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Ensaios-->Memorial do Comunismo: Tentando desvendar Prestes -- 14/12/2010 - 17:37 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
A Verdade Sufocada

13/12 - Tentando desvendar Prestes

Carta de Prestes mostra ação da URSS

Às vésperas da Intentona de 1935, líder comunista pede envio de agente soviético e prevê levante de massas

Em documentos obtidos pela Folha, Prestes vê oportunidade de tentar derrubar Vargas, então debilitado por greves

Graciliano Rocha - de Porto Alegre para Folha de São Paulo

Manuscritos do líder comunista Luiz Carlos Prestes (1898-1990) evidenciam a influência soviética na Intentona Comunista, como ficou conhecida a tentativa de derrubar Getúlio Vargas do governo na década de 30.

A Folha obteve cópias dos quatro primeiros documentos de Prestes, guardados em Moscou há 75 anos. Em outubro, o governo russo começou a transferi-los do acervo do Komintern -a 3ª Internacional Comunista- para o Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro.
Num relatório em espanhol, datado de 6 março de 1935 -oito meses antes da eclosão do levante-, Prestes faz um apelo para que Moscou enviasse um agente ao

Komintern - Internacinal Comunista
Brasil: 'A viagem de Rústico [codinome do agente] é cada vez mais urgente'.

Em esboço de telegrama datado do mesmo dia, ele diz que sua 'entrada no país' está 'cada vez mais difícil' e que é 'necessário' o envio de 'aparato' -não é explicado o que seria isso. O local onde Prestes estava quando escreveu esses textos é incerto.

Em carta, Prestes relata ao Secretariado Executivo do Komintern, em Moscou, que Vargas se debilitara com a 'ofensiva do proletariado e empregados do governo por melhora de salário'. A reação às greves, escreve ele, viria na forma de uma 'nova lei contra os 'extremistas`'.
Aprovada pelo Congresso e sancionada por Vargas em abril, a Lei de Segurança Nacional criminalizou greves do funcionalismo público, agitação nas Forças Armadas e a propaganda subversiva.

ANTIFASCISMO

A carta de Prestes integra um conjunto de comunicações entre o Komintern e agentes na América do Sul entre o final de 1934 e 1935. Parte dos documentos foi revelada no livro 'Camaradas' (Cia. das Letras, 1993), do jornalista William Waack. Waack teve acesso aos papéis após o fim da URSS.

Ainda no manuscrito de 6 de março, Prestes propôs que o PCB explorasse ao máximo o seu nome, famoso desde a Coluna dos anos 20, para orientar politicamente a ainda incipiente ANL (Aliança Nacional Libertadora). O comunista já vislumbrava o programa da era pós-Vargas.
O surgimento da ANL, um consórcio de opositores a Vargas, ajustava-se à política do Komintern de estimular a formação de frentes populares em todo o mundo para combater o fascismo.

'As condições atuais no país nos dão a perspectiva de um grande movimento de massas em apoio à ANL, a qual poderá mesmo organizar um governo revolucionário provisório', escreve Prestes no documento.

DERROTA

O objetivo imediato seria 'mobilizar as mais amplas massas contra o imperialismo e o feudalismo' a partir de um programa brando, pelo aumento de salários e desarmamento dos fascistas.
A história mostraria que não havia 'movimento de massas' disposto a fazer a revolução. No final de novembro de 1935, houve levantes em Natal e no Rio, rapidamente debelados. Prestes foi preso em 1936 e no ano seguinte começaria a ditadura do Estado Novo (1937-45).
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Jornalista William Waack

Chave para entender Prestes permanece em Moscou

Por William Waack

Especial para a Folha de São Paulo - 13/12/2010

Vinte anos atrás, o então presidente Boris Yeltsin atendia a um pedido pessoal do então presidente Fernando Collor de Melo e entregava alguns documentos sobre Luís Carlos Prestes.
Não eram muita coisa, mas estavam num acervo sobre o qual pouco se soube: o Arquivo Presidencial. Quem foi dirigente importante de algum partido comunista em algum lugar e época está ali.

Prestes também. Medvedev fez agora o mesmo favor a Lula, mas Moscou continua guardando muito mais coisa.

Quase tudo o que se conhece sobre a atuação do principal líder comunista brasileiro nos episódios de 1935 tem origem em outro arquivo guardado em Moscou, que corresponde ao período de existência do Komintern.

Quando pesquisei esse arquivo, entre 1991 e 1993, ajudado pelo filho caçula de Prestes, Yuri Ribeiro, notei que a pasta pessoal de Prestes (cada comunista brasileiro da época tem sua 'pasta pessoal' guardada lá) estava praticamente vazia. Seu conteúdo, observamos, tinha sido transportado para o Arquivo Presidencial.

A fascinante massa de documentos permitiu esclarecer em minúcias alguns dos aspectos centrais da operação de Prestes no Brasil em 1935. Trouxe à luz novos personagens, esclareceu a participação de alguns já conhecidos e os exibiu em sua dimensão humana e destruiu os mitos, especialmente os de Prestes e Olga.
Há, porém, uma importante lacuna: o período em que o dirigente comunista brasileiro viveu na União Soviética entre 1931 e 1934. Para mim, a frase importante dos manuscritos publicados pela Folha está no final de um deles. É quando Prestes diz que nada do que propunha como linha de ação da ANL 'deve diminuir nossa atividade quanto à execução dos planos anteriores'.
Não deixe de ler !
Fica bastante claro a partir da documentação do Komintern que Prestes, com a aquiescência e participação dos dirigentes em Moscou, desenvolveu um plano, com o qual embarcou para o Brasil no final de 1934.

Uma das referências surgidas recentemente a esse plano apareceu na biografia de um dos participantes da fracassada tentativa de golpe conduzida por Prestes.

Trata-se de Johnny de Graaf (conhecido no Brasil como Gruber), que era, sabe-se agora, um triplo agente, trabalhando para alemães, soviéticos e britânicos.

Mas o período no qual Prestes fundiu seu destino ao do PC soviético continua obscuro. Assim como permanece sem fortes referências documentais o que vem depois, de 1946 ao golpe de 1964, e seu novo exílio em Moscou.

Prestes foi um mestre em redefinir seus papéis, deixando a culpa de fracassos sempre para subordinados. E habilidoso em criar o próprio mito. Permanece lá em Moscou, nos arquivos presidenciais, a chave para entendê-lo melhor.
WILLIAM WAACK, jornalista, é apresentador do 'Jornal da Globo' e autor do livro 'Camaradas', em que pesquisou os arquivos secretos da ex-União Soviética
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Lula em visita à Russia e o Dmitri Medvedev
Moscou só enviou 4 dos 38 documentos

Em material recebido em outubro, há relatório sobre a ANL e anotações sobre viagem de Prestes ao Brasil em 1935

Aprovação de líder na cúpula do Komintern está entre documentos que o Arquivo Nacional ainda não recebeu

de Porto Alegre para A Folha de São Paulo - 13/12/2010

Os quatro manuscritos obtidos pela Folha integram um conjunto de 38 documentos que o governo da Rússia se comprometeu a repassar ao Arquivo Nacional, no Rio.

Pedidos de cópias são feitos desde 2005 pela viúva do líder comunista, Maria Prestes, 80, mas a decisão de fornecê-las foi selada em reunião entre os presidentes Lula e Dmitri Medvedev em março deste ano.

A lista completa abrange documentos que vão de 1928 a 1941. O Arquivo Nacional informou que recebeu apenas os manuscritos e que já entrou em contato com o Arquivo do Estado Russo de História Política e Social para o envio do material restante.

Os quatro manuscritos foram repassados pelo número 2 da diplomacia russa, Andrey Denisov, ao diretor do Arquivo Nacional, Jaime Antunes da Silva, em cerimônia no Itamaraty, em outubro.
São eles: relatório sobre a situação do Brasil e da Aliança Nacional Libertadora e uma anotação sobre sua viagem ao Brasil, ambos datados 6 de março de 1935; o esboço de um artigo de Prestes sobre o Exército Vermelho, de 1934, e um telegrama sobre participantes de um Congresso Antiguerra ocorrido no Uruguai, em 1933.
Os outros documentos da lista -e que o Arquivo Nacional diz não ter recebido- captam lances decisivos da preparação e do fracasso da Intentona Comunista, conforme a Folha apurou. Alguns já são conhecidos por pesquisadores brasileiros desde os anos 1990.

Há três atas com a assinatura dos homens mais poderosos do Komintern. Uma delas, de 11 de março de 1934, guarda possivelmente indícios da discussão da primeira grande operação de Moscou para desestabilizar um governo na América do Sul.
Em 8 de junho do mesmo ano, uma reunião da comissão política da executiva do Komintern aprovou o ingresso de Prestes como membro da cúpula da organização -referendado depois. A Embaixada da Rússia em Brasília não se manifestou.

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Não deixe de ler!
Burguesia quer deturpar 'mitos', diz filha

De Porto Alegre para Folha de São Paulo - 13/12/2010

Questionamentos sobre erros cometidos por Luiz Carlos Prestes, a partir da liberação de documentos secretos da época da URSS, irritam familiares do líder comunista.

Pelo menos dois livros baseados nesses documentos levantam objeções à capacidade de análise política e de comando militar de Prestes: 'Camaradas' (Companhia das Letras, 1993), de William Waack, e 'Johnny - A Vida do Espião que Delatou a Rebelião Comunista de 1935' (recém-lançado pela Record), dos historiadores americanos R.S. Rose e Gordon Scott.
O professor Luiz Carlos Prestes Filho, 51, afirma que parte das críticas ao pai nessas obras é esforço para desconstruir a imagem de Prestes para 'exumar cadáveres
'A grande marcha' -, na realidade,
comandada por Miguel Costa
ideológicos'.

'Temos que fazer uma releitura do século 20 e do que foram as tentativas honestas e sinceras de líderes políticos no contexto daquela época. Não dá para descontextualizar o que o papai estava fazendo em 1935 e avaliar do ponto de vista da política atual. É uma loucura', diz.

Prestes Filho defende a ação política e militar do líder comunista como a de um homem que agiu em nome de posições claras sobre o que queria para o Brasil e para o mundo no século passado.
Ele cita momentos-chave na trajetória do pai, como a Coluna Prestes, nos anos 20, e a Intentona Comunista, na década seguinte: 'Aos 26 anos, pega em armas, anda 25 mil km, derrota 18 generais sem medo de nada. Em 1935, faz a mesma coisa. Em 1945, foi o senador mais votado e, mais tarde, era o primeiro da lista [de
Olga Benário e Luiz Prestes
perseguidos] do golpe de 64. Tinha muita coragem, muita valentia e ingenuidade. Cometeu erros? Só quem não comete é quem não faz nada'.
Em 'Luiz Carlos Prestes e a Aliança Nacional Libertadora' (Brasiliense, 2008), a historiadora Anita Leocadia Prestes, filha de Prestes com Olga Benario, critica o interesse em liquidar 'mitos supostamente criados pelo comunismo internacional', disposição que ela vê em 'Camaradas'.

'Estão entre esses 'mitos' personalidades como Luiz Carlos Prestes e Olga Benario Prestes, cujos exemplos interessa à burguesia que sejam esquecidos ou deturpados, evitando que venham a servir de inspiração às novas gerações', escreveu ela.


Veja as imagens no texto original - http://www.averdadesufocada.com/index.php?option=com_content&task=view&id=4363&Itemid=100


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