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Artigos-->A SOLIDÃO - VANTAGENS E DESVANTAGES -- 10/08/2017 - 17:29 (Francisco Miguel de Moura) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

A SOLIDÃO: VANTAGENS E DESVANTAGENS

 

Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro, membro da Academia Piauiense de Letras

 

Um dia destes, ou melhor, uma noite destas, deitado na rede do terraço de nosso apartamento e olhando a Lua, no céu sem nuvens, estive muito pensando sobre a solidão. Embora não estivesse só, em casa, pois minha companheira de muitos anos, Dona Mécia, estava lá no quarto fazendo suas orações a Deus, aquilo que faz todas as noites. A ideia me veio momentaneamente. Ora, eu sou uma pessoa tímida e que sempre teve medo da solidão. Mas sou também apreciador de uma boa conversa entre duas ou mais pessoas, principalmente quando se trata da literatura e artes de modo geral,também das novidades científicas e da política.

Quando se fala ou se refere à solidão, a tendência de todos nós – salvo as exceções – é começar a sofrê-la, especialmente se estiver sozinho. Porque, por incrível, há também solidão entre muitos. Solidão, tristeza, estigmas.

Neste momento, estou lembrando das cartas que o escritor Eduardo Maffei, meu amigo de São Paulo, já falecido, me fazia. Isto já faz muitos anos. Então, numa delas ele me falava de filosofia e política (como sempre), depois passava a contar alguns problemas de sua vida caseira. Casado com Dona Guiomar, tinham dois filhos, ambos já independentes, professores universitários, e raramente ou nunca visitavam os pais. E creio que, por isto, falava em solidão:

“Amigo Chico Miguel, só quem não tem cachorro, música e livros, sente solidão”.

Testemunhávamos tudo de suas preocupações e recebíamos suas lições. Isto, eu e o poeta Ozildo Batista de Barros, outro dos seus correspondentes como eu, sempre achamos que Maffei era um sábio. Um sábio que morreu e ficou no esquecimento. Já havia televisão, computador, mas o celular não existia como é hoje. Não era possível conversar se não fosse por telefone (muito caro) ou por carta.

A solidão será, quase sempre, acompanhada do sentimento de tristeza. E eu, com minha tristeza congênita, embora goste muito de rir, sempre achei e acho incômodo o ar de tristeza, uma coisa que pode transferir-se rapidamente ao ambiente. Dizem que é da natureza de cada um que nascem as doenças e que “o triste” já nasceu assim. Não acredito, pois fomos feitos por Deus. E Deus é alegria, paz, amor, fraternidade, bondade infinita. Não iria fazer nenhum homem triste. Por acaso, na missa do último domingo, lendo o Evangelho, não me lembro qual deles, encontro uma passagem onde Jesus afirma que a tristeza é pecado. Noutra parte, em Mateus, 14:23, informa que “Jesus gostava de estar com outras pessoas, mas ele também apreciava os momentos em que ficava só”. Logo na solidão, numa solidão sadia, de meditação, de amor sem vaidade.

Pesquisando por aí, mais na internet que nos livros, encontrei uma afirmação que cabe muito bem aqui: “Para os aflitos, todos os dias são maus. Mas quem é alegre de coração tem sempre um banquete, cada dia”.

Minha mãe, tinha, na memória, umas cantiguinhas em quadras, usadas nas suas brincadeiras de criança e adolescente, cantigas de rodas, onde cada participante inteligente inventava sua participação a outro ou outra, troca de amizade ou de desabafo. Vale citar esta, para o nosso tema:

“Meu amor não fique triste, / fique alegre, se puder; / coração que vive triste/ nunca logra do que quer.”

De uma forma ou de outra, os animais têm alguma influência na vida da scritor, famaioria das pessoas, especialmente naqueles que moram sozinhos (ou são solteiros) – como vimos acima sobre o estimado cão do escritor Dr. Eduardo Maffei. Quem lhe espantava a solidão era o animal, um companheiro sincero, especialmente depois que Dona Guiomar, esposa do eleceu.

Até aqui tratamos das desvantagens da solidão. Vamos à outra margem. O criador, escritor, pintor, músico, etc precisam da solidão – a solidão criativa. Mesmo os que sofrem de tristeza profunda, a chamada depressão precisam do silêncio para a prática da meditação, sem silêncio não se faz uma boa prece, uma grande meditação.

Além das solidões faladas há também outra solidão – que aqui não quer dizer tristeza: É aquela voluntária, por algum tempo, para resolver-se como pessoa pensante e que teve uma grande contrariedade; também a daqueles que se cansaram muito de certas tarefas; e aquela, por toda vida, dos monges que se entregam ao absoluto e vivem satisfeitos com o rumo que deu a seu destino.

Existem muitas outras solidões, vantajosas ou não, com tristeza ou não. O cancioneiro popular está cheio da palavra “saudade”, companheira da ausência, da solidão, mas também gratificante quando se espera por uma amor ou uma coisa certa e distante, mas que sabe chegará. E aí tudo é alegria.

É bom referir que as mulheres são menos propensas à solidão, tanto que falam muito até com as paredes, os animais, a televisão, tudo. E choram. Logo as mulheres ficam mais tristes e ao mesmo tempo sentem alegria dobrada quando tudo passa. Os homens tidos por durões, são duros mesmo: falam pouco, choram pouco ou quase nada, ninguém sabe explicar o porquê.

De qualquer forma a solidão cai em desvantagem quando relacionada com as vantagens, que são bem poucas. Será que somos uma espécie triste, não obstante sermos o único animal que sorri?

Diz-se que nós cantamos para espantar as tristezas, será? Ou é porque somos tristes mesmo que cantamos?

Fique o enigma.

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