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Artigos-->O FILHO DA DONA ZIZI -- 04/12/2016 - 15:43 (benedito morais de carvalho(benê)) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
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No dia 10 de setembro de 1930, nascia, em São Luiz, Maranhão, o quarto filho de Newton Ferreira e dona Zizi, José Ribamar Ferreira, que só bem mais tarde se tornaria Ferreira Gullar.


Da infância de José Ribamar, vivida em São Luís, restam lembranças curiosas. Escolas particulares, colégios renomados, muita molecagem, na companhia de  dois grandes amigos: Esmagado e Espírito da Garagem da Bosta. Na verdade, José Ribamar era um típico menino do interior, que fazia os deveres ás pressas e corria para a rua. Com sua turma , passava a semana pescando, jogando futebol e bilhar, roubando copos nos bares, galinhas nos quintais e vendendo o produto de seu "trabalho" para, no domingo, assistir a uma sessão do cinema Olímpia -"o poeira de lá"- e, sem seguida, comer um bife acebolado regado com guaraná Jesus, num restaurante que ficava ao lado do cinema.


" A poesia foi a minha salvação. Eu era um moleque da rua, rebelde, vivendo num ambiente marginal que rejeitava o rumo normal do meu pai comerciante e me jogava no bilhar, no baralho, na vadiagem, na pescaria. A poesia me pinçou desta coisa de só ter esses dois mundos para escolher. Quando descobri que podia escrever, comecei a me preparar para isso."


"Quando comecei a escrever - por volta dos treze anos - pensava que todos os poetas já haviam morrido, e mesmo assim entreguei-me entusiasticamente a esse oficio de defuntos. Ia para a Biblioteca Municipal e só lia os poetas maranhenses. Todos os demais poetas, mesmo brasileiros, não me despertavam o menor interesse. Um dia, não sei bem quando, descobri a existência do resto do mundo - as grandes cidades distantes - e desde então passei a sentir-me à margem da História. São Luís do Maranhão, minha cidade, com seus dias luminosos e azuis, mantinha-me entre o deslumbramento e o desespero: a vida era bela e destituída de propósito. A literatura, que me prometia uma resposta para o enigma da vida, lembrava-me a morte, com seu mundo de letras pretas impressas em páginas amarelecidas. Compreendi que a poesia devia captar a força e a vibração da vida ou não teria sentido escrever. Nem viver. Mergulhei assim numa aventura cujas consequências eram imprevisíveis."


Mais ou menos aos 18 anos, publicou seu primeiro soneto, intitulado "O Trabalho"; desistiu da Escola Técnica, começou a colaborar do Diário de São Luís e a trabalhar como locutor na Rádio Timbiras.


"No Maranhão, todo mundo é poeta e se chama Ribamar. Havia Ribamar Ferreira que era eu, Ribamar Pereira, Ribamar Não-Sei-O-Quê. Eu era rebelde para os moldes maranhenses; já Ribamar Pereira era bem diferente, escrevia sobre monjas. Um dia publicou um poema na página literária do Diário de São Luís, mas ao invés de sair Ribamar Pereira, saiu Ribamar Ferreira. Me senti realmente indignado com aquilo. Depois desse fato vi que não podia mais me chamar Ribamar Ferreira, porque outros incidentes poderiam acontecer. Como Goulart era um dos sobrenomes de minha mãe, achei por bem adotar o Ferreira Gullar."


Em 1951 deixou São Luís e foi morar no Rio de Janeiro, lá conheceu pessoas ligadas ao jornalismo e à literatura, passou a frequentar a casa de Mário Pedrosa, foi trabalhar na Revista do IAPC, em seguida foi revisor da revista O Cruzeiro.


Em 1968, após a edição do AI 05, foi preso no Rio, juntamente com Paulo Francis, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Deixou voluntariamente o Brasil em 1971 , mudando-se para Paris. Viveu também no Chile, no Peru e na Argentina.


Nos cinco anos e oito meses em que esteve no exílio, Gullar publicou duas obras bastante significativas para a poesia brasileira: Dentro da Noite Veloz e Poema Sujo.


Desde sua volta, em 1977, reassumiu suas atividades, atuando como jornalista, crítico de arte, autor de seriados para TV (Aplauso e Carga Pesada) e poeta.


Esse maranhense magro, rosto índio, cabelos brancos e escorridos, filho da dona Zizi,  morreu neste domingo dia 04 de dezembro de 2016, aos 86 anos. Gullar é um dos maiores autores brasileiros do século 20 e foi eleito "imortal" da Academia Brasileira de Letras (ABL) em 2014 ocupando a cadeira número 37.


"Quero que a minha poesia seja uma coisa que as pessoas leiam e apreendam o que está sendo dito. Não quero hermetismo, mas, ao mesmo tempo, não quero que a poesia seja uma coisa superficial que, em função dessa clareza, dessa possibilidade de comunicação, eu sacrifiquei a beleza, tudo aquilo que é o cerne da poesia. Esse é o grande problema que se coloca para mim: o problema da expressão."
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