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Cordel-->NÓS, CANTADORES POETAS -- 15/12/2003 - 19:03 (José de Sousa Dantas) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
NÓS, CANTADORES POETAS
Livro de DINIZ VITORINO FERREIRA (63), lançado em dez/2003. DINIZ é natural de Monteiro - PB, da família de cantadores, tem 7 livros de poesia publicados e vários troféus conquistados em festivais de repentistas.

SEXTILHAS
Na terra paraibana
foi onde eu pus os meus pés.
Caminhei pintando os lírios
dos majestosos painéis,
que formam telas sedosas
nos aromáticos vergéis.

Vi os dias infantis,
cheguei na adolescência,
cantei olhando pra o céu,
bebendo divina essência
dos frutos que DEUS espreme
na taça do inocência.

No tempo da mocidade
fui ÍDOLO dos cantadores;
dos cantadores que foram
meus fãs, admiradores,
e hoje me negam bom-dia
pra magoar minhas dores!

Eu sei que não estou seguro
nesta profissão que estou:
sou ferido sem ferir,
chorando pra festa vou,
sofro, mas só deixo o palco
depois que termina o show.

EU CANTADOR
Diniz Vitorino

Eu sou o pássaro cantor,
a patativa de gola,
o colibri sem gaiola,
que, além da humanidade,
faz da garganta um piano,
para, nas verdes ramagens,
compor em versos selvagens,
as valsas da liberdade.

A cigarra da floresta
sempre foi minha irmã gêmea...
ela, a selvagem boêmia;
eu, o boêmio cantor.
Ela, cantando nos bosques,
eu, nos sertões ressequidos,
transformo feios gemidos
em liras puras de amor.

Sou um ídolo imortal.
Sou caboclo das mãos grossas.
Transformo humildes palhoças
em bonitos pavilhões.
Meu pinho, quando soluça,
deixa as mulatas tostadas,
estáticas, fulminadas
por circuitos de emoções.

É lindo cantar tranqüilo,
da maneira como canto,
sem incomodar-me tanto,
com fortunas obtusas,
e fazer d’alma um refúgio
para as ninfas virtuosas,
do peito um berço de rosas
para o repouso das musas.

AOS CANTADORES
Diniz Vitorino

Ilustres colegas, fiéis andarilhos,
ó amados filhos das musas celestes!
Eu vos enalteço, chorando ou sorrindo,
por tudo de lido que em versos fizestes.

Poetas gigantes, caboclos aedos,
os vossos dez dedos são teclas caipiras,
cavando saudades em mundos de anseios,
tirando gorjeios das bocas das liras.

As vossas violas são harpas sonoras,
cítaras canoras, vestidas de rendas...
pianos matutos, que gemem sonatas,
ferindo as mulatas, no chão das fazendas.

As vossas falanges dedilham baiões,
tocando os bordões, batendo nas primas,
jogando nas nuvens poemas dispersos,
conjunto de versos, colóquios de rimas.

Amantes da lua, poetas legítimos!
Ó filhos dos ritmos, dos cantos selvagens!
As vossas cantigas aos rudes ofendem,
porque não entendem das vossas linguagens.

Cantai, cantadores, fazei vossa festa!
A vida só presta com cantos assim.
Se fordes expulsos por gênios perversos,
cantai vossos versos somente pra mim.

MULATA
Diniz Vitorino

Vem, donzela mulata, que preciso
oscular tua face imaculada!
Flutuar sobre as ondas do teu riso,
para o leite da praia aveludada.

Delirando de amor, hoje, amenizo
esta ardente paixão desenfreada,
navegando ansioso ao paraíso,
no teu corpo de deusa esculturada.

Respirando o perfume que te banha,
quero ser a ternura que acompanha
o desfile excitante dos teus beijos!

Apalpando o veludo dos teus seios,
tua boca soprando em meus anseios,
acalmando o calor dos meus desejos!

IRACEMA
Diniz Vitorino

Foste, pois, virgem guerreira,
a mais bela brasileira
das ocaras primitivas;
teu nome doce e gentil
cobrirá sempre o BRASIL
com véu de lembranças vivas.

Se tu ao prado chegavas,
quando uma rosa beijavas,
e se a rosa fosse linda,
ao receber o teu halo,
se balançava no talo,
ficando mais bela ainda.

QUERO VER TEUS SEIOS PUROS NAS CONCHAS DAS MINHAS MÃOS
Jó Patriota

Estes teus seios pulados,
que estão me desafiando,
são dois carvões faiscando
no fogão dos meus pecados!
São dois punhais afiados,
que ferem muitos cristãos!
Para os meus lábios pagãos,
são dois sapotis maduros!
QUERO VER TEUS SEIOS PUROS
NAS CONCHAS DAS MINHAS MÃOS!

MULHER MARAVILHA
Donzílio Luís

Quem desenhou o teu rosto
teve riquíssimas visões,
deixou tudo bem composto
em formas e proporções,
das primeiras às seguintes
nos verdadeiros requintes,
deixando um todo perfeito,
e no fim por segurança
deu um toque de pujança
pra ninguém botar defeito!

Teus lábios, favos de mel
fabricados com acinte
no apuro do pincel
de LEONARDO DA VINCI,
sua perfeita moldura
gozou de desenvoltura
do mestre de mão precisa,
mas teus toques magistrais
encantam mil vezes mais
que o rosto da Mona Lisa!

Essas pequenas barrocas
que tens sobre as faces gêmeas
são exíguas pororocas
tipicamente das fêmeas,
são resultados dos choques
dos derradeiros retoques,
que DEUS deu nas faces tuas
e vêm dobrar meus desejos
de aplicar dúzias de beijos
em cada uma das duas !

Entre sorrisos, olhares...
e franzimento na testa
via gestos e esgares !
Teu ego se manifesta:
séria, sorrindo, chorando,
lendo, dormindo, falando...
teu rosto atraente brilha
com expressões humorísticas,
que te dão características
DUMA MULHER MARAVILHA !...

MEU PEQUENO PARAÍSO
Firmo Batista

Tuas flores serranas, virginais,
no silêncio da noite adormecida
são poéticas partículas liriais,
duma tela fulgente, colorida !...
que conserva as imagens madrigais
do teatro real da minha vida !

O cansaço me bota pra dormir!
nem dormindo consigo te esquecer.
Porque sonho, e sonhando posso ouvir,
tua brisa soprar pra me aquecer.
A saudade me mata sem sentir
e eu sentindo, morrendo sem querer.

PALHAÇO QUE RI E CHORA!
Lourival Batista

Pinta o rosto, arruma palma,
dentre os néscios e sábios!
O riso aflora-lhe aos lábios,
a dor tortura-lhe a alma!
Suporta, com toda a calma,
desgostos a qualquer hora...
Quando quer bem vai embora;
vive num eterno drama:
Pensa, sonha, sofre e ama,
PALHAÇO QUE RI E CHORA!

Se ama alguém com desvelo
deixá-lo é martírio enorme,
se vai deitar-se, não dorme,
se dorme, tem pesadelo,
sentindo um bloco de gelo,
que o esfria dentro e fora.
Desperta, medita e cora,
sente a fortuna distante,
julga-se um judeu errante
PALHAÇO QUE RI E CHORA!

Pelo destino grosseiro
a vida jamais lhe agrada.
Se sente a alma picada,
tem que ir ao picadeiro.
Não pode ser altaneiro,
não tem repouso uma hora,
chagas dentro, rosas fora...
Guarda espinho, mostra flor,
misto de alegria e dor
PALHAÇO QUE RI E CHORA!

Palhaço tem paciência,
que da planície ao pináculo
este mundo é um espetáculo,
todos nós a assistência.
À falta de inteligência
gargalhamos qualquer hora,
choramos sem ter demora
sem ânimo, coragem e fé,
porque todo homem é
PALHAÇO QUE RI E CHORA!

OLIVEIRA DE PANELAS

No cilente teclado universal
DEUS pôs som nas sutis constelações,
e na batida dos nossos corações
colocou a pancada musical,
quando a harpa da brisa matinal
vai fazendo concerto pra aurora,
nessas lindas paisagens que DEUS mora
em tecidos de nuvens está escrito:
é a música o poema mais bonito
que se fez do princípio até agora.

Quando as pétalas viçosas das roseiras
dançam juntas com o sol se levantando,
vem a brisa suave carregando
pólen vivo das grávidas cerejeiras,
verdejantes, frondosas laranjeiras,
soltam hálito cheiroso à atmosfera,
toda mãe natureza se aglomera:
de perfume, verdume, que beleza!...
É o canto da própria natureza,
festejando o nascer da primavera!

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