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Contos-->A Cachoeira do Inferno -- 10/01/2003 - 23:22 (Marcelo de Oliveira Souza,IWA Instagram:marceloescritor) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
A CACHOEIRA DO INFERNO

CACHOEIRA DO INFERNO


Para quem pensa que a Cidade de Araci não tem nada, está muito enganado.
Sempre ouvia o povo da região falar da Cachoeira do Inferno, até que minha curiosidade não agüentou, e quando fui passar o Ano Novo, junto a família de minha esposa, decidi que era o dia de uma aventura radical, pois sou fissurado por trilhas, cachoeiras, obstáculos naturais.
Decidimos arrumar-mos para o grande passeio, as irmãs de Leide, Jailma, Clei, Ziane , Roque, o seu marido, a debutante Rubilênia,e os meninos Nildo e Jonathan..
Roque arranjou um motorista de nome Jorge, que dirigia uma Veraneio, veículo antigo e muito resistente, bastante usado na região para fazer lotação.
A viagem é deveras interessante, pois a paisagem é exótica para as pessoas que não tem o costume de visitar a região, só vendo aquele cenário seco pela televisão, onde pessoas simples e curiosas admiravam, parecendo que nós éramos bichos estranhos à procura de um paraíso para descansar, curtindo aquele sol escaldante tão belo e mortal para a fauna e as pessoas, que persistem em lutar apegando-se à fé e à misericórdia divina.
Observei cada fissura no solo, cada galho retorcido, naquele cenário deslumbrante, digno de um quadro para nenhum Salvador Dali botar defeito.
Passamos por diversos distritos, inclusive João Vieira, que foi o mais comentado pelo pessoal que irradiava felicidade e curiosidade para conhecer o nosso destino final, pois a fama deste distrito são de pessoas que não levam desaforo para casa, são pessoas simples e pacíficas, curiosas como todo interiorano de cidade pequena, pois tudo é novidade no cenário seco da região.
Chegando em nosso destino, tive o privilégio de conhecer o rio Itapicuru, uma grande potência da região, ele sendo o rio perene e tratado como uma das poucas fontes de riqueza que Deus deixou. Uma Beleza, sendo que seu leito não é navegável, existindo uma infinidade de pedras de todos os tamanhos, sendo feita uma ponte para ligar os seus dois lados, nesta ponte, construíram um escoadouro, com várias manilhas, que jorra de um lado para o outro parecendo cachoeiras, com muitas piabas caindo encima das pessoas, e teimando em voltar, imitando até o fenômeno da piracema, em que as pessoas da região colocam uma espécie de jereré* para pegar os bichinhos que vêm aos milhares escoado pelo tubo.
Os danados ficam por ali nos beliscando pensando que somos alimentos deles, sem se intimidar na proporção do tamanho, rondando a bacia que parece mais uma piscina de hidromassagem, refrescando-nos e massageando-nos com aquele jato caindo perante a nós, inclusive massageando o ego dos pescadores da região, pois podem desfrutar daquela relíquia da natureza.
Decidimos ir à Cachoeira do Inferno, que tem o nome bastante incomum, onde perguntei o motivo e foi dito que ela sai de uma pedra bem lá no alto, e escoa por um buraco onde forma-se um redemoinho e é muito perigoso ficar lá embaixo.
A beleza do local esconde seus obstáculos naturais pois o leito do rio pedregoso impossibilita por demais. Como o nosso louco guia esqueceu de avisar, não nos preparamos devidamente, o que tornou-se um verdadeiro calvário a nossa aventura, que estava cada vez mais radical, onde tínhamos que atravessar o rio a nado, depois enfrentar todas as pedras que tomavam toda extensão do leito do rio, nos desequilibrando, queimando, com o calor do sol, nossas mãos e pés, minando nossa resistência, em que os homens querendo mostrar sua resistência, numa prova de virilidade, relutavam desistir. Até que chegou um momento em que todos estavam totalmente exauridos em suas forças, ouvindo ao longe o barulho da cachoeira que parecia comemorar a nossa derrota, onde totalmente exausto retornamos e fomos relaxar e comentar, guardando esta aventura, prometendo voltar, pois já tínhamos saído do paraíso, conhecendo o purgatório, faltando somente a nossa temida e tão bela Cachoeira do Inferno.

* Jereré - Instrumento em forma de cone, que as pessoas utilizam para pescar.




Marcelo de Oliveira Souza
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