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Cordel-->TESOURO REDESCOBERTO - Livro de Mª do Socorro Xavier -- 17/05/2004 - 11:07 (José de Sousa Dantas) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
TESOURO REDESCOBERTO - A Riqueza do Folheto em Verso

Lançamento do livro de Maria do Socorro Xavier
Apresentação: José de Sousa DANTAS
Local: Academia Paraibana de Poesia;
Data: 15/05/2004 (Sábado)

Ilustríssima Sra. Helena Raposo Carneiro da Cunha, Presidente da Academia Paraibana de Poesia, Ilmo. Sr. Joacil de Brito Pereira, Presidente da Academia Paraibana de Letras, Ilmo Sr. Amaury Vasconcelos, Presidente da Academia Campinense de Letras, Ilmos membros da Mesa, Srs membros desta Academia, Ilma. Sra. Poetisa, Professora, Historiadora, Maria do Socorro Cardoso Xavier, nova acadêmica desta Casa e autora do livro, TESOURO REDESCOBERTO - A Riqueza do Folheto em Verso, que ora está sendo lançado, Srs. convidados, amigos e familiares.

É com grande alegria,
consciência e emoção,
fazer apresentação
do livro de autoria
da poetisa MARIA
DO SOCORRO XAVIER,
que fez a obra super
interessante e decerto
TESOURO REDESCOBERTO
tem a lição que se quer.

O LIVRO contém versos de poetas, cordelistas, cantadores, trovadores, escritores, cultores dessa arte – esses mestres mensageiros da humanidade, que procuram revelar qualquer assunto: natureza, vida, sonho, amor, saudade, valores regionais, etc, tudo isso com harmonia, ritmo, melodia, métrica, coerência, beleza, grandeza, contribuindo assim para o engrandecimento da cultura.
No seu INTRÓITO, a nobre escritora, SOCORRO XAVIER, externa suas idéias com as seguintes brilhantes frases:
·Sob esse espírito de cultivo, disseminação, preservação e incentivo à POESIA popular, escrevi e organizei este livro, fruto de minhas indagações, pesquisa e sobretudo paixão, por uma manifestação, das mais fortes e resistentes, da cultura popular..
·Há em nós, um cérebro que pensa e recria fantasias, valores, crenças, idéias e objetivos pessoais, abrindo um espaço muito importante para a vida.
·Poesia está em tudo, em toda parte; só depende da ótica do nosso olhar.
·O poeta é como o amor, fala uma linguagem singular, não tem pátria, religião, e cor. Dilata longínquas fronteiras...
·Que o poeta nada tenha, mas não lhe falte o vocábulo da emoção, a transposição do sentimento, com beleza e alma, recôndito do seu ser. Universo também de outros seres.
·A cultura não é um privilégio de classes altas; todos os indivíduos a possui, na medida em que são difusores do saber e exercem um papel na organização social.
·O canto e o cordel cantam a saudade sertaneja, a natureza, a vida bucólica, rude e pura do povo nordestino.
·O cordel sendo uma fonte histórica de base popular resgata aspectos do cotidiano da classe menos favorecida, como concebe o seu universo.

O PRIMEIRO CAPÍTULO do seu livro versa sobre a RIQUEZA DO FOLHETO EM VERSO, iniciando com a frase de Paulo Nunes que diz, “O cordel é a linguagem do povo” e prossegue com a frase antológica de Euclides da Cunha, “O sertanejo é, antes de tudo, um forte”.

SOCORRO reconhece que o Nordeste é um celeiro, um palco riquíssimo para o cordel e o repente, especialmente a Paraíba, considerada o berço do cordel, através dos trabalhos dos cordelistas, Leandro Gomes de Barros, Francisco das Chagas Batista, Manoel Camilo dos Santos, Manoel Monteiro e outros; e também representada pelos repentistas, Ugolino do Sabuji, Inácio da Catingueira, Germano da Lagoa, Antônio Marinho, Pinto do Monteiro, os irmos Batista e muitos outros, que cantam e encantam, criando versos com extrema velocidade e desenvoltura, aplicando rima, métrica e oração.

Os poetas são seres iluminados pela providência divina; eles escrevem e cantam sobre diversos temas, no tempo e no espaço, abrangendo um universo variado: religião, política, economia, saudade, amor, vida, natureza, etc, o que constitui uma característica da literatura de cordel.
A literatura de cordel, o repente, o conto popular, o folclore, lendas, romance, os causos, frases de caminhão, enfim, toda essa gama de material possibilita a reconstrução de uma memória individual e coletiva, além de contribuir para a evolução e formação de novas manifestações culturais.
E para fundamentar o trabalho, SOCORRO entrevistou uma autoridade no assunto, Paulo Nunes, que é professor, Bacharel em Direito, poeta, escritor, contista, jornalista, cronista, folclorista, membro das Academias, Goiana de Letras, Anapolina de Letras, Paraibana de Letras e de outras entidades. Nessa entrevista, Paulo Nunes Batista afirma:

·A importância do poeta popular é inestimável. É o grande comunicador, o humorista do Nordeste.
·O poeta vive sempre atento aos fatos...
·Cultura popular e erudita se permeiam, se completam; não há dualidade rígida entre elas,.. quem escreve com erudição, chama-se de erudito, e de forma direta, sem metáforas rebuscadas, com simplicidade, o popular.
·Quem é poeta é poeta, tanto faz ser popular ou erudito.
·A PARAÍBA tem fornecido o maior número de poetas populares; é o berço da poesia popular.
Paulo Nunes escreveu e continua escrevendo vários artigos, poemas, sonetos, livros, contendo versos populares e eruditos, a exemplo destes:

PAULO NUNES
A poesia de cordel
vem do verso de Nicandro,
do folheto de Leandro,
Chagas Batista e Manoel
D’Almeida esse menestrel
do Nordeste brasileiro;
vem de Pinto do Monteiro,
Zé Duda, Antônio Marinho,
Bentevi e Cachimbinho
e Chiquinho do Pandeiro.

O repente tem três tempos:
falado, cantado, escrito.
Falando é que o Glosador
fabrica o verso bonito.
Cantador faz, quando canta.
Cordelista traça a planta
de improviso, no infinito.

Todos três são repentistas:
Glosador traçando a glosa,
Cantador compondo o canto
que no improviso se entrosa.
Finalmente o Cordelista
como popular artista
faz versos que fica prosa.

Faço poesia erudita
e o cordel do Povo faço –
tecendo o verso que brota
nas asas do tempo-espaço
em que respiro e me movo.
A todos vocês, ao Povo
meu mais fraternal abraço.

Poema é flor, poesia é aroma.
Poema é sono, poesia é sonho.
Poema é boca, poesia é sorriso.
Poema é fruto, poesia é gosto.
Poema é caminho, poesia é vôo.
Poema é caminho, poesia caminhada.

Poesia é como Beleza,
ilumina os escuros da gente.

Quem nunca sentiu saudade,
não sabe o gosto que a poesia tem.

Poesia é tudo, gente, artista creando,
DEUS abrindo céus de paz no silêncio das almas.

Os demais CAPÍTULOS do livro tratam de:

·Cantorias: Com versos de improviso, abrangendo várias modalidades: sextilha, mourão, oitava, martelo, galope, etc.
·Poetas e repentistas: José Alves Sobrinho, Manoel Monteiro, Luzi Dantas Quesado, Oliveira de Panelas, Ivanildo Vila Nova, os irmãos Bandeira, Apolônio Cardoso, Apolônio Alves, os irmãos Batista, Pinto do Monteiro, Silvino Pirauá, Zé Limeira, Ugollino do Sabuji, Cícero Pedro e outros. Cícero Pedro construiu essa estrofe:

“Peguei a minha caneta
pra fazer mais um poema;
poeta tem que versar
disponha ou não de um bom tema,
dar expressão ao seu estro,
deve ser sempre o seu lema.”

·Mulheres cordelistas e cantadeiras: Francisca Barrosa, Lourdes Ramalho, Tindinha Laurentino e outras. Tindinha cantou essa glosa:

“Depois que chove em janeiro
toda criação se anima,
canta o sapo no barreiro,
nasce a erva, muda o clima,
se enfeitam o vale e a serra,
parece que com a terra
DEUS faz comunicação,
para nos auxiliar.
Quem não deseja passar
Um ano bom no sertão.”

·Poetas da Nova geração: Os Nonatos, Astier Basílio, Antônio Lisboa, Marcos José e outros. Marcos José elaborou essa sextilha:

“Continuando as chuvas,
fartura vem com certeza,
xiquexique se enfeita,
juazeiro se embeleza,
como se fizesse pose
para uma foto em close
pra o álbum da natureza.”

Continuando os CAPÍTULOS, têm-se:

·Poesia popular matuta: Zé da Luz, Amazan, Jessier Quirino, Chico Pedorsa, Zé Laurentino e outros;
·Poeta populares e eruditos: Bráulio Tavares, Geraldo Lyra, Luiz Nunes, Ronaldo Cunha Lima, Paulo Nunes e outros;
·Poetas compositores e cantores: Rosil Cavalcanti, Luiz Gonzaga, Catulo da Paixão Cearense, Patativa do Assaré, etc;
·Crianças na Poesia: Escolas com matérias, historinhas em versos, a importância do verso, da poesia;
·Termos regionais: Gaitada, intanguido, munganga, meisinha, sirigaita, etc;
·Orações: São Braz, São Bento, Santa Luzia, etc;
·Glossário: Cordel, mote, rima, verso, etc.
·Fotografias: poetas, repentistas, cantores, cordelistas, escritores, palestrantes, promoventes, etc.

Conforme se constata, o livro, TESOURO REDESCOBERTO - A Riqueza do Folheto em Verso, constitui uma mina, uma relíquia, uma riqueza, uma coletânea, uma fonte de conhecimento, um compêndio idealizado e construído pela poetisa, MARIA DO SOCORRO XAVIER, uma contribuição que enriquece a nossa cultura.

É portanto um LIVRO rico de informações, em prosas, versos e cordéis, que são úteis para poetas, cordelistas, escritores, professores, estudantes, pesquisadores, apologistas, compositores e o povo em geral.

Meus Parabéns a SOCORRO,
pela contribuição
à cultura popular,
com a sua produção,
edificante e vital,
que nos serve de lição.

E pela nova missão
nesta CASA de POESIA,
onde irá se destacar,
com brilho e sabedoria,
inspiração e vontade,
com arte e com maestria.

Muito Obrigado !

José de Sousa DANTAS











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