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Artigos-->LYGIA FAGUNDES TELES - CELEBRE ESCRITORA -- 26/08/2017 - 12:07 (Francisco Miguel de Moura) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos


LYGIA FAGUNDES TELLES – CONTISTA E ROMANCISTA NOTÁVEL




 




*Francisco Miguel de Moura - Autor


 


Há muito tempo li o romance “Ciranda de Pedra”. Antes já havia lido, “Antes do Baile Verde”, 1970, uma coleção e também seleção de contos que muito me impressionou, pela simplicidade, ternura e exposição do momentos da vida atual, da humanidade e da profusão de sentidos e sensações. Acabei escrevendo uma análise e uma confirmação do que já vinha sendo a sua fama como contista, atestada pela crítica brasileira e, certamente também de alguns outros países. É possível que sim, visto que foi a nossa primeira escritora (mulher) indicada para o Prêmio Nobel, quando a escritora e maior contista brasileira completava 92 anos, isto é, em 2016.


“Ciranda de Pedra”, como livro, foi editado em 1938. Creio que, por causa do grande reconhecimento pelo público e divulgação da obra, tanto o nome de Lygia Fagundes Telles quanto o de “Ciranda de Pedra” levaram (ambos) à aceitação e divulgação pela mídia.


A principal personagem é Virgínia. Com ela começa o romance assim, num diálogo com a empregada:


-“Virgínia subiu precipitadamente a escada e trancou-se no quarto.


- Abre, menina, ordenou Luciana do lado de fora.


Virgínia encostou-se à parede e põe-se a roer as unhas, seguindo com o olhar uma formiguinha que subia pelo batente da porta. ‘Se entrar aí nessa fresta, você morre!’ Eu te salvo bobinha, não tenha medo’, disse em voz alta. E afastou-a com o indicador. Nesse instante, fixou o olhar na unha roída até a carne. Pensou nas unhas de Otávia. Esmagou a formiga.


- Virgínia, eu não estou brincando, menina. Abre logo, anda!


- Agora não posso.


- Não pode, por quê?


- Estou fazendo uma coisa… respondeu evasivamente. Pensava em Conrado a lhe explicar que os bichos são como gente, têm alma de gente e que matar um bichinho era o mesmo que matar uma pessoa. ‘Se você for má e começar a matar só por gosto, na outra vida você será também um bicho, mas um desses bichos horríveis, cobra, rato, aranha...’ Deitou-se no assoalho e começou a se espojar angustiosamente, avançando de rastros até o meio do quarto.


- Ou você abre, ou conto pra seu tio. É isto que você quer, é isto?”


Mas não é possível explicar um romance pela primeira página, embora seja importante (ou pela última), ambas significativas, no conjunto ou separadamente. É um pedaço da história de “Ciranda de Pedra”, cuja simbologia só saberá quem o ler todo. A história e os personagens são importantes. Entretanto é preciso que se veja e analise o estilo, a estrutura, o tempo, o espaço. Importantes são as relações entre os personagens fortes como Virgínia – Luciana e as irmãs de Virgínia (Otávia e Bruna). Elas influenciam a menina – criada sem mãe, não porque fosse órfã… Na verdade, o romance fala pouco na mãe das três irmãs. Sabe-se que Laura, a mãe, esteve no Sanatório e não reconheceu a menina Virgínia. O resto, que é a maior parte, ou seja tudo, quem quer saber tem que ler o romance, mesmo que tenha assistido à novela do mesmo nome, produzida pela Rede Globo e exibida no horário das 18 horas, de 18 de maio a 14 de novembro de 1981, cujo cenário é São Paulo, capital. Tempo: 1940.


Lygia Fagundes Telles nasceu em 1923, no dia 19 de abril. Filha de Durval de Azevedo Fagundes e Maria do Rosário Silva Jardim Moura, ele era advogado e sua mãe pianista. A família viveu anos pelo interior do Estado, mas Lygia já nasceu na capital, por isto é que seu estilo se caracteriza por representar o universo urbano e a forma intimista da mulher, ou seja, a psicologia feminina. Embora formada em Direito e Educação Física, seu interesse maior foi pela literatura. Já aos 15 anos publicava o seu primeiro livro, que quase não chegou a ser conhecido fora de São Paulo, denominado “Praia Viva”, sua estreia na arte de escrever.


Lygia Fagundes Telles, reconhecida como uma das mais belas mulheres da sua época, foi casada com o jurista Goffredo Teles Júnior, com quem teve um filho. Divorciada, casou-se com o ensaísta e crítico de cinema Paulo Emílio Sales Gomes. Em 1982 foi eleita para a Academia Paulista de Letras e em 1985, tornou-se a terceira mulher eleita para a Academia Brasileira de Letras e, em 1987, para a Academia das Ciências de Lisboa. Entre muitos prêmios dos que recebeu, destaque-se o Prêmio Afonso Arinos, da Academia Brasileira de Letras, em 1949. Outros prêmios recebidos: do Instituto Nacional do Livro, em 1958; o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, pela sua obra “Verão no Aquário” , em 1965. Outros que lhe mereceram prêmios: “A Meninas” e “Invenção e Memória”. Por fim, em 13 de outubro de 2005, o grande Prêmio Camões, em Portugal.


Seria tedioso citar todas as obras de Lygia Fagundes Telles? São muitas. Talvez sim, talvez não. De modo geral, quem lê,quer saber de tudo. De uma escritora, o que ela escreveu. Então, inclusive para satisfazer aos que fazem pesquisas biobibliográficas, eis a relação que encontrei na internet: “Porão e Sobrado”, contos, 1938; “Praia Viva”, contos, 1944; “O Cacto Vermelho”, contos, 1949; “Ciranda de Pedra”, romance, 1954; “Histórias do Desencontro”, contos, 1958; “Verão no Aquário”, romance, 1964; “O Jardim Selvagem”, contos, 1965; “Antes do Baile Verde”, contos, 1970; “”As Meninas”, romance,1973; “Seminário dos Ratos”, contos, 1977; “Filhos Prodígios”, contos, 1978; “A Disciplina do Amor”, contos, 1980; “Mistérios”, contos, 1981; “Venha Ver o Pôr do Sol”, contos, 1987; “As Horas Nuas”, romance, 1989: “A Noite Escura Mais Eu”, contos, 1995; “Biruta”, contos, 2004; “Histórias de Mistérios”, contos, 2004; “Conspiração de Nuvens”, contos, 2007; e “Passaporte para a China”, contos, 2011.




Contei acima um pedaço da história, mas não é a história que me fascina, na ficção de L.F. Telles. Como na maioria dos ficcionistas, que olhemos atentamente, o modo de dizer, o suporte psicológico dos personagens e outras tantas qualidades, as quais estão presentes nessa forte e finíssima escritora brasileira. Pareceu-me um romance sombrio, de solidão, de questionamentos familiares que só se alcançam na ficção. Leiam-na e certifiquem-se, meus leitores, por favor.


________________________


* Escritor, membro da Academia Piauiense de Letras e de outras entidades literárias e artísticas, do Brasil e do Exterior.


 


 




 




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