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Artigos-->Vacas profanas e sagradas do Mosteiro Bidiônico -- 04/04/2019 - 05:09 (Padre Bidião) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

Vacas profanas e sagradas do Mosteiro Bidiônico 

Sempre fui adepto ao divino e o que há de profano nele. Sempre relatei a vocês minha fixação por animais de todas as raças e espécies, em especial as fêmeas. Por isso, mantinha um santuário a elas destinado, principalmente as vacas.  Sofriam muito pela cultura pejorativa ao serem comparadas com determinadas espécies de humanos, e como só faziam mugir, ninguém intendia o que aquela sonoridade traduzia. Mas, o olhar daquelas pobres vacas revelavam muito mais a respeito do seus passados, presentes e tristes futuros que a elas estavam reservados. Não enxergavam a faca mole e afiada que um carcereiro magarefe a elas iriam submetiam. Eu sempre fui um fornecedor de carnes de vacas ao comércio interno e externo do Mosteiro Bidiônico. Na última referência, o retorno viria em euros e assim, eu poderia dar continuidade aos projetos Bidiônicos de assistência aos marginalizados pela sociedade. 

Entretanto, com as recentes movimentações estranhas no ar a falácias impensadas que eram subitamente por mim esquecidas, notei que algo estava acontecendo comigo, pois já não conseguia me lembrar das palavras que de tanto arderem na minha boca, saiam sem que eu percebesse, o que gerava uma revolta na vacaria. Ora, eu gosto tanto de todas elas, mas não conseguia ver qual o mal eu estava a fazer para que minhas vacas se rebelassem, a ponto de se recusarem a irem ao trecho de atordoamento para serem abatidas por meus amigos magarefes. Eu usava cânticos gregorianos quase filosóficos para elas se distraírem e acreditarem que iriam para o reino dos céus e de repente, elas travavam, assim como eu, o rei da boiada travava e, ao mesmo tempo emburrecia e embrutecia. Me achava tão manso nas minhas colocações, tal como um bovino no pasto, mas apesar do ser ruminante que em mim há, não conseguia perceber que as vacas também podiam ruminar. Devia ser a cultura machista Bidiônica que não me fazia perceber que vacas também ruminam e que eu também lanço na atmosfera, gases metano além de fezes, e como na vida tudo se baseia na lei do retorno ou da causa e efeito, acreditava estar sendo o mais injuriado. Não concebia a ideia de fazer o “bem” e receber um banho de merda sobre meus ouvidos, cabeça e pensamentos. Coração já não tinha de tanto utilizar a faca para fazer a sangria nos outros, fui obrigado pelo enredo da existência a ter que engolir a faca das vacas profanas e sagradas.

Vão à sangria, vacas profanas e sagradas!

Pedro Bidião de Pilar 

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