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Cordel-->HOMENAGEM AO TRABALHADOR PELOS REPENTISTAS -- 03/05/2004 - 17:16 (José de Sousa Dantas) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
HOMENAGEM AO TRABALHADOR PELOS REPENTISTAS

Admira-se o repentista que desenvolve os temas sorteados, cantando e construindo rapidamente versos, estrofes, poemas, com habilidade, criatividade, talento, harmonia e coerência, aplicando rima, métrica, melodia, encantando e promovendo alegria para todos, contribuindo assim para o engrandecimento e preservação da cultura.
O leitor tem a oportunidade de conhecer expressões do canto de improviso, desenvolvido pelos cantadores, que embelezam e tornam os versos singulares e edificantes.
E assim os campeões do repente, FENELON DANTAS, RAIMUNDO CAETANO, GERALDO AMÂNCIO, VALDIR TELES, IVANILDO VILA NOVA, SEBASTIÃO DA SILVA, ZÉ GALDINO e outros, em João Pessoa - PB, no dia 01/05/2004, cantaram vários temas de improviso para os trabalhadores, a saber: O trabalhador, o salário, o governo, a política, a terra, a infância, a casa, o amor, a velhice, o destino, etc, cujo trabalho poético pode ser apreciado a seguir.

O TRABALHADOR
Fenelon Dantas (FD) e Raimundo Caetano (RC)

FD
A LULA, o presidente,
eu vou pedir por favor,
aumente mais o salário,
com o poder do senhor,
tenha pena do suor
do pobre trabalhador.

RC
Ele leva os dias seus
lutando a cada segundo,
fica igual a um escravo,
de sustentar vagabundo,
seca o bucho da família,
enche a barriga do mundo.

FD
Sem ter sossego um segundo,
no trabalho, não tem fama,
quando lhe falta um serviço,
de noite chora na cama,
a boca bebendo a lágrima
que dos olhos tristes derrama.

RC
Trabalhador não tem fama
e acorda com o galo,
tem no prato feijão puro,
o transporte é o cavalo,
a palma da mão é grossa
de tanta bolha de calo.

RC
Levando a vida a sofrer
do centro à periferia,
seja um peão de obra,
empregado ou bóia fria,
precisando de um reflexo
da luz da cidadania.

VOCÊ SÓ É CANTADOR SE CANTAR NA MINHA FRENTE

FD
Você brigue como eu brigo,
você cante como eu canto,
você plante como eu planto,
você siga como eu sigo,
se vier brigar comigo,
vou me fazer de valente,
dou-lhe um murro, quebro dente,
não tem quem acabe a dor.
Você só é cantador
se cantar na minha frente.

RC
Olhando esse cidadão,
que no palco se treslouca,
mostrando os gestos da boca
e o balançado da mão,
inda sai por campeão,
mas é porque muita gente
tá precisando de lente,
pra enxergar seu valor.
Você só é cantador
se cantar na minha frente.

A mecânica da terra é tão perfeita, que quem fez não voltou pra consertar

RC
Sei que a terra completa a translação
de trezentos, sessenta e cinco dias,
descoberta, brilhante de oogamias,
fica sempre em perfeita rotação,
sei que pra biosfera águas vão
e gera o ciclo pra terra sustentar,
recebendo o calor de luz solar
treme sem está doente de maleita,
A mecânica da terra é tão perfeita,
que quem fez não voltou pra consertar.

RC
A mecânica da terra eu acredito,
são as pedras seguras ou estáticas,
são argilas, as rochas magmáticas,
diamante, basalto e o granito,
meteoro que vem do infinito,
são grandezas que eu posso decifrar,
terremoto que chega a balançar,
e toda lava que arreia, ela aproveita.
A mecânica da terra é tão perfeita,
que quem fez não voltou pra consertar.

O GOVERNO E O SALÁRIO
Geraldo Amâncio (GA) e Valdir Teles (VT)

GA
O salário não chegou
do jeito que o povo quis,
sai direita e entra esquerda,
sai CARDOSO, vem LUIZ,
e o salário continua
envergonhando o país.

VT
O salário no País
está andando pra trás,
passa mais de 12 meses,
pra subir 20 reais,
desculpe meu presidente,
meu povo merece mais.

GA
Nesses três anos atrás,
voltei, derramei suor,
votei 3 vezes em LULA,
que tinha um plano maior,
eu pensei numa mudança,
tá mudando pra pior.

VT
Tem outra coisa pior
que o povo nem se interessa,
dos 10 milhões de empregos,
falta a primeira remessa,
o Senhor prometeu muito,
esqueceu muito depressa.

GA
Nosso povo exige pressa
pra LULA a gente inda torce,
ele faz muitas promessas,
mais depois que tomou posse
se esqueceu dos eleitores,
só se lembra de PALLOCCI.

VT
Falou bem antes da posse,
mas cada dia piora,
no partido da esquerda,
nele eu voltei outrora,
tudo o que ele era contra
está praticando agora.

VT
Na viola eu aconselho
às crianças de hoje em dia,
que o período que eu vivia,
eu lia noutro evangelho,
tomava bênção a pai velho,
mesmo sem ser meu parente,
hoje no lugar da gente
já existe uma mudança.
Quando eu era criança
meu mundo era diferente.

GA
Já mudou a tradição,
da nossa velha morada,
não tinha mulher pelada
passando em televisão,
nem existia ladrão,
que vive assombrando a gente,
o bandido atualmente
acaba a nossa esperança.
Quando eu era criança
meu mundo era diferente.

VT
Minha vida no sertão
era de casa pra roça,
morando numa palhoça,
mamãe no pé do fogão,
não tinha cirurgião
pra curar nem dor de dente,
mAs mamãe dizia a gente
tire o dente, que balança.
Quando eu era criança
meu mundo era diferente.

GA
Nesse tempo o Rio tinha
uma vida mais bondosa,
cidade maravilhosa,
que não mandava Rosinha,
o bandido da Rocinha,
comandando o ambiente,
com R 15 na frente,
toda noite tem matança.
Quando eu era criança
meu mundo era diferente.

VT
Lá não se fazia ensaio
dessas músicas de hoje em dia,
mas havia cantoria,
repentista igual um raio,
os 30 dias de maio,
rezavam diariamente,
era a santa lá na frente
e atrás a vizinhança.
Quando eu era criança
meu mundo era diferente.

GA
Minha mãe com toda fé,
fez promessa, teve zelo,
deixou crescer meu cabelo,
pra levar pra CANINDÉ,
pagou a promessa a pé,
que era muito inteligente,
andando e passando o pente,
alisando a minha trança.
Quando eu era criança
meu mundo era diferente.

VT
Morava numa ribeira,
encostado no roçado,
perto do curral do gado,
vizinho da ribanceira,
mamãe não tinha canseira,
logo cedo no batente,
fazia papa pra gente,
do leite da vaca mansa.
Quando eu era criança
meu mundo era diferente.

GA
Eu sou duma freguesia,
que é bom que você me ouça,
se o homem ofendesse a moça,
ia pra delegacia,
tem comprimido hoje em dia,
que empata a nascer gente,
se transa diariamente
e a mulher não cresce a pança.
Quando eu era criança
meu mundo era diferente.

Fui rever o lugar que fui nascido, tive tanta saudade que chorei

VT
Quando eu quis conhecer o meu passado,
eu voltei para minha redondeza,
não vi mais o barreiro e a represa,
o lugar que tomava banho ao lado,
caminhei no aceiro do roçado,
procurei o vizinho, não achei,
dei um grito por pai, só escutei
um fantasma soprando algum gemido.
Fui rever o lugar que fui nascido,
tive tanta saudade que chorei.

GA
Essa casa que nos anos atrás
também hoje marcando uma distância,
foi ali onde eu tive a minha infância
e o carinho gostoso dos meus pais
nem sequer um cambito encontrei mais,
nem cadeira, nem mesa, eu encontrei,
e o lugar da redinha eu procurei,
mas o punho da mesma está comido.
Fui rever o lugar que fui nascido,
tive tanta saudade que chorei.

GA
Tava triste demais essa morada,
apesar do silêncio e do sossego,
eu só via morada de morcego,
não parece a minha casa passada,
no curral não vi mais uma boiada,
pois a mesma ao vaqueiro perguntei,
minha avó eu também não encontrei,
meu avô já estava falecido.
Fui rever o lugar que fui nascido,
tive tanta saudade que chorei.

GA
Meu lugar é chamado de Areia,
foi ali que eu vivi quando menino,
de cantar eu já tinha o meu destino,
e aprendi a cantar naquela aldeia,
mas depois fui ver a bola de meia,
no baú, armazém, não encontrei
realejo e sanfona, procurei,
todo esse tesouro está perdido.
Fui rever o lugar que fui nascido,
tive tanta saudade que chorei.

CAUSOS

GERALDO AMÂNCIO contou que certa vez um velho fazendeiro saiu do sítio longe da cidade, para uma consulta a um médico idoso (uns 80 anos), que perguntou ao fazendeiro, qual é seu problema? O velho informou, estou com problema no ouvido esquerdo. Aí o médico disse: fale mais alto que eu sou mouco; o velho em voz alta disse: PERDI A VIAGEM !

Outra vez, visitando o cemitério leu no EPITÁFIO (frase tumular) a seguinte quadra;
“AQUI DORME A MINHA SOGRA,
QUE VIVEU ME ENCHENDO O SACO,
NÃO TEVE MAIS O QUE ENCHER,
VEIO ENCHER ESSE BURACO.”

Outra, com Cego Aderaldo, (cantador do Ceará, já falecido).
Um cidadão perguntou assim: Senhor Aderaldo, o Sr. cria tanto menino, por que não se casa?
Cego Aderaldo respondeu em verso:

“Eu já pensei em casar,
falo a verdade, não nego,
mas com minha experiência,
batata quente eu não pego,
quem tem vista leva chifre,
quanto mais eu que sou cego”.

COQUEIRO DA BAHIA

GA
Foi aqui na PARAÍBA,
a cantoria primeira,
lá na Serra do Teixeira,
cantava ao raiar da aurora,
o verso nasceu outrora,
nessa grande freguesia.
Coqueiro da Bahia,
quero ver meu bem agora,
quer ir mais eu vamos,
quer ir mais eu vambora,
quer ir mais eu vamos,
quer ir mais eu vambora.

VT
Foi na Serra do Teixeira,
que a cantoria nasceu,
onde Romano viveu,
e Inácio mais de uma hora,
os NUNES plantaram outrora,
estou plantando hoje em dia.
Coqueiro da Bahia,
quero ver meu bem agora,
quer ir mais eu vamos,
quer ir mais eu vambora,
quer ir mais eu vamos,
quer ir mais eu vambora.

O QUE EU NÃO GOSTO DE VER
Zé Galdino (ZG) e Eduardo Lopes (EL)

ZG
O que eu não gosto de ver
é o povo na baderna,
o BRAISL sempre enforcado,
nos laços da dívida externa,
e o mundo virando lixo,
nas mãos de quem lhe governa.

EL
Pra olhar essa baderna,
eu olho, mas acho chato.
é a criança chorando,
sem ter comida no prato,
sem terra invadindo terra,
pra depois vender barato.

EL
Todos os que sofrem na linha,
eu digo ao som da viola,
a droga falando alto,
criança pedindo esmola,
abandonada na rua,
nos becos cheirando cola.

ZG
Criança pedindo esmola,
eu nunca gosto de ver,
morar num BRASIL tão rico,
ver o povo empobrecer,
porque não suporta os dentes
dos tubarões do poder.

FOI ELA A ÚNICA CULPADA DA NOSSA SEPARAÇÃO

EL
Perdi minha companheira,
aumentou minha tristeza,
pra mim a maior moleza,
perdi cama e geladeira,
botei fogo na esteira,
no lençol e no colchão,
estou dormindo no chão,
por causa da condenada.
Foi ela a única culpada
da nossa separação.

ZG
Era ela quem pedia
para aceitar o desquite,
quando aceitei o convite,
ela me fez covardia,
voltou da delegacia,
fazendo uma intimação,
eu só não fui pra prisão,
porque disse a delegada.
Foi ela a única culpada
da nossa separação.

ZG
O mundo inteiro sabia
qu’ela estava me enganando,
pelos bordéis me chifrando,
toda noite e todo dia,
só que ninguém me dizia,
com medo de confusão,
eu levei tanto cambão,
que estou de cabeça inchada.
Foi ela a única culpada
da nossa separação.

EF
Não farrava, hoje eu farro,
minha revolta, eu assumo,
não fumava, hoje eu fumo,
charuto, qualquer cigarro,
bebia, batia o carro,
gastei o último tostão,
fui medir minha pressão,
também estava alterada.
Foi ela a única culpada
da nossa separação.

ZG
Debaixo do cobertor,
toda noite eu lhe pedia,
mas ela só me dizia,
não toque em mim por favor,
ela farta de amor
e eu louco de paixão
ME ACABANDO NA MÃO
COMO CABO DE ENXADA.
Foi ela a única culpada
da nossa separação.

ZG
Meus pais lhe aconselharam,
os pais dela lhe pediram,
meus filhos se reuniram,
choraram e imploraram,
mas depois que escutaram
toda a minha explicação,
disseram, pai tem razão,
mãe está contrariada,
Foi ela a única culpada
da nossa separação.

EL
Por causa da condenada,
fiz serenata pra lua,
ando bêbado na rua,
de dia e de madrugada,
sei que uma tonelada
cravei no meu coração,
pra não morrer de paixão,
eu me vingo na bicada.
Foi ela a única culpada
da nossa separação.

ZG
Eu só vivia chorando,
ela vivia sorrindo,
fez o que quis me traindo,
todo tempo me enrolando,
mas agora está pagando,
o preço da traição,
com juros e correção,
pra deixar de ser malvada.
Foi ela a única culpada
da nossa separação.

A velhice soprou no meu ouvido, mocidade com medo foi embora

ZG
Já vivi meio século de existência,
vejo os anos passando em minha frente,
a matéria está muito diferente,
já cansou e tem pouca resistência,
minha esposa tem muita paciência,
quando deita na cama, nem namora,
quando eu tomo um remédio não vigora,
ao invés de prazer, só sai gemido.
A velhice soprou no meu ouvido,
mocidade com medo foi embora.

EL
Já fui novo, nunca perdi um show,
mas agora estou muito diferente,
a velhice chegou na minha mente,
que eu nem sei como foi qu’ela chegou,
se escorou no meu corpo e sufocou,
pra andar, já preciso de uma escora,
quando um olho se fecha o outro chora,
sinto o corpo cansado e abatido.
A velhice soprou no meu ouvido,
mocidade com medo foi embora.

ZG
Fui menino, hoje sou um ancião,
com oitenta e dois anos de idade,
já perdi toda a minha agilidade,
alegria, desejo e sensação,
no transporte do tempo os anos vão
me deixando mais velho a cada hora,
se eu não fiz o que fiz até agora,
vou viver o restante arrependido.
A velhice soprou no meu ouvido,
mocidade com medo foi embora.

EL
Bem novinho e boêmio na avenida,
cantador de repente e da canção,
bem magrinho, eu usava um cabelão,
eu vivia uma fase divertida,
mas agora mudou a minha vida,
não sou mais o galante de outrora,
minha alma tristonha se apavora,
o meu corpo se sente enfraquecido.
A velhice soprou no meu ouvido,
mocidade com medo foi embora.

ZG
A velhice afastou-me das crianças,
me tirando do céu da inocência,
destruindo a minha adolescência
e sepultando as minhas esperanças,
pelo fato de haver tantas mudanças,
nunca mais eu serei que fui outrora,
nova luz, novo dia e nova aurora,
poderão até vir, mas eu duvido.
A velhice soprou no meu ouvido,
mocidade com medo foi embora.

EL
Eu fui novo, desfrutei a beleza,
nem pensei que a velhice era tão ruim,
que murchava as flores do meu jardim,
retirando de mim toda riqueza;
quando eu quero ganhar uma princesa,
a gatinha me chama de caipora,
não me quer, nem tampouco me namora,
me diz mais que eu sou velho enxerido.
A velhice soprou no meu ouvido,
mocidade com medo foi embora.

ZG
A velhice de mim se aproximou,
expulsando a minha juventude,
quase oitenta por cento da saúde,
que eu tinha do corpo, ela tirou,
o cabelo era preto, ela pintou,
quem vivia a sorrir, somente chora,
e por sofrer tudo isso, estou agora
entre a vida e a morte, dividido.
A velhice soprou no meu ouvido,
mocidade com medo foi embora.

EL
Fui garoto e topei toda parada,
mas agora acabou minha alegria,
meus cabelos pintados, não queria,
essa cor que chegou, não me agrada,
já deixei de correr na vaquejada,
desprezei o cavalo e a espora,
e quando olho os retratos de outrora,
do que fui, eu não sou mais parecido.
A velhice soprou no meu ouvido,
mocidade com medo foi embora.

QUANDO EU NÃO PUDER CANTAR
Ivanildo Vila Nova (IV) e Sebastião da Silva (SS)

IV
Quando eu não puder cantar
minha derradeira ode,
IPONAX vai honrar
minha fama e meu bigode,
porém é só declamando,
porque cantando não pode.

SS
Quando eu fizer toda ode
da minha capacidade,
passo a viola pra mãos
de quem tiver mocidade,
vou ouvir outros cantando,
pra não morrer de saudade.

IV
Quando eu não tiver vontade
de cantar improvisado,
viola fica de luto
e concorrente sossegado,
e o nordestino decreta
três dias de feriado.

SS
Vou ficar aposentado,
nessas ruas do País
lembro os troféus que ganhei
e as cantorias que fiz,
e fico na minha cabana
vivendo o tempo feliz.

IV
Quando eu não for mais juiz,
do repente e do embalo,
a rinha dos repentistas
vai perder seu maior galo,
a profissão não se acaba,
mas sofre o maior abalo.

SS
Quando eu perder o embalo
desse talento sem fim,
vou ficar como velhinho,
nas veredas do jardim,
declamando alguns repentes
pra os que gostam de mim.

IV
Depois que eu chegar ao fim
desse ofício em meu estilo,
vai ficar verso gravado,
de improviso que burilo,
cantador que tem inveja,
dessa vez dorme tranqüilo.

SS
Quando eu perder o estilo,
que tenho ao som de lira,
vou voltar pra Pilõezinho,
pertinho de Guarabira,
escrevendo alguns poemas
pra o povo que me admira.

IV
Quando eu calar minha lira,
meu trabalho e minha trova,
a deusa desce do céu,
vem visitar minha cova,
dizendo nessa terrinha
não tem outro VILA NOVA.

IV
Quando se calar o rei
da viola e do balanço,
OLIVEIRA se aposenta,
GERALDO vai ficar manso,
e os que apanharam de mim
vão ter o maior descanso.

MACONHA É COISA RUIM, DERRUBA ATÉ CANDIDATO

SS
Até Fernando Gabeira,
deputado federal,
lá no planalto central,
defendeu essa besteira,
não faça dessa maneira,
procure ser mais exato,
honre na vida o mandato,
do começo até o fim.
Maconha é coisa ruim,
derruba até candidato.

SS
Não caia nessa desgraça,
que é uma purga medonha,
invés de fumar maconha,
em qualquer banco de praça,
beba rum, brahma e cachaça,
com tira gosto no prato,
carne de porco e de pato,
na mesa dum botequim.
Maconha é coisa ruim,
derruba até candidato.

Eu já tive nas mãos o meu destino, mas agora eu não sei pra onde vou

IV
Eu já fui igualmente um samurai,
porém vi se quebrar minha coluna,
que a volta no jogo da fortuna,
pois a gente não sabe aonde cai,
eu fui filho, fui noivo, hoje sou pai,
já fui neto, e já hoje sou avô,
e o relógio do tempo não quebrou,
porém deu um defeito no seu pino.
Eu já tive nas mãos o meu destino,
mas agora eu não sei pra onde vou.

SS
Já estou diferente de maneira,
só não sei se vou mais pra qualquer praça,
se eu sinto a tristeza ou a desgraça,
se sou forte e se já tenho canseira,
eu sou sei que a minha cabeleira,
era preta e branquinha já ficou,
e o fantasma do tempo carregou
os meus sonhos do tempo de menino.
Eu já tive nas mãos o meu destino,
mas agora eu não sei pra onde vou.

IV
No meu peito explodiu a dinamite,
vejo o mundo mostrar como é que vive,
com os dois casamentos que eu já tive,
mas eu sei que a terceira é o limite,
a primeira mulher deu o desquite,
a segunda também me abandonou,
eu sou velho pra ser um gigolô,
pra casar outra vez, sou um menino.
Eu já tive nas mãos o meu destino,
mas agora eu não sei pra onde vou.

SS
Eu não sei se meu filho me obedece,
nem também se a filha me aceita,
nem também se meu neto me respeita,
e se a minha mulher se aborrece,
eu só sei que estou no sobe e desce,
procurando no palco fazer show,
eu só sei que poeta ainda sou,
repentista, boêmio e nordestino.
Eu já tive nas mãos o meu destino,
mas agora eu não sei pra onde vou.

NOS DEZ DE GALOPE NA BEIRA DO MAR

IV
Sei que a nossa tarde poética foi boa,
os apologistas contentes se movem,
foi pena faltar repentista jovem,
para se juntar à equipe coroa,
eu vim de Recife para João Pessoa,
porém pra Recife pretendo voltar,
a orla praieira eu quero juntar,
e o novo oceano a gente atravessa,
pegar Piedade unir com o Bessa.
NOS DEZ DE GALOPE NA BEIRA DO MAR.

IV
O meu improviso vai ser derradeiro,
para João Pessoa, todos do Estado,
de Sousa, Campina, Coremas, Condado,
São Bento, Quixaba, Desterro, Monteiro,
Teixeira, Pombal, Patos e Mogeiro,
Junco, Soledade, Sumé, Aguiar,
Alhandra, Pilões, Sapé e Pilar,
dou muito obrigado por nossas gargantas,
para Camboim, Vavá e ZÉ DANTAS.
NOS DEZ DE GALOPE NA BEIRA DO MAR.
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