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Artigos-->Desarmamento: realização de plebiscito já foi um erro -- 13/07/2019 - 20:50 (Lorde Kalidus) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

Olhando superficialmente, o referendo realizado em 2005 para saber a opinião do povo sobre o porte e a posse de armas ser ou não proibido no Brasil era apenas mais uma etapa do processo democrático sendo posta em andamento e a proposta vencedora seria colocada em prática. Digo “seria” porque todos nós sabemos como o referido processo acabou, até porque referendo não implica necessariamente em acatar o resultado por mais majoritário que seja, como aconteceria caso se tratasse de um plebiscito.

Entretanto, hoje, muitos anos brigando, protestando e apoiando toda e qualquer medida que vise revogar o desarmamento opressor imposto pela ditadura disfarçada de democracia que tomou conta da cena em 1985, eu me faço a pergunta: afinal, pra que serviu aquela merda? Qual a necessidade sequer daquele referendo ter sido realizado? Não somos uma sociedade livre, que deveria ser composta por pessoas de diferentes credos religiosos, etnias, convicções filosóficas, opções sexuais e demais escolhas que fizessem cada um pra suas próprias vidas, cada um dentro de seu espaço e quem não estivesse de acordo com algo que buscasse outro que lhe fizesse melhor?

Hoje, mais maduro, observador e politicamente mais consciente, observo a realização da pesquisa de forma diferente da anterior. Simplesmente, ele não precisava ter acontecido. Não há, nunca houve e nunca vai haver, do ponto de vista democrático, qualquer necessidade para que se pergunte se alguma parcela da população é a favor ou não do porte e da posse de armas de fogo, tanto quanto não tem nada a ver fazer um referendo para se saber se a feijoada deve ser extinta, se o carnaval tem de ser banido ou qualquer outro assunto. Por quê? Porque, ao menos na teoria, vivemos num país livre, onde toda opção deve ser respeitada, inclusive a de se possuir ou não armas de fogo para a própria defesa. Quem não se sentir seguro com elas ou simplesmente, por qualquer motivo que seja, não quiser tê-las, simplesmente não as tenha. Mas não foi isso que aconteceu, um lado simplesmente tinha que vencer, se sobrepor a outro, como se o que mais importasse não fosse simplesmente o desarmamento, mas, simplesmente, que houvesse uma forma de que, num país onde se é derrotado em um sem número de aspectos, se fosse vitorioso em um, não importando o quão desnecessária fosse essa “competição”.

A grande verdade, não estamos contentes tendo o que queremos ou precisamos, não nos contentamos em cuidar apenas de nossas próprias vidas. O grande problema do nosso povo é ter que meter o nariz nos problemas dos outros para esquecer que sua existência é um amontoado de problemas não resolvidos. Percebi isso em muitas ocasiões, mas o que me chamou a atenção sobre a questão debatida foi uma ocasião em particular quando, há alguns meses, estava conversando com alguns amigos no trabalho sobre o filme “a última tentação de Cristo”, de Martin Scorcese e, ao comentar com um funcionário mais jovem sobre a obra, ele me perguntou: “e este filme não foi proibido”? Me perguntei, “mas por que deveria ser, só por que expõe um ponto de vista diferente sobre uma determinado assunto”?

É apenas um exemplo, mas, automaticamente, meu raciocínio me levou a uma conclusão inevitável, que estamos mais preocupados em impor nossos pontos de vista, em colocar em prática a forma como queremos que eles sejam postos em prática, em vez de simplesmente buscarmos um nicho cultural, político, religioso ou filosófico em que possamos nos encaixar, cada um no seu canto, independente daquilo que é defendido por este ou aquele grupo. E, muitas vezes, algo que parece ser extremamente simples pode acabar se estendendo de tal forma a ponto de prejudicar interesses de alguns, que, no caso do desarmamento, representam uma maioria esmagadora que não quer perder seu direito à defesa, quando seria muito mais simples se quem apreciasse este direito pudesse ter suas armas e quem quisesse abrir mão deste mesmo direito, simplesmente vivesse de acordo com o que acha melhor. E que, em ambos os casos, se vivesse de acordo com suas escolhas e possíveis consequências delas.

Mantenhamos o foco... 

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