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Ensaios-->Os primatas Peter Singer, Norman Fost e R. G. Frey -- 20/10/2010 - 09:09 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
www.heitordepaola.org

OS MINEIROS CHILENOS, O MICO-LEÃO-DOURADO, E O DESTINO DE EMBRIÕES E FETOS HUMANOS

HEITOR DE PAOLA

19/10/2010

Recentemente a humanidade inteira foi mobilizada pelo drama com tons de epopéia dos 33 mineiros soterrados em Copiapó. Esforços extraordinários foram empreendidos e grandes somas despendidas para salvá-los. Tecnologias anteriormente impensadas foram desenvolvidas. Houve uma vibração e alívio geral pelo sucesso da operação.

A ninguém ocorreu – ou ao menos ninguém expressou esta idéia – que seria muito mais barato deixá-los morrer por asfixia, fome e sede, ou envenená-los com gás tóxico.

Nas últimas décadas parcelas da sociedade mundial começaram a se preocupar com as espécies animais e vegetais em extinção, das quais o mico-leão-dourado está aqui como representante simbólico, como poderiam ser as baleias ou qualquer planta ameaçada.

Mais uma vez fortunas foram levantadas, obras fundamentais embargadas, esforços inauditos despendidos. A cada bichinho ou planta salva a euforia é imensa e generalizada.

Isto para não falar em tribos indígenas selvagens que recentemente conseguiram territórios imensos, maiores que a grande maioria dos países europeus, contemplando uma quantidade irrisória de indivíduos com milhares de hectares sob a desculpa esfarrapada de que sua “cultura” necessita de grandes espaços para sobreviver intacta.

Quando se trata de salvar ou matar embriões e fetos humanos, gerados por seres humanos, hospedados em barrigas humanas e não em confins de matas selvagens ou nas profundezas de uma mina, aí o tom muda radicalmente! O entusiasmo em salvar umas tantas pererecas à custa de obras – hidrelétricas p. ex. – que trariam benefícios para milhares de pessoas é substituído por uma frieza de arrepiar! Enquanto uma baleia, um jacaré ou um mico tem os seus direitos, sujeitando os caçadores a penas de prisão inafiançáveis, os embriões e fetos não têm direito algum [i] e ficam ao sabor de direitos dos outros: da mãe, do pai, da sociedade ou – o que é mais horripilantes ainda – dos gastos públicos! Os que advogam por seus direitos são “obscurantistas” ou “fundamentalistas religiosos” – até mesmo aqueles que não professam nenhuma.

O aborto é tratado como um direito da mulher ou um problema de saúde pública, o feto que se dane. Só entrou em pauta nos debates eleitorais porque uma das candidatas fingia ser contra a descriminação em nome de princípios religiosos, mas ao invés de se mostrar firme, sugeria um plebiscito. E isto teria, segundo alguns, roubado milhões de votos dos demais, principalmente da candidata oficial. Aliás, a referida ex-candidata é a mesma que move céus e terras para salvar árvores, índios ou jacarés. Então, no segundo turno, o assunto passou a preponderar como mera moeda de troca de votos. Um dos candidatos, querendo ver-se livre da batata quente, afirma que é problema das religiões! Ora, então as religiões devem legislar sobre direitos dos cidadãos de qualquer idade? Vamos viver sob algumashari`a, ou várias, uma para cada religião? Não cabe mais ao Estado criar leis que defendam de forma positiva o que é um direito natural inviolável? Ou acreditar em direitos naturais é obscurantismo e medievalismo?

Não temo estar saindo do “obsequioso silêncio” que me impus referente à farsa eleitoral que corre por aí porque ambos os candidatos tratam do assunto com a maior frieza, como não se tratasse de vidas humanas em risco. E não me refiro só ao aborto: o uso “médico” de células-tronco embrionárias já começa a formar uma verdadeira indústria de produção e manipulação de embriões humanos despertando a cobiça e a ganância de milhões e milhões de dólares que renderá este caminho inexorável ao “admirável mundo novo” de produção em série de seres humanos geneticamente manipulados.

Mas a manipulação já começa antes, e a primira vítima é a verdade. Publica-se como manchete que “a criminalização do aborto causa a morte de milhares de mulheres”. Numa típica inversão revolucionária do pensamento – para a qual Olavo de Carvalho não cansa de chamar a atenção – atribui-se aos defensores da vida a responsabilidade pela morte de mulheres que se submetem a abortos clandestinos, como se alguma vez tivéssemos defendido que elas sejam abandonadas até morrerem sangrando, se algo vai mal! Usa-se o mesmo argumento hipócrita que serve para o grotesco “casamento” gay: é a criminalização ou o “preconceito” que causam o sofrimento.


UM TEA PARTY BRASILEIRO?

Esta safadeza a respeito do aborto pode ter desencadeado um movimento conservador brasileiro, algo impensável nas últimas décadas. Será?

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[i] Isto pode parecer exagero, mas veja-se a posição do bioeticista e filósofo dos direitos dos animais, Peter Singer, recentemente nomeado Diretor do Centro de Valores Humanos da Universidade de Princeton: para ele, os mais evoluídos primatas, cães e porcos são pessoas, mas seres humanos inválidos e mesmo bebês, não podem ser considerados pessoas. O bioeticista Norman Fost considera que adultos humanos com problemas cognitivos devem ser considerados “cérebros mortos” e o filósofo e bioeticista R. G. Frey considera que muitos seres humanos desabilitados deveriam substituir os primatas em experiências científicas. (Citados em When do Human Beings Begin? “Scientific” Myths and Scientific Facts).


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