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Ensaios-->A Queda do Muro de Berlim: 20 anos -- 09/11/2009 - 09:56 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
A Queda do Muro

L Valentin

Hoje estamos comemorando os 20 anos da queda do muro de Berlim, evento que colocou a pá de cal na revolução bolchevista de 1917 na Rússia.

A lição que fica é que o comunismo e o socialismo NÃO RESOLVEM o problema social de ninguém, antes pelo contrário, resolvem apenas os problemas da elite dirigente enquanto transforma as massas populacionais em massa mesmo. Um ajuntamento amorfo de braços escravos – sem consciência, pensamento ou liberdade - trabalhando até a morte para dar prazer, riqueza e poder à cúpula dirigente.

Nessa ocasião nada melhor que lembrar trechos do livro lançado em 1957, A Nova Classe, de Milovan Djilas, ex-dirigente do PC da Iugoslávia, que pagou caro por tê-lo escrito.

Djilas, com 17 anos, se tornou inflamado líder de estudantes radicais em Montenegro. Entrou para o minúsculo Partido Comunista da Iugoslávia e, com Tito e outros, trabalhou na ilegalidade, tendo sido jogado na prisão como conspirador. Foi solto com o advento da segunda Guerra Mundial.

Nos anos em que se desenvolveu a campanha dos guerrilheiros, tornou-se lendário por sua destemida coragem. O fim da guerra o encontrou no quadrunvirato (juntamente com Tito, Kardelj e Rankovic) que dominou o partido e o novo governo, sendo geralmente reconhecido como o herdeiro aparente de Tito. Como chefe da propaganda e da imprensa era efetivamente o ditador do pensamento da Iugoslávia.

Mas, teve a coragem de manifestar dúvidas quanto à ditadura do tipo russo e ao terror à maneira de Stalin. Os seus acirrados ataques ao Kremlin contribuíram decisivamente para a condenação de Tito por Moscou em 1948, quando a Iugoslávia rompeu com a Rússia Soviética.

Em janeiro de 1954, Djilas escreveu uma sátira particularmente franca sobre a arrogância dos círculos governamentais, que forçou Tito a agir. Ordenou que Djilas fosse privado de todos os seus cargos e proibiu-o de escrever. Alguns meses depois, Djilas foi expulso do partido. Reduzido ao silêncio em sua terra, achou meios de publicar artigos completamente francos, na imprensa ocidental. Em princípios de 1955, foi preso e condenado a 18 meses com sursis. Mal havia expirado o prazo, foi de novo preso em conseqüência da revolta húngara, sendo condenado a três anos de prisão. Julgado novamente por ter escrito A Nova Classe, foi condenado a mais sete anos.

Os sucessores de Stalin foram obrigados a revelar um lodaçal de crimes repulsivos que caracterizaram a era de Stalin—25 dos 40 anos soviéticos. Até os mais encarniçados adeptos do comunismo não podiam deixar de ver que o idealismo fora substituído pela força bruta. Os levantes na Alemanha Oriental, nos campos soviéticos de trabalho escravo, na Polônia e especialmente na Hungria, mostraram a extensão e o vigor dos descontentamentos populares. Considerados em conjunto, esses fatos geraram uma “crise de consciência” em milhões de comunistas e simpatizantes dos dois lados da Cortina de Ferro. Perguntavam eles em voz alta e ainda mais no íntimo dos seus pensamentos por que foi que o sonho comunista se transformou no pesadelo soviético.

Milovan Djilas fornece algumas explicações significativas. A sua devastadora conclusão é que males como o terror dos expurgos, o trabalho escravo, o controle das consciências, decorrem inevitavelmente da ideologia comunista. Diz ele que quando o comunismo alcança a vitória tem de produzir “uma nova classe de proprietários e exploradores, formada por aqueles que têm privilégios especiais e prioridade econômica em virtude do monopólio administrativo que exercem”.

O mal básico do regime, em sua opinião, é que o mesmo grupo tem nas mãos “um monopólio da propriedade, da ideologia e do governo. O monopólio que a nova classe exerce em nome da classe trabalhadora sobre toda a sociedade é essencialmente um monopólio sobre a própria classe trabalhadora... É uma classe cujo poder sobre os homens é o mais completo que a história conhece... Havendo conseguido a industrialização, a nova classe nada mais pode fazer senão consolidar a sua força bruta e saquear o povo. Ela cessa de criar... O seu método de controle é dos mais vergonhosos da história. Os homens se assombrarão com as aventuras empreendidas e se envergonharão com os meios empregados para empreendê-las. Quando a nova classe se afastar da cena histórica—e isso deve acontecer—haverá menos tristeza com o seu desaparecimento do que houve em relação a qualquer outra classe precedente.”

Djilas mostra que quase não resta margem para a decência individual. As pessoas “que aceitavam as idéias e as divisas da revolução ao pé da letra, acreditando ingenuamente na sua concretização, são habitualmente eliminadas”.

“No regime comunista a insegurança é a regra de vida para o indivíduo. O Estado lhe dá oportunidade de ganhar a vida, mas sob a condição de submeter-se... O poder ou a política é o ideal daqueles que têm o desejo ou a perspectiva de viver como parasitas à custa dos outros... Em conseqüência disso, a ambição sem escrúpulos, a bajulação e a inveja inevitàvelmente aumentarão. A ambição de fazer carreira e uma burocracia cada vez mais vasta são as moléstias incuráveis do comunismo.

O mundo tem visto poucos heróis tão dispostos ao sacrifício e ao sofrimento como foram os comunistas antes da revolução e durante a mesma. E provavelmente nunca viu indivíduos tão sem caráter como eles se tornaram depois que subiram ao poder.”

“A doença de que está atacada a economia Soviética não pode ser curada sem o único remédio que a oligarquia não tem coragem de ministrar—a liberdade. Nos termos mais simples da saúde econômica o problema insolúvel do comunismo é a “ausência de liberdade”.

“A tirania sobre o espírito” sob o comunismo: “É o tipo mais brutal de tirania; todas as outras tiranias começam e terminam por ela. A história perdoará os comunistas de muita coisa. Mas o estrangulamento de todos os pensamentos discrepantes com o objetivo de defender os seus interesses pessoais os pregará numa cruz infamante.”

O povo: “Os regimes comunistas são uma forma de guerra civil latente entre o governo e o povo. O espontâneo e não organizado descontentamento das massas populares nunca cessa nem diminui. A menos que desistam do poder, os governantes não terão outro recurso senão proceder como conquistadores estrangeiros na sua própria terra. Na superfície tudo parece tranqüilo, mas abaixo da superfície novas tempestades se preparam”... “Nenhum outro regime provocou ainda tão profundo e extenso descontentamento... um descontentamento total em que todas as diferenças de opinião pouco a pouco se perdem, salvo o desespero e o ódio. A insatisfação espontânea de milhões com os detalhes da vida quotidiana é uma forma de resistência que os comunistas não têm conseguido dominar.”

A atualidade (1957): “A idade heróica do comunismo passou, a época dos seus grandes líderes terminou. O comunismo está no auge do seu poder e da sua riqueza, mas sem novas idéias. Nada tem de novo para dizer ao povo. O processo de desintegração moral está bem adiantado. A unidade do movimento comunista mundial está incuravelmente ferida. Não há absolutamente possibilidades de que se restaure.”

Djilas acredita que o comunismo se opõe à tendência do resto do mundo e que portanto, o seu colapso é inevitável: “... o mundo seguirá o rumo em que vem vindo e deve continuar—no sentido de maior unidade, progresso e liberdade. O poder da realidade e o poder da vida sempre foram mais vigorosos do que qualquer espécie de força bruta e mais reais do que qualquer teoria.”

O “eixo do mal” formado agora - 20 anos depois da queda do muro e mais de 50 anos depois de Djilas - é comunista. A “Nova Classe” liderada por Lula contrariando Djilas, descobriu como contornar o descontentamento do povo e se firmar de uma forma espetacular. Sem mais nenhum comentário.

L Valentin

08/11/09


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