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Ensaios-->Al-Zawahiri, o agora número um da Al-Qaeda -- 29/04/2014 - 15:51 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

Ayman al-Zawahiri, o agora número um da Al-Qaeda

 
Carlos I. S. Azambuja

 

Zawahiri influenciou Osama Bin Laden ao passar-lhe sua ideologia de jihad revolucionária, o que transformou Bin Laden em um guerreiro pela jihad.

“Talvez os futuros governos, seja nos EUA, Reino Unido, Rússia ou nações menores e menos influentes, aprendam esta importante lição da história do Século XX: quando decidirem ir à guerra contra seu principal inimigo, pensem bem sobre os amigos, aliados ou mercenários que lhes dão retaguarda. Prestem atenção para ver se eles não estão com as facas na mão apontando para as suas costas”. (John K. Cooely, jornalista especializado em terrorismo e em Oriente Médio, Unholy Wars: Afghanistan, América and International Terrorism, Londres, 2000).

 

 

Para desvendarmos os mistérios sobre a organização Al-Qaeda (a Base ), a biografia crítica de Ayman Muhammad Rabaie al-Zawahiri (em árabe: & 1575;& 1610;& 1605;& 1606; & 1575;& 1604;& 1592;& 1608;& 1575;& 1607;& 1585;& 1610;) é um importante recurso. Zawahiri, nascido no Egito em 19 de junho de 1951, é médico e proeminente membro da organização terrorista Al-Qaeda. É hoje uma das pessoas mais procuradas do mundo, primeiro homem da Al-Qaeda após a morte de Bin Laden e considerado o cérebro por trás das operações da organização.

A biografia psicológica de Zawahiri é uma peça-chave para o entendimento não só da filosofia do homem mais procurado do mundo, como também do fenômeno geral do islamismo militante e da nova tendência em atacar alvos dos EUA e seus aliados.

Como história do movimento islamita no Egito, por causa da grande repressão política em que funcionam e do resultante caráter secreto com que funcionam os vários grupos atuantes no Egito, mesmo os especialistas no assunto têm dificuldades para entender a dinâmica das múltiplas organizações que formam o movimento.

Apenas uma minoria de fiéis ao Islam está de acordo com a moderna filosofia política que veio a ser chamada de islamismo. Essa filosofia política pode ser definida de uma forma mais ampla como aquela que busca a aplicação da sharia islâmica (princípios islâmicos) aos governos atuais.

Na tradição islâmica o próprio Profeta, além de alguns seguidores que o sucederam, era o líder político, militar e econômico. Segundo essa tradição, era a sua liderança, guiada por um entendimento profético da justiça divina, que faria brotar a riqueza e grandeza do império islâmico a partir da aspereza de guerra que era a península arábica no tempo da jabiliya (ignorância) ou paganismo. Por isso, uma idéia fundamental de união entre os islamitas é a de que o Islam não é apenas um modo de se viver, mas o modo de se liderar nas esferas política e econômica. Assim, para os islamitas, o verdadeiro Islam não seria possível sob uma liderança secular.

A partir dessa concepção, os islamitas entendem que o governo sob a sharia islâmica é a única forma de se garantir a prosperidade e a harmonia na Terra, e o paraíso depois da morte. A fragilidade militar e as dificuldades econômicas do mundo muçulmano, desde o período colonial até os dias de hoje, são atribuídas pelos islamitas, e também por grande parte da população, aos erros da hegemonia ocidental que não obedece à sharia islâmica. Esse histórico de se definir a boa política por meio de referências religiosas marcou o Islam com um caráter político distinto em seu desenvolvimento histórico.

No Egito, os muçulmanos podem ser divididos basicamente em três grupos, considerando-se as perspectivas de resposta à presente situação de empobrecimento político do mundo árabe: os muçulmanos contemporâneos, os islamitas que apóiam o dawa como método de transformação social e os islamitas que apóiam a jihad.

Além de uma resistência geral dos muçulmanos contemporâneos ao confronto armado, há um claro consenso de que os ataques contra civis são proibidos pelo Islam. Mesmo entre os que culpam os cidadãos norte-americanos pela política externa injusta do país, a maioria dos muçulmanos concorda que as tradições do Profeta proíbem claramente os ataques contra civis em qualquer situação.

Os islamitas que acreditam no método dawa buscam alcançar mudanças sociais de baixo para cima. O termo dawa (chamado) refere-se à prática dos muçulmanos de convocar seus irmãos para o caminho correto, ou uma vida guiada ela ortodoxia islâmica. A Irmandade Muçulmana no Egito é a organização contemporânea mais conhecida que aplica o método do dawa, embora existam muitas outras. A Irmandade foi proibida como partido político no Egito.

Os islamitas de jihad são uma minoria dentro do movimento islamita que acredita em um método militante para se chegar à mudança social. Nos seus primórdios, as organizações de jihad tendiam a atacar altas patentes militares ou do governo em regimes modernistas em vez de civis. Há uma nova tendência, porém, de mudar-se o foco de instituições pré-ocidentais para os próprios centros ocidentais de poder.

Os grupos de jihad, como a Jihad Islâmica Egípcia de Zawahiri e a Gamaa al-Islamiyya (literalmente Grupo Islâmico), encontraram grande apoio entre os islamitas de jihad para ataques armados contra políticos e militares. Mas a questão de ataques contra civis é bastante controversa mesmo entre esses grupos. Cada vez que um civil é atingido esses grupos de jihad experimentam uma grande perda de popularidade. Os ataques em Luxor (balneário egípcio em julho de 2005) perpetrados pela Gamaa al-Islamiyya levaram o grupo a divisões internas, culminando com a conhecida iniciativa de cessar fogo.

A Jihad Islâmica é formada por vários comitês, cada um deles dirigido por uma pessoa da confiança de Zawahiri. Por exemplo, o Comitê de Finanças é encarregado de encontrar recursos para sustentar as atividades do grupo, além de decidir como o dinheiro deve ser distribuído. Há também o Comitê Civil, que cuida do recrutamento de novos membros. Isso exige pesquisa, classificação e a determinação do melhor meio de se contatar os novos integrantes. O Comitê Militar trata especificamente de recrutar soldados dentro do exército egípcio, enquanto o Comitê de Sharia cuida de emitir fatwas, além de fazer pesquisas. O trabalho deste Comitê está diretamente relacionado com o aumento das operações armadas, porque é o responsável por anunciar a justificativa religiosa para qualquer operação armada, e também cuida de responder às críticas da imprensa e de fazer oposição aos poderes políticos.

A multiplicidade de perspectivas entre os islamitas de jihad, combinadas com o sentimento de que qualquer desvio de ideologia é haram, ou proibido, tem causado um contínuo racha entre grupos e desmanche de alianças.

Em fevereiro de 1998, Bin Laden emitiu uma fatwa, ou julgamento religioso, que supostamente tem poder sobre todos os muçulmanos, (publicada integralmente em árabe em Al Quds al-Arabi), pedindo ataques incessantes contra estadunidenses em qualquer lugar do mundo. Ele justificou esse chamado com o argumento de que os civis nos EUA e outros países aliados usam seu poder econômico para apoiar políticas que levaram civis muçulmanos à morte e que, por essa razão, eles podem ser considerados combatentes.

 Talvez a função mais importante da Al-Qaeda seja a sua capacidade de administrar as divisões entre os grupos de jihad e internacionalizar o movimento sob uma organização unificada, formada por unidades separadas, cada qual com sua própria liderança.

Zawahiri, assim como outros jovens egípcios foram atraídos para o islamismo quando o governo de Nasser fez do ativista egípcio Sayyd Qutb um mártir ao condená-lo à morte por suas posições radicais e tê-lo enforcado em 29 de agosto de 1966, fato que teve um profundo efeito em Zawahiri. As diretrizes de Qutb para os ativistas são vistas por muitos islamitas como base do movimento contemporâneo.

Há muitos indícios de que a radicalização de Zawahiri, que o levou à sua atual condição de criminoso, desenvolveu-se depois de supostas torturas sofridas nas mãos das autoridades egípcias. A tortura foi e ainda é considerada pelo governo egípcio um modo de combater o terrorismo. Ela é eficaz como meio de obter informações de suspeitos quanto a futuros ataques e também para a captura de outros ativistas.

Outra importante virada na ideologia de Zawahiri é a mudança do objetivo de combater ideológica e militarmente os regimes locais para combater o sistema internacional, mais especificamente sua maior expressão, os Estados Unidos.

Acreditava-se que o objetivo de eliminar a influência estrangeira seria mais bem alcançado eliminando-se os regimes que eram seus representantes no Oriente. Na terminologia de Zawahiri, tais regimes eram diferenciados do inimigo distante, ou governos de população não muçulmana que se beneficiavam do seu domínio sobre a ordem mundial. A partir de uma perspectiva prática, atingir as duas superpotências que dominavam a política internacional nos primeiros momentos de Zawahiri no movimento pode ter parecido uma tarefa impossível. Mas a assinatura de uma aliança com Bin Laden e com a Frente Internacional Islâmica para Jihad Contra Judeus e Cruzados em 1998, marcou a mudança do foco local para um panorama global e o início de seu enfrentamento direto com os EUA e seus aliados.

Essa mudança na ideologia de Zawahiri pode ser encarada como fruto direto de sua relação com Bin Laden. Zawahiri tinha tanta necessidade das ligações com Bin Laden, e principalmente de seus recursos financeiros, que foi levado a abraçar suas perspectivas ideológicas. Esse desenvolvimento coincide com uma grande guinada do movimento de jihad islamita em nível internacional. O colapso da URSS pode ter sido uma importante fonte da nova convicção sobre a necessidade - e agora possibilidade - de se lançar a jihad contra os EUA.

Nos anos anteriores à derrocada da URSS, os árabes muçulmanos de todo o Oriente Médio (principalmente Egito, Arábia Saudita, Iêmen e Argélia) seguiam para o Afeganistão para lutar contra a ocupação soviética e o Império do Mal que representava o ateísmo soviético. Naquele momento, esses combatentes imigrantes, chamados de árabes-afegãos, ou mujahedines (soldados da jihad), eram sustentados com armas e tecnologia dos EUA em uma luta contra um inimigo comum. Sua vitória sobre os soviéticos foi uma vitória contra a dominação da economia, das instituições e dos exércitos modernos. Na verdade, para os árabes afegãos, a queda da URSS, que foi logo seguida por uma retirada do Afeganistão; era um resultado direto da jihad justa, realizada por um pequeno grupo de fiéis contra o Golias soviético. Há muitos indícios de que isso tenha dado aos árabes-afegãos a idéia de que a vitória contra a hegemonia ocidental em nível global seria possível.

Conhecer Bin Laden no Afeganistão possibilitou a Zawahiri recriar seu movimento jihad quando os dois se tornaram amigos íntimos e fortes aliados. Bin Laden influenciou Zawahiri tanto quanto este influenciou aquele e, embora Zawahiri não tenha a mesma habilidade oratória e de pregação de Bin Laden, nem Bin Laden tenha o mesmo discernimento ideológico e habilidade de planejamento de Zawahiri, os dois tinham um objetivo comum: lutar contra os inimigos do Islam. Zawahiri influenciou Osama Bin Laden ao passar-lhe sua ideologia de jihad revolucionária, o que transformou Bin Laden, orador salafi fazedor de caridade, em um guerreiro pela jihad.

 

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

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