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Artigos-->O ELEFANTE, OS OGM E A BUSCA DA VERDADE -- 14/03/2002 - 09:02 (Paccelli José Maracci Zahler) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
O ELEFANTE, OS OGM E A BUSCA DA VERDADE







Paccelli M. Zahler







A trajetória do homem sobre a Terra tem se caracterizado por uma busca incessante da compreensão do mundo que o cerca e de si mesmo.



Muitas perguntas continuam sem respostas e muitos mistérios permanecem sem solução.



Na sua busca pela Verdade, o homem tem vivenciado uma vasta gama de situações que promoveram o desenvolvimento da Ciência e da Tecnologia, cujos produtos podem ser usados para o Bem ou para o Mal. A energia nuclear é um exemplo disso uma vez que tanto pode ser usada em um ataque terrorista como em um hospital para o tratamento de pacientes com câncer.



Nos campos filosófico e religioso, têm surgido arautos capazes de reculutar milhares de seguidores, levá-los ao êxtase, até mesmo ao suicídio coletivo, na esperança ou ilusão de encontrar respostas para suas dúvidas, medos e ansiedades.



Atualmente, com o desenvolvimento, a comercialização e a utilização de organismos geneticamente modificados (ogm) em vários países, tem-se assistido a acirradas discussões sobre o assunto.



Desde a implantação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança-CTNBio/MCT em 19/06/96, tem havido uma profusão de seminários, audiências públicas e entrevistas de cientistas, empresas de biotecnologia, ambientalistas e políticos sobre tão importante tema.



De um lado, as empresas de biotecnologia, ligadas à agricultura, têm apresentado uma série de argumentos sobre as vantagens da utilização dos produtos geneticamente modificados por elas desenvolvidos, como maior produtividade, menor risco para o meio ambiente, a saúde humana e animal, redução no uso de agrotóxicos e, conseqüentemente, redução dos custos de produção, deixando os agricultores ávidos para utilizar os novos produtos.



Professores universitários têm destacado a necessidade de maior apoio governamental à pesquisa de ogm para que o país “não perca o bonde da História” (sic).



Cientistas renomados têm se lançado em exercícios de Futurologia prevendo a erradicação da fome no mundo, o desenvolvimento de produtos mais nutritivos, a clonagem de animais e o surgimento de produtos com aplicações na medicina.



É interessante notar que o discurso favorável tem gerado alguns “dogmas” (na realidade,clichês) repetidos incessantemente em todas as palestras, entrevistas e em publicações destinadas ao grande público como por exemplo: “foram realizados mais de 25 mil testes em mais de 60 safras em 45 países sem que nenhum risco para a saúde humana, animal e o meio ambiente tenha sido observado”; “cerca de 40 % das safras do mundo são perdidas todos os anos e a biotecnologia poderia evitar a perda”; “não existem diferenças entre os alimentos convencionais e os derivados de ogm”; “os ogm promovem menos danos meio ambiente do que as plantas convencionais”; “as pessoas tendem a temer o que não conhecem, temem o novo”; e “afirmações de que os ogm fazem mal não foram comprovadas cientificamente”.



As organizações não governamentais, dentre elas o Greenpeace, a Friends of Earth e o IDEC, têm questionado os benefícios da utilização de ogm apontando riscos para a saúde humana (surgimento de reações alérgicas, resistência a antibióticos, excesso de nutrientes na alimentação); riscos para o meio ambiente (escape gênico para plantas não transgênicas); e têm exigido a rotulagem de todos os produtos.



Para os políticos oportunistas, as opiniões desencontradas são um prato cheio, principalmente, em época de eleições como a que estamos vivendo.



Em meio a todo esse turbilhão de razões, os consumidores ficam preocupados com as conseqüências do consumo indiscriminado dos ogm e com seus possíveis efeitos colaterais.



Uma situação como essa faz lembrar a fábula hindu dos três cegos de nascença que foram levados a conhecer um elefante.



O primeiro apalpou uma presa e disse que era uma lança; o segundo agarrou a cauda e disse que era uma corda; o terceiro, por sua vez, apalpou o corpo e garantiu que era uma parede.



Os três iniciaram então uma grande discussão sobre o que era um elefante, sem abrir mão dos seus pontos de vista.



A moral da história é que, qualquer que seja o nosso ponto de vista, vemos apenas uma parte da Verdade.



A fábula dos três cegos pode ser transportada para a situação dos ogm hoje.



Até que ponto tudo o que está sendo discutido sobre ogm é verdadeiro? Até que ponto os resultados de testes feitos em países de clima temperado se aplicam a países de clima tropical? Até que ponto o interesse econômico não está prevalecendo sobre a saúde humana e animal e sobre o impacto no meio ambiente? Até que ponto os interessados e promotores da biotecnologia não estão agindo como os três homens cegos, cada um restrito ao seu ponto de vista e sem abrir mão dele? Até que ponto a vaidade humana não está interferindo na realização de estudos confiáveis que permita uma avaliação científica das vantagens e desvantagens dos ogm? Até que ponto não estamos à mercê dos “argumentos de autoridade” interessada em tirar proveito da situação?



Estas perguntas continuam sem respostas apesar dos ogm estarem no mercado mundial há cerca de seis anos.



Tendo vivido entre os anos 560 e 600 a.C., Buda recomendou a seus discípulos:



“Não acreditem em quaisquer tradições somente porque elas foram válidas em muitos países durante muito tempo. Não acreditem em algo somente porque muitos o repetem constantemente. Não acreditem em nada porque um ou outro o disse, porque se apóia na autoridade de um sábio ou porque está escrito em uma escritura sagrada. Não acreditem em nada somente porque é provável.(...) Não acreditem em nada porque a autoridade de um mestre ou de um sacerdote o recomenda. Acreditem naquilo que vocês reconhecem como correto através de longos testes, naquilo que é compatível com o seu bem-estar e com o dos outros”.



Sigamos o conselho de Buda.







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