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Ensaios-->Multiculturalismo e estupidez criminosa -- 16/05/2014 - 11:22 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

 

Hoje em dia, contra os cristãos, vemos no mundo inteiro: discriminação social, institucional, corporativa, legal, supressão da atividade missionária, imposição de conversão forçada a outras religiões e supressão da adoração pública.

 


O filósofo alemão Eric Voegelin nos diz que ninguém tem o direito de ser estúpido. A estupidez, quando praticada, é algo que pode nos trazer infortúnios. Segundo ele, não há qualquer direito básico ou liberdade na letra da constituição nos garantindo o direito de criar problemas para nós mesmos, apesar de não ser necessariamente um crime ser um inveterado praticante da estupidez individual. Todavia, quando o sujeito começa a ser estúpido ao ponto de causar danos a muitas pessoas (especialmente se tratando dos milhares, ou mais), passa-se então a falar da estupidez criminosa.

 

Falando nisso, o jornalista e homem da direita multicultural-liberal (sic), Gustavo Chacra, disse de modo retumbante que tudo o que foi dito sobre o martírio de cristãos é uma sórdida mentira. A fonte dele é nada menos que a BBC, a rede cujo anticristianismo só não é óbvio a quem nunca ouviu falar em BBC. Embora somente o fato de o jornalista ter usado autofagicamente a BBC para falar sobre tal assunto já nos habilitasse a chamar Gustavo Chacra de um autêntico estúpido de intensidade criminosa, temos alguns outros agravantes:

 

(1) Chacra chama de “islamofobia” estudar o assunto e constatar que a maioria dos martírios de cristãos são perpetrados por islâmicos;

(2) Ele e a articulista da BBC consideram apenas os dados do Center for the Study of Global Christianity (CSGC), portanto, se o CSGC errou, o campo inteiro de estudos sobre o martírio de cristãos está, de modo subentendido, condenado;

(3) Ele diz que o problema no islamismo é quase o mesmo, pois islâmicos estão matando islâmicos;

(4) Chacra acha que ao mudar & 8213; ou refutar & 8213; um número, o problema da perseguição aos cristãos está resolvido ou, na melhor das hipóteses, passa a ser um problema secundário indigno de séria atenção.

 

Todos que visitam este site de media watch sabem do que se trata o tal multiculturalismo que Guga e as classes política, intelectual e midiática do Ocidente tanto amam. Olavo de Carvalho, que é o fundador do site, já nos disse incontáveis vezes o quão baixo é esse empreendimento que, em última instância, pretende varrer o cristianismo da face da Terra e todos os valores que ele traz consigo. Vale tudo para chegar a isso.

 

Talvez infectado pelo dito multiculturalismo, Gustavo Chacra ou não sabe ou oculta a razão correta desses números (ignorância NÃO é circunstância atenuante quando se trata da estupidez criminosa a qual fala Voegelin). O Sr. Chacra não explica que esses números dizem respeito a assassinatos in odium fidei [“em [explícito] ódio da fé”], ou seja, assassinar alguém especialmente por causa da fé que essa pessoa professa ou por causa dos atos que ela comete por possuir uma determinada fé [1]. Ele não explica que os dados sobre martírios não devem ser comparados com dados de assassinatos comuns, e que a refutação séria desses mesmos dados sobre martírios exigiria um outro estudo sério e trabalhoso por se tratar de um fenômeno social diferente do assassinato dito comum. É algo que vai além de olhar entrelinhas de relatórios e denunciar erros de nota de rodapé naquele tom olímpico de quem salvou o mundo de uma impostura.& 8232;

 

Além de minimizar o fenômeno com base em apenas uma única fonte, ao falar de "islamofobia", Chacra esquece que, no final das contas, são ainda assim os cristãos que fazem parte do grupo mais perseguido do planeta, e não os islâmicos. Só no século XX, mais de 45 milhões perderam suas vidas nos termos de assassinatos in odium fidei, isto é, martirizados. Já no século XXI, se considerarmos números mais comedidos, temos mais de 100.000 martírios até o momento; Se considerarmos os dados do GSGC refutados pela jornalista da BBC, ultrapassaríamos facilmente a marca de 1 milhão de martírios. 

 

E não só de martírios vive o anticristianismo. Hoje em dia vemos no mundo inteiro contra os cristãos: discriminação social, discriminação institucional, discriminação corporativa, discriminação legal, supressão da atividade missionária, supressão de atividades que visam a conversão, conversão forçada a outras religiões impostas aos cristãos e supressão da adoração pública [2]. Todas essas práticas já atingem centenas de milhões de pessoas do mundo e as consequências são enormes. 

 

Perseguir cristãos é uma coisa a qual os cristãos de todas as denominações devem esperar. O próprio Cristo e seus apóstolos não deixaram margem para dúvidas quando deixaram claro que os cristãos seriam perseguidos desde o seu próprio fundador até literalmente o fim dos tempos. Entretanto, constatar a inevitabilidade dessa perseguição não deve ser impedimento para constatar que Gustavo Chacra usa e abusa da estupidez criminosa sem dar margem para qualquer circunstância atenuante. Estamos diante de mais um exemplar (dentre milhares) da escória jornalística e cultural que merece a reprovação até da lata do lixo da história: preguiçosa, maliciosa e insistentemente estúpida.

 

Notas:
[1] Um exemplo: um padre morrer num latrocínio não caracteriza martírio. Entretanto, se um padre que vive de espalhar a fé cristã e a conversão dos pecadores for assassinado justamente por fazer isso, então aí sim caracteriza-se o martírio.

 

[2] v. o livro The Global War on Christians - Dispatches from the Front Lines of Anti-Christian Persecution do jornalista John L. Allen Jr. Na obra ele considera, sem qualquer triunfalismo, os dados que chegam aos 7.300 martírios por ano por não adotarem, por exemplo, o conceito mais elástico de martírio que foi adotado pelo Center for the Study of Global Christianity. Contudo, ele também leva em conta outra dezena de fontes, inclusive o próprio CSGC, que estima algo entre 100.000 e 150.000 martírios na média da primeira década do século XXI. Enfim, não se trata de considerar apenas uma fonte e dar ali o problema como resolvido, mas sim fazer uma articulação entre todas elas. É o mínimo que devia se esperar de alguém que vai tocar em um assunto tão delicado.

Leonildo Trombela Junior é jornalista e tradutor.

 

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