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Cordel-->SELEÇÃO DE IMPROVISO -- 17/11/2003 - 12:21 (José de Sousa Dantas) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
SELEÇÃO DE IMPROVISO

OS POETAS REPENTISTAS, sob a inspiração divina, talento e experiência, arranjam palavras adequadas e desenvolvem, com criatividade e rapidez (são 17 segundos em média para cada estrofe), os temas inéditos, sorteados no ato, pensando, tocando, cantando e gerando de BORBOTÃO versos edificantes, com RIMA, MÉTRICA, COERÊNCIA, CADÊNCIA, em várias modalidades da cantoria.
Para saborear e comprovar essa grandeza pode-se ler com atenção e paciência os versos a seguir selecionados.

É BONITO A RAMAGEM DO FEIJÃO SE ENROSCANDO NO MILHO PENDOADO
João Paraibano (JP) e Raimundo Caetano (RC)

JP
Como é lindo se ver lá na ribeira
o matuto rezar igual um santo,
o lambu chamar outro pelo canto,
pra cantar com outro na capoeira;
se ouvir a pancada da goteira
quando tem uma brecha no telhado,
uma lata com fundo enferrujado,
cada pingo que cai, toca um baião.
É bonito a ramagem do feijão
se enroscando no milho pendoado

JP
Como é lindo se olhar pra o panorama,
ver a planta banhada de orvalho,
uma rosa brotando em cada galho,
uma fruta vingada pela rama,
o matuto botando o pé na lama,
com um pé no chinelo, outro atolado,
o boi manso com a canga no arado,
mastigando o sobejo da ração.
É bonito a ramagem do feijão
se enroscando no milho pendoado.

RC
Vão embora o castigo e a ternura
e o sertão se engrandece até no nome,
abundância chegando mata a fome,
dá pra ver camponês com mais bravura,
que ele vive no campo da fartura,
agradece a Deus ajoelhado,
não espera prefeito e deputado,
e não espera promessa de eleição.
É bonito a ramagem do feijão
se enroscando no milho pendoado.

JP
Vê-se a baixa coberta de ervança,
a formiga onde passa deixa um trilho,
na cintura de cada pé de milho,
a boneca parece uma criança,
no impacto do vento se balança,
tendo duas, uma de cada lado,
o cabelo vermelho cacheado
com dois palmos abaixo do pendão.
É bonito a ramagem do feijão
se enroscando no milho pendoado

RC
O inverno se ajusta como a luva,
na grandeza de Alá do céu que existe,
camponês não consegue viver triste
e nem chorar como os prantos da viúva,
agradece aos espaços pela chuva
e pelo pingo na terra derramado,
cura todas as chagas do passado
e se esquece das crises do verão.
É bonito a ramagem do feijão
se enroscando no milho pendoado.

JP
Pé de planta por mais que seja grosso,
com o peso das frutas quebra a galha,
e a espiga de milho racha a palha,
que aparece a carreira de caroço,
uma jia molhada sai do poço,
com o lodo no papo pendurado,
nela às vezes um sapo vem montado,
de carona com os pés roçando o chão.
É bonito a ramagem do feijão
se enroscando no milho pendoado.

TEM MUITO O QUE SE CANTAR NA HORA DO SOL DE PÔR
João Lourenço (JL) e Sebastião Dias (SD)

SD
Quando é bem de tardezinha,
o povo fica pasmado,
na moita que tem no prado
se aninha uma rolinha,
silencia uma andorinha,
e se avista um beija-flor,
que mesmo sem ter motor,
voa e dá ré pelo ar.
Tem muito o que se cantar
na hora do sol se pôr.

JL
Repentista sai cantando
a mais bonita toada,
caminhando na estrada,
com o sol se ocultando,
a lua vem clareando,
no mais belo refletor,
inspirando o cantador
a fazer verso exemplar.
Tem muito o que se cantar
na hora do sol se pôr.

SD
Quando o céu tá desbotado,
antes de passar das seis,
o pobre do camponês
chega da roça cansado,
inda reza ajoelhado
para Deus, Nosso Senhor,
segue o rito interior,
lava os pés, vai se deitar.
Tem muito o que se cantar
na hora do sol se pôr.

JL
Eu já sei que nessa hora
a nuvem fica cinzenta
e uma barra pardacenta
parecendo a da aurora,
a moçada que namora
chega para seu amor,
dizendo guarde o licor
que mais tarde vou tomar.
Tem muito o que se cantar
na hora do sol se pôr.

SD
Uma palha seca voa
no sopro da ventania,
é assim no fim do dia,
a natureza é tão boa;
uma garça na lagoa
vai pescar o seu setor,
uma abelha beija a flor
tira o néctar do pomar.
Tem muito o que se cantar
na hora do sol se pôr.

É O VENTO DOS ANOS QUEM APAGA A ESTRELA DO CÉU DA MOCIDADE

SD
No passado eu também fui muito forte,
mas depois que eu perdi a meninice,
ingressei na estrada da velhice,
entreguei-me a Deus a própria sorte,
hoje em dia me assusto com a morte,
minha vida só é dificuldade,
e no albergue da vila da saudade,
procurei residir, mas não tem vaga.
É o vento dos anos quem apaga
a estrela do céu da mocidade.

JL
Nossa vida é tão bela e passageira,
vai embora tão rápido como o vento,
como o tempo não espera um só momento,
vi o tempo pintando a cabeleira,
é a vida sublime e prazenteira,
o poeta é quem diz com liberdade,
cada dia que passa na verdade
minha infância, não vejo quem me traga.
É o vento dos anos quem apaga
a estrela do céu da mocidade.

SD
Todo homem que nasce se liquida,
porém ele precisa de esperança,
do seu tempo feliz quando criança,
quando tem inda força desmedida,
eu também já passei na minha vida,
e acabou-se a maior fertilidade,
no meu rosto escondeu-se a enfermidade,
mas por dentro aumentou a dor da chaga.
É o vento dos anos quem apaga
a estrela do céu da mocidade.

JL
É perdido alguém se esconder,
que o tempo sai à sua procura,
com a vista também ficando escura,
e a perna começando a tremer,
o seu braço não pode se mexer,
sua força só fica na metade,
é o novo fazendo vaidade,
já sabendo que na velhice paga.
É o vento dos anos quem apaga
a estrela do céu da mocidade.

SD
A fortuna que o próprio homem junta,
depois perde na sua idiotice,
quando chega o período da velhice,
quer falar, conversar, mas nada assunta,
vez em quando um fantasma lhe pergunta,
quando o sonho será realidade,
eu me escuso em fazer sua vontade,
mas a morte de noite me indaga.
É o vento dos anos quem apaga
a estrela do céu da mocidade.

ESTE ANO A POBREZA FESTEJOU UMA SAFRA COMPLETA NO SERTÃO

Valdir Teles

O inverno tá bom para o roceiro,
já tem água da chuva em fonte rasa,
a fartura já tem em toda casa
e acabou de uma vez o desespero,
o relâmpago cortando o nevoeiro,
toda noite vem chuva com trovão,
tem batata, tem milho, arroz, feijão,
só não tem pra comer quem não plantou.
Este ano a pobreza festejou
uma safra completa no sertão.

A pobreza já pode festejar,
todo canto se encontra milho assado,
o feijão tem na mesa temperado
e tem pamonha pra gente empanzinar,
meu irmão já mandou me convidar
para as festas daquela região,
eu mandei avisar a meu irmão,
bote o prato na mesa que eu já vou.
Este ano a pobreza festejou
uma safra completa no sertão.

Foi a terra por Deus abençoada,
hoje em dia o sertão tá diferente,
todo mundo tem rama e tem semente,
toda área da gente está molhada,
vou trocar a viola numa enxada,
e vou de novo voltar pra região,
cavar cova de enxada e plantar grão,
foi na roça que papai me criou.
Este ano a pobreza festejou
uma safra completa no sertão.

PASSEI A NOITE PERDIDO NAS CURVAS DO CORPO DELA
Zé Viola (ZV) e Zé Galdino (ZG)

ZG
Fazia todo agrado,
no corpo da minha dama
e no rangido da cama,
eu ficava alucinado,
eu com gesto de tarado,
ela sendo Cinderela,
só na cama, eu e ela
com muito abraço e gemido.
Passei a noite perdido
nas curvas do corpo dela.

ZV
Passei a noite todinha
para relaxar que eu sei,
e ela me chamou de rei,
e eu lhe chamei de rainha,
ela na costela minha
e eu na costela dela,
quando lhe chamei de bela,
ela disse: meu querido.
Passei a noite perdido
nas curvas do corpo dela.

ZG
O seu corpo de princesa
me deixou apaixonado,
eu fiquei logo amarrado,
pra mim não é mais surpresa,
um bife em cima da mesa,
um jantar à luz de vela,
nesta hora eu disse a ela,
hoje eu sou o seu marido.
Passei a noite perdido
nas curvas do corpo dela.

ZG
Eu fui pra minha dormida,
o meu amor não quis ir,
eu comecei insistir,
venha cá, minha querida,
você é a minha vida,
não vá assistir novela,
convenci e disse a ela,
aproveite o meu sentido.
Passei a noite perdido
nas curvas do corpo dela.

ZG
Ela é a companheira,
que me beija e me namora,
meu coração lhe adora,
eu lhe amo a vida inteira,
não quero que costureira,
faça vestido pra ela,
e eu só lhe acho bela,
sem sutiã, sem vestido.
Passei a noite perdido
nas curvas do corpo dela.

SÃO AS COISAS QUE EU FAÇO SEM GOSTAR (GOSTO DE FAZER)

ZG
Morar junto a vizinho fuxiqueiro,
enfrentar uma briga de emboscada,
discutir com a mãe da namorada,
viajar de carona sem dinheiro,
escutar um poeta cachaceiro,
ir a festa dançante sem dançar,
vender tudo e não ter com que pagar,
entrar numa novela e levar bronca,
me deitar com mulher que dorme e ronca.
São as coisas que eu faço sem gostar.

ZV
Fazer verso pra o povo me escutar,
recebendo os aplausos da platéia,
transformar em poesia a idéia,
vez em quando ser primeiro lugar,
dedilhar na viola e improvisar,
trabalhar com coragem pra vencer,
pelo dom de cantar, agradecer
a meu Deus pela luz que me ilumina,
decantar com a inspiração divina.
São as coisas que eu gosto de fazer.
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