Usina de Letras
Usina de Letras
                    
Usina de Letras
102 usuários online

 

Autor Titulo Nos textos

 


Artigos ( 57535 )
Cartas ( 21185)
Contos (12631)
Cordel (10185)
Crônicas (22291)
Discursos (3141)
Ensaios - (9093)
Erótico (13416)
Frases (44315)
Humor (18629)
Infantil (3912)
Infanto Juvenil (2858)
Letras de Música (5479)
Peça de Teatro (1320)
Poesias (138263)
Redação (2948)
Roteiro de Filme ou Novela (1056)
Teses / Monologos (2412)
Textos Jurídicos (1926)
Textos Religiosos/Sermões (4990)

 

LEGENDAS
( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )
( ! )- Texto com Comentários

 

Nossa Proposta
Nota Legal
Fale Conosco

 



Artigos-->Um olhar... -- 29/12/2018 - 06:55 (Padre Bidião) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Um olhar...



Não lembro para quem olhei primeiro quando vim ao mundo. Olhos grudados cheios de secreções, mas alguém deve ter sido a parteira lá do Sertão, a primeira pessoa a ter me dados boas vindas, ensaiando em meus glúteos, os pontapés seguintes que fariam parte de minha existência. Sinto que daquele lugar aconchegante do ventre materno, jamais desejaria sair. Outro bravamente contra aquele cobertor uterino que insistia em me expulsar. Era a mãe natureza dando sua ordem para nascer, crescer e aparecer. Nasci, cresci medianamente como todo filho da seca do Sertão, mas nunca apareci ao mundo pois meu berço foi uma manjedoura (dos outros e na casa dos outros). E assim, fui percebendo o mundo a volta sempre pelas beiradas. Não tinha pedigree digna de uma árvore genealógica, pois da lógica do qual procedia, nem deveria ter vindo ao mundo. Deveria eu ter alguns karmas a creditar em contas que deveriam ser resgatadas. Tentei amadurecer a todo o custo, mas com o hábito de ter que levar sempre um pé na bunda, me fazia um ser covarde. E então, a revolta foi nascendo, crescendo e amadurecendo a tal ponto de fazer-me aparecer ao mundo apenas para debochar da cara de todas as pessoas que tivessem o azar de me conhecer. Percebi também, que as pessoas não prezam por nada salvo aquilo que lhes garanta algum quinhão. Entendi que para viver e dar continuidade à existência forçada no sertão mundo, evite matar a sede do seu irmão, evite dar qualquer tipo de atenção, ou justificativa. Não há quem o mereça. Vez em quando dê um balde de gelo, rende mais em corações áridos pois a sede vai fora a gota sendo suprida. Dê também comida gelada, seja todo gélido. Tudo conserva mais, e sua reputação fica sempre com uma carta na manga pra qualquer eventualidade. E olhe encarando o mundo como cientista prestes a fazer experimentos de convívio social. Olhar piedoso, jamais. Olhe de igual para igual ou suba num edifício e encare o mundo de cima pra baixo, porque ao contrário, todos passarão por cima de você e você, caro leitor ...."passarinho.... piu, piu, piu..." insignificante ao olhar de seu semelhante familiar ou não.





Feliz 2019!!!!!
Comentários

O que você achou deste texto?        Nome:     Mail:    

Comente: 
Perfil do Autor Renove sua assinatura para ver os contadores de acesso - Clique Aqui