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Ensaios-->A Revolução de 31 de março de 1964 -- 03/04/2008 - 09:07 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Caros do Grupo,

Anexo estou lhes repassando o texto “A Revolucao de 31 de Marco de 1964” do Gen Div Ulisses Perazzo Lanne.

Trata-se do resumo da palestra alusiva à Revolução de 31 de Março de 1964 proferida ontem pelo General Lannes, no Salão Nobre do Clube Militar, para uma seleta platéia de 320 pessoas, constituída de autoridades militares e civis, estudantes e convidados. Ao final, diante da excelência da apresentação, o General Lannes foi demoradamente aplaudido, de pé, por todos os assistentes. O presente texto estará publicado na próxima Revista do Clube a ser distribuída no mês corrente.

É um texto histórico, que retrata uma época que trouxe importantes mudanças para o Brasil, mas que também produziu suas seqüelas, as quais pelo que se observa ainda hoje, não foram fechadas, de um lado existe um anseio pelo revisionismo, inclusive com propostas desonestas de se reescrever a nossa história, alterando fatos e desconsiderando evidências, indo ao limite de, até mesmo, falsearem fatos e a consciência dos mais antigos, para embasar uma ideologia que alimentou as maiores tragédias que a humanidade já produziu e que o polêmico Olavo de Carvalho tanto se esforça para os brasileiros não venham a esquecer ou ignorar.

Falhas no texto

O texto omite ou descondera a mudança havida na trajetória da Revolução de 31 de Março, esta que teve um “breakpoint”, sendo identificadas por historiadores e jornalistas como o marco da mudança duas datas significativas, o dia 19 de março de 1967, domingo, com o discurso com que o presidente Castelo Branco se despediu do País em reunião ministerial — a última reunião de seu governo, que terminou no dia 15 de março (de 1967) quando se encerrou a fase dir-se-ia risonha do processo contra-revolucionário brasileiro.

Os aplausos múltiplos endereçados ao Marechal Costa e Silva e o silêncio que cercou a saída do Marechal Castelo Branco traduziam a esperança de largas camadas da população em que dias melhores viriam. Mas a esperança não pode ser confundida com a realidade dos fatos, nem os aplausos tomados como determinantes de uma conduta governamental. É que, embora a esperança e os aplausos tenham dado o conteúdo humano à pompa e circunstância que cercaram a posse do Marechal-Presidente, pairava no ar uma angústia indefinida e indefinível. O que de fato ocoria, se decidiu editar o Ato Institucional nº 5.

Neste cenário Castelo Branco assegurou que se fizesse uma nova Constituição (que entrou em vigor no dia em que transmitiu o poder a Costa e Silva). Essa Constituição foi elaborada pelo Congresso sem qualquer pressão do Executivo; diria mesmo que até desafiando, em alguns de seus artigos aprovados (os que definiam as garantias e direitos individuais), o pensamento de muitos dos que cercavam o presidente no Planalto.

Cenário mundial

O mundo estava polarizado, sabia-se que em termos mundiais se travava então uma contra-ofensiva, posta em prática com múltiplas frentes pelos governos da União Soviética, da China e da Albânia, quando se intensificaram as ações terroristas e desestabilizadoras levadas a termo, principalmente com vastos recursos disponibilizados por estes países a grupos que atuavam no Brasil. A esta contra-ofensiva, muitos países da América Latina, liderados pelo Brasil, principalmente pela liderança que o nosso país conquistou no Império e manteve em razão de sua história e de seu tamanho, contando com o apoio de países como os Estados Unidos, que de certa forma temiam também na América Latina se desenvolvessem movimentos guerrilheiros similares aos que ocorriam no Sudeste Asiático.

A radicalização ou a necessidade de se por em prática um pulso forte se deu, no meu entender, devido ao fato do Brasil e outros países da América Latina serem alvo da disputa entre os dois grandes blocos em confronto latente, no período em que o império soviético ainda se mantinha forte graças a exploração de seus satélites e a tecnologia ainda poderia ser disputada com os Estado Unidos.

Vejo que tais fatos são de certa forma desconsiderados, em especial pela esquerda que desta forma sustenta que a Revolução de 31 de Março foi uma ação única, desconsiderando todos os fatos que ocorreram entre 1961 e 1964, de como a sociedade brasileira estava sendo manipulada por forças políticas que tinham o objetivo de tomar o poder e submeter o Brasil ao controle soviético. Hoje posam como hipócritas ou vítimas, ou os dois.

Desconsideram as duas ou múltiplas fases do regime militar, pois desta forma a sociedade não se submete a reflexão sobre a sucessão dos fatos e identifica as inconsistências nas propostas e afirmações da atual esquerda, que através do Foro São Paulo se articula para conseguir seus intentos décadas depois, agora subordinados a uma ideolgia 'renova' pela teoria e metodologia bolivariana, sustentada pelos petrodólares.

Considerar o período que estivemos sob um regime de exceção como algo único é oportuno às esquerdas, pois se sustenta que foram vítimas, que houve a intervenção dos Estados Unidos, que ... Mas esta é uma atitude desonesta das esquerdas, em especial com todos os militares, pois os transformam em algozes e não o que efetivamente foram, a linha de frente a todas as ameaças, às quais os brasileiros foram submetidos, inclusive o poder de influência dos Estados Unidos e desconsideram os fatos e o clima de desestabilização política que o Brasil viveu nos anos de 1961 a 1964, a conjuntura mundial e principalmente as ameaças e disputas internas através de ações terroristas.

Neste período (março de 1967) ocorreu o dilema, principalmente junto aos militares que estavam no controle do executivo e os grupos que os apoiavam, de enfrentar parcela significativa da classe política em sua tentativa de decretar a anistia e restaurar uma democracia sem fundamentos sociais e políticos sólidos, tal qual a que vigorou de 1946 a 1964. O “breakpoint” resultou da opção: ir para frente, no caminho da repressão, ou recuar. Estava em jogo não só a soberania brasileira, mas também da maioria de seus vizinhos.

Foi a decisão acertada? Este é um quesito para o qual aguardo respostas.

Entendo, pois defendo radicalmente o Princípio da Subsidiariedade, a necessidade de um Estado forte em suas atribuições fundamentais, as quais, diga-se de passagem, estão sendo seria e gravemente negligenciadas nos dias atuais, que deveria ter havido uma reorganização ou reforma do Estado, eliminando a prática do clientelismo, modernizando as práticas políticas com a implantação do voto distrital e assegurando que os coeficientes eleitorais viessem a ser uniformes, isto é, cada cidadão um voto, este com o mesmo valor, independentemente de onde os brasileiros residem ou trabalham.

Entendo que no cenário de uma ameaça externa, com forças internas concorrendo para a desestabilização, como a posta em prática pelas esquerdas internacionais aqui infiltradas, dificilmente seria o ideal para a descentralização, mas aí residiu o grande fracasso brasileiro, quando os militares devolveram o controle para a sociedade civil, pois ela não realizou as reformas necessárias, a começar por eliminar esta distorção no que se refere à excessiva centralização e as distorções no que se refere ao coeficiente eleitoral e o distanciamento ao Princípio da Subsidiariedade. Pior, por força das distorções da constituição dos direitos e dops poucos deveres e responsabilidades - a Constituição de 1988, agora temos um parlamentarismo às avessas, primeiro elegemos o 'primeiro-ministro', na realidade a 'primeira dona' para então compor a base aliada, resultando tão somente uma 'base afilhada'. Mensalões da atualidade, distribuição de cargos e outras práticas nefastas nascem desta distorção.

Ampliou-se a distorção

Pior, no Governo Geisel, para assegurar a sucessão, esta distorção quanto a representatividade foi vergonhosamente ampliada, o objetivo era momentâneo, o de alterar a composição de forças no Colégio Eleitoral.

Mas veja como as esquerdas são desonestas, não denunciam esta distorção, a razão fundamental é que ela alimenta a base aliada, ou melhor, a base afilhada que assegurou a reeleição do sr. Luiz Inácio Lula da Silva, basta ver onde ele se saiu vencedor e a quem se aliou.

Por conta desta distorção vivemos hoje uma aberração, pouco se discute e se contesta a excessiva centralização e distorção quanto à representatividade política que torna paulistas, cariocas cidadãos de segunda categoria frente a sua representação na Câmara e no Senado, pior é que a nova Constituição, aprovada em 1988 foi elaborada neste contexto, não se elegeu uma Assembléia Nacional Constituinte, os políticos que são a maioria no Congresso Nacional impediram qualquer proposta neste sentido, se auto-elegeram como Assembléia Nacional Constituinte. Manteve-se esta aberração, tornando os brasileiros diferentes em termos de peso político dependendo onde vota, e esta distorção é a que alimenta hoje a velha prática do clientelismo político, que a cada ano se agrava no Brasil, exigindo fartos recursos, os quais somente podem ser alimentados pela excessiva tributação, endividamento interno ou externo, pelo imposto inflacionário ou seqüestro do patrimônio privado ou asfixiando suas atividades através das empresas estatais, as quais somente se justificam quando voltadas a administração de monopólios naturais.

'Vivemos os anos 70, a década do milagre econômico, os anos 80, a década perdida - estagnação econômica da América Latina, os anos 90 a década desperdiçada - as principais reformas não foram feitas, agora vivemos a década da mentira'. (Gerhard Erich Boehme)

O grande erro dos militares

Mas o grande erro dos militares neste período foi o de não terem dado a devida prioridade ao ensino fundamental, optaram por privilegiar o ensino superior gratuito, que assim se constituiu no mais perverso mecanismo de concentração de renda, pois dos impostos pagos por toda a população, estes alimentam os recursos necessários para manter alunos estudando gratuitamente, quando sabemos que os universitários possuem uma infinidade de mecanismos para financiar seus estudos. E quando sabemos que um aluno no ensino superior custa à sociedade o equivalente a uma sala de aula de mais de 20 alunos no ensino fundamental. O quadro mais triste neste sentido ocorre com as universidades estaduais, pois do imposto pago sobre os alimentos e itens essenciais de consumo, adquiridos pelos miseráveis, pobres, classe média e até pelos milionários é que surgem os recursos para as universidades estaduais.

'A qualidade do ensino público só melhora na Universidade porque nela estão os formadores de opinião pública e um seleto público votante'. (Gerhard Erich Boehme)

'O estado é a grande ficção através da qual todo mundo se esforça para viver às custas de todo mundo.' (Frédéric Bastiat)

“Um Estado, o chamado 1º Setor, deve apenas atuar subsidiariamente frente ao cidadão e não estar voltado para ocupar o papel que cabe ao 2º Setor - o estado empresário que cria o clientelismo - ou 3º Setor - o Estado populista que cria o paternalismo e o assistencialismo, bem como que abre espaço para a demagogia e ao clientelismo¹ político. Caso contrário ele acaba criando o 4º Setor - quando o poder coercitivo do Estado deixa de ser exercido por ele e é tomado por parte de segmentos desorganizados ou não da sociedade - cria-se o Estado contemplativo que cria o caos”. (Gerhard Erich Boehme)

Resultado:

'Os gastos da sociedade com a segurança representam quatro vezes o Orçamento do Ministério da Educação' (Revista Época - Edição 466 - 23/04/2007)

Devemos ter uma posição firme sobre o maior problema nacional, a educação fundamental, esta que não é de qualidade e muito menos universal. A educação fundamental é seguramente o primeiro problema dos brasileiros, pois o brasileirinho não encontra os meios necessários para desenvolver suas potencialidades, incluindo as ações necessárias para firmar conceitos e valores.

“Diferença entre político e ladrão. Após longa pesquisa, cheguei a seguinte conclusão. A diferença é que, um eu escolho, o outro me escolhe'. Citação de um observador atento do cenário político brasileiro. (Fonte: Geraldo Almendra - glaf@terra.com.br)

'O candidato a Vereador, Prefeito, Deputado, Governador ou a Presidente, qualquer que seja a orientação política - tanto de esquerda como de direita, tanto totalitário como liberal, cada qual na sua extremidade considerando a defesa das liberdades pessoais e econômicas - devem devem ser avaliados pelo compromisso com a educação fundamental de qualidade, a segurança pública e a defesa nacional'. (Gerhard Erich Böhme)

Concluindo

Não sou nenhum historiador e muito menos testemunha dos fatos, mas hoje tenho a certeza de que as esquerdas, em especial todas as entidades que sustentam o tal Foro São Paulo, são desonestas, pois manipulam a opinião pública mostrando para a sociedade, esta que a cada dia mais alimenta com seus personagens o bestseller de Luciano Pires (www.lucianopires.como.br), que o período militar foi uma “coisa” única, dissociada da conjuntura que levou ao 31 de Março, desconsiderando as diversas fases pelas quais passou o mundo neste período, em especial a ameaça externa e a perda de nossa soberania. Desconsideram que o Brasil, desde que se iniciou o período republicano, perdeu gradativamente o poder necessário para manter sua soberania (veja www.monarquia.org.br e www.brasilimperial.org.br), pior agora quando as esquerdas, por força desta desonestidade que denuncio, vem enfraquecendo ainda mais o seu poder.

Hoje fica apenas como registro histórico o compromisso dos monarquistas assumido no plebiscito realizado em abril de 1993:

'Valorização da missão das Forças Armadas como guardiãs da Nação. No seu prestígio e na sua eficiência repousam a paz social e a segurança interna e externa de nossa Pátria, bem como o merecido realce desta no cenário internacional. Aos seus integrantes devem ser proporcionadas todas as condições para que vivam condignamente, isentos de preocupações materiais que afetem seu moral e os afastem da dedicação integral às lides castrenses.'

Se aos militares pode ser apontada alguma falha ou erro, no meu entender, foi e é o mesmo erro que comete a grande maioria dos brasileiros, não assegurar que os brasileirinhos tenham um ensino fundamental de qualidade, o qual é também responsabilidade subsidiária do Estado. Não responsabilidade do Estado, mas subsidiária do Estado, ao qual cabe o seu poder coercitivo em assegurar a qualidade, o cumprimento da legislação e fundamentalmente a paternidade e maternidade responsável, assegurando que a freqüência e desempenho nos estudos seja assegurada.

Infelizmente a educação é entendida pelas esquerdas apenas como mais uma forma de se doutrinar as novas gerações e não capacitá-las para que possam decidir seu futuro, empreender, criar, inovar, usw.. Assim como os diversos movimentos, mais uma massa de manobra.

Vivemos a velha cultura da lombada dos brasilerios, de atuar no efeito e não na causa, não priorizamos o ensino fundamental. A sociedade só se preocupa, quando muito, se os alunos estão nas escolas algumas horas por dia ou se irão receber o diploma, os políticos demagogos se interessam pela progressão e os pais se seus filhos irão passar de ano. Não nos preocupamos se os brasileirinhos estão efetivamente aprendendo para construírem seu futuro, se estão sendo formados para assumirem responsabilidade, para empreenderem, criarem, inovarem, aproveitarem as oportunidades que a vida lhes coloca no caminho, usw. E não nos preocupamos em assegurar um ensino de qualidade que requer métodos, pessoas com a competência, o empowerment e a motivação necessárias, instalações, recursos, usw. adequados para assegurar que alcance a todos os brasileirinhos. Caso contrário tiramos deles todo o potencial, transformando-os em alvos fáceis da demagogia política com suas bolsas e apadrinhamentos.

Abraços,

Gerhard Erich Boehme

gerhard@boehme.com.br


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