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Contos-->A Avenida Ogunjá -- 04/05/2003 - 17:39 (Marcelo de Oliveira Souza,IWA Instagram:marceloescritor) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
A Avenida Ogunjá

Um nome bastante incomum, pois ele é proveniente da religião do candomblé, que foi adotado nesta avenida.
Minha residência fica bem encima deste corredor de tráfego, com esta posição privilegiada, assisto de camarote tudo que acontece lá.
Um local que de dia é bastante movimentado, com uma fluência de trânsito muito grande, pois o caminho dá acesso ao centro da cidade e à Barra, onde acontecem muitos acidentes de trânsito e atropelamentos, bem pertinho da minha residência, as pessoas que moram beirando a pista, na favela, parecem ter um comportamento incomum.
Quando começa a terminar o dia, o movimento, transforma-se em um lugar ermo, em que só os moradores das proximidades passeiam com fluência e/ou segurança, as pessoas que se aventuram por ali, para pegar um coletivo, ficam expostas a algum tipo de violência, nem quem está passando de carro tem sossego, um amigo meu quando dirigia de madrugada, há alguns anos atrás, foi alvejado com um bloco de tijolo, para parar, e assim ser abordado.
Uma noite dessas, durante a greve dos policiais, as pessoas daqui não dormiam, pois era uma algazarra total, tomaram a avenida, bloqueando-a, e só se via carros dando a volta para não serem abordados pelos indivíduos, que pareciam alucinados, dizendo que agora chegou a vez deles mandarem, resolvendo invadir um supermercado do governo, roubando e destruindo tudo que podiam.
A violência permeia o local, como na vez que ouvimos só uma explosão, por volta das três da matina, acredito que fosse um carro roubado, onde o veículo colidiu-se com um poste, tornando o ambiente mais perigoso, porque faltou luz, e quando ela voltou, nem sinal do motorista, onde os moradores da favela passaram o resto da noite “depenando” o carro completamente e levando, igual a um monte de formigas indo levar as folhagens para o seu ninho.
No viaduto, que passa sobre o local, os suicídios se multiplicam, só ouvimos os ruídos de pavor dos desventurados, saltando para o infinito da morte, terminando sua triste sina no solo, engordando o número de infortúnios da avenida, em que recentemente uma colisão deixou uma mulher presa entre as ferragens, gemendo de dor, esperando o salvamento, em meio aos olhos curiosos dos moradores, que parecem ficar de plantão, esperando qual a próxima novidade.
Em noites de “paz” os moradores vão a um boteco, que tem uma máquina da Karaoquê em que eles cortam o silêncio das noites de finais de semana, com músicas desafinadas e bregas, regadas a muita cachaça e baderna.


Marcelo de Oliveira Souza

04/05/2003




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