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Cordel-->GRANDE CANTO DE IMPROVISO -- 22/03/2004 - 18:07 (José de Sousa Dantas) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
GRANDE CANTO DE IMPROVISO
Repentistas: João Paraibano (JP) e Valdir Teles (VT),
em 19/03/2004, em João Pessoa - PB

Temas desenvolvidos pelos repentistas

1.CENÁRIOS DIVERSOS
2.A CULTURA DA VIOLA
3.O VELHO E O NOVO
4.TEM A MÃO DA NATUREZA NAS CURVAS DO CORPO DELA
5.Chove muito, o sertão está molhado, vou voltar pra o sertão segunda-feira
6.O CENÁRIO DO SERTÃO
7.O VAQUEIRO REVENDO O CASARÃO ABANDONADO
8.BUSH, SADDAM e BIN LADEN
9.Quando eu era menino imaginava, que crescendo de tudo iria ter
10.ME DIGA DESTINO INGRATO QUAL FOI O MAL QUE TE FIZ
11.VOA SABIÁ

CENÁRIOS DIVERSOS

JP
Dessa hora por diante,
a nossa lembrança voa,
no colo, a viola geme,
na garganta, a voz ressoa
e os versos tomam conta
das praças de João Pessoa.

VT
Nosso pensamento voa
em procura do além,
no mundo de quem verseja,
terra de quem canta bem,
no céu que as musas caminham,
nós caminhamos também.

JP
Mais um planeta se acende
no rosto da imensidade,
as folhas verdes se abraçam
no beijo da tempestade,
eu faço poema misto
de sentimento e saudade.

JP
O réu geme atrás da grade,
sem ter porta pra sair,
a gente sonha acordado
pra o povo se divertir,
que repentista e teteú
não têm hora pra dormir.

VT
No filme depois do dia,
a fera sobe a montanha,
o vento bate nas folhas
a borboleta se assanha,
se DEUS não ganhar o OSCAR,
me diga quem é que ganha !.

JP
Quando a teia de aranha,
vai quebrando a linha fina,
a rosa se embebeda
com gotículas de neblina
e a nossa mente descreve
a cultura nordestina.

A CULTURA DA VIOLA

VT
A cultura da viola
saiu da área rural,
deixou a casa de taipa
e se firmou na capital,
deixou de ser sertaneja
pra virar nacional.

VT
Quem já fez cara de choro,
hoje sorrindo aparece,
quem do verso não gostava,
hoje aplaude e reconhece,
SINAL QUE A ARTE CHEGOU
NO LUGAR QUE ELA MERECE.

VT
O poeta Villa-Lobos,
lá no céu está feliz,
PATATIVA hoje está
sendo estudado em Paris,
orgulho pra o CEARÁ
e glória pra o nosso País.

VT
Hoje em rádio e em TV
tem cantador convidado,
e o que começar agora,
nesse caminho sagrado,
não vai sofrer dez por cento
do que eu sofri no passado.

VT
No passado o povo ouvia
o nosso material,
dez por cento na cidade,
90 em zona rural,
e hoje os 10 são no sítio
e 90 na capital.

VT
Hoje o cantador concorre
e aonde chega compete,
já desprezou o correio,
e bota release em disquete,
já tem cantador fazendo
contrato por INTERNET.

O VELHO E O NOVO

VT
O jovem é principiante,
o homem velho é maduro,
este tem experiência,
todo novo é inseguro,
por isso é que a gente diz,
melhor ser velho feliz
do que jovem sem futuro.

JP
O olho é como uma bica,
molhando as dores do peito,
todo jovem é mais afoito,
só é quem quer ser direito,
esnoba em todos terrenos,
o velho promete menos,
mas quando faz é bem feito.

VT
Eu vou fazendo é promessa,
que é para envelhecer,
ficar igual a vovô,
vendo o meu corpo tremer,
DEUS me dê o santo aprovo,
se a gente não morrer novo,
envelhece sem querer.

JP
Como é triste a gente ver
o velho sem dentadura,
a vista ficando opaca
e a junta ficando dura,
anda com a perna pensa,
QUE A VELHICE É A DOENÇA,
QUE A MEDICINA NÃO CURA.

TEM A MÃO DA NATUREZA NAS CURVAS DO CORPO DELA

JP
A índia da minha aldeia,
com quem faço o meu pernoite,
seu cabelo é cor da noite,
o rosto é da lua cheia,
sua voz é de sereia,
sua cor é de canela,
nem Letícia Sabatela
possui a sua beleza.
Tem a mão da natureza
nas curvas do corpo dela.

VT
Outra mulher não imita
a beleza que ela tem,
nem a lua quando vem
da região infinita,
ela é muito mais bonita
que as deusas de capela,
nem Tieta da novela
tem a sua boniteza.
Tem a mão da natureza
nas curvas do corpo dela.

CHOVE MUITO, O SERTÃO ESTÁ MOLHADO,
VOU VOLTAR PRA O SERTÃO SEGUNDA-FEIRA

JP
Um ouvinte chegou dizendo agora,
fiquei muito feliz em ter sabido,
que o sertão que eu amo está chovido,
vou juntar a bagagem e vou me embora,
para ver o barreiro que se tora,
com a força da cheia corredeira,
quem estava melado de poeira,
hoje está com o corpo enlameado.
Chove muito, o sertão está molhado,
vou voltar pra o sertão segunda-feira.

VT
Vou voltar pra o sertão que eu confio,
que o inverno este ano tem fartura,
toda a noite eu avisto a nuvem escura,
e a água no céu fazer pavio,
vou ver a água escoando no meu rio,
vou voltar, trabalhar lá na ribeira,
que eu não quero morar noutra fronteira,
quero ver no sertão, rio de nado.
Chove muito, o sertão está molhado,
vou voltar pra o sertão segunda-feira.

JP
Eu já vejo o relâmpago clareando,
muita neve estendida pelo cume,
eu preciso de olhar o vaga-lume,
pelo céu se acendendo e se apagando,
quero ver a aurora se acordando
na canção do xexéu de bananeira,
uma lata tocando na goteira
parecendo um baião desafinado.
Chove muito, o sertão está molhado,
vou voltar pra o sertão segunda-feira.

VT
Toda a noite de chuva escuto a voz,
vou voltar pra o sertão que eu estou contente,
lá na roça de pai, plantar semente,
ver os ninhos de pássaros nos cipós,
tá sangrando o açude do ORÓS,
Jatobá, Borborema, Castanheira,
Acauã, Boqueirão e Catingueira,
Jandaíra, Coremas e Condado,......
Chove muito, o sertão está molhado,
vou voltar pra o sertão segunda-feira.

JP
Escutei o trovão na Borborema,
vou voltar pra o sertão Pajeuzeiro,
ver a água cair do nevoeiro,
escondendo o arrebol da cor de gema,
ver rolinha cantando na Jurema
e também os lambus, na capoeira,
duas vozes, a segunda e a primeira,
como nós no martelo agalopado
Chove muito, o sertão está molhado,
vou voltar pra o sertão segunda-feira.

JP
Vou sair da cidade pra o sertão,
para ver vaga-lume se acendendo,
vou olhar pé de serra estremecendo,
no sopapo da força do trovão,
ver mamãe escorada no fogão,
se queimar na azeia da chaleira,
pai tirando um enxu na cumeeira
com um molambo de saco esfumaçado.
Chove muito, o sertão está molhado,
vou voltar pra o sertão segunda-feira.

JP
Vou pra lá pra comer queijo de coalho,
pra ver peba correndo na vereda,
um menino chupando fruta azeda,
uma rosa brotando em cada galho,
ver a vaca no toque do chocalho,
uma abelha nas pétalas da roseira,
um cavalo correr sem cortadeira,
dando freio com o casco enlameado.
Chove muito, o sertão está molhado,
vou voltar pra o sertão segunda-feira.

JP
Sou da terra que é paraibana,
e eu preciso voltar pra mesma terra,
que eu nasci, fui criado em pé de serra,
pra olhar o mocambo de savana,
ver a cabra comendo jitirana,
ver a vaca lambendo uma cocheira,
ver a neve na serra do Teixeira,
parecendo um lençol branco rasgado.
Chove muito, o sertão está molhado,
vou voltar pra o sertão segunda-feira.

O CENÁRIO DO SERTÃO

VT
Eu vou pra minha ribeira,
meu povo está me esperando,
pra ver rio na enchente,
e ver riacho roncando,
engasgado nos basculhos
que a enchente está levando.

JP
Vou ver galo beliscando,
nos baixios, no monturo,
um caçador de espingarda,
por dentro do mato escuro
matando lambu de tiro
pra não comer feijão puro.

JP
Eu vou para o sertão quente,
que fui nascido e criado,
ver o feijão embonando
pé de milho bonecado,
periquito cor esperança
brincando dependurado.

VT
Meu sertão não está mais seco,
toda à noite a nuvem chora,
no período do verão,
eu tive que vir embora,
mas as chuvas retornaram,
e eu vou regressar agora.

JP
Eu voltar outra vez quero
pra terra que a gente adora,
ver flor de jurema preta
se abrindo pela flora,
como capela de noiva,
que está se casando agora.

VT
Toda à noite a nuvem chora
com relâmpago faiscando,
e o trovão bate zabumba,
sem olhar quem vem dançando,
E O SERTANEJO GARGALHA
QUANDO A NUVEM ESTÁ CHORANDO.

JP
Vou ver o fruto cair
da ponta fina da galha,
a ponta do milho verde,
onde o grilo se agasalha,
que eu não sei quem é mais verde
SE É O GRILO OU É A PALHA.

VT
Vou pisar em barro cru,
ver serra cor de fumaça,
ver raposa farejando
no lugar que o frango passa,
e teú caçando ninho,
pra beber ovo de graça.

JP
Eu vou ver o cão de caça,
que a gente chama de cão,
a língua roxa da cabra
na touceira da ração,
botando leite no ubre,
que o peito arrasta no chão.

JP
Vou ver a pétala da flor
criar perfume no covo,
galinha caçando moita,
para esconder seu ovo
e a cuia de tirar leite
cheirando a cabrito novo.

O VAQUEIRO REVENDO O CASARÃO ABANDONADO

VT
Eu vi na casa sinais
de tristeza e abandono,
falta a rainha do lar
e o rei mandando no trono,
só tem morcegos voando
e o vento passa apagando
o rastro dos pés do dono.

JP
Essa fazenda sem dono,
tudo o que o VAQUEIRO achou,
foi um rato se escondendo,
num paredão que rachou,
na ponta de mourão torto,
a cabeça de um boi morto,
que a seca ingrata matou.

VT
O dono já viajou,
não tem cavalo e nem sela,
no fogão velho apagado,
só tem caco de panela,
dando cupim no caixilho
e a máquina de moer milho
criando ferrugem nela.

JP
Vê-se um cambito sem sela,
sem corona e sem coxim,
uma cocheira emborcada,
e um mourão dando cupim,
a esteira sem veludo,
que o tempo criou de tudo
e o mesmo tempo deu fim.

VT
Aonde foi um jardim,
a beleza se sumindo,
a cama velha quebrada,
sem ter mais ninguém dormindo,
madeira danificada
e a parede esburacada,
os bichos entrando e saindo.

JP
Na forquilha do fogão
ainda vi uma espora,
uma parede pendendo,
pela falta de uma escora,
um fantasma no terreiro
de uma sombra de VAQUEIRO,
dizendo que foi embora.

VT
A casa que foi outrora,
só reina pranto e seqüela,
os pedacinhos da cama
e o fumaceiro de vela,
vi um enxu boca torta
bem arranchado na porta
pra ferroar quem vem nela.

JP
Não pude mais ver a sela,
pendurada num cambito,
vi a cocheira furada,
o chiqueiro sem cabrito,
por lá enquanto eu rondava
somente a tristeza estava
nesse CENÁRIO ESQUISITO.

VT
Nem vi sela, nem cambito,
que o cupim já estragou,
enxame de maribondo,
lá na casa se arranchou,
a cama velha sem forro,
e a ossada dum cachorro,
que a fome ingrata matou.

VT
Sem ter nada dentro dela
somente a desilusão,
cozinha cheia de cinzas,
madeira velha e fogão,
batente, porta e janela,
e o cacos de uma panela,
que mãe cozinhou feijão.

JP
Alguidar, trempe e pilão,
prateleira envernizada,
um queijo dentro do chincho,
um caldeirão de coalhada,
a garrafa de azeite
a cuia de tirar leite,
cacei, mas não achei nada.

VT
Uma máquina enferrujada,
que mãe fazia farinha,
e uma cama velha de mola,
no canto da camarinha,
o alpendre esburacado,
e um pilão velho emborcado
lá no canto da cozinha.


BUSH, SADDAM e BIN LADEN

JP
Um ouvinte nos pediu,
o seu desejo, eu respeito,
se BUSH é cheio de falha,
SADDAM só possui defeito,
botando os dois na balança,
são ruins do mesmo jeito.

VT
Vem o pedido, eu aceito,
que faz parte do festim
que entre BUSH e BIN LADEN,
o rapaz pediu a min,
eu vou defender BIN LADEN
que BUSH é bem mais ruim.

JP
BUSH só queima estopim
aonde não é preciso,
SADDAM fugiu com milhões,
deixou o IRAQUE liso,
e louco perto de louco,
ninguém encontra juízo.

VT
BUSH só dá prejuízo,
quer invadir toda aldeia,
Vietnã e Japão,
passaram por crise feia,
e ninguém deve ditar
as regras da casa alheia.

JP
SADDAM está na cadeia,
sem visita de amigo,
pois quem castigou os outros,
caiu no mesmo castigo,
quem aqui se faz se paga,
isso é um ditado antigo.

VT
Fez ele a maior novela,
pra mostrar a força sua,
incendiou o Iraque,
matou gente em toda rua,
acabou a ofensiva,
mas a guerra continua.

QUANDO EU ERA MENINO IMAGINAVA,
QUE CRESCENDO DE TUDO IRIA TER

JP
Outro tema que vem aparecendo,
vou tentar com as frases sacrossantas,
decantar para o nosso amigo DANTAS,
que presente ele está feliz nos vendo,
que o ventre da mãe lhe viu nascendo,
teve a graça divina pra crescer,
os seus sonhos, jamais vai esquecer,
que o melhor do futuro, conquistava.
Quando eu era menino imaginava,
que crescendo de tudo iria ter.

VT
Eu olhava na mata o seu painel,
eu brincava na minha residência,
cultivando o verdor da inocência,
pois não tinha um passado tão cruel,
eu fazia dinheiro de papel,
e botava no bolso pra encher,
e quando eu via brinquedo pra vender,
eu pensava com ele que comprava.
Quando eu era menino imaginava,
que crescendo de tudo iria ter.

JP
Todo homem não é como parece,
eu vivia coberto de esperança,
eu pensava no tempo de criança,
que o homem seguia a boa prece,
sempre evoluindo com benesse,
ajudando e crescendo pra viver,
o rival não brigava por poder,
e a matéria também não era escrava.
Quando eu era menino imaginava,
que crescendo de tudo iria ter.

VT
Eu sonhava brincando num monturo
lá de casa correndo para a rua,
muitos beijos jogando para a lua
e pulando animado no meu muro,
eu sonhava a estrada do futuro,
e pensava no mundo eu vou vencer
muitas coisas inda vão me aparecer,
que JESUS lá do céu me iluminava.
Quando eu era menino imaginava,
que crescendo de tudo iria ter.

ME DIGA DESTINO INGRATO QUAL FOI O MAL QUE TE FIZ

VT
Nasci na propriedade,
olhando o claro da lua,
mas depois eu vim pra rua,
embora contra a vontade,
eu pensei que na cidade
chegando eu era feliz,
mas o destino não quis,
antes tivesse no mato.
Me diga destino ingrato
qual foi o mal que te fiz.

JP
Plantei sem ter chão chovido,
perdi arroz, fava e milho,
a mulher matou meu filho,
com massa de comprimido,
meu irmão virou bandido,
a minha irmã, meretriz,
mãe aleijou seu nariz
da chifrada de um boiato.
Me diga destino ingrato
qual foi o mal que te fiz.

JP
Pra mim o sol já se pôs,
não tem lua em meu semblante,
a mulher que casei antes,
me ficou contra depois,
eu sou casado nos dois,
no juiz e na matriz,
mas vou pedir ao juiz
que desmanche esse contrato.
Me diga destino ingrato
qual foi o mal que te fiz.

JP
Fui rico, estou peregrino,
tem horas que peço a morte,
não vou me queixar da sorte,
vou me queixar do destino,
estou criando um menino,
sem ter certeza que fiz,
mulher que torce os quadris,
troca o homem num gaiato.
Me diga destino ingrato
qual foi o mal que te fiz.

VT
Como pessoa sofrida,
desde o tempo de pequeno,
vivendo no meu terreno,
só dei passada perdida,
não boto a culpa na vida
e muito menos no País,
por certo o tempo não quis
que eu fosse feliz de fato.
Me diga destino ingrato
qual foi o mal que te fiz.

JP
Minha sorte não me poupa,
meu sapato é japonesa,
quando me sento na mesa,
uma mosca cai na sopa,
o meu baú não tem roupa,
meus móveis não têm verniz,
a cama é uma infeliz,
só tem pulga é carrapato.
Me diga destino ingrato
qual foi o mal que te fiz.

VT
Eu nunca passei na prova
da tal da felicidade,
estou avançando a idade,
o meu sonho não renova,
se eu comprar uma roupa nova,
vem estreita nos quadris,
o sapato eu dou verniz,
o rato mija o sapato.
Me diga destino ingrato
qual foi o mal que te fiz.

VT
Não sou de raça ralé,
mas tou padecendo drama,
já fiquei sem minha dama,
do amor, perdi a fé,
se eu chego no cabaré,
procuro uma meretriz,
ela diz e pede bis,
você não pague barato !
Me diga destino ingrato
qual foi o mal que te fiz.

JP
Hoje estou na capital,
mas é vivendo de esmola,
ando pedindo em sacola,
comendo feijão sem sal,
tem dia que eu passo mal,
vou beber num chafariz,
e a dona da lata diz,
lugar de sapo é regato.
Me diga destino ingrato
qual foi o mal que te fiz.

JP
Minha flor caiu na lama,
estou ficando demente,
eu cantei por muita gente,
nunca pude fazer fama,
participei de programa,
comecei de aprendiz,
e hoje se eu ganho xis,
o ladrão rouba do prato,
Me diga destino ingrato
qual foi o mal que te fiz.

JP
Eu só seria feliz
se alcançasse a nebulosa,
fizesse mel como abelha
tirando o néctar da rosa
e tivesse a voz de ouro
de Severino Feitosa.

SEVERINO FEITOSA
A cantiga está gostosa
canto sem passar sufoco,
mas diz um velho ditado,
QUE TODO POETA É LOUCO,
da loucura do poeta,
acho que herdei um pouco.

JP
Eu não sinto a gargalhada,
sem vontade de sorrir,
e nem forro minha esteira,
sem ter sono pra dormir,
mas sou um louco engraçado,
que o povo gosta de ouvir.

JP
Eu lembro o campo, o açude,
o baixio de ervança,
boneca de milho verde,
parecendo uma criança,
não trouxe o sertão nos braços,
mas trouxe em minha lembrança.

VOA SABIÁ

VT
Não mate o passarinho,
deixe cantar na floresta,
fazer ninho e fazer festa,
que é bonito o seu cantar,
quem pensar em lhe matar,
DEUS na hora lhe empate,
que não quer que ninguém mate,
quem não nasceu pra matar.
Voa sabiá
do galho da laranjeira,
que a pedra da baladeira
vem zoando pelo ar.

VT
Eu não vou matar
o passarinho que canta,
dou almoço, dou a janta,
e a água para tomar,
deixe voar,
ir pra mata fazer ninho,
que eu também sou passarinho,
só não aprendi cantar.
Voa sabiá
do galho da laranjeira,
que a pedra da baladeira
vem zoando pelo ar.
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