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Cordel-->ESTROFES DE IMPROVISO: Cantoria em 13/03/2004 -- 15/03/2004 - 12:19 (José de Sousa Dantas) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
ESTROFES DE IMPROVISO
Cantoria em 13/03/2004
Repentistas: Sebastião Dias (SD) e Raimundo Caetano (RC)

Temas desenvolvidos pelos repentistas:

·A VIOLA É MINHA VIDA
·ELIZETE ESTÁ VOLTANDO PRA SUA TERRA NATAL
·AS HORAS DE QUEM ESPERA SÃO AS MAIS LONGAS DA VIDA
·TRAÍRA DE RABO FINO DANDO LAPADA EM REPRESA
·TODO DIA EU MEDITO COM SAUDADE MINHA INFÂNCIA VIVIDA NO SERTÃO
·NOS DEZ PÉS DE MARTELO ALAGOANO
·CONSELHO AO FILHO ADULTO (canção)


A VIOLA É MINHA VIDA

SD
Quem vem para cantoria
sente a alma enaltecida,
e os que detestam ela
é uma massa adormecida,
esses são os mortos vivos,
que vegetam sem motivos,
sem ter amor pela vida.

RC
A viola sustenida,
meu predileto instrumento,
o meu hobby é fazer frases
pra depois jogar no vento,
nas minhas meditações,
vou caçando explicações,
pra cada acontecimento.

SD
Quem não ama o instrumento
do repentista liberto,
é um tipo de pessoa
que faz da vida um deserto,
é vivo, mas anda torto,
tem espírito e falta porto,
pra ver Jesus mais de perto.

RC
Pelos versos me liberto,
numa toada sonora,
nessa viola afinada,
que no meu peito se escora,
com ela visível assim,
toca mais dentro de mim
do que do lado de fora.

SD
Tem gente que se escora
e um sentimento não sonha,
em vez de gostar dos versos,
compra folha de maconha,
DEUS não gosta dessa escola,
que o nordeste sem viola
matava DEUS de vergonha.

RC
Feliz daquele que sonha,
no curso da avenida,
em cada baião que toca,
em cada frase proferida,
independente de sexo,
a POESIA é o reflexo,
dos horizontes da vida.

SD
É a viola querida,
que meu segredo revela,
o pão da minha família,
ela leva pra panela,
troco versos por centavos,
fiz os meus dedos escravos,
pra dançar nos braços dela.

RC
A viola é quem revela
a minha voz de tenor,
não tenho propriedade,
nem diploma de doutor,
não recebi o canudo,
mas não sou pobre de tudo,
porque nasci cantador.

SD
Eu vou morrer cantador,
ritmando os meus compassos,
só vou pedir ao prefeito
que reserve meus espaços,
não seja pessoa fátua,
pra fazer a minha estátua,
com a viola nos meus braços.

RC
A viola nos meus braços,
me leva pra muito além,
sem ela, choro calado,
não me sinto muito bem,
mas cantando os improvisos,
arranco tantos sorrisos,
findo sorrindo também.

SD
A viola também vem
aonde VITAL está
onde vai, leva o nome
da linda Taperoá,
sua musicalidade,
o amor e a saudade
dos pés de serra de lá.

RC
VITAL que aqui está,
no coração da cidade,
distribuindo entre nós
a sua vitalidade,
VITAL é fonte de vida,
na festa dessa avenida,
ele é feliz de verdade.

SD
A viola traz saudade,
desmancha monotonias,
que fez os degraus da fama,
que pisa VITAL FARIAS,
e colocou uma semente
em forma de um repente
dentro de Sebastião Dias.

RC
Em todas as sinfonias,
eu sempre coleciono,
e o gemido da viola,
serve de coro e ressono,
seja na rua ou na mata,
com uma mão abstrata,
tocando a alma do dono.

SD
A viola que eu sou dono,
já me deu rosas, espinhos,
não me empresta carícia,
mas aceita meus carinhos,
A VIOLA É MINHA VIDA,
não é mãe e nem engravida,
mas sustenta meus filhinhos.

RC
Já toquei em tantos pinhos,
à viola eu quero bem,
eu só deixo essa viola,
quando eu partir pra o além,
nessa diferente escola,
porque se enterrar a viola,
seria crime também.

SD
Quase todo mundo tem
de cumprir uma missão,
SENNA morreu no seu carro,
por sua premiação,
deixou todos sem conforto,
e no lugar que eu cair morto
é com viola na mão.

RC
Viola na minha mão,
meus sentimentos revela,
nas cantorias dos centros
ou nos bairros da favela,
quem faz arrancar a palma,
somente os pobres de alma,
criticam os gemidos dela.

SD
Minha casa com janela,
o meu sapato de sola,
a despesa da farmácia,
o estudo da escola,
a fama que eu me mantenho,
e os bons amigos que eu tenho,
quem me deu foi a VIOLA.

RC
Viola, velha viola,
de cada nome sentida,
tá comigo na chegada,
porque teve na partida,
tocando o ritmo mais raro,
foi o presente mais caro,
que eu ganhei durante a vida.

SD
Ela a LOURO deu a vida,
naquele tempo de outrora,
deu fama a Jó Patriota,
que tão cedo foi embora,
inda está de braço morto,
dependurada no porto,
da casa que Helena mora.

RC
Ela já serviu outrora,
a Dimas, Rogaciano,
a Manuel Xudu, Sobrinho,
a Pinto e Aureliano,
e hoje ela toca na mão
do vate Sebastião
e de Raimundo Caetano.

ELIZETE ESTÁ VOLTANDO PRA SUA TERRA NATAL

RC
Se Deus lhe pediu que fosse,
já está ajeitando a mala,
e o destino irá levá-la,
do mesmo jeito que trouxe,
vai ver poço de água doce,
com os pingos de cristal,
que a água do mar tem sal
e a seca não está matando
Elizete está voltando
pra sua terra natal.

RC
Está deixando o oceano
e toda a orla praieira,
voltando para Teixeira,
Elizete Cassiano,
o lugar onde Romano
fez o verso especial,
e até a data atual
tem muita gente lembrando.
Elizete está voltando
pra sua terra natal.

RC
Ela inda tem o retrato
do sertão dentro da alma,
está voltando com calma,
pra escutar o regato,
ver gente limpando o mato,
no meio do milharal
gado entrando no curral
e os vaqueiros campeando.
Elizete está voltando
pra sua terra natal.

SD
Nasceu no interior,
aonde DEUS lhe promete,
volte querida Elizete,
para o sertão sem temor,
que o povo do setor
tem comida natural,
as galinhas do quintal,
há tempo que estão cevando.
Elizete está voltando
pra sua terra natal.

AS HORAS DE QUEM ESPERA SÃO AS MAIS LONGAS DA VIDA

SD
Esperar quem vem chegando
quando existe uma demora,
essa é a pior hora,
pra o coração latejando,
porque quem vive esperando,
uma pessoa querida,
até mesmo na partida,
o ritmo no peito altera.
As horas de quem espera
são as mais longas da vida.

RC
Toda espera sempre cansa,
quando a pessoa não vem
e é triste esperar alguém,
que não manda nem lembrança,
a mãe espera a criança
desde o dia que engravida,
pela placenta envolvida,
no ventre aonde se gera.
As horas de quem espera
são as mais longas da vida.

SD
Na hora que o correio,
quando a alma está farta,
que o amor manda uma carta,
dizendo porque não veio,
depois que passa do meio
da lista da carta lida,
uma frase inesquecida
dizendo, o amor já era.
As horas de quem espera
são as mais longas da vida.

SD
Eu já esperei de um jeito,
que o coração se cansou,
minha amada não voltou,
eu fiquei insatisfeito,
pra crucificar meu peito,
em minha a dor fez guarida,
desse tipo de ferida
ninguém cura nem supera.
As horas de quem espera
são as mais longas da vida.

TRAÍRA DE RABO FINO DANDO LAPADA EM REPRESA

RC
Eu gosto é de ver na mata
o vento soprar revolto,
ver o peba correr solto
na vazante de batata,
o estalo de alpercata,
que é melhor que japonesa,
a água na correnteza
e rastro de tangerino.
Traíra de rabo fino
dando lapada em represa.

RC
Gosto de ver no sertão
feijão catado em balaio,
as flores do mês de maio,
as fogueiras de São João,
as cantigas do carão,
profeta da natureza,
uma lamparina acesa,
num casebre pequenino.
Traíra de rabo fino
dando lapada em represa.

TODO DIA EU MEDITO COM SAUDADE
MINHA INFÂNCIA VIVIDA NO SERTÃO

SD
Hoje eu posso dizer que eu sou feliz,
todo dia eu me lembro, quando acordo,
do sertão que vivi e eu recordo,
o jumento, a cangalha e os barris,
uma canga, a correia e seus canzis,
quatro deles prendendo o barbatão,
o azeite oleando o meu cocão,
eis os números da minha identidade.
Todo dia eu medito com saudade
minha infância vivida no sertão.

RC
Não me esqueço da árdua trajetória,
todo dia saindo pra o trabalho,
com a roupa molhada de orvalho,
com a mão estirada à palmatória,
esse é um pedaço da história,
que eu não posso prender na minha mão,
mas se eu for remexer meu coração,
inda dá pra salvar mais da metade
Todo dia eu medito com saudade
minha infância vivida no sertão.

NOS DEZ PÉS DE MARTELO ALAGOANO

SD
Eu preciso deixar nesse momento
esse mar que a gente se inspira,
e a casa chamada Caipira,
pra chamar o poeta Nascimento,
ele aqui vai fazer o lançamento
e cumprir o que estava no seu plano,
com apoio de DEUS, o soberano,
o seu livro LASCADO DE SAUDADE,
o seu sonho tornou realidade
Nos dez pés de martelo alagoano.

RC
Eu procuro esconder a minha dor,
com os versos da mente quando eu faço
e através de uma luta sem fracasso,
eu me torno na arte um vencedor,
se eu nasci um poeta cantador,
procurando vencer a cada ano,
de novato passei a veterano,
se faltar quem me escute, eu vou parando,
e se tiver quem me ouça, eu vou cantando
Nos dez pés de martelo alagoano.

CONSELHO AO FILHO ADULTO: Sebastião Dias

Por favor filho querido
me escute e pense bem,
seu velho pai quer lhe dar
o valor que você tem,
você tá na idade
de alcançar a liberdade,
de fazer sua vontade
e tornar-se homem também.

Tem muitas coisas, meu filho,
que eu queira lhe dizer,
lhe eduquei como podia,
já cumpri com meu dever,
você agora decida,
o futuro lhe convida,
eu gerei, Deus deu-lhe a vida,
é você quem vai viver.

Queira espinhos no começo,
aguarde flores no fim,
respeite o seu semelhante,
siga o bom e deixe o ruim,
por onde você passar
reconheça o seu lugar,
pra ninguém se envergonhar
dum filho meu, nem de mim.

Defenda a moral sem sangue,
ajude a quem precisar,
quando tiver precisão,
peça um pão pra não roubar,
ouça o velho, ame o menor,
pense em Deus, faça o melhor,
coma e vista do suor
que seu rosto derramar.

Não queira ouro roubado,
nem amor por fantasia,
escolha a mulher sincera,
para a sua companhia,
faça meu filho, o que eu fiz,
veja como sou feliz,
só casei com quem me quis
e sua mãe com quem queria.

O mundo tem dois caminhos,
um é certo, outro errado,
na escolha de um deles,
é preciso ter cuidado,
se você não escolheu
um deles pra ser o seu,
se quiser seguir o meu,
o exemplo é meu passado.

Mesmo na maior idade,
quero estar sempre contigo,
lhe ensinando bons caminhos,
lhe livrando do perigo,
estando perto ou distante,
não lhe deixo um só instante,
porque de agora em diante,
além de pai, sou amigo.

Corra o mundo, faça amigos,
conheça o que conheci,
transmita o que ensinei,
conquiste o que eu consegui,
aproveite a juventude,
ame a paz, honre a virtude,
quando quiser quem lhe ajude,
seu velho pai está aqui.

Aproveite a juventude,
ame a paz, honre a virtude,
quando quiser quem lhe ajude,
seu velho pai está aqui.

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