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cronicas-->CINGAPURA, MALÁSIA, AMÉRICA LATINA E "CAPETALISMO" -- 10/11/2002 - 23:31 () Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Cingapura, Malásia, América Latina e o "Capetalismo".
andreplacido@bol.com.br

Logo que cheguei ao aeroporto de Changi - o mais moderno do planeta -, em Cingapura, procurei o "achados e perdidos" da Singapore Airlines para reclamar minha mala que, pelo que parecia, teria ficado em Frankfurt. Resolvido o problema, fui direto ao YWCA onde ficaria hospedado pelos próximos trinta dias. Sentei-me na cama, tirei algumas coisas da mala, liguei a TV e deitei com o ar condicionado no último.
Foi uma surpresa da qual jamais esquecerei. Estava passando em um canal da Malásia, o Suria Channel, o mundialmente conhecido e não menos tradicional clássico entre as seleções de Cingapura e Malásia pelas eliminatórias asiáticas da Copa do Mundo. Você pode imaginar a Malásia massacrando Cingapura por um a zero?! Não?! Pois é, eu vi ao vivo e em cores! Chutão prá lá, chutão prá cá, trombadas, faltas, foi lindo!

Mas andando pela bela Cingapura que me surpreendi mais ainda. Fui até o centro pela Orchard Road, uma avenida onde você encontra muitos shoppings, restaurantes, casas de massagens - mania nacional -, escritórios de multinacionais etc. Lindas as igrejas protestantes como a anglicana St. Andrew´s Cathedral, a metodista Wesley Curch, a Orchard Road Presbyterian Church, a Católica Romana, os templos hindus, as mesquitas muçulmanas das quais fui literalmente expulso de todas(!) apenas por não fazer parte do Islã.

Andando pela cidade você verá a Snow City, a Asian Village e Chinatown, com sua arquitetura, comida e artesanatos chineses -o país possui 78% de chineses, 14% hindus, 7% de muçulmanos e 1% de povos do mundo. Saindo do Monte Faber, pelo Cable Car - maior teleférico que já andei -, você pode ir até Sentosa, ilha lindíssima onde você encontra pessoas de todos os lugares. Lá você pode ver as "fontes que dançam", embaladas por músicas dos cinco continentes, acompanhadas por muita tecnologia e raio laser. Também verá uma estátua do Merlion - metade peixe, metade leão -, símbolo do país, com 40 metros de altura, cujo interior há elevadores que levam os turistas até a boca da mascote.
Há muito mais lugares para se conhecer em Cingapura. O Raffles City - shopping lindíssimo -, Parliament House, Clifford Pier, Riverside - onde você encontrará os barzinhos mais malucos da cidade, com destaque ao Voodoo Bar -, o Underwater World - com seus aquários gigantes -, Suntec City - o mais luxuoso complexo de shoppings e centros de convenções da Ásia -, a Ópera Lírica, Ming Village - onde se faz porcelana como na época da Dinastia -, os museus de arte, de história, de civilizações asiáticas, as voltas de rickshaw!. Meu professor, Mr. Than, que ensinava cantando...singaporeano maluco!

Mas nem sempre o país foi assim. Depois de ser completamente destruído pelos aviões japoneses, os quais na Segunda Guerra estavam a caminho da Austrália (outro belíssimo lugar), o país tornou-se um centro de pobreza e dificuldades. Mas nos anos setenta, foi com apoio financeiro dos EUA - que, diga-se de passagem, tinham interesse militar na região -, que Cingapura investiu milhões de dólares na educação de seu povo. Conclusão: em pouco mais de duas décadas, o país - que, de tão pobre de recursos naturais importa, via aquedutos, até água potável da Malásia -, explodiu em conhecimento e hoje é um importante centro tecnológico. Seu porto é o mais movimentado e moderno do mundo. A saúde? Vai muito bem, obrigado. Segurança? Há problemas de violência, mas sob controle. Expectativa de vida? Entre as melhores. Transporte urbano? Perfeitamente bem servido por ónibus, trens e metrós. Investimentos externos? Aumentam a cada dia. Bolsa de Valores? Em constante alta. Alfabetização em 92% e 95% da população com casa própria. Sem dizer que trabalhadores altamente qualificados atuando no mercado é o que não falta.
A Malásia também mostra aspectos semelhantes aos de Cingapura, apesar de Johor, cidade de fronteira, apresentar traços de atraso pelo fato de a religião hindu e, principalmente muçulmana, ter forte influência sobre o governo local. Enquanto Cingapura, a religião está totalmente separada do Estado.

Sempre me lembrava do Brasil. Lembrava de nossa cultura, educação, políticos, ideologias. Lembrava dos descasos e desvios de dinheiro do povo para os bolsos de políticos marginais. Lembrava da particular e curiosa mania de a América Latina pensar que, no mundo globalizado de hoje, no qual os mercados livres se pautam pela concorrência e competência - provenientes da educação -, o "capetalismo" é visto unicamente como um demónio a mando dos ricos e poderosos chefiados pela América do Norte.
É óbvio que a América não poupa esforços para ser a única a dominar o mundo mas, e as nossas culpas? A nossa falta de ação contra os corruptos? A nossa falta de ação contra o vilipendio da educação? A nossa mania de pensar apenas em cerveja, mulher e carnaval? A nossa incompetência diplomática? A nossa falta de um real interesse em mudar o Brasil? O nosso descaso para com os miseráveis? A nossa falta de civismo e interesse político? E a nossa falta de amor próprio? A nossa reação contra a violência?

Muito se vê pessoas criticando o país, mas as soluções precisam ser pensadas por toda a sociedade. Ouço de amigos que, depois da privatização da Telesp (Telefónica), não se consegue linha, o serviço piorou e o atendimento é péssimo. As pessoas não entendem que o problema é a forma como foram feitas as regras da privatização e a importància de haver intensa fiscalização. Em uma economia de mercado livre sobre a qual o Estado não intervém - como é em Cingapura -, a sociedade civil organizada tem obrigação e direito de cobrar e fiscalizar as empresas além da própria fiscalização do órgão competente (!) do governo. Lembro de quando trabalhei em uma empresa de telefonia no Paraná e nossos chefes nos alertavam todas as quintas-feiras de que haveria "medição" (fiscalização) da Embratel. Deu para entender o esquema?!

Com isso tudo, as "republiquetas latinas de aluguel" - das quais políticos populistas e ditadores de direita com seus golpes de Estado e de esquerda com suas "revoluções" sanguinárias ridículas, apoiadas em ideologias pré-históricas e utópicas -, vão atravessando a história no papel de escravas de sua própria ignorància e ganància, sobretudo de poder.
É de carona nessa falta de futuro que os "revolucionários" aparecem com suas idéias de tomar o poder pela força, pela bala, pelo sangue! Não conseguem ter a visão de democracia, de livre acesso da população na construção e evolução do país. Não vêem a sociedade como força motriz de desenvolvimento, e sim de um Estado dominador cuja maior função é colocar o cidadão em uma espécie de "jaula ideológica", a qual o impede de explorar os caminhos do desenvolvimento. Educados e esclarecidos, os povos latinos não aceitarão mais este sim, domínio demoníaco da força do Estado opressor sob os seus destinos.

Cingapura pode ter nenhuma tradição no futebol, mas seu povo tem muito a nos ensinar. Cabe a nós decidir entre o atraso e a modernidade, entre a realização e a lamentação, entre a educação e a ignorància, entre o descaso e a ação, entre a crítica e o elogio, entre a escravidão e a liberdade, entre a "revolução armada" e a evolução intelectual.

Deve ser por tantas realizações que o cingaporeano canta com orgulho: ♪Count on me Singapore! ♫ Count on me to give my best and more! ♪ Count on me ♫ Singapore !
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