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Artigos-->O PERIGO RONDA A UNIVERSIDADE -- 04/03/2013 - 15:41 (Délcio Vieira Salomon) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
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O PERIGO RONDA A UNIVERSIDADE

Délcio Vieira Salomon

Diante da explosão (mais do que crescimento!) da universidade temo que como casa da inteligência e da formação de lideranças para a sociedade esteja a definhar. Como militante do movimento docente (MD), participante da fundação da ANDES-SN (Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior, mais tarde transformada em Sindicato Nacional) e da APUBH (Associação dos Professores da UFMG), nascida justamente nos porões da FAFICH no início da década de 70), como a maioria de meus colegas fundadores dessas entidades, fui sempre contra o elitismo na universidade.

Por outro lado, jamais passou pela minha cabeça e, creio, nas dos demais militantes do MD, que a Universidade crescesse em direção à demagogia (fruto do excessivo democratismo que tomou conta de nossas universidades públicas). Posso estar equivocado, mas os sinais apontam para esta direção.


Comecei a percebê-los desde o momento em que o PT, via CUT, começou a tomar conta do MD e pouco a pouco das instâncias decisórias da comunidade universitária. Para alguém como eu que fez do magistério opção de vida e, neste momento expõe com franqueza, suas preocupações, há necessidade de apontar algumas contradições estranhas, mais do que curiosas, no quadro apontado.
Independente da perseguição imposta pelos militares no poder, diria mesmo antes de 64, não sei se por dominar o conservadorismo ou concepção de uma universidade do tipo medieval ainda perdurar na mentalidade de nossos dirigentes universitários, o fato é que quando surgiu nossa Associação dos Professores o fato causou espécie. Muitos estranharam a “coragem” de nós professores querermos ocupar um espaço antes reservado apenas às instâncias de poder já institucionalizadas. A referida estranheza, contudo, não foi maior, porque até o aparecimento do MD, a universidade como um todo não se permitia a influência da política em suas estruturas. Digo como um todo, porque em certas unidades havia a dominância de determinado partido político. Por exemplo: até o final de década de 50, a Faculdade de Direito era dominada pela UDN (de Milton Campos, Pedro Aleixo, Orlando de Carvalho, Alberto Deodato, para lembrar os principais próceres), mas sem proselitismo político. Basta lembrar que minha turma já no primeiro ano começou movimento, através do DA, para derrubar aquela hegemonia, o que, de fato, conseguiu.


Não me lembro, por exemplo, ter havido apoio público da Reitoria da UFMG (não do reitor como pessoa) a um candidato à presidência, tal qual ocorreu quando da candidatura de Lula(na reeleição) e mais tarde de Dilma. Para mim, de fora, como professor e ex-diretor da FAFICH, a atitude do reitor e as manifestações internas da UFMG causou mal-estar. Sou dos que defendem a universidade inserida na comunidade que com ela convive e dela depende por causa da produção do saber, da formação de seus quadros e futuros dirigentes que levarão para o meio de atuação as armas da transformação social.


Enfim a autêntica universidade não pode alienar-se da sociedade, nem seus grupos de excelência e seus pesquisadores podem enclausurar-se em torre de marfim e lá do alto ficar apenas contemplando a sociedade. Mas entre esta postura e a de coparticipante de determinado partido político há um abismo e é triste ver que muitos de nossos dirigentes universitários não percebem o perigo que seus compromissos plantam para o futuro.


Posso estar equivocado, mas quando vejo no noticiário, medidas impositivas provindas do governo federal, sem nenhuma contestação das instâncias superiores da universidade (conselhos universitários sobretudo), sou levado a acreditar que está sendo fortemente prejudicial á Universidade esta conivência, que vai desde a omissão e o silêncio até as manifestações públicas de apoio àquelas medidas. O conflito ideológico entre conservadores e progressistas sempre haverá no seio da universidade e lhe é salutar, mas a superação desse conflito não pode significar abrir as portas da universidade para o populismo e a demagogia nela prenetrarem.


Uma pergunta me cala até hoje, sem ter resposta: - por que até hoje não foi criado o ministério de educação superior, velha reivindicação de todos quantos lutamos para uma universidade pública, autônoma, gratuita e laica? Talvez, se criado, serviria, no mínimo de suporte para decisões corretas advindas da Presidência da República.
 

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