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Cordel-->EU ME CRIEI NO SERTÃO E SINTO SAUDADES DE LÁ -- 14/04/2004 - 18:38 (José de Sousa Dantas) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
EU ME CRIEI NO SERTÃO E SINTO SAUDADES DE LÁ

Versos desenvolvidos pelos Repentistas: Rogério Menezes (RM) e Chico de Assis (CA)

RM
Na cidade eu não consigo
esquecer o que lá deixei,
a moça que mais amei,
a terra que eu tinha amigo,
onde ficou meu umbigo,
minha alma também está,
que eu só trouxe pra cá
lembranças no coração.
Eu me criei no sertão
e sinto saudades de lá.

CA
Me criei com carne assada,
toucinho, fuba e farinha,
farofa, leite e sardinha,
canjica, fava e buchada,
cuscuz, angu, umbuzada,
jerimum e mungunzá,
feijão, arroz e jabá,
rapadura e rubacão.
Eu me criei no sertão
e sinto saudades de lá.

RM
O meu pai não era rico,
era humilde a casa nossa,
a minha escola era o roça,
o meu transporte, um jerico,
na sala, um banco de angico
fazia a vez de um sofá,
no lugar do guaraná,
era ponche de limão.
Eu me criei no sertão
e sinto saudades de lá.

CA
Eu fui criado num meio,
que o homem não suja o nome,
que mesmo passando fome,
não põe a mão no alheio,
que o vem-vem era o correio,
o trem era um embuá,
o cantor, um sabiá,
o profeta é o carão.
Eu me criei no sertão
e sinto saudades de lá.

RM
Fiz broca no pé do morro,
castrei boi, bode e carneiro,
amansei burro coiceiro,
sem botar sela, nem forro,
lá matei com meu cachorro
peba, tatu e gambá,
raposa e tamanduá,
tejo, mocó e furão.
Eu me criei no sertão
e sinto saudades de lá.

CA
Me criei tirando enxu,
moça branca e jandaíra,
italiana e cupira,
mandaçaia e urucu,
enxuí e capuchu,
jati e arapuá,
no meu corpo ainda há
muitas marcas de ferrão.
Eu me criei no sertão
e sinto saudades de lá.

RM
Um tetéu fica acordado,
como vigia da firma,
a lagartixa confirma,
sem ninguém ter perguntado,
o peba vai no roçado,
antes que seu dono vá,
não usa enxada, nem pá,
e é quem melhor cava o chão.
Eu me criei no sertão
e sinto saudades de lá.

CA
Minha pessoa se afina,
falando do mesmo jeito,
onde balinha é confeito,
e o sanitário, latrina,
moça velha é vitalina
oração é patuá,
velho caduco é gagá,
jegue cansado é gangão.
Eu me criei no sertão
e sinto saudades de lá.

RM
Vi pai ferrar gado só,
que a gente escutava o berro,
mãe passar roupa no ferro,
de brasa de mororó,
meu irmão pegar corró,
de tarrafa e landuá,
botar milho em caçuá,
retirar lama em porão.
Eu me criei no sertão
e sinto saudades de lá.

CA
Recordo da terra minha,
as roupas fora de moda,
as brincadeiras de roda,
novena, terço e lapinha,
vaquejada e argolinha,
fole, pandeiro e ganzá,
reco-reco e maracá,
realejo e violão.
Eu me criei no sertão
e sinto saudades de lá.

RM
Quando eu não mais quiser prova,
na hora da minha morte,
que DEUS me der massa forte,
pra entrar na vida nova,
podem fazer minha cova,
perto dum pé de juá,
e com flor de maracujá,
podem enfeitar meu caixão.
Eu me criei no sertão
e sinto saudades de lá.

CA
No sertão que ninguém luxa,
e cresce pisando em urtigas,
pra tapear as formigas,
botei maniçoba murcha;
com espingarda de bucha,
matei mocó e preá,
seriema e carcará,
juriti e gavião.
Eu me criei no sertão
e sinto saudades de lá.
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