inda hoje eu sinto o CHEIRO
do AMANHECER no sertão.

Eu lembro SANTA LUZIA,
a sua paisagem bela,
a velha casa amarela,
as várzeas, a serraria,
onde eu tive a regalia,
a grata satisfação,
de viver nesse rincão,
deslumbrante e prazenteiro.
Inda hoje eu sinto o CHEIRO
do AMANHECER no sertão.

Quem nasceu no interior,
conhece toda a proeza,
que existe na redondeza
do sertão encantador,
o sol quente, o esplendor,
da primavera ao verão;
o riacho em borbotão,
cheio de tanto balseiro.
Inda hoje eu sinto o CHEIRO
do AMANHECER no sertão.

O início do inverno,
de dezembro pra janeiro,
se vê ÁGUA no barreiro,
e o campo mudar de terno,
que fica alegre e moderno,
na mais sublime visão,
revitalizando o chão,
no vale e no tabuleiro.
Inda hoje eu sinto o CHEIRO
do AMANHECER no sertão.

Eu lembro o banho no rio,
no riacho, no açude,
naquele ambiente rude,
sereno, puro e sadio,
que me enchia de brio,
esperança e emoção,
para realização
do meu sonho verdadeiro.
Inda hoje eu sinto o CHEIRO
do AMANHECER no sertão.

CHEIRO de flor de aroeira,
de velame e alfazema,
de pereiro, de jurema,
de mofumbo e catingueira,
de angico e marizeira,
cumaru e cansanção,
camará, rompe-gibão,
de pau d’arco e juazeiro,.......
Inda hoje eu sinto o CHEIRO
do AMANHECER no sertão.

Eu acordava bem cedo,
sentindo o CHEIRO de pinha,
beldroega, vassourinha,
capim, fedegoso e bredo,
jaramataia, arvoredo,
jitirana e algodão,
anil, jucá e pinhão,
oiticica e marmeleiro,......
Inda hoje eu sinto o CHEIRO
do AMANHECER no sertão.

Sinto o CHEIRO da fartura,
de manga, de gergelim,
de mel e de alfenim,
de batata e rapadura,
de melancia madura,
de milho, arroz e feijão,
de jerimum, de melão,......
e das frutas de cardeiro.
Inda hoje eu sinto o CHEIRO
do AMANHECER no sertão.

Pra mim um grande deleite,
sentir CHEIRO de coalhada,
de queijo, de carne assada,
de manteiga, de azeite,
de fuba, cuscuz e leite,
de flor de manjericão,
de goiaba e açafrão, .......
de café e de tempero.
Inda hoje eu sinto o CHEIRO
do AMANHECER no sertão.

A barra do horizonte,
no AMANHECER do dia,
o sopro da brisa fria,
os raios por trás do monte,
a doce cena defronte
do antigo casarão,
a mais autêntica atração
no nordeste brasileiro.
Inda hoje eu sinto o CHEIRO
do AMANHECER no sertão.

Quando a porta se abria
se avistava no terreiro
o orvalho no aceiro,
perfumando a moradia,
no monturo, a vacaria,
encostada no oitão,
galinha ciscando o chão,
os cabritos no chiqueiro.
Inda hoje eu sinto o CHEIRO
do AMANHECER no sertão.

O orvalho cintilante,
a paisagem na alvorada,
o canto da passarada,
a babugem verdejante,
o açude e a vazante,
as cantigas do carão,
fazendo adivinhação,
no início de janeiro.
Inda hoje eu sinto o CHEIRO
do AMANHECER no sertão.

Do meu sertão eu me lembro:
as festas e domingueiras,
as burundangas nas feiras,
as debulhas em setembro,
o Natal mês de dezembro,
em janeiro, a plantação,......;
o vaqueiro de gibão
derrubando um mandingueiro.
Inda hoje eu sinto o CHEIRO
do AMANHECER no sertão.

Novenário, romaria,
casamento, farinhada,
argolinha, vaquejada,
piquenique, cantoria,
serenata, pescaria,
jogo, sueca, leilão,
os festejos de São João,
sob a luz do candeeiro.
Inda hoje eu sinto o CHEIRO
do AMANHECER no sertão.

O CHEIRO da namorada,
bonita, nobre e fiel,
seus doces lábios de mel,
de donzela, linda, fada,
dengosa e saçaricada,
que deixa o cabra doidão,
na mais alta sensação,
invadindo o corpo inteiro.
Inda hoje eu sinto o CHEIRO
do AMANHECER no sertão.

O velho carro de boi,
que todo dia cantava,
e a gente lhe admirava,
ou tempo bom que se foi !
mesmo que hoje não soe,
guardo na imaginação
toda aquela tradição:
o carro, os bois, o carreiro.
Inda hoje eu sinto o CHEIRO
do AMANHECER no sertão.

O LUGAR onde nasci
é distinto e promissor,
atraente, encantador,
onde estudei e aprendi,
trabalhei, desenvolvi,
com coragem e devoção,
hoje faço essa canção
lembrando o tempo primeiro.
Inda hoje eu sinto o CHEIRO
do AMANHECER no sertão.

Eu tenho orgulho de ser
NORDESTINO, sim senhor,
foi no meu interior,
que eu comecei a crescer,
desfrutando o AMANHECER,
o sol na imensidão,
o verde da plantação, .....
todo o campo alvissareiro.
Inda hoje eu sinto o CHEIRO
do AMANHECER no sertão.

Mote de EDSON MEDEIROS:
Inda hoje eu sinto o CHEIRO do AMANHECER no sertão
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