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Ensaios-->Memorial do Comunismo: Genocídio na Ucrânia -- 12/06/2008 - 10:07 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Genocídio na Ucrânia

Holodomor na Ucrânia - da negação ao reconhecimento

Holodomor ou Golodomor (em ucraniano: & 1043;& 1086;& 1083;& 1086;& 1076;& 1086;& 1084;& 1086;& 1088;) é o nome atribuído à fome de caráter genocidário, que devastou o território da República Socialista Soviética da Ucrânia (integrada na URSS), durante os anos de 1932 - 1933. Este acontecimento representou um dos mais trágicos capítulos da História da Ucrânia, devido ao enorme custo em vidas humanas. O ápice do Holodomor foi na primavera de 1933. Naquela altura, na Ucrânia, a cada minuto morriam 17, cada hora - 1000, cada dia – 25 mil pessoas... Segundo os dados de peritos, durante o Holodomor o povo ucraniano perdeu de 8 a 10 milhões de vidas.

Esses milhões de Ucranianos não morreram de causas naturais mas em consequência de uma política deliberada e desumana, concebida para punir os Ucranianos pela sua resistência e oposição à opressão política e econômica da União Soviética e à russificação espiritual (religiosa e cultural), incluindo a coletivização forçada da agricultura, a destruição da religião, cultura e ciência ucranianas.

Essa tragédia espanta não tão somente pelo número de suas vítimas, principalmente entre as crianças. Espanta, antes de tudo, pelo frio, criminoso e insistente silenciamento, negação do acontecido, motivados por princípios ideológicos e políticos. Os ucranianos assassinados nunca foram reconhecidos pelo regime comunista como vítimas do terror político.

Durante o verão de 1933, presidente do governo ucraniano no exterior sr. Oleksander Chulhin dirigiu-se à Liga das Nações, alertando o órgão sobre a tragédia e pedindo, em nome de toda comunidade ucraniana no exterior, para fazer sua correta avaliação político-juridica. Mas URSS rejeitou as ofertas de auxílio humanitário de várias entidades.

Atualmente, existe numerosa documentação contemporânea aos acontecimentos.
A posição da comunidade acadêmica
Em 1984, depois de uma campanha promovida pela comunidade ucraniana dos E.U.A., as duas câmaras do Congresso aprovaram a constituição da Comissão de Inquérito dos E.U.A Sobre a Fome da Ucrânia, sob a direção do professor da Universidade de Harvard James Mace.

No relatório final, apresentado em 1990 ao subsecretário da O.N.U. para os Direitos Humanos e ao Presidente da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, a Comissão anunciou as seguintes conclusões:

· existiu uma fome artificial na Ucrânia entre Agosto - Setembro de 1932 e Julho de 1933;

· a fome foi imposta ao povo ucraniano pelo regime soviético, tendo causado um mínimo de 4,5 milhões de mortes na Ucrânia, além de 3 milhões de vítimas noutras regiões da U.R.S.S.


Obs.: Texto recebido de Ênio José Toniolo (F.M.).


***

Comunista come criancinha. Culpa? Da Igreja ortodoxa!...

Félix Maier

O filme Evilenko, dirigido por David Grieco, trata da história do Monstro de Rostov, em que Andrei Romanovic Evilenko ficou famoso por violentar, assassinar e devorar 55 crianças e adolescentes em várias cidades da Rússia, durante um período de 5 anos. Segundo o filme insinua, tal procedimento psicótico foi resultado da Perestroika iniciada por Gorbachev, em que o comunista ficou perdido ideologicamente, sem saber como sobreviver aos novos tempos. O resultado foi o comunista comer criancinha, uma atrás da outra.

Mas não é sobre este fato bizarro que aqui pretendo me deter. Apenas vou fazer uma transcrição de um trecho de “Arquipélago Gulag”, de Alexandre Soljenítsin, em que ele fala sobre a fome que assolou na Rússia, em que pais comiam seus próprios filhos. Ou seja, não é de todo fantasiosa a frase “comunista come criancinha”, que o próprio Kruschev uma vez quis desmoralizar um presidente americano, repetindo em público a famosa frase.


Vejamos como comunista comia criancinha na antiga Rússia revolucionária e a culpa, obviamente, não era dos 'comissários do povo', porém da Igreja Ortodoxa:


“No fim da guerra civil, e como sua conseqüência natural, abateu-se sobre a região do Volga um ano de fome como nunca se tinha conhecido. Como isso não adorna muito a coroa de glória dos vencedores desta guerra, falam sobre ele entre os dentes e sem ir além de duas linhas. E no entanto essa fome chegou até ao canibalismo, até aos pais comerem os seus próprios filhos. Nunca uma fome assim tinha sido conhecida na Rússia, nem sequer no ‘Tempo dos Tumultos’ (*) (então, como testemunham os historiadores, os cereais mantinham-se debaixo da neve durante vários anos, sem serem colhidos). Um só filme sobre essa fome poderia projetar uma luz nova sobre tudo o que vimos e tudo o que sabemos acerca da Revolução e da guerra civil. Mas não há nem filmes, nem romances, nem estudos estatísticos – é algo que se procura esquecer, que não embeleza. Além disso, a causa de qualquer fome, é costume fazê-la recair sobre os kulaks. Mas quando a fome era geral, onde estavam os kulaks? V. G. Korolenko, nas suas Cartas a Lunatchárski (**), que contrariamente à promessa deste último nunca se publicaram entre nós, explica-nos as razões da fome e da ruína completa do país: elas residem na queda de toda a produtividade (as mãos trabalhadoras encontram-se ocupadas com as armas) e na perda da confiança, da esperança do camponês de poder ficar com uma parte da sua colheita para si, por menor que fosse. Mas algum dia alguém falará daqueles fornecimentos de intermináveis vagões de víveres enviados durante meses, em aplicação ao tratado de paz de Brest-Litóvski, pela Rússia, privada de vozes de protesto, mesmo das regiões que a fome ia devastar, para a Alemanha do Kaiser, que travava no ocidente os últimos combates.

Da causa ao efeito a cadeia era curta: se os habitantes do Volga comiam os seus filhos era porque nós não tínhamos outra preocupação que não fosse a de dissolver a Assembléia Constituinte.

Mas a genialidade dessa política consistia em obter êxitos a partir da própria desgraça popular. E, num golpe de inspiração, de uma só cajadada matam-se dois coelhos: que sejam agora os padres a alimentarem a região do Volga! Não são eles cristãos e bondosos?
1) Se recusam, culpamo-los de toda essa fome e esmagamos a Igreja;
2) se concordam, limpamos os templos;
3) e, num caso ou noutro, aumentamos a reserva de divisas.

Provavelmente esta idéia foi suscitada por atos da própria Igreja. Como indica o Patriarca Tíkhon, logo em agosto de 1921, quando começou a grassar essa fome, a Igreja criou comitês diocesanos e pan-russos de ajuda aos famintos, começando a angariar dinheiro. Mas permitir uma ajuda direta da Igreja às bocas esfomeadas seria minar a ditadura do proletariado. Os Comitês foram proibidos e o dinheiro confiscado a favor do Tesouro Público. O patriarca fez apelo à ajuda do papa em Roma e do deão de Canterbury, mas ainda aí lhe cortaram a iniciativa, esclarecendo-o de que só o poder soviético estava autorizado a entabular conversações com estrangeiros, e de que não era necessário semear alarma: segundo o que escreviam os jornais, as autoridades tinham todos os meios para acabar com a fome.

Entretanto, na região do Volga comiam-se ervas e solas de sapato, chegando a roer-se as ombreiras das portas. E finalmente, em dezembro de 1921, o Comitê do Estado de Ajuda às Vítimas da Fome propôs à Igreja que oferecesse os seus bens aos famintos – não todos, de resto, mas apenas aqueles que não eram canonicamente imprescindíveis para os serviços religiosos. O patriarca manifestou o seu acordo e o Comitê do Estado de Ajuda às Vítimas da Fome elaborou as instruções: todas as ofertas deviam ser voluntárias! Em 19 de fevereiro de 1922 o patriarca lançou uma mensagem autorizando todos os conselhos paroquiais a oferecer objetos que não fossem indispensáveis aos ofícios religiosos.

E assim tudo corria de novo o risco de dissolver-se no compromisso e enredar a vontade proletária, como tinha noutros tempos sido tentado com a Assembléia Constituinte e como era costume em todos os parlatórios da Europa.
Uma idéia eclodiu num relâmpago! Uma idéia, isto é: um decreto! Um decreto do Comitê Executivo Central de Toda a Rússia, datado de 26 de fevereiro: confiscar todos os valores dos templos para os famintos.

O patriarca escreveu a Kalínin, mas este não respondeu. Então, em 28 de fevereiro, o patriarca publicou uma nova e fatídica mensagem: do ponto de vista da Igreja, semelhante ato constitui um sacrilégio, e nós não podemos aprovar o confisco.

A meio século de distância, é fácil hoje censurar o patriarca. Naturalmente, os dirigentes da Igreja cristã não deviam ter-se agarrado a objeções do gênero de saber se o poder soviético não tinha outros recursos, ou quem é que tinha levado a região do Volga à fome; não deviam ter-se agarrado a essas riquezas, pois não era em absoluto delas que havia de surgir (se havia) a nova firmeza na fé. Mas é preciso ter em mente a situação desse desgraçado patriarca, eleito já depois de outubro, que dirigia a Igreja há poucos anos, uma Igreja que só tinha conhecido a repressão, as perseguições, os fuzilamentos, e que lhe tinha sido confiada com a missão de a salvaguardar.

Então os jornais lançaram uma campanha contra o patriarca e todos os altos dignitários da Igreja, acusando-os de estrangularem a região do Volga com a mão descarnada da fome! E quanto mais se obstinava com firmeza o patriarca, mais fraca se tornava a sua posição. Em março desenhou-se um movimento entre o clero no sentido de ceder os valores e de chegar a acordo com o poder. Os receios que ainda subsistiam foram expressos a Kalínin pelo Bispo Antonin Granóvski, que tinha passado a fazer parte da Comissão Central do Comitê do Estado de Ajuda às Vítimas da Fome: ‘Os crentes têm receio de que os valores da Igreja possam ser utilizados para outros fins, pra fins mesquinhos e alheios aos seus corações’. (Conhecendo os princípios gerais da doutrina de vanguarda, o leitor experiente concordará em que isso era muito provável, já que as necessidades do Komintern e do Oriente, que se libertava, não eram menos agudas do que as da região do Volga.)

O metropolita de Petrogrado, Veniámin, foi tomado também de um arrebatamento que não podia ser posto em dúvida: ‘Isto é de Deus, e nós daremos tudo. Mas não é necessário fazer confiscos, a oferta deve ser voluntária”.

(...) Veníamin anunciou: ‘A Igreja Ortodoxa está disposta a tudo dar em ajuda dos famintos, considerando como um sacrilégio apenas o confisco pela violência’.

(...) O jornal Pravda de Petrogrado, a 8, 9 e 10 de março (***), confirma a conclusão pacífica e com êxito das conversações e escreve benevvolentemente, referindo-se ao metropolita: ‘No Smólni chegou-se a acordo em que os cálices e os revestimentos dos ícones sejam fundidos em lingotes, na presença dos crentes’.

Mas de novo se está tramando um compromisso! Os vapores envenenados do cristianismo empeçonham a vontade revolucionária. Tal união e tal entrega dos valores não são necessários aos esfomeados da região do Volga! É substituída a equipe invertebrada do Comitê do Estado de Petrogrado de Ajuda às Vítimas da Fome, os jornais lançam ofensas contra os ‘maus pastores’ e contra os ‘príncipes da Igreja’, esclarecendo os seus representantes: ‘Não precisamos de nenhum dos vossos sacrifícios! Nem de ter quaisquer conversações convosco! Tudo pertence ao poder e ele tomará conta do que considerar necessário’.
E começou em Petrogrado, como em todos os outros lugares, o confisco pela força, que deu origem a incidentes graves.
Agora havia fundamentos legais par dar início aos processos religiosos (****).

(*) Período que vai da morte de Boris Godunov (1605) até a ascensão do primeiro Romanov (N. do T.).

(**) Paris, 1922, e samizdat, 1967.

(***) Artigos ‘A Igreja e a fome’ e ‘Como serão confiscados os bens da Igreja’ (N. do A.).

(****) Esses dados foram por mim colhidos do livro Ensaios sobre a história dos tumultos religiosos, de Anatóli Levítin, Parte I, samizdat, 1962, e das Notas de interrogatório do Patriarca Tíkhon, tomo 5 dos atos do processo judicial (N. do A.)”.
(Arquipélago Gulag, de Alexandre Soljenítsin, Difel, São Paulo, 1975, pg. 331 a 335).


Obs.:

Samizdat - Sistema de contrabando de manuscritos de intelectuais soviéticos para o Ocidente. Às vezes, a própria KGB estava por trás desses contrabandos, recebendo elevadas somas de dinheiro por obras proibidas na União Soviética que eram publicadas no exterior. Nesses casos, os manuscritos eram confiscados das residências dos dissidentes e remetidos ao Ocidente à revelia do autor. Em 1967, 3 livros sobre expurgos e campos de concentração tinham sido contrabandeados para o Ocidente: “Tempestade de Areia”, de Galina Serbryakova, “A Casa Abandonada”, de Lydia Chikovskaya, e “Uma Jornada ao Furacão”, de Evgenia Ginzburg (Félix Maier).


P.S.:

“Churrasquinho chinês” - Durante a Revolução Cultural chinesa, muitos condenados à morte tinham seus corpos retalhados, assados e comidos. “Num massacre famoso, na escola de Mushan em 1968, na qual 150 pessoas morreram, vários fígados foram extirpados na hora e preparados com vinagre de arroz e alho” (“Canibais de Mao”, in revista Veja, 22 de janeiro de 1997, pg. 48-49). Essa prática de canibalismo se tornou corriqueira, no período de 1968 e 1970, quando centenas de “inimigos do povo” foram devorados em Guangxi, conforme pesquisas de Zheng Yi. O trabalho de Zheng Yi, dissidente exilado nos EUA desde 1992, resultou no livro “Scarlet Memorial – Tales of Cannibalism in Modern China” (Memorial Escarlate – Histórias de Canibalismo na China Moderna). Na mesma época, havia um tipo de tortura sui generis: alguns presos, ainda vivos, tinham seus órgãos sexuais (pênis e testículos) arrancados, assados e comidos, como consta no mesmo artigo de Veja: “Wang Wenliu, maoísta promovida a vice-presidente do comitê revolucionário de Wuxuan durante a Revolução Cultural, especializou-se em devorar genitais masculinos assados”. Não é de admirar que os chineses ainda hoje se refestelem – além de baratas untadas em chocolate – com fetos humanos. Garantem que o feto de um primogênito é mais gostoso, por ser mais consistente (Cfr. os endereços http://la3.blogspot.com/ e http://en.epochtimes.com/news/7-3-29/53482.html). Bom apetite!!! (F.M.)



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