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Ensaios-->UNIVERSITÁRIO IDOSO OU IDOSO UNIVERSITÁRIO -- 05/01/2011 - 02:42 (Orlando Batista dos Santos) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
(última atualização em 31/7/2011) Com a crescente expectativa de vida do povo brasileiro, nota-se que o número de idosos que se matriculam em cursos superiores também vem aumentando a cada ano, uma evidência de que os idosos estão abandonando o hábito da inatividade física, intelectual e mesmo laboral, procurando vias alternativas para manterem-se ativos, não apenas com ocupações domésticas, viagens ou passeios turísticos, mas investindo efetivamente na ampliação de seus conhecimentos, visando claramente maiores possibilidades de inserção sociocultural e mesmo econômica como parte de suas realizações pessoais. Muito se tem falado do universitário idoso como uma novidade, mas não será exagero afirmar que a presença de pessoas idosas nas universidades aponta para auspiciosa tendência. Pela escassez de estudos dessa faixa etária que freqüenta cursos de graduação superior, acabamos por desconhecer essa realidade e faz-se necessário caracterizar o quanto possível as condições em que isso acontece. Uma busca pelo tema na internet resulta em parcas informações sobre a situação do universitário idoso. A principal constatação é a de que não existem estudos aprofundados sobre a condição da pessoa idosa que frequenta um curso de graduação de nível superior, dando a impressão de que se trata de um número insignificante que não chega a despertar interesse para estudos sobre o assunto. Legalmente, alguns anos ainda me separam da faixa etária dos idosos, embora algumas vezes eu receba esse tratamento. Atualmente cursando graduação em curso presencial, se tudo correr bem estarei concluindo o curso já dentro da faixa etária da chamada terceira idade. Em uma sociedade regida por padrões, pode causar certo estranhamento o fato de se estar acima ou abaixo do que é considerado “normal”. Compartilhar conteúdos da grade curricular em pé de igualdade com pessoas mais jovens que nossos próprios filhos não deixa de ser uma experiência formidável. Embora durante toda a minha vida profissional eu tenha convivido com jovens estudantes como facilitador de estagiários e pós-graduandos, não se tratava, como agora, de estar no mesmo nível de diálogo e de aspiração. CARA DE ESTUDANTE Uma linha especial de ônibus leva os estudantes até a faculdade. Em uma das muitas paradas, juntando-me aos jovens que vão estudar, estou ansioso para o meu primeiro dia de aula. Adentrando ao ônibus que chegara na hora prevista, uma voz ríspida soa de dentro do coletivo: “este carro é só para estudantes; não vou parar para ninguém descer na beira da estrada!”. Foi preciso eu convencer ao motorista, que dirigia-se a mim com o dedo em riste, que o meu destino também era a faculdade. Frequentar um curso de longa duração em uma faculdade já não fazia parte dos meus planos ultimamente. O que mais ocupava minha mente era estudar as possibilidades para desenvolver alguma atividade que além de proporcionar renda complementar após a aposentadoria, permitisse liberdade suficiente para administrar minha rotina com flexibilidade e sem os condicionamentos estressantes típicos da modernidade. Em outras palavras, tirar o pé do acelerador sem cair na inatividade, aproveitando as experiências acumuladas durante décadas de trabalho, e ao mesmo tempo preservando a qualidade de vida. Mas em fim, ao sugerir à minha filha que fizesse o curso de Nutrição e Dietética, tal sugestão fora acolhida com tanto entusiasmo que eu próprio acabei sendo contagiado pela idéia. Estava tomada a decisão, ainda que de forma repentina, ficando congelados os planos que vinham sendo elaborados nos últimos anos e lá fomos nós, pai e filha frequentar o mesmo curso como colegas de classe. Por mais que trabalhemos a discrição, dificilmente se consegue passar despercebido quando se apresenta algum detalhe diferenciador. Neste caso, a idade, somando-se aí o fato de eu me apresentar sempre em companhia de minha filha. Tornarmos objetos de curiosidade foi inevitável, a começar pelo corpo de funcionários no atendimento das questões burocráticas do curso e também o grupo de funcionários da faculdade em atividade na área externa, resultando em ostensiva manifestação de simpatia de ambas as partes. Teu pai não virá hoje? Por que tua filha não veio? & 8722; são manifestações de colegas de classe e mesmo de professores, dando mostras de que a imagem “pai e filha” encontra-se associada. O primeiro efeito da decisão de voltar a estudar foi a alteração na rotina e por consequência, de ritmo e mesmo de hábitos. Direto do trabalho para a faculdade, o tempo de atividade diária estendido, saindo de casa às 6 horas da manhã e só retornando à meia noite, as poucas horas que sobram para “estar” em casa são suficientes para um bom sono e nada mais. Por conta disso, valorizar o tempo foi outra descoberta interessante, haja visto que desde então, chegar em casa alguns minutos mais cedo que o habitual acaba se convertendo em preciosa conquista. Para minimizar os problemas da sobrecarga de atividades algumas adequações foram necessárias, como evitar esforços físicos e mentais desnecessários, a fim de administrar as forças durante as dezoito horas de vigília, transportar de casa o almoço e a janta, garantindo refeição de qualidade com o velho e bom tempero caseiro e aproveitar melhor os finais de semanas para atualização das questões domésticas. Outra consequência natural resultante do curso de Nutrição é a tendência de se aplicar em casa os conhecimentos obtidos em sala de aula, não sem alguma resistência, mas nada traumático, como a redução ou substituição gradual de elementos do cardápio da família; o uso racional de gorduras, os cuidados para não exceder no uso do sal e do açúcar, dada a conscientização de que são fatores relevantes que desencadeiam um leque de doenças de incidência alarmante na atualidade, mas cujo perigo continua a ser subestimado pela população. Por outro lado, o consumo de frutas, verduras e legumes, que já ocorria de forma razoável, agora passa a ser imprescindível e mesmo obrigatório, mas nem tudo são flores; hábitos sabidamente negativos, mas arraigados na cultura familiar, a exemplo de bebidas, especialmente as alcoólicas, requer uma abordagem mais delicada, embora sobrem motivos para saudáveis brincadeiras sobre o grande “problema” que se abateu sobre a família por conta de dois de seus membros atuarem agora como conselheiros de assuntos nutricionais. Não podia ser diferente.
EXERCÍCIOS PARA O FÍSICO E PARA A MENTE A própria rotina se encarregou de eliminar aqueles quilinhos indesejáveis. Minha silhueta acusa que estou deixando a classe dos sedentários e não há mais tempo para acesso a guloseimas; mais movimentos, menos calorias, mais o que fazer... Cansa, mas não fazer nada também é cansativo. O importante é não esquecer que o dia tem 24 horas e em algum lugar estaremos durante esse tempo, fazendo ou não alguma coisa.
Meu cérebro reclama; ficou por muitos anos cuidando de mesmices, dessas coisas pouco construtivas e que não levam a nada, a não ser tornar as pessoas ranzinzas. Mas vai reagindo aos poucos, por conta de novas sinapses. O tempo curto para assimilar toda a carga de informações dada em sala de aula reflete a inquietude nos dias de provas, uma preocupação de todos da classe, o que me consola. Anatomia, fisiologia e morfologia humanas forçam minha memória a sair do estado letárgico. Nunca pensei que bioquímica me obrigasse ao dispêndio de tanto ATP!

18 horas com os pés aprisionados dentro dos sapatos. Aquele par de sapatos relegado há muitos anos por ser muito folgado torna-se agora o preferido. Pés livres, alma liberta. FELICIDADE É... Sobre a felicidade, dirão: É a conquista do mundo, É transpor o azul do céu; Honra, Glória, Ouro, Bens, Poder. Sobre a felicidade, dirás: É ter amigo, apreço, Cidadania, moral e tal... É a luz, É luar, É amor, É mar, É a fé, É flor, É pão, É paz. Minha felicidade de hoje, direi: é poder chegar em casa e tirar os sapatos! TORCIDA É indisfarçável a “torcida” de colegas e professores para que eu consiga apresentar um bom desempenho em classe. Cumplicidade talvez seja a melhor palavra. Embora eu faça questão de me apresentar como apenas mais um aluno, e minhas notas testemunhem que não sou nem o pior, nem o melhor em classe, é impossível não perceber as manifestações de apoio vindas de todos os lados. Minha vantagem é não sofrer as pressões típicas de quem está iniciando a construção de uma carreira profissional tendo que obter bons resultados a qualquer custo, sendo quase sempre vítimas da ansiedade. Estudo pelo prazer do conhecimento. Aulas, seminários ou atividades práticas se transformam em momentos especiais de aprendizado cuja aplicação objetiva ainda não ganhou contornos, mas vislumbra um futuro promissor, o de no mínimo tornar-me um voluntário qualificado.
ESTUDAR, GANHO OU PERDA DE TEMPO? Saber nunca é demais. Durante a nossa vida estamos sempre aprendendo alguma coisa. Se isso deixa de acontecer, a vida acaba perdendo o significado, ou embrenhando-se por significações desvirtuadas. Ocorre que fomos treinados para vincular a educação, o aprendizado ao sucesso profissional: “estudar para ser alguém na vida”, ideologia cruel que induz à competição destrutiva; vitória de um só, mas de muitos perdedores, porque o pódium é piramidal. TEMPO DE VIVER Todo o tempo Em qualquer tempo Sempre é tempo De sonhar De amar De sorrir De fazer De começar Sonhar é viver Viver é sonhar Se tempo tem Se tempo há Há de ser tempo De sonhar De amar De sorrir De fazer De começar Se tempo há Sempre é tempo PESQUISA A rotina universitária possibilitou-me prestar mais atenção sobre a existência de estudantes de maior idade cursando graduação. Para surpresa minha, aqui e ali é possível encontrar alguém com cabelos grisalhos compartilhando conhecimentos em sala de aula com estudantes mais novos. É impossível não querer saber as motivações que levam essas pessoas de volta à sala de aula, quem são essas pessoas, qual realidade ou condições de cada uma delas e o que pensam de si mesmas. Para responder a essas e a outras questões, só mesmo uma pesquisa possibilitará uma visão mais apurada para o necessário entendimento. Composta de um questionário com 20 perguntas, a pesquisa foi iniciada sob o título “Situação do Universitário Idoso de Instituição de Ensino Particular”, que está sendo aplicada na medida do possível e sem data limite para ser concluída. Embora o foco seja o idoso, a pesquisa é direcionada para estudantes maiores de 50 anos de idade, já que permite estabelecer comparações bastante apuradas dos pesquisados em relação aos que ultrapassaram os 60 anos de idade. Embora não esteja em pauta a divulgação da pesquisa em sua integra neste espaço, ao menos enquanto em andamento, alguns dados que apontem para situações notáveis poderão ser aqui colocadas em caráter preliminar. Por hora, pode-se verificar que a maioria dos entrevistados; Estudam por prazer, mas pretendem obter renda com o conhecimento. São aposentados, embora exerçam atividades com fins econômicos. Não são discriminados em sala de aula em função da idade. Dizem que a idade não atrapalha o desempenho acadêmico. Tem acesso fácil a computador, internet e a livros. Continua...
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