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Cordel-->DE BESTA, SÓ TEM A CARA, DE BURRO, SÓ A CHIBATA -- 14/04/2004 - 12:20 (José de Sousa Dantas) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
DE BESTA, SÓ TEM A CARA, DE BURRO, SÓ A CHIBATA (*)
Glosas de José de Sousa Dantas, em 14/04/2004

Uma pessoa distinta,
modesta e civilizada,
competente e aplicada,
serena, de boa pinta,
faz o trabalho, requinta,
ajusta, completa e trata
da melhor forma e contata
tão bem, que não se compara.
De besta, só tem a cara,
de burro, só a chibata.

Se dá bem em todo meio,
é alegre, encantador,
radiante, inspirador,
artista atraente e cheio
de carisma e galanteio,
convivendo, se constata,
é decente, diplomata,
com os melhores se equipara.
De besta, só tem a cara,
de burro, só a chibata.

É sincero, virtuoso,
compassivo, diligente,
educado, caliente,
elegante e generoso,
benevolente, amoroso,
de atitude sensata,
professor autodidata,
uma qualidade rara.
De besta, só tem a cara,
de burro, só a chibata.

Conversa com todo mundo,
não joga palavra em vão,
causa admiração,
é reverente e facundo.
No trabalho, vai a fundo,
pesquisa, avança, aquilata,
elabora a separata,
publica, lança e declara.
De besta, só tem a cara,
de burro, só a chibata.

No relacionamento,
não conflita com ninguém,
é cuidadoso e mantém
o melhor comportamento,
seguindo o procedimento,
age como um democrata,
um primaz, um magnata,
se tem defeito, mascara.
De besta, só tem a cara,
de burro, só a chibata.

É astuto, prevenido,
mesmo parecendo um besta,
com sutileza, pretexta,
mantém-se nesse sentido,
na verdade é um sabido,
planeja, busca, arrebata,
a princípio não maltrata,
aparentemente ampara.
De besta, só tem a cara,
de burro, só a chibata.

Pode ser um professor,
excelente advogado,
destemido, tarimbado,
conceituado orador,
nobre desembargador,
que honra a sua gravata,
todo processo desata,
tem poder na sua vara.
De besta, só tem a cara,
de burro, só a chibata.

Gosta de verso, poesia,
prosa, cordel e poema,
artigos, carta, cinema,
contos, tese e cantoria,
romances e melodia,
solo, forró e tocata,
recital e serenata,
da orquestra tabajara.
De besta, só tem a cara,
de burro, só a chibata.

Gosta de apreciar
história, geografia,
medicina, agronomia,
a cultura popular,
fazer verso, improvisar,
ser amador de regata,
ser humorista, acrobata,
toda diversão encara.
De besta, só tem a cara,
de burro, só a chibata.

Conhece todo quadrante
do Brasil, do estrangeiro,
viajando o mundo inteiro,
é guerreiro navegante,
um poeta itinerante,
qualquer assunto retrata,
riacho, rio, cascata,
descreve toda seara.
De besta, só tem a cara,
de burro, só a chibata.

Pra conseguir o que quer,
faz até simulação,
numa fina educação,
vai buscar onde estiver.
Se deseja uma mulher,
seja loirinha ou mulata,
convida, chama de gata,
a sua boca açucara.
De besta, só tem a cara,
de burro, só a chibata.

Tem gente que quer ganhar,
uma alta posição,
enfrenta competição,
dizendo que vai mudar
o sistema e melhorar,
promete, faz passeata,
ganhando, cai na mamata
e do povo se separa.
De besta, só tem a cara,
de burro, só a chibata.

Pode ser um campesino,
um trabalhador da roça,
que possui a pele grossa,
que luta no sol a pino,
que vive desde menino
caminhando pela mata,
usando par de alpercata,
corta lenha, faz coivara.
De besta, só tem a cara,
de burro, só a chibata.

Pode ser uma virtude,
comportar-se desse jeito,
de cara, não ter defeito,
mantém-se nessa atitude,
mesmo parecendo rude,
a ninguém não desacata,
não irrita, não destrata,
não perturba, não descara.
De besta, só tem a cara,
de burro, só a chibata.

É homem batalhador,
que pensa, luta, barganha,
insiste, consegue e ganha,
com coragem e com vigor,
é sabido, vivedor,
prossegue, cria, resgata,
arruma o solo, a sapata,
toda a construção prepara.
De besta, só tem a cara,
de burro, só a chibata.

Não é doido, nem grosseiro,
nem vagabundo, nem vil,
nem falso, nem imbecil,
nem bronco, nem presepeiro,
nem ralé, nem bandoleiro,
nem tacanho, nem bravata,
nem gatuno, nem pirata,
nem tolo, nem babaqüara.
De besta, só tem a cara,
de burro, só a chibata.

(*) Mote de Prof. Sílvio, com outras glosas de Wellington Vicente, no cordel na USINA, em 15/01/2004.
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