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Cordel-->GERALDO AMÂNCIO e FEITOSA cantaram de improviso -- 13/02/2004 - 18:49 (José de Sousa Dantas) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
GERALDO AMÂNCIO e FEITOSA cantaram de improviso
Em João Pessoa, em 06/02/2004

Temas apresentados no ato e desenvolvidos de improviso pelos REPENTISTAS

1.A ENCHENTE NO SERTÃO
2.O PENSAMENTO VIAJA
3.NUNCA MAIS FIZ CANTORIA NO CLARO DA LAMPARINA
4.A SEXTILHA AINDA É O MELHOR DA CANTORIA
5.Se não fosse a viola o que seria dos lamentos do povo do sertão
6.O BRASILEIRO ESTÁ MAIS VIVENDO DA UTOPIA
7. A GENTE CANTA
8.A VIDA DA PROSTITUTA
9.NO OITAVÃO REBATIDO
10.Agradeço a DEUS por mais um ano na minha vida
11.DEUS não força ninguém a fazer nada, cada um faz a sua obrigação
12.SÃO MAMEDE SÓ FOI BOM QUANDO EU TINHA DINHEIRO
13.O inverno renova a esperança que o fantasma da seca nos deixou
14.EU VEJO NOS MENESTRÉIS A SAGA DE GONZAGÃO
15.SINTO O CHEIRO DA FARTURA EMBRIAGANDO O SERTÃO
16.SE EU FOSSE JESUS, O NAZARENO, NÃO MATAVA O POETA CANTADOR
17.COMIGO O ROJÃO É QUENTE, CANTA QUEM SOUBER CANTAR

A ENCHENTE NO SERTÃO

SF
Outros poetas vieram
escalar nessa jazida,
nesse ambiente se teve
muita noite divertida,
e a voz de GERALDO AMÂNCIO
precisava ser ouvida.

GA
Nunca vi na minha vida
um inverno como esse,
porém cantar hoje à noite
era do meu interesse,
São Pedro escondeu a chuva
pra que o verso aparecesse.

SF
É nesse grande interesse,
que eu descubro o continente,
com o preparo da fé
e com a coragem da mente,
DEUS trouxe a chuva de água
e você trouxe a de REPENTE.

GA
É rio botando enchente,
é sapo fazendo espuma,
vim fazer três cantorias,
findei fazendo só uma,
mas até com prejuízo
o cantador se acostuma.

SF
Todo rio tem espuma,
que a mão de DEUS expôs,
as casas já desabaram,
desceram novilha, bois,
e o prejuízo de hoje
será de lucro depois.

GA
Tem água em baixa de arroz,
toda lagoa alagada,
tem açude se arrombando,
tem chuva cortando estrada,
DEUS satura a terra seca
e ninguém pode fazer nada.

SF
A mata está enfeitada
de muriçoca e mutuca,
o pingo d’água maior
em cima da flor machuca,
e a terra parece mais
como um pano de sinuca.

GA
Cada nuvem arapuca,
que chega com cor escura,
o ORÓS há 15 anos,
sem ter água com largura,
há 3 dias tá sangrando,
com 10 metros de altura.

SF
Voa alto a tanajura,
canta melhor o tetéu,
o torreão no nascente
vem vestido no seu véu,
pra DEUS abrir as torneiras
da companhia do céu.

GA
Se vê nuvem de chapéu
passando sem dar aviso,
abriram todas torneiras
que existem no paraíso,
em vez de dar muito lucro
tou temendo é prejuízo.

SF
DEUS não mandou um aviso,
pra fazer nenhum passeio,
mas hoje está gargalhando
quem achava o tempo feio,
quem pensou que não chovia,
hoje vê o rio cheio.

GA
Com esse inverno que veio,
que traz fartura sem fim,
dá pra nascer a semente,
lavoura, grama e capim,
porém pesado demais
pode até se tornar ruim.
..........
GA
Nos temos que suportar
as chuvas torrenciais,
as enchentes aparecem
e o povo perdendo a paz,
ninguém pode é blasfemar
do que a natureza faz.

SF
Se acabaram meus ais
depois dessa decisão,
com a nuvem no espaço
e água rolando no chão,
se vê um açude cheio
dentro do meu coração.

GA
Tem pipoco de trovão,
que no espaço eu escuto,
tem muito pobre escapando
debaixo de viaduto,
o pobre é predestinado
não tem sossego um minuto.

SF
Ficou melhor pra o matuto,
que dormia no terraço,
e depois que a chuva veio
se acaba todo fracasso,
quem nunca mais limpou mato,
prepare seu espinhaço.

SF
Enche a cacimba mais rasa,
sobra para o poço fundo,
o que cai em um minuto
é dividido em segundo
DEUS quando manda é pra todos,
que é pensando em todo mundo.

GA
Graça de DEUS que é Pai,
que tem grandeza sem fim,
mas se tem conhecimento,
que um velho falou pra mim,
que todo ano de 4
nunca tem inverno ruim.

GA
Eu acho espetacular,
ter inverno em nosso chão,
o sapo canta no mato,
e a jia no cacimbão
e as borboletas voando,
brincando de procissão.

GA
Galo de campina canta,
o seu grito apareceu,
perguntou ao bem-te-vi
e a rolinha respondeu,
o sebite lá na frente
diz que no sertão choveu.

SF
Foi isso que aconteceu,
de PATOS a IMACULADA,
TEIXEIRA e TAPEROÁ,
quem trafega na estrada,
vai saber que pra o matuto,
vai sobrar terra molhada.

GA
Não está faltando nada,
que o sertão tá colorido,
o feijão botando rama,
e o pendão está comprido,
que até do FOME ZERO
o povo está esquecido.

GA
A terra fica mais bela
vê-se a enchente descer,
a grama enfeitando o chão,
e a pastagem aparecer,
e COREMAS despacha água
pra o oceano beber.

GA
Tem água por toda veia,
ou meu DEUS muito obrigado,
muita gente tem morrido,
passando rio de nado,
quem se acabava de sede,
está morrendo afogado.

SF
Melhor é o resultado,
que é força do Pai eterno,
ele é onipotente,
poderoso e é moderno,
nós temos que agradecer
à beleza do inverno.

GA
Meu rio ficou moderno,
que passa lá em AURORA,
está muito diferente
daquele tempo de outrora,
que agora está viajando
bem meia légua por fora.

O PENSAMENTO VIAJA

GA
Pensamento de quem canta
é como asa que voa,
vai a Cairo no Egito,
a Japão e a Leoa,
navega o universo inteiro,
sem sair de João Pessoa.

SF
A minha mente é tão boa
que eu às vezes me espanto,
que vai à periferia,
pelo centro e o recanto,
viaja noutro universo
e vem dormir no mesmo canto.

GA
Meu pensamento anda tanto,
que fica até atrevido,
pode ir até o Iraque,
onde SADDAM tá perdido
sem deixar a PARAÍBA,
onde AUGUSTO foi nascido.

SF
Tem até acontecido,
que outras vezes me deixou,
eu fico na Paraíba,
no Rio ele assiste um show,
tem ido a muitos lugares,
que ele vai e eu não vou.

GA
Vai ao metrô de Moscou,
onde houve a explosão,
vai aos Estados Unidos,
onde vai ter eleição,
percorre essa terra inteira,
sem deixar o meu sertão.

GA
Acho que meu pensamento
tem viajado demais,
no chão aonde tem terra,
foge procurando paz,
não faço nem um por cento
do que o pensamento faz.

SF
Olha, pensamos iguais,
nem minuto, nem segundo,
comigo e a minha mente,
eu às vezes me confundo,
que eu vivo dormindo aqui
e ele vai no outro mundo.

GA
Um pensador bem profundo
já avisou num momento,
que o progresso do homem,
todo desenvolvimento,
só depende de um estalo
que vem do seu pensamento.

GA
Pensamento pouco erra,
se for peça muito pura,
é uma coisa abstrata,
que todo mundo procura,
pois o ser que pensa pouco,
tende alcançar a loucura.

SF
Para fazer a pintura,
tem que ter uso da mente,
assim como a construção,
com barro e pedra na frente,
e até para improvisar
tem que ser mais competente.

GA
O pensamento da gente
sempre tem o seu valor,
faz o poeta alcançar
todo o perfume da flor,
se não fosse o pensamento
nem havia cantador.

SF
Quem tem no peito o amor,
todo ódio se retira,
aquele que puxa a arma,
pra vingar uma mentira,
se ele pensar em DEUS
guarda a arma e não atira.

GA
Sempre pensa o som da lira
que é pra cantar no nordeste,
é cheio de pensamento,
que esse meu repente investe,
cantador que pensa pouco
não faz repente que presta.

GA
Pensa na boca que beija,
de um amor que não se finda,
eu pensei pra ingressar
nessa profissão tão linda,
porém deixar de cantar
isso eu não pensei ainda.

GA
Eu pensei em ser eleito
que pensamento perdido!
Eu pensei para casar,
pra depois ser bom marido,
e se eu não tivesse pensado
já estava arrependido.

SF
O homem comprometido,
tem que ser mais competente,
para fazer o plantio,
tem que pensar na semente,
quem não pensa no futuro
atropela o seu presente.

GA
Eu mesmo estou consciente
nos cantos que me apresento,
quando eu abro a minha boca,
quando eu toco esse instrumento,
o produto que eu canto
tudo é do meu pensamento.

GA
Pensando é que eu canto bem,
de sextilha a beira-mar,
acompanho o pensamento,
em tudo quanto é lugar,
e o pensamento é a fonte,
eu só faço interpretar.

SF
Sempre procuro pensar
pra começar o festim,
pra tomar uma cerveja,
pra ficar no botequim,
eu penso até nas pessoas
que ficam longe de mim.

GA
Sempre em qualquer festim,
se busca o comportamento,
se no céu tem as estrelas,
no espaço cabe o vento,
e na minha cabeça grande
cabe muito pensamento.

NUNCA MAIS FIZ CANTORIA NO CLARO DA LAMPARINA

SF
O sítio modificou,
sobra cama e falta rede,
e o nosso pé de parede
agora chamam de show,
pra todo canto que eu vou
tem a luz Paulo Afonsina,
tanto faz ser em Campina,
Patos e Santa Luzia.
Nunca mais fiz cantoria
no claro da lamparina.

GA
Tem quase uma vida inteira,
que eu não tou mais avistando
uma criança brincando,
com bodoque ou baladeira,
não fui mais à capoeira,
nem ouvi mais a buzina
da cigarra nordestina,
no pingo do meio dia.
Nunca mais fiz cantoria
no claro da lamparina.

GA
Pisando no barro duro,
eu na minha vizinhança,
menino sem esperança,
sem presente e sem futuro,
comia juá maduro,
era a melhor vitamina,
via bolo de resina,
no tronco da árvore fria.
Nunca mais fiz cantoria
no claro da lamparina.

GA
Me criei num barracão,
sem linguagem poliglota,
minha mãe era devota
do Padre Cícero Romão,
sabia muita oração,
cumprindo a santa doutrina,
toda camponesa ensina
Padre Nosso, Ave Maria.
Nunca mais fiz cantoria
no claro da lamparina.

SF
Eu via no meu lugar
pai improvisar repente
e o povo na minha frente,
eu chamava pra pagar,
eu doido pra namorar
com qualquer uma menina
e o bolo de brilhantina
por minha testa descia.
Nunca mais fiz cantoria
no claro da lamparina.

GA
Foi num lugar esquisito
que eu nasci e fui criado,
fui um menino atrasado,
sem aula, sem gabarito,
eu acordava com o grito
de um galo de campina,
numa capoeira fina,
às cinco e meia do dia.
NUNCA MAIS FIZ CANTORIA
NO CLARO DA LAMPARINA.

GA
Naquela época passada,
à festa eu ficava preso,
era um lampião aceso
na forquilha da latada,
ia até de madrugada
cantoria nordestina,
nem a luz Paulo Afonsina
nesse tempo não havia.
Nunca mais fiz cantoria
no claro da lamparina.

SF
Era grande inspiração
dos poetas cantadores,
no meu Pajéu de flores,
que era minha região;
se ouvia bela canção,
nossa moda genuína,
Pai dizia só termina
quando amanhece o dia
Nunca mais fiz cantoria
no claro da lamparina.

A SEXTILHA AINDA É O MELHOR DA CANTORIA

GA
Gosto de ouvir cantar
repentista quando brilha,
que se inspira na sextilha,
e é bom em todo lugar,
não gosto de beira mar,
e quando eu voltava ela ia,
nem coqueiro da Bahia,
mas se diz com toda fé.
A sextilha ainda é
o melhor da cantoria.

SF
Se mostra a inspiração
no nordeste brasileiro,
o poeta violeiro,
Marinho, Dimas, Cancão,
cantaram muita canção
com Elizeu Ventania,
Xudu e José Maria,
Zé Sobrinho e Josué.
A sextilha ainda é
o melhor da cantoria.

GA
Cantador canta ligeiro,
evolui no pensamento,
tocando o seu instrumento,
sem mudar o seu roteiro,
como PINTO DE MONTEIRO,
o maior da maestria,
fazendo como fazia
PATATIVA DO ASSARÉ.
A SEXTILHA AINDA É
O MELHOR DA CANTORIA.

GA
A minha cantiga brilha,
porque eu sou sextilheiro,
eu canto sempre ligeiro,
repentista não me humilha,
um cantador sem sextilha
é como um pagão sem pia,
é como um cego sem guia,
como xícara sem café.
A sextilha ainda é
o melhor da cantoria.

GA
Outro estilo diferente,
eu canto meio atrasado,
sou na sextilha embalado,
que nisso sou competente,
no gramado do repente
eu jogo bem todo dia,
pego a bola da POESIA,
chuto a mesma e dou olé.
A sextilha ainda é
o melhor da cantoria.

SF
Deve ser inteligente
com a nossa qualidade,
pra falar de tempestade,
oceano e continente,
lua, estrela, sol nascente,
chuva, nuvem, ventania,
planta, terra e serraria,
esperança, vida e fé.
A sextilha ainda é
o melhor da cantoria.

Se não fosse a viola o que seria dos lamentos do povo do sertão

GA
Um ouvinte me pega de surpresa,
num bilhete mandou o seu recado,
que o poeta é um advogado
defendendo os lamentos da pobreza,
ele canta o poder da natureza
o inverno, a chuva e o torreão,
terra seca, o roçado e o verão,
pensa, toca, se inspira, canta e cria.
Se não fosse a viola o que seria
dos lamentos do povo do sertão.

SF
A viola é o único instrumento,
pra o poeta cantar sua saudade,
pra falar da fazenda e da cidade
da poeira, do sol, da chuva, o vento,
o poeta utiliza o pensamento,
pra mostrar sua doce inspiração,
descrevendo os costumes e tradição
tudo o quanto existir na sertania.
Se não fosse a viola o que seria
dos lamentos do povo do sertão.

SF
No sertão tem o povo sofredor,
que trabalha sofrendo toda hora,
que precisa de ajuda e da melhora
de um governo que seja defensor,
e num legítimo poeta cantador,
que dedilha e decanta uma canção,
recheada de som e emoção,
promovendo beleza e alegria.
Se não fosse a viola o que seria
dos lamentos do povo do sertão.

GA
Eu já disse num verso no passado,
que o pobre sem água na parede,
entra seca, sai seca e sente sede,
com a seca ele estava acostumado,
e o inverno este ano está pesado,
já começa matando a plantação,
se o bicudo vier mata algodão,
a aftosa destrói a vacaria.
Se não fosse a viola o que seria
dos lamentos do povo do sertão.

O BRASILEIRO ESTÁ MAIS VIVENDO DA UTOPIA

GA
DANTAS vem dizer, eu temo
que o povo brasileiro,
hoje vive sem dinheiro,
numa pobreza ao extremo,
tem o chefe do supremo,
que ganha com garantia,
sai a notícia hoje em dia,
dezenove mil reais.
O brasileiro está mais
vivendo da utopia.

SF
O período de Fernando
o brasileiro calcula,
hoje no tempo de LULA,
que não pode ser nefando,
tem muita gente esperando,
que se mude qualquer dia,
que venha mais alegria
acabar com nossos ais.
O brasileiro está mais
vivendo da utopia.

GA
Quando é seco no sertão,
o desespero não cessa,
pobre escapa da promessa,
de sonho e de ilusão,
cadê a transposição,
que tanto se prometia,
rio enche e se esvazia
e a irrigação não se faz.
O brasileiro está mais
vivendo da utopia.

GA
É o BRASIL transformado,
que é pra mudar a receita,
nenhuma reforma feita,
e eu ficando encabulado,
pois o pobre aposentado,
pagando o que não devia,
com a sua bolsa vazia
e o povo perdendo a paz.
O brasileiro está mais
vivendo da utopia.

GA
Você canta de um jeito,
para o povo ser feliz,
só sei que a cantoria,
está da forma que eu quis,
tou tirando o prejuízo
das outras que eu não fiz.

SF
A gente não se maldiz,
não mostra tanta avidez,
porque foi a providência,
que a natureza fez,
eu penso que DEUS ajuda
e a gente ganha outra vez.

GA
DANTAS vem mais uma vez
levando o baião gravado,
que é pra mandar pra RUBENIO
o trabalho e meu recado,
o RUBENIO que só gosta
de cordel metrificado.

SF
O meu público é variado,
que enche qualquer salão,
que gosta de poesia
e aprecia a inspiração,
os poetas desta terra
e outros que vêm do sertão.

GA
Chegou esse cidadão,
pagou aqui com carinho,
uma corda se quebrou,
mas não vou parar meu pinho,
que não deve regressar
quem já conhece o carinho.

SF
Você não fica sozinho
aqui ou meu companheiro,
toque na sua viola,
não se afaste do roteiro,
porque as cordas se quebram,
mas o verso sai inteiro.

A VIDA DA PROSTITUTA

SF
Vamos atender a TITO,
que é de Patos no sertão,
que relembra as cantorias,
mulheres da região,
ainda recorda os nomes
de Valdir e José Gomes,
começando a profissão.

GA
Sobre prostituição
TITO mandou um recado,
pra falar da PROSTITUTA
e seu corpo negociado,
o seu sofrimento é tanto,
bebe da água do pranto,
come do pão do pecado.

SF
No mundo civilizado
elas estão acabando,
também desaparecendo
e assumindo outro comando,
como água com espumas,
por aqui restam algumas,
não sei como estão passando.

GA
Às vezes vive penando,
sem ninguém lhe querer bem,
e se acaso uma filha,
ela no prostíbulo tem,
criada naqueles meios,
na hora que crescem os seios
é prostituta também.

SF
Nasceram pra querer bem,
mas são expulsas dos pais,
que não querem em sua casa,
seus prantos sentimentais,
tem outros caracteres,
inda tem dessas mulheres
pedindo valor demais.

GA
É o progresso que traz
esses grandes desafios,
a escola da novela,
que chega, eu sinto arrepios,
como sabe a humanidade,
acabou-se a virgindade
e os cabarés tão vazios.

SF
Vence muitos desafios
no mundo da ilusão,
vende seu corpo a retalho,
amor e ingratidão,
sei que não tem quem remende,
quem tem amor que se vende,
tem alma sem coração.

GA
Houve modificação
no seu próprio linguajar,
até a palavra SEXO,
já querem modificar,
sabem netos e avô
que a TV Globo ensinou,
hoje a palavra é FICAR.

SF
Acabou o lupanar
de música e de aguardente,
hoje não existe mais
boate de antigamente,
o mercado melhorou,
a mulher se empregou
e hoje vive independente.

GA
Ali tomei aguardente,
mesmo nessa profissão,
tem a Glorinha do CRATO,
em Campina, o Serrotão,
e pergunto aos velhos amigos,
esses cabarés antigos
hoje em dia onde é que estão.

SF
As cidades do sertão
tiveram a variedade,
que servia ao viajante,
qualquer uma autoridade,
lá em Patos também tinha
do outro lado da linha,
que dividia a cidade.

GA
Tinha mulher à vontade,
de gordas a magricelas,
houve modificação,
com as histórias das telas
eu digo e sei que escutas,
hoje as grandes prostitutas
estão nas grandes novelas.

SF
Aquelas são muito belas,
que enfeitam meu País,
eu não posso comparar
a presença de uma atriz,
dessa que têm desespero,
vende o corpo por dinheiro
e morre sendo meretriz.

GA
Vejam que a TV diz,
o sexo em todo caminho,
é pura pornografia,
sem controle e sem carinho,
também eu perdi a fé,
que o dono do cabaré
gosta desse “moidinho”.

SF
Se foi desmanchado o ninho,
pra muitos é só ruína,
os cabarés se fecharam,
não tem mais essa menina,
hoje não se vê rapaz
nas farmácias indo atrás
pra tomar penicilina.

GA
Eu andei por toda esquina,
farrei e não me ofendi,
eu não sei contar as noites
que nos cabarés dormi,
da mesma forma ele pensa,
que eu peguei tanta doença,
não sei como eu não morri.

SF
Você diz que tudo ousa
até pra ganhar dinheiro,
fala em cabaré antigo,
onde foi o seu poleiro,
você cantando declara,
que o galego tem a cara
de cabra cabarezeiro.

GA
Sou igual meu companheiro,
que há muitos anos atrás,
você lá enchia a cara
e vivia de bacanais,
nem em Jesus tinha fé
e só não anda em cabaré,
porque não existe mais.

NO OITAVÃO REBATIDO

SF
Vem esta modalidade
que o povo está esquecido,
hoje é muita novidade,
como tem acontecido,
lembrando de antigamente,
vamos mandar o repente
no sentido diferente.
NO OITAVÃO REBATIDO

GA
Você foi inteligente,
me deixou surpreendido,
com estilo excelente,
que é quase desconhecido,
cantar bem, eu não garanto,
senti até um espanto,
que há muitos anos não canto.
NO OITAVÃO REBATIDO

SF
Mas com você eu garanto,
que é poeta destemido,
nem precisa ter espanto,
é bastante dar ouvido,
pra seguir a minha estrada,
de manhã, de madrugada,
quem é forte teme nada.
NO OITAVÃO REBATIDO

GA
Tanjo o boi e a boiada,
sou vaqueiro destemido,
porque em qualquer estrada
ou no campo eu tenho ido,
não tem um lugar estranho,
vou tangendo o meu rebanho,
toda boiada acompanho.
NO OITAVÃO REBATIDO

SF
Eu muita gente conheço,
por aqui sou aplaudido,
você tem o endereço,
desse povo conhecido,
você de tudo merece,
toda vez que aparece
esse povo lhe engrandece.
NO OITAVÃO REBATIDO

GA
CEDRO é meu lugar de fé
LAVRAS meu lugar querido,
cada qual é minha sé,
onde não sou esquecido,
onde o homem não faz guerra,
a enxada corta a terra,
onde o rio corta a serra.
NO OITAVÃO REBATIDO

GA
Por tudo que eu invento,
sou a DEUS agradecido,
nos braços desse instrumento,
eu acompanho o gemido,
sou antigo no repente,
cantando pra toda gente,
mato saudade somente
NO OITAVÃO REBATIDO

Agradeço a DEUS por mais um ano na minha vida

Aqui aniversaria
quem está ao nosso lado,
é o homenageado,
que pede na cantoria,
disse, eu tenho a companhia
e a força da Concebida,
a palavra prometida
do supremo pai dos pais.
AGRADEÇO A DEUS POR MAIS
UM ANO NA MINHA VIDA.

SF
Eu que tenho paciência
de cruzar todo caminho,
pra regressar a meu ninho,
que é minha residência,
um ano de existência,
é a data colorida,
que o espírito não olvida
nos momentos principais.
Agradeço a DEUS por mais
um ano na minha vida.

GA
Estou completando idade,
eu já passei dos quarenta,
estou perto dos cinqüenta,
com muita felicidade,
eu já passei da metade
dos anos da minha lida,
essa ladeira comprida,
ninguém nunca me botou pra trás
Agradeço a DEUS por mais
um ano na minha vida.

GA
A sua idade, eu queria
com muito prazer vivendo,
este ano estou fazendo,
meus 40 em POESIA,
tenho DEUS por companhia
e essa viola sentida,
e a minha voz conhecida
que está perdendo os metais.
Agradeço a DEUS por mais
um ano na minha vida.

SF
De cabeleira cinzenta
eu cheguei até agora,
descrevendo a minha aurora,
com a minha ferramenta,
já descambei nos cinqüenta,
enfrentando essa descida,
com a cabeleira tingida
e os meus passos desiguais
Agradeço a DEUS por mais
um ano na minha vida.

DEUS não força ninguém a fazer nada, cada um faz a sua obrigação

GA
Meu avô foi antigo cantador,
e quando eu quis ingressar nessa escola,
perguntei se eu compro uma viola,
ele disse, pois, compre sim senhor,
no repente tornei-me professor,
se quiser eu lhe ensino essa lição,
foi aí que entrei na profissão,
sou feliz com o repente na jornada.
DEUS não força ninguém a fazer nada,
cada um faz a sua obrigação.

SF
Disse DANTAS que é muito necessário,
qualquer um escolher o seu caminho,
seja artista que toca nesse pinho,
juiz, padre, pastor, papa, vigário,
comandante, alfaiate e empresário,
cineasta, pintor e artesão,
jornalista, garçom ou escrivão,
é preciso seguir a sua estrada.
DEUS não força ninguém a fazer nada,
cada um faz a sua obrigação

GA
Todo homem que tem a fé castiça,
ele pode viver da romaria,
qual poeta que vive da POESIA,
trabalhando e tocando sem preguiça,
todo padre nasceu pra pregar missa,
reza, ensina, comanda a procissão,
o poeta elabora uma canção
e o vaqueiro é quem tange uma boiada.
DEUS não força ninguém a fazer nada,
cada um faz a sua obrigação.

GA
Há pessoa que vive do pecado,
blasfemando da própria natureza,
crê em DEUS, mas não tem muita certeza,
e é por isso que é muito censurado,
meu futuro já tenho preparado,
com certeza no céu tenho o condão,
quem não vive de fé e de oração,
não se encosta nessa Santa morada.
DEUS não força ninguém a fazer nada,
cada um faz a sua obrigação.

GA
De Maria Bonita seu roteiro,
muita gente que lê, não acredita,
apesar de ser Maria Bonita,
resolveu a seguir um cangaceiro,
pois deixou seu marido sapateiro,
os seus filhos, por força da paixão,
foi viver com o bravo Lampião,
e com ele morrer estrangulada.
DEUS não força ninguém a fazer nada,
cada um faz a sua obrigação.

SF
DEUS não veio obrigar o ser humano
escolher qual a sua trajetória,
é o homem que faz a própria história,
que procura, trabalha e faz o plano,
quem não lembra do grande italiano,
conhecido que foi Frei Damião,
e dizem até Padre Cícero Romão
protegeu cangaceiro e deu facada.
DEUS não força ninguém a fazer nada,
cada um faz a sua obrigação.

GA
Eu já fui um matuto sem dinheiro,
inclusive já fui analfabeto,
sem ter sombra, sem terra e sem ter teto,
que meu rancho pra mim foi tão grosseiro,
mas depois que eu deixei de ser roceiro,
ingressei nessa nobre profissão,
até falo hoje na televisão
e não me esqueço do cabo da enxada.
DEUS não força ninguém a fazer nada,
cada um faz a sua obrigação.

SF
Eu também enfrentei o tempo bruto,
fui criado na roça sem escola,
mas depois que passei para viola,
estudei nessa arte o estatuto,
mas a cara que tenho é de matuto,
e o formato é de homem do sertão,
limpei mato, plantei milho, feijão,
mas agora eu viajo noutra estrada.
DEUS não força ninguém a fazer nada,
cada um faz a sua obrigação.

EU VEJO NOS MENESTRÉIS A SAGA DE GONZAGÃO

GA
Eu me lembro do seu rosto,
de tudo dele me lembro,
nasceu no mês de dezembro,
morreu no mês de agosto,
o seu traje era composto
de chapéu e de gibão,
com a sanfona na mão,
tocava por mais de dez.
EU VEJO NOS MENESTRÉIS
A SAGA DE GONZAGÃO

SF
Ele vivia cantando
no nordeste brasileiro,
e o poeta violeiro
nos versos improvisando,
este mote é de Orlando,
que faz a comparação
ele tocava baião,
poetas fazem cordéis.
Eu vejo nos menestréis
a saga de Gonzagão.

GA
Ninguém tem sua bitola,
foi um rei inteligente,
eu conheço muita gente,
que imita a sua escola,
do som da nossa viola,
ele tirou o baião,
fazendo a comparação,
ele foi como tu és.
Eu vejo nos menestréis
a saga de Gonzagão.

SF
Ele foi o panorama
no toque da concertina,
da cultura nordestina,
que fez mais de um programa,
porém antes de ter fama,
em rádio e televisão,
cantava na estação,
botequins e cabarés.
Eu vejo nos menestréis
a saga de Gonzagão.

GA
Foi melhor que Dilermando,
que era grande musicista,
foi ele o maior artista,
que eu ainda estou lembrando,
tem o NONATO cantando,
mas nem tem comparação,
Rabelo do violão,
nem dedos de Manassés.
Eu vejo nos menestréis
a saga de Gonzagão.

SF
Tinha tanta poesia,
naquele gesto de banca,
a sua sanfona branca,
ao povo dava alegria,
quando ele aparecia,
encantava a multidão,
chapéu de couro na mão
e dedos cheios de anéis.
Eu vejo nos menestréis
a saga de Gonzagão.

GA
Aquela palavra franca,
não sai do meu pensamento,
eu lembro todo momento,
seu nome ninguém arranca,
foi o cantor de Asa Branca
xote e pássaro carão,
Kalu, Noite de São João,
e as tristes secas cruéis.
Eu vejo nos menestréis
a saga de Gonzagão.

SF
Ele foi um nordestino
que defendeu nossa zona,
tocava sua sanfona,
pro velho, jovem e menino,
Zé Dantas, Zé Marcolino,
fizeram composição,
com a sanfona na mão,
ninguém chegava a seus pés.
Eu vejo nos menestréis
a saga de Gonzagão.

GA
Ele disse, eu sou artista,
mas toco dessa maneira,
eu aprendi com Bandeira,
e com os três irmãos Batista,
falo do povo nortista,
sou da mesma região,
com Gaspar, com Azulão,
com Pinto, Chagas, Moisés.
Eu vejo nos menestréis
a saga de Gonzagão.

GA
Sua fama permanece,
pelo povo ele é querido,
não pode ser esquecido,
mas tem rádio que esquece,
certo tempo isso acontece,
porém chegando o São João,
suas músicas inda são
dançadas por muitos pés.
Eu vejo nos menestréis
a saga de Gonzagão.

SÃO MAMEDE SÓ FOI BOM QUANDO EU TINHA DINHEIRO

SF
Meu amigo Manuel,
dessa bandeira procede,
se criou em São Mamede,
aquela terra fiel,
representou o papel,
de trabalhador, roceiro,
pois aqui é forasteiro,
veio escutar nosso som.
São Mamede só foi bom
quando eu tinha dinheiro.

GA
Naquele chão me criei,
desde a minha mocidade,
eu plantei muita amizade,
com todo mundo me dei,
mas depois que me mudei,
o povo ficou grosseiro,
é dali o violeiro,
por nome de FENELON.
São Mamede só foi bom
quando eu tinha dinheiro.

SF
É minha terra importante,
aonde me batizei,
por lá muito trabalhei,
fui até comerciante,
de bar e de restaurante,
trabalhei o tempo inteiro
e escutei muito vaqueiro,
Zé, Severino e Solon.
São Mamede só foi bom
quando eu tinha dinheiro.

GA
Eu que sou um sertanejo,
me criei perto dos matos,
que fica perto de Patos,
onde eu matei meu desejo,
eu recebi muito beijo,
nesse tempo era solteiro,
inda hoje lembro o cheiro
da boca que tem batom.
São Mamede só foi bom
quando eu tinha dinheiro.

SF
Lá eu era conhecido
e virou logo uma zorra,
de MANUEL DA CACHORRA,
me botaram o apelido,
naquele tempo sofrido
o trabalhador, roceiro,
viajante era cacheiro,
e corpete, califom.
São Mamede só foi bom
quando eu tinha dinheiro.

GA
Cada festa era mais linda,
em São Pedro ou São João,
se dançava em qualquer chão,
e o dia aguardava a vinda,
elétrica não tinha ainda,
foi violão ou pandeiro,
com o samba no terreiro,
com música de acordeon.
São Mamede só foi bom
quando eu tinha dinheiro.

SF
Pra meu pai e minha irmã,
trabalhei um tempo assim,
quando tudo ficou ruim,
eu não tinha mais um fã,
aí que doutor Gilvan,
notou o meu desespero,
que eu não tinha um cruzeiro,
pra comprar nem um bombom.
São Mamede só foi bom
quando eu tinha dinheiro.

SF
Era terra de fuxico,
de política, de folia,
mas eu farrava e bebia,
até na sombra do angico,
me chamava Mane Rico,
e eu só era barraqueiro,
mas gastava o tempo inteiro
nos forrós de Agamenon.
São Mamede só foi bom
quando eu tinha dinheiro.

GA
Eu tive muitos despachos,
pela minha mocidade,
eu lembro e sinto saudade,
andei nos rios, riachos,
só havia oito baixos
de um velho sanfoneiro,
o fole todo grosseiro,
fazendo fonronfonfom.
São Mamede só foi bom
quando eu tinha dinheiro.

O inverno renova a esperança que o fantasma da seca nos deixou

GA
Minha terra é mesmo que estou vendo,
eu recordo demais a minha infância,
muito embora eu esteja na distância,
mas eu tenho o meu rio inda correndo
mata pasto que lá estava morrendo,
com a chuva, ele já ressuscitou,
canta alegre pois a fogo pegou,
sopra o vento da chuva com a mudança.
O inverno renova a esperança
que o fantasma da seca nos deixou.

GA
Fui criado lá na zona rural,
com a graça que vem do Pai eterno,
eu não posso esquecer aquele inverno,
que eu via brilhar no meu local,
eu rapaz me mudei pra capital,
e aí minha vida transformou,
já pensei qualquer dia desse eu vou,
pra rever meu lugar que eu fui criança.
O inverno renova a esperança
que o fantasma da seca nos deixou.

SINTO O CHEIRO DA FARTURA EMBRIAGANDO O SERTÃO

GA
O sertão tá uma graça,
o povo já não tem mágoa,
nos temos fartura e água,
em vez de fogo e fumaça,
um cachorro encontra caça,
só depois que cheira o chão,
o peba faz refeição
com minhoca e tanajura.
Sinto o cheiro da fartura
embriagando o sertão.

GA
Tudo fica diferente,
animais têm alegria,
existe mais cantora,
pescador fica contente,
bota a tarrafa no dente,
depois lança com a mão,
traz o peixe do porão,
com dez metros de fundura.
SINTO O CHEIRO DA FARTURA
EMBRIAGANDO O SERTÃO.

SF
Sertanejo que se aninha,
no alegre pé de serra,
esse tem na sua terra,
pato, guiné e galinha,
não vai mais faltar farinha,
pra ele fazer pirão
vai ter sobra de feijão,
de melancia madura.
Sinto o cheiro da fartura
embriagando o sertão.

GA
O sertão tá bom demais,
depois que a chuva chegou,
o panorama mudou,
alegrando os animais,
uma raposa sagaz
anda com medo do cão,
mas fica cheirando o chão,
acha melancia e fura.
Sinto o cheiro da fartura
embriagando o sertão.

SF
Vai sobrar folha de bredo,
no pasto dos animais,
se escutam os sabiás,
cantando logo bem cedo,
e o matuto sem medo
vai cuidar da plantação,
arrancar mato de mão,
com a faca na cintura.
Sinto o cheiro da fartura
embriagando o sertão.

GA
O sertão ficou feliz
o campônio faz a prece,
depois que a chuva aparece
o mato engrossa a raiz,
canta alegre a codorniz,
o milho mostra pendão,
se vê vagem de feijão
nascendo da rama escura.
Sinto o cheiro da fartura
embriagando o sertão.

SF
É de DANTAS nosso irmão
esse mote inteligente,
que alegra o sertanejo,
que está nesse ambiente,
pois a chuva que chegou
deixou tudo diferente.

SE EU FOSSE JESUS, O NAZARENO, NÃO MATAVA O POETA CANTADOR

GA
Vem Geraldo que eu tenho muita fé,
me pediu que eu fizesse esses arranjos,
conterrâneo de Augusto dos Anjos,
que é nascido na terra de SAPÉ,
vem dizer o poeta como é,
é pra ele um eterno sonhador,
um artista de invejável valor,
comunica seu dom nesse terreno.
Se eu fosse JESUS, o Nazareno,
não matava o poeta cantador.

SF
Se eu tivesse o poder do soberano,
não tirava da terra um Oliveira,
um Geraldo, um Valdir e um Bandeira,
Moacir, nem Raimundo Caetano,
Sebastião nem João Paraibano,
e muitos outros que têm tanto valor,
não tirava a garganta de tenor
de quem tem esse seu direito pleno.
Se eu fosse JESUS, o Nazareno,
não matava o poeta cantador.

GA
Sei que um carro virou numa ladeira,
já passei para o mundo essa mensagem,
pois eu ia também nessa viagem
que a morte levou nosso Ferreira,
eu me vi na viagem derradeira,
eu gritei por sentir a grande dor,
foi a morte que fez esse terror,
de levar nosso astro, esse moreno.
Se eu fosse JESUS, o Nazareno,
não matava o poeta cantador.

SF
Se Xudu decantou o santo hino,
da maneira que foi Zezé Lulu,
não esqueço Louro do Pajeú,
Rio Grande, recorda Severino,
Pernambuco, também, José Faustino,
que foi um repentista de valor,
Paraíba não esquece Serrador
e Santa Cruz não esquece de Heleno.
Se eu fosse JESUS, o Nazareno,
não matava o poeta cantador.

GA
Quem já foi JUVENAL EVANGELISTA,
um encanto pra o nosso CEARÁ,
mas morreu encostado ao Amapá
e se encontra com os irmãos Batista,
desse povo que tem na minha lista,
PINTO velho pra mim foi um terror,
eu não posso esquecer um Beija-Flor,
e Pajeú inda lembra Zé Pequeno.
SE EU FOSSE JESUS, O NAZARENO,
NÃO MATAVA O POETA CANTADOR.

GA
Agradeço a Geraldo que ele traz
esse verso pra nós o repentista,
é também esse meu ponto de vista,
inclusive apelei pra os pais dos pais,
pra viver uns cem anos ou muito mais,
pra o mundo saber o meu valor,
cantar mais para o Santo Salvador,
não entorto, não quebro, nem empeno.
Se eu fosse JESUS, o Nazareno,
não matava o poeta cantador.

COMIGO O ROJÃO É QUENTE, CANTA QUEM SOUBER CANTAR

SF
GERALDO você recita
para a platéia achar graça,
em todo canto que passa,
tem a cantiga bonita,
mas aqui onde visita,
é meu reino, é meu lugar,
você tem que respeitar,
para ser independente.
Comigo o rojão é quente,
canta quem souber cantar.

GA
Eu sei que você reclama,
que é um repentista antigo,
porém pra cantar comigo,
acho pouco a sua fama,
é muito bom pra o programa,
pra todo mundo acordar,
pra falar, pra conversar,
mas é fraco pra o repente.
Comigo o rojão é quente,
canta quem souber cantar.

SF
Seus erros ninguém perdoa,
porque você é pequeno,
sua dose de veneno
está pronta em João Pessoa,
lhe afogo na lagoa,
lhe jogo dentro do mar,
e você morre sem voltar
pra o CEARÁ novamente.
COMIGO O ROJÃO É QUENTE,
CANTA QUEM SOUBER CANTAR.

GA
No gramado eu sou atleta,
hoje aqui em João Pessoa,
não faço cantiga à toa,
a minha idéia é completa,
eu prefiro outro poeta,
com quem possa me ocupar,
é perdido eu trabalhar
com certo tipo de gente.
Comigo o rojão é quente,
canta quem souber cantar.

GA
Muita coisa eu estou vendo
e a platéia está notando,
é SEVERINO apanhando,
pensando que está batendo,
é um coitado sofrendo,
eu sem querer judiar,
quem se acostuma apanhar,
morre na peia e não sente.
COMIGO O ROJÃO É QUENTE,
CANTA QUEM SOUBER CANTAR.

SF
Lhe falta a inspiração
para seguir os meus passos,
estou vendo os seus fracassos,
se afracou nesse rojão,
se eu lhe der um empurrão,
a cabeça vai rodar,
esse nariz vai parar
da caixa prego pra frente.
Comigo o rojão é quente,
canta quem souber cantar.

GA
Não tem vez esse rapaz,
quando está no meu caminho,
ele é bem devagarinho,
já não sabe o que é que faz,
cinqüenta léguas pra trás,
doido pra me acompanhar,
se acaso você cansar,
procure um toco e se sente.
Comigo o rojão é quente,
canta quem souber cantar.

GA
Eu uso a matéria prima,
que nunca saiu à toa,
agrada a qualquer pessoa,
que de mim se aproxima,
SOU O CASCAVEL DA RIMA,
quem vier me acompanhar,
vou morder seu calcanhar
e arranchar em seu batente.
Comigo o rojão é quente,
canta quem souber cantar.

SF
Sei nadar em qualquer rio,
me criei nessa escola,
no braço dessa viola,
não aprendo cantar frio,
me pediram o desafio,
e eu quero lhe açoitar,
já ouvi alguém gritar,
FEITOSA a cantiga esquente !
Comigo o rojão é quente,
canta quem souber cantar.

GA
Nossa cantiga é assim,
faz tempo que eu lhe conheço,
eu sou manso no começo,
que é para bater no fim,
você diz que dá em mim,
eu começo a duvidar,
sabe o povo do lugar,
tanto apanha como mente.
Comigo o rojão é quente,
canta quem souber cantar.

SF
Conheço o interior,
que o colega foi nascido,
se mete a ser atrevido,
não passa de agitador,
é pequeno cantador,
a sua fama é vulgar
quem de você apanhar,
não sabe o que é repente.
Comigo o rojão é quente,
canta quem souber cantar.




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