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Ensaios-->O risco de secessão -- 28/07/2009 - 10:54 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
O risco de secessão

Osmar José de Barros Ribeiro

27 Jul 2009

No dia 06 de junho do corrente ano entraram em choque, na Amazônia Peruana, indígenas e forças policiais. Houve mortos e feridos de ambos os lados, clara demonstração de que o poder ofensivo dos contendores era, no mínimo, semelhante. As baixas governamentais foram fartamente anunciadas nos meios de comunicação internos enquanto, no exterior, a ênfase era dada às havidas entre os índios.

O conflito teve origem na divergência criada por decretos presidenciais baixados em 2008, buscando facilitar a exploração econômica de 60% da área amazônica. Em sequência, buscando solucionar o impasse, o Congresso peruano optou pela suspensão dos decretos, bem como criou a exigência de que, no futuro, quaisquer medidas de teor igual ou semelhante, devam ser submetidas à apreciação das organizações indígenas da área posto que hoje, diferentemente do que acontecia no passado, realizar atividades que de uma ou outra forma impliquem no envolvimento da população local, impõe a criação de sistemas compensatórios.

Na verdade, o incidente vem deixar à mostra um objetivo que, a cada dia, torna-se mais claro: a divisão dos países da América do Sul em nações do menor tamanho possível. E, caso seus habitantes considerem-se inimigos, melhor ainda! Verifica-se, graças principalmente à ação deletéria de organizações internacionais, o lento mas constante crescimento de um sentimento de protesto (que poderíamos chamar de político), paralelamente à afirmação da identidade étnica, por parte dos nativos de diferentes regiões e países.

Grosso modo, abstraindo as divisões étnicas e as diferenças culturais, dois grandes grupos indígenas são encontrados na América do Sul: os que habitam a região andina e aqueles que vivem nas grandes bacias hidrográficas. Os primeiros, herdeiros de uma florescente civilização que encontrou seu fim nas mãos do conquistador espanhol, ainda hoje guardam a lembrança de uma história gloriosa que se vai esmaecendo com o passar do tempo. Os segundos, mal passados do Período Neolítico, não possuem tal memória e os atuais ativistas esforçam-se, com o indispensável auxílio alienígena, por criar ou reviver tradições baseadas em conhecimentos primários, em geral ligados ao primitivismo da vida na selva.

Hoje, entre os andinos, por força da reação surgida contra uma colonização que se fez estratificada em classes sociais, os grupos indígenas consideram-se aimarás, quíchuas, etc., antes de equatorianos, peruanos ou bolivianos. Isto posto, o conceito ocidental de nação vai se esgarçando entre eles, na medida em que passam a considerar-se nações, entidades políticas à parte do todo ao qual pertencem. O caso mais evidente vamos encontrá-lo na vizinha Bolívia, onde um presidente de ascendência aimará pretende, constitucionalmente, criar uma nação pluriétnica.

No Brasil, o mesmo começa a acontecer. Por força de uma ação coordenada entre o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), contando com o integral apoio da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) - vale dizer do governo federal – e de acordo com a letra fria de uma Constituição pródiga em direitos e avara em deveres, já se fala na formação de uma “nação guarani”, abrangendo terras do sul do Brasil, Uruguai, norte da Argentina, todo o Paraguai e o sudeste da Bolívia, numa, esperamos que infrutífera, tentativa de ressuscitar os chamados Sete Povos das Missões. E, assinalando a necessidade de união entre os diferentes grupos indígenas, no site www.guarani-campaign.eu, elaborado pelo CIMI, encontramos a seguinte “pérola”:

POVO GUARANI

Em todos os 500 anos de resistência à colonização, a experiência de resistência mais marcante na história Guarani foi sem dúvida a realizada dentro das Missões Jesuítas. Chamada por alguns historiadores de República Comunista Cristã Guarani, as missões foram definidas pelo filósofo francês Voltaire como “um verdadeiro triunfo da Humanidade”.

Foi no início do século XVII que os Guarani deixaram de enfrentar isoladamente as expedições chamadas de bandeiras que destruíam suas aldeias, os matavam aos milhares e os escravizavam, e passaram a se agrupar nas missões criando mais força e organização no enfrentamento.

“Em todos os 500 anos”... Mais que tudo, esse simples trecho bem diz da idéia alimentada e difundida por seus autores: não à integração, sim à separação! Por quê? Em benefício de quem? A resposta será encontrada por todos aqueles que examinarem as razões que levaram, primeiro, à criação da Reserva Ianomâmi e, ao depois, à da Raposa-Serra do Sol.

Parece que malhamos em ferro frio, tal o desinteresse mostrado pela maior parte das pessoas em relação a um problema para o qual uma solução deverá ser encontrada sem tardança. E, perdoem-nos os constitucionalistas, mais importante que cláusulas impostas na Carta Magna por interesses excusos, está a Unidade Nacional. Entendamos, de uma vez por todas, que antes de sermos brancos, negros, índios, mulatos, amarelos ou o que seja, somos, acima de tudo, brasileiros!


ANEXO:

Argentina – População: 42.000
Grupos: Mbya e Ava Guarani

Fonte: Endepa – Equipe de Pastoral Aborígine Argentina


Bolívia – População: 80.000
Grupo: Chiriguano

Fonte: Estimativa feita pela Assemblea del Pueblo Guarani (APG), entidade que representa diretamente as mais de 300 comunidades Guarani na Bolívia


Brasil – População: 50.000
Grupos: Kaiowá (Pãi-Tavyterã); Mbya; Nhandéva ou Chiripá

Fonte: Estimativa feita pelo Conselho Indigenista Missionário a partir de dados apresentados pela Fundação Nacional de Saúde


Paraguai – População: 53.500
Grupos: Kaiowá (Pãi-Tavyterã); Avá Katú; Mbya; Aché; Guarani Ocidentais, Nhandéva

Fonte: Censo Nacional Población y Vivienda del Paraguay dados coletados no ano de 2002


Uruguai – Os Guarani frequentam seu tekoha, mesmo sem o reconhecimento do Estado.


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