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Artigos-->AINDA HÁ ESPERANÇA? -- 02/02/2013 - 15:36 (Délcio Vieira Salomon) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
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AINDA HÁ ESPERANÇA?


Délcio Vieira Salomon


Na Folha de São Paulo de 30/01/2013 há um artigo de Boaventura de Sousa Santos : “A democracia ante o abismo”. Nele o notável sociólogo examina sucintamente a crise em Portugal, em cujo contexto frisa a dicotomia: fascismo social versus democracia política.


Ao se referir ao desmantelamento do Estado do Bem – Estar Social através de certas privatizações, aponta: “estamos a entrar numa sociedade politicamente democrática, mas socialmente fascista, em que as classes sociais mais vulneráveis verão as suas expectativas de vida dependerem da benevolência e, portanto, do direito de veto de grupos sociais minoritários, mas poderosos. O fascismo que emerge não é político, é social e coexiste com uma democracia de baixíssima intensidade.(...) A direita no poder não é homogênea, mas nela domina a facção para quem a democracia, longe ser um valor inestimável, é um custo econômico e o fascismo social é um estado normal”.


Como a estar já diante do abismo, nos deixa frase lapidar: “Esperar sem esperança é a pior maldição que pode cair sobre um povo” . Segundo ele, a esperança não se inventa, constrói-se com alternativas à situação presente, a partir de diagnósticos que habilitem os agentes sociais e políticos a ser convincentes no seu inconformismo e realistas nas alternativas que propõem.


Diante de seu texto não há como não pensar no Brasil e logo surgem as comparações, em que predominam mais as semelhanças do que as diferenças. Tanto Portugal como o Brasil tentaram reconstruir a democracia depois de duros regimes ditatoriais. Se Boaventura aponta em Portugal a existência de um fascismo social a enfraquecer a democracia, vejo o mesmo fenômeno no Brasil, ainda que disfarçado. No âmago desse quadro, merece destacar os quatro pontos que deveriam nortear a vida política nas próximas décadas:


1)Para a esquerda a democracia representativa de raiz liberal é hoje incapaz de garantir, por si, as condições de sua sustentabilidade. A concentração do poder econômico e financeiro nas mãos de poucos não o permite. A indagação do autor é sintomática: Por que há dinheiro para resgatar bancos e não há para resgatar famílias? Há necessidade de complementar a democracia representativa com a democracia participativa (orçamentos participativos, conselhos de cidadãos). Paradoxalmente aqui no Brasil o PT defendeu o orçamento participativo, mas só para os municípios em que andou governando, mas tão acanhadamente que não se vê resultado convincente. Por que não o implantou na esfera federal?


2)Crescimento só é desenvolvimento quando for ecologicamente sustentável e quando contribuir para democratizar as relações sociais em todos os domínios da vida coletiva (na empresa, na rua, na escola, no campo, na família, no acesso ao direito).


3) Só o Estado do Bem-Estar Social forte torna possível a sociedade do bem-estar forte. A filantropia e a caridade são politicamente reacionárias quando, em vez de complementar os direitos sociais, se substituem a eles. As “bolsas” implantadas pelo PT apontam para esse viés!


4) A diversidade, cultural, sexual, racial e religiosa deve ser celebrada e não apenas tolerada.


Ainda dentro da comparação Brasil e Portugal, sou levado a constatar que a bandeira do PT indiretamente apontava para este paradigma do Estado do Bem-Estar Social, mas, o PT, uma vez no poder, conspurcou esta bandeira, trocando-a pelo farrapo ideológico da direita, que só vê no poder fonte de enriquecimento seja este lícito ou ilícito. Diante de nosso futuro, sinto brotar o amargo travo na garganta: - Será que ainda há esperança?
 

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