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Artigos-->NO MEIO DO CAMINHO TEM UMA PEDRA...CRACK -- 28/05/2017 - 17:28 (benedito morais de carvalho(benê)) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
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Na década de 80 a Praça da Sé no centro de São Paulo já  era conhecida como o principal reduto do morador de rua, o porto seguro do menor abandonado, a maioria dependente da maconha e da cola do sapateiro. No ano de 1989 inicio da gestão populista da prefeita Luiza Erundina, incentivados por promessas demagógicas, os moradores da praça triplicaram. No inverno gélido daquele mesmo ano  me deparei com meia dúzia desses garotos com tremores, revirando os olhos, uma espécie de transe, alternando entre prazer e alucinação. O que mais me chamou a atenção foi um cachimbo artesanal entre os dedos de um deles, indaguei a um transeunte o motivo dequela convulsão coletva e ele respondeu com conhecimento de causa "é a raspa da canela do capeta que está invadindo São Paulo" , fiquei sem entender nada, me parecia mais um jargão policial e ele sacando minha ignorância disse " é o crack invadindo São Paulo meu amigo, uma nova droga vinda dos Estados Unidos".


Perplexo e impressinado com o que vi e por curiosidade fui buscar informações a respeito dessa desconhecida droga de efeito tão devastador, mergulhei em jornais, revistas e garimpando nos sebos do centro da cidade, aprendi que se tratava do subproduto da cocaina em forma de pedra feita para fumar num cachimbo. Também fiquei sabendo que traficantes gananciosos misturam a droga com outras substâncias, como bicarbonato de sódio, cimento, gesso e querosene e que ao seu fumada a droga atinge os pulmões chegando ao cérebro em poucos segundos.


O viciado em crack é antes de tudo um excluido entre os excluidos, ninguém se torna morador de rua como se fosse praticar um esporte , algo de muito grave aconteceu com esse individuo. A pessoa excluida socialmemente, a sua miserabilidade faz a droga florescer. Quando ele se torna um problema familiar e um fantasma para o Estado. o crack o adota e passa a ser a sua pedra fundamental.


As autoridades nada fizeram para impedir o avanço dessa pedra maldita, fecharam os olhos nesses 28 anos, e de pedra em pedra formou-se a cracolândia, o cemitério dos Zumbis, enterrados vivos, bem no centro de São Paulo. Para os governos populistas sai muito mais barato manter esses zumbis vagando pelas ruas e praças da cidade que mantê-los assistidos, sob os cuidados do Estado.


90% dos frequentadores da cracolândia moram nas ruas, mais da metade ja se tratou sem sucesso, 70% dos dependentes quimicos apresentam depressão, ansidedade ou pânico, segundo imprensa.


O efeito do crack é devastador ele produz dependência muito maior do que a da cocaina, ainda não há tratamento ou remédios que impeçam que o dependente tenha recaídas.


Os especislistas afirmam que o dependente só consegue sair do crack quando percebe que está muito doente e tem de se tratar, ele já dá um passo a frente quando sabe que precisa de ajuda. Um dia ele pode se livrar do crack, mas vai permanecer dependente a vida toda, o pesadelo do crack não tem cura, a única saída é não entrar nele, ou seja, evitar a primeira pedra.


Se no anos 80 as autoridades omissas tivessem comprado essa briga combatendo com veemência a entrada dessa pedra do cão, impedindo o traficante de comercializar essa bomba de efeito instantâneo, muito provavelmente não existiriam cracolândias nas principais cidades do país.


Jogar a policia pra cima desses desvalidos com cassetetes e balas de borrachas, predendo meia dúzia de "aviãozinhos" não irá resolver o problema, o mínimo que pode acontecer são esses zumbis  fissurados, desamparados espalhados pela cidade, formando novos núcleos, novas células, outras cracolândias.


o individuo esquélitico, sem dentes, fedendo a mijo e excremento não atrai politicos fora do periodo eleitoral, pegar esse viciado e jogar pra debaixo do tapete só vai fragmentar o problema, causando caos generalizado e criando novos problemas para o cidadão contribuinte que paga seus impostos custando os olhos da cara, ao invés de uma, ele terá múltiplas cracolândias nos arredores.


O dependente quimico é um doente em potencial, ele precisa de um atendimento em longo prazo, nas diversas áreas afetada: social, familiar, física e mental, isso bem longe dos espertalhões de plantão, esse dependente necessita de afeto, carinho, atenção, o dependente quimico precisa ser resgatado, mesmo contra a sua vontade e ser incluido na sociedade, o dependente quimico precisa urgentemente de tratamento médico, inclusive de prevenção de recaída.


Nós hipócritas estamos pouco nos lixando para a cracolândia instalada na rua do outro. Só vamos levar esse problema a sério quando o país estiver infestado de dependentes do crack , com uma cracolândia fincada em cada bairro, rua, esquina e em cada porta. Na maioria das cidades essa maldita pedra já impera.
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