Usina de Letras
Usina de Letras
                    
Usina de Letras
111 usuários online

 

Autor Titulo Nos textos

 


Artigos ( 57113 )
Cartas ( 21170)
Contos (12596)
Cordel (10092)
Crônicas (22213)
Discursos (3137)
Ensaios - (9017)
Erótico (13404)
Frases (43772)
Humor (18490)
Infantil (3792)
Infanto Juvenil (2720)
Letras de Música (5470)
Peça de Teatro (1317)
Poesias (138320)
Redação (2926)
Roteiro de Filme ou Novela (1055)
Teses / Monologos (2401)
Textos Jurídicos (1925)
Textos Religiosos/Sermões (4892)

 

LEGENDAS
( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )
( ! )- Texto com Comentários

 

Nossa Proposta
Nota Legal
Fale Conosco

 



Artigos-->Ngonguita Diogo Homenageia o Dia de Portugal, de Camões e da -- 21/06/2019 - 18:29 (Lita Moniz) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

“A MINHA PÁTRIA É A LÍNGUA PORTUGUESA” ESCREVEU PESSOA

E CARVALHO AFIRMA QUE GALIZA EXISTE DESDE QUE EXISTE O GALEGO.

 

Possivelmente Carvalho Calero e Fernando Pessoa nunca se cruzaram, mas ambos coincidiram numa idéia: a língua é a pátria, ou a mátria comum.

 

A frase de Pessoa, do Livro do Desassossego, originou inúmeras citações ou adaptações. Entre elas, a modo de exemplo, José Saramago,  concluiu que a língua portuguesa é “uma língua de várias pátrias”; ou Eduardo Lourenço, que acrescentou: "uma língua não o é de ninguém, mas nós não somos ninguém sem uma língua que fazemos nossa”; ou Jorge de Sena, que vai além "a Pátria de que escrevo é a Língua em que por acaso de gerações nasci”; ou Maria Gabriela Llansol, para quem "o meu país não é a minha Língua, mas levá-la-ei para aquele que encontrar"; ou Eduardo Prado Coelho, que, categórico, afirma: "A nossa pátria só será a Língua Portuguesa se for mais do que a Língua"; ou o moçambicano Mia Couto, que diz: "A minha pátria é a minha Língua Portuguesa"

 

Entretanto, Michel Cahen especialista em colonização portuguesa contemporânea em África, refere-se à famosa frase de Fernando Pessoa – “A Língua Portuguesa é a minha pátria” como tendo sido voluntariamente muito mal interpretada.

Ela foi utilizada depois da Revolução dos Cravos, em 1974-75, num contexto onde, para muitos portugueses que já tinham perdido o império, era importante analisar a Lusofonia em construção como uma espécie de continuação do império.

 

É preciso ler a famosa expressão de Fernando Pessoa no parágrafo em que está inserida: ele explica que não sente nenhum patriotismo; está-se nas tintas e não lhe pesaria se os espanhóis invadissem Portugal, desde que não o incomodassem pessoalmente.

 

Ele quis dizer que, como escritor, não tinha ódio daquele que não tinha tido o privilégio de ir à escola e que não sabia escrever bem o português, mas, ao contrário, daqueles que, tendo frequentado a escola, escreviam mal o português.

 

Como escritor, diz que, para a vida dele, o importante não era Portugal ou o seu império: o importante era o espaço intelectual, um espaço mental criado pela Língua Portuguesa. Isto é, ele explica que era completamente apatriota no nível político, e que a “pátria” dele (vista como espaço mental) era somente a literatura e a língua.

 

Mas esta frase foi totalmente invertida para dar a entender que a Língua Portuguesa define uma pátria comum (no sentido político e cultural) de todos aqueles que falam português ou têm esse dialeto como língua oficial do Estado. Como se Angola, Moçambique, Portugal e o Brasil fossem a mesma pátria ou a mesma “superpátria”..., como se a CPLP e a Lusofonia produzissem uma pátria comum. Não é nada disso que quis dizer Fernando Pessoa.

Obviamente que há vários povos, várias identidades e várias nações que se expressam em português, mas isto não quer dizer uma pátria comum.

Aliás, não existe uma África de expressão portuguesa, ou francesa, ou inglesa: existem Estados Africanos que têm o

português, ou o francês, ou o inglês como Língua oficial, mas a expressão deles nessas Línguas é uma expressão africana. Por isso, a designação neutra de “Países africanos de Língua oficial Portuguesa” pareceu-lhe muito mais correta do que “África de expressão portuguesa” (ou francesa, ou inglesa).

 

A Língua Portuguesa é uma língua romântica flexiva ocidental, originada no galego-português, falado no Reino da Galiza e no norte de Portugal. Com a criação do Reino de Portugal em 1139 e a expansão para o sul como parte da reconquista, deu-se a difusão da língua pelas terras conquistadas e mais tarde com as descobertas portuguesas, para o Brasil, África e outras partes do mundo.

 

Durante a Era dos Descobrimentos, marinheiros portugueses levaram o seu idioma para lugares distantes. A exploração foi seguida por tentativas de colonizar novas terras para o Império Português e, como resultado, o português dispersou-se pelo mundo. Brasil e Portugal são os dois únicos países cuja Língua primária é o português. É Língua oficial em antigas colônias portuguesas, nomeadamente, Moçambique, Angola, Cabo Verde, Guiné Equatorial, Guiné Bissau e São Tomé e Príncipe, todos na África.

 

Além disso, por razoes históricas, falantes do português, ou de crioulos portugueses, são encontrados também em Macau (China) Timor - Leste, em Damão e Diu e no estado de Goa (Índia), Malaca (Malásia), em enclaves na Ilha das Flores (Indonésia), Batticaloa no (Sri Lanka) e nas Ilhas ABC no Caribe.

 

É uma das línguas oficiais da União Européia, do MERCOSUL, da União de Nações Sul – Americanas, da Organização dos Estados Americanos, da União Africana e dos Países Lusófonos. Com aproximadamente 280 milhões de falantes, o português é a 5ª língua mais falada do mundo, a 3ª mais falada do hemisfério ocidental e a mais falada no hemisfério sul do planeta.

 

O Português é conhecido como a língua de Camões ( em homenagem a uma das mais conhecidas figuras literárias de Portugal, Luis Vaz de Camões, o autor de Os Lusíadas, a ultima flor do Lácio – expressão usada no soneto Língua Portuguesa, do escritor brasileiro Olavo Bilac

Miguel de Cervantes, o célebre autor espanhol, considera o idioma português doce e agradável.

 

O dia internacional da Língua Portuguesa é comemorado em 5 de Maio, a data foi instituída em 2009, no âmbito da Comunidade dos Países de língua portuguesa (CPLP), com o propósito de promover o sentido de comunidade e pluralismo dos falantes de português. A comemoração propicia também a discussão de questões idiomáticas e culturais da lusofonia, promovendo a integração entre os povos desses nove Países.

 

Assim como os outros idiomas, o português sofreu uma evolução histórica, sendo influenciado por vários idiomas e dialetos, até chegar ao estágio conhecido atualmente.

 

Deve-se considerar, porém, que o português de hoje compreende vários dialetos e subdialetos , falares e subfalares, muitas vezes bastante distintos, além de dois padrões reconhecidos internacionalmente ( o português brasileiro e o português europeu). No momento atual, o português é a única língua do mundo ocidental, falada por mais de cem milhões de pessoas com duas ortografias.

 

Mas, se ferir teus ouvidos é porque desconsegui aprender, me deixa só no “meu tera”.

Tas-me a chamar matumba? Protuguês do conversar nu scola nu meu cúbico nu maia, “ minha terra é a língua que eu compreendo”

 

E para terminar vamos brincar com a poesia que nos une, porque quando, mas pátria não existir, continuaremos unidos pela língua portuguesa.

 

NO MIRADOURO DO ELOS

 

Numa redoma onde a palavra era servente

Nasci ensopada de dialectos nos aromas de meu tecto

E a palavra se firmou no verbo trato de Camões

 

Ó ditadora voz serpente!

Herói de todos os mares

Vem salmodiar neste pomar

 

Sou portuguesa de verbo e na ação uma angolana de sabor tropical

Casei-me no carnaval do Brasil porque meu Semba viajou num fuzil

E no Samba enredo da Portela embarquei minhas núpcias

Estou em Lisboa

 

Acordei no crioulo som Cabo Verde show

Vênia a Rainha dos pés descalços

Nesse embalo o poeta dos pés descalços da minha banda, casa o fado com poesia de Angola

 

Oh Moçambique de meus trambiques

Vem aqui plantar o pé no sopé de teu chalé

 

Em S. Tomé e Príncipe um roto amor meu se perdeu

Não porque faltou o verbo mas abundou preconceito nas tares de meu conceito

 

Plantei meu paladar nas raízes da Guiné

De pasto sol nasceu meu neto, nas paragens de Bissau

 

Ai que dúvida atroz, ora Hispano- Britânica ora espanhola, na paella me perdi em Malabo, mas como cozido de bacalhau na Guiné Equatorial.

De todas as dores foi para Timor Leste que Shakira cantou

 

Óh língua de mil cores!

Na coluna de teus braços me firmei

Sou carraça no passo elástico de troféu  

Nesse caminhar laço elo, tu e eu

De quem é o português?

 

 

Comentários

O que você achou deste texto?        Nome:     Mail:    

Comente: 
Perfil do Autor Seguidores: 6Exibido 37 vezesFale com o autor