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Artigos-->O drama em sua origem e contemporaneidade -- 29/04/2021 - 15:49 (gisele leite) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos

 

 

O gênero chamado drama refere-se aos textos literários feitos para serem representados no palco, tem sua origem na Grécia Antiga e, relaciona-se às festas religiosas em homenagem ao Deus Baco, o Deus do vinho (Dionísio)[1] e da alegria. Em sua trajetória evolutiva foi esmaecendo sua ligação com a religiosidade e incorporando as influências históricas e culturais de seu tempo e também as características das fases literárias em que fora produzido.

O vocábulo “drama” em grego significa ação e suas principais características como a forma do texto em forma de diálogo, dividido em atos e cenas, com a presença das rubricas de espaço ou situação anterior de cada ato; sequência da ação dramática geralmente constituída de exposição, conflito, complicação, clímax e desfecho.

No drama, temos o protagonista que é o personagem central, o antagonista que quem se opõe ao protagonista, o coro que comenta a ação ao longo da peça e, a catarse que significa a purificação experimentada pelo público de uma tragédia, o qual poderia  apaziguar suas angústias internas por meio de emoções representadas nas cenas.

Normalmente, a tragédia[2] se imbui de tom sério e solene. E, o protagonista enfrenta grandes dificuldades, apresenta linguagem formal e, sua estrutura é composta por ação inicial feliz, mas, que tem um fatal desfecho. Há a presença de personagens nobres, reis, príncipes que sofrem o destino imposto pelos Deuses do Olimpo.

Existem os subgêneros do gênero dramático, como por exemplo, o auto que é peça teatral sobre temas religiosos ou profanos com teor moralizando e, através de alegorias, visa satirizar e educar.

Os personagens são frequentemente representados de forma abstrata, como os valores tais como honestidade, bondade, fome, inveja e afeto. Um exemplo é o Auto da Compadecida[3] de Ariano Suassuna.

Outro subgênero é a comédia onde se realiza a crítica dos defeitos humanos e da sociedade em geral, explorando situações burlescas, ridículas e cômicas do cotidiano. E, os personagens em geral são estereotipados.

A tragédia sempre narra acontecimentos que refletem adversidades e sofrimentos dos personagens, culminando em final funesto e, visa impressionar a audiência, ora provocando terror e compaixão. Outra subespécie é a tragicomédia que mistura, harmonicamente, as características da comédia e da tragédia[4].  Há elementos cômicos ao lado de assuntos trágicos.

Já a farsa apresenta situações grotescas e ridículas do cotidiano e familiar. Tem tom exageradamente caricatural e satírico e, visa criticar a sociedade e provocar o riso da plateia. Cogita-se da crise do drama ou morte do drama por conta da pulverização das noções estruturais aristotélicas do drama.

Há a intromissão dos gêneros lírico e épico no drama, que tem no diálogo e na representação do tempo presente as características fundamentais. O teatro vivenciado a chamada crise do drama, pois é ha falência da construção cênica por causa da quebra das formas poéticas.

Antes, havia o drama clássico que tinha formas e conteúdos definidos, com característica intersubjetiva, isto é, postado em diálogos presenciais e acontecimentos que instituem uma relação de causa e efeito.

Em pleno século XVIII surgira o drama burguês, que pretendia unir as linguagens peculiares da tragédia e da comédia. Priorizava a criação do elo de identificação com o cidadão comum, para que desta forma, a ação dramática fosse enredar o espectador.

Do drama burguês surge o melodrama, que inicialmente buscava expressar elementos da tragédia, inserindo música e a própria ação dramática, muito similar a ópera por possuir esses elementos.

O melodrama caracteriza-se pelo forte apelo emocional, e entra o Séc. XX, com maior ênfase no sofrimento, sentimentalismo e tudo que possibilita impressionar e comover o espectador. Hoje ainda é forte o uso do melodrama no palco e nas diferentes mídias de entretenimento.

O drama é um desses conceito que mergulha em vasta e profunda polissemia, chegando mesmo dissipar-se. Estando ligado às duas formas artísticas soberanas que é a literatura e ao teatro. Já no campo da poética dos gêneros literários, o drama divide com a época e a lírica, trazendo assim, a tríade de possibilidades de representação do mundo através da narrativa.

Cada forma específica dotada de construção simbólica traz modos peculiares de se posicionar diante do mundo factível e das histórias narradas[5]. Convém ressaltar que não se trata de campos estanques e delimitados, ainda que, em sua essência sejam puras.

O drama primário, unitário e intersubjetiva, tem sua dinâmica através da ação de personagens autônomos, destacados de uma instância narrativa exterior. E, seus interesses mobilizam conflitos de vontades que através do diálogo e do enfrentamento, movem a ação a partir de substanciais mudanças no rumo da história (são as chamadas peripécias).

Em sua totalidade, o drama tem origem dialética, pois não se desenvolve graças à intervenção do eu-épico na obra, mas mediante a superação, sempre efetivada e novamente destruída, da dialética intersubjetiva, que no diálogo se torna fluente linguagem[6].

No drama contemporâneo há uma infinidade de questionamentos complexos, o que requer os recursos de áreas de conhecimento,] entre as quais deve-se enfocar a psicologia analítica, cujo o foco principal é o ser humano em sua versão homo psíquico, dotado de uma psiquê (alma) e suas funções. Conforme explicou Jung, sem a psiquê não existiria o mundo, ou mais precisamente, o mundo humano.

Sobretudo, hoje em dia quando o bem-estar futuro reconhecidamente não mais decide pela ameaça de animais ferozes, pelas catástrofes naturais ou pelo perigo de vastas e fulminantes pandemias, mas, única e exclusivamente pelas alterações psíquicas dos homens.

O homem contemporâneo não consegue perceber que, apesar de toda sua racionalização e toda a sua eficiência, continua possuído por 'forças' além do seu controle. Seus deuses e demônios absolutamente não desaparecem; tem apenas novos nomes. E conservam-no em contato íntimo com a inquietude, apreensões vagas, complicações psicológicas, uma insaciável necessidade de pílulas, álcool, fumo, alimento e, acima de tudo com uma enorme coleção, de neuroses... (JUNG, 1964, p. 82).

 

Referências:

COLL, César, TEBEROSKY, Ana. Aprendendo Arte. São Paulo: Ática, 2000.

JUNG, Carl Gustav. O Homem e seus Símbolos. Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira,1964.

-------------------------- O Desenvolvimento da Personalidade. Petrópolis, Editora Vozes, 1981.

-------------------------- A Natureza da Psique. Petrópolis, Editora Vozes, 2009.

-------------------------- Presente e Futuro. Petrópolis: Ed. Vozes, 2011a.

-------------------------- Civilização em Transição. Petrópolis: Editora Vozes, 2011b.

OLIVEIRA, Flávio Ribeiro. O mito na tragédia grega. Disponível emÇ https://revistacult.uol.com.br/home/o-mito-na-tragedia-grega/ Acesso em 29.4.2021.

ROUBINE, Jean-Jacques. Introdução às grandes teorias do teatro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003.

VASCONCELOS, Luiz Paulo da Silva. Dicionário de teatro. Porto Alegre: L&PM, 2001.

 

 

[1] Durante as celebrações a Dionísio, que duravam seis dias, aconteciam procissões, e com o auxílio de fantasias e máscaras, seus fiéis entoavam cantos líricos – que mais tarde evoluíram para a forma de representação totalmente cênica através de peças clássicas.

[2] A Tragédia Grega foi um dos gêneros teatrais (ou dramáticos) mais encenados durante a Grécia Antiga.

É considerada o gênero teatral mais antigo, dos quais se destacam os dramaturgos gregos: Ésquilo (524-456 a.C.), Sófocles (496-406 a.C.) e Eurípedes (480-406 a.C.).

[3] É uma obra-prima de Ariano Suassuna e, foi escrita em 1955 e encenada pela primeira vez em 1956 no Teatro Santa Isabel. Trata-se de uma peça dividida em três atos e tem como contexto o sertão nordestino. Foi uma obra a ter forte influência da tradição popular. João Grilo e Chicó são os amigos inseparáveis que protagonizarão a história vivida no sertão nordestino. Assolados pela fome, pela aridez, pela seca, pela violência e pela pobreza, tentando sobreviver num ambiente hostil e miserável, os dois amigos usam da inteligência e da esperteza para contornarem os problemas.

[4] O filósofo Aristóteles teorizou que a tragédia resulta numa catarse da audiência e isto explicaria o motivo dos humanos apreciarem a assistir ao sofrimento dramatizado. Entretanto, nem todas as peças que são largamente reconhecidas como tragédias resultam neste tipo de final catártico - algumas tem finais neutros ou mesmo finais dubiamente felizes. Determinar exatamente o que constitui uma tragédia é um assunto frequentemente debatido. Alguns sustentam que qualquer história com um final triste é uma tragédia, enquanto outros exigem que a história preencha um conjunto de requisitos (em geral baseados em Aristóteles) para serem consideradas tragédias.

[5] Um dos grandes tragediógrafos nos tempos modernos foi Jean Racine, que trouxe um novo aspecto ao gênero com seus trabalhos.  Quando a sua peça Bérenice foi criticada por não conter nenhuma morte, Racine contestou a visão tradicional de tragédia.  Seu rival, Pierre Corneille, também deixou seu estilo no mundo da tragédia com peças como Medée (1635) e El Cid (1636). Na língua inglesa, as mais famosas e bem sucedidas tragédias foram as escritas por William Shakespeare. As obras de Shakespeare tiveram e tem grande influência na literatura ocidental, e incluem tragédias extremamente famosas, como Romeu e Julieta, Hamlet e Otelo, entre muitas outras.

[6] A relação entre mitologia grega e tragédia não se esgotou na tragédia grega: a mitologia grega continua, até hoje, a fornecer temas para autores dramáticos. E hoje, como na Grécia antiga, os autores têm liberdade para trabalhar o mito como lhe aprouver. Porém, há uma diferença fundamental na relação da tragédia com a mitologia entre os gregos e entre nós: para os gregos era dialética, para nós tornou-se unívoca. Tomemos, como exemplo, um mito que todos conhecem: o de Medéia. Jasão, com os argonautas, faz uma expedição à Cólquida para buscar o velo de ouro. Lá a filha do rei, a feiticeira Medéia, apaixona-se pelo herói e o ajuda no furto do velo e na fuga. Depois de algumas peripécias, Jasão e Medéia estabelecem-se em Corinto. Têm dois filhos. Jasão, contudo, troca Medéia por Glauce, filha do rei de Corinto.

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