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Cronicas-->Nova -- 14/10/2002 - 03:32 (alan, o Miranda) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
- Vamos ao combate!
Ela é nova.
Novíssima.
E ele
perdido com tanta beleza e boa vontade.
Estavam em um jardim.
Árvores, borboletas,
coisa bem bucólica.
- Temos que combater a mediocridade humana!
E dizia isso alegre!
Com olhar perdido em alguma porra
que ele não sabia o que era.
Mas lá estava ela,
com seus 18 anos,
linda,
bonita,
a dar pulos,
chegando até a dar alguns socos no ar.
- Está pronto? Está pronto para mudar o mundo?
Mudar o mundo?
Mudar o mundo...
Mas, minha filha,
ninguém mais na casa dos trinta
pensa em mudar o mundo.
Mas lá estava ela,
com os seus 18 anos,
e ele, com dez depois dela,
tendo que convencê-la
a descansar o facho
e pensar em seu umbigo.
- Não aguento ver tanta gente sofrendo!
Meu Deus...
de onde essa mulher tira essas?
Sofrer com alguém sofrendo!
E consigo mesma, não sofre?
E ele só quer beijá-la,
aproveitar-lhe as carnes
e a juventude
em uma cama.
- Sei que você pode! Você é tão inteligente, vamos! Vamos ao combate!
É?
É inteligente?
Se fosse
ele saberia se explicar no mundo.
Como alguém pode falar com tantas exclamações?
E o pior é que
ele se vê nela,
pois já foi assim,
mas deixou essas exclamações há tempos.
Como todo mundo de sua geração.
Mudou.
E o mundo não lhe cabe mais
na palma da mão
como ela fazia na frente dele.
- Vamos esmagar os hipócritas! - e apertava o mundo em seu punho.
I-na-cre-di-tá-vel.
Ela só tinha 18 anos,
e se sentia Gengis Khan,
ou Jesus,
ou Ciro Gomes.
18 anos!
Ela tava pedindo demais dele.
- Vamos! Abaixo os preconceitos...!
E dessa vez
ela abriu os braços e começou a rodar
olhando para cima.
Aí foi demais.
Ele se levantou correndo,
meio desesperado.
Segurou-a nos braços.
Silêncio.
Ela em semi-riso
olhando para ele.
Um brilho nos olhos que, se pudesse,
ele roubava.
Vai se lembrar disso a vida toda...
Como uma pessoa tão jovem,
tão simples,
podia parecer guardar o segredo da vida?
Ele não aguentou:
- Olha... não perde. Não perde isso. Nos anos que virão, vão dizer que isso é besteira, que é maluquice, que não dá dinheiro, um monte de porra, mas não. Não perde. Nunca deixe de rodar abrindo os braços e olhando para cima... Ninguém, ninguém mais faz isso depois de um tempo, entende? Eu sei que você vai se perder, mas tente, tente, por mim, que já sou perdido, tente, por você, e por todas as pessoas, que são todas as que eu conheço e não conheço, continue apertando o mundo nas mãos, tem que ter alguém que faça isso...
- Então você vai mudar o mundo comigo?
Que pergunta...
- Não...
Ela olha pra ele rindo.
Se afasta.
Abre os braços e começa a rodar,
olhando para cima.
- Você vai sim... - diz ela rodando.
- Não vou não...
Ele abre os braços
olha o céu entre as árvores
começa a rodar,
e a explicar a ela,
rodando,
a teoria da Mais-Valia,
o Mal-Estar da Civilização, segundo Freud,
a história da política no Brasil, etc.
Ela,
de olhos fechados
e sorrindo,
como sempre,
não o ouve.

Alan, o Miranda.

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O autor: Alan Miranda tem 27 anos, é ator e professor teatral, atualmente integra a Companhia Baiana de Patifaria e é estudante de Artes Cênicas na Universidade Federal da Bahia.


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