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Ensaios-->Ciência versus Ecologismo -- 20/08/2007 - 09:13 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Ciência versus Ecologismo

por Carlos Wotzkow (*) em 19 de agosto de 2007

Resumo: Antes de aceitar pagar novos impostos baseados no catastrofismo climático ou pagar contribuições para o Greenpeace ou qualquer outra organização eco-terrorista, é preciso fazer algumas perguntas.

© 2007 MidiaSemMascara.org


“Em 1970, milhares de milhões de seres humanos (inclusive norte-americanos) morrerão de fome”.

“Em 1973 (devido à contaminação do ar) umas 200.000 pessoas em Nova York e Los Angeles morrerão”.

“Em 1980, os Estados Unidos verão reduzida a expectativa de vida (de sua população) para 42 anos por culpa dos pesticidas e em 1999, ficarão vivos apenas uns 22,6 milhões de norte-americanos”.

“Para o ano de 1985, suficientes milhões de pessoas terão morrido, reduzindo a população do planeta a um nível aceitável de 1,5 bilhões”.

“Aposto que a Inglaterra não existirá no ano de 2000”.

Paul R. Ehrlich[*]

Talvez seja isso o que favoreça a que os ecologistas saibam mais como afundar um barco pesqueiro com seus tripulantes a bordo, do que como funcionam seus cérebros tortos. O terrível dilema dos ecologistas é simples, porém complexo. Simples, porque podemos identificá-lo; complexo, porque não existem respostas científicas para solucionar seu próprio dilema. Esse dilema se chama “síntese”. Poderíamos descrever a macro-ecologia de um arquipélago, identificar seus ecossistemas, fragmentá-los em espécies, penetrar em suas células, identificar cada um de seus genes e, inclusive, chegar a identificar cada uma das proteínas que o conformam. Porém, ainda não somos capazes de fazer o caminho inverso. Eles talvez nem sequer saibam disso; nós, sim.

Ao menos hoje, não contamos com o avanço tecnológico (algorítmos e complexos modelos matemáticos) que nos permita predizer a estrutura e a forma de uma proteína a partir dos aminoácidos que a conformarão segundo sua forma. É impossível então, reconstruir de baixo para cima a estrutura genética de uma só espécie. Muito menos podemos predizer suas funções, suas mutações, seus inumeráveis e complicados processos adaptativos. Em outras palavras, é relativamente fácil descrever o ecossistema de uma ilha como Cuba, porém no momento é impossível sintetizá-lo. O problema, esclareço, é mais técnico do que conceitual, porém se a síntese de proteínas fosse um fato consumado, lhes asseguro, não estaríamos falando de aquecimento global como o fazemos hoje.

Fazer prognósticos sobre a mudança climática, mesmo conhecendo todos os fatores que o compõem e influenciam (e estamos muito longe de ter esse conhecimento), necessitaria conhecer o impacto individual de cada fonte de emissão gasosa e a soma energética de todos os fatores planetários que, por acréscimo, mudam seus valores a cada segundo. Da mesma forma, não se pode falar dos “irresponsáveis produtores” de CO² se não conhecemos quem são, nem que parte de responsabilidade corresponde a cada um deles. Entre os maiores produtores de CO² em escala mundial, e desde há centenas de milhões de anos, os cientistas conseguiram identificar em ordem descrescente: os vulcões, as árvores, as termitas, as bactérias e desde há muito poucos anos, o ser humano.

Da revolução industrial até a presente data temos sido simplistas, e toda a responsabilidade contaminante do ambiente é agora atribuída ao homem, porém, sobretudo às populações humanas cujo desenvolvimento industrial e riqueza acumulada permite pagar “suas culpas” ao inquisidor ecologista. De outra forma não valeriam a pena essas campanhas para “salvar” o planeta. Você já viu algum ativista do Greenpeace pendurando um letreirinho importuno em uma mina de carvão na China? Você viu algum voluntário do Sierra Club protestando contra o programa nuclear iraniano? E eu poderia perguntar mais, porém é evidente que esse esforço eco-político, “a favor do meio ambiente” é tão-somente um objetivo ideológico dirigido contra a indústria e o desenvolvimento do mundo ocidental.

Porém, adentremo-nos em uma floresta selvática chuvosa da depauperada Sierra de Cristal cubana. A maioria dos estudos científicos efetuados nesse pequeno e local ecossistema baseou-se em 200 anos de viagens de coleta, classificação e quantificação preliminar das espécies que o conformam. Deles, 1% dos investigadores estudou muito superficialmente a ecologia (básica) de alguma de suas espécies (principalmente vertebrados), porém nenhum incursionou em sua biologia celular. Cremos que ali habita uma espécie de gavião que se diferenciou do que habita na Ciénaga de Zapata, mas em nível genético nem sequer o demonstramos. O mesmo ocorre ao redor do mundo, incluindo os Estados Unidos ou no jardim (cheio de organismos vivos) da Casa Branca.

Se os ecólogos são conscientes de que o “destino” (ignorem a conotação religiosa do termo) de uma espécie não depende unicamente de seus genes mas do comportamento e da influência que estes recebem e têm das espécies que lhes rodeiam, como é possível que os ecologistas nos prognostiquem a extinção de uma espécie se nem sequer conhecem sua estratégia reprodutiva, a abundância ou escassez de seus recursos alimentares, sua plasticidade adaptativa em épocas adversas, o estado populacional de seus competidores locais, o nível de êxito de seus depredadores naturais, ou o clima que lhes resulta favorável? E se os ecólogos aceitam estas incógnitas com resignação, o que não fará o meteorologista, que sabe que o clima é fortemente influenciado por ecossistemas totalmente desconhecidos?

Acredita-se que nos últimos 50.000 anos dezenas de espécies continentais invadiram Cuba por diferentes vias. Muitas delas jamais conseguiram adaptar-se e outras o fizeram tão bem, que pouco a pouco foram diferenciando-se de seus ancestrais. Então, nos contam que a aparente “estabilidade” ecológica do arquipélago (utilizo o sofisma dos ecologistas) viu-se de imediato perturbada pela chegada do homem (certamente, o “homem” que eles mencionam é branco) e pela introdução de dezenas de enfermidades e espécies forâneas. Isto, segundo afirmam, criou um “caos” ambiental inadmissível. Certo, se não fosse porque esse “caos” sempre esteve presente. Ou como evitamos o caos que um furacão causa ao mudar em apenas algumas horas a estrutura botânica de uma ilha inteira?

Entendem o que quero dizer? Explico. A diferença entre vergonha e falsa culpabilidade deve ser esclarecida. O homem não é o culpado de todos os males ecológicos, mas a única espécie que o assegura sem o menor vislumbre de vergonha. Quem acabou com os dinossauros, ou quem enviou o furacão Mitchel sobre a ilha de Porto Rico? Os ecólogos tentam minimizar o impacto humano com profissionalismo, porém os ecologistas culpabilizam o ser humano seguindo os interesses econômicos que os levaram à política. Os que ontem criticavam a monocultura da cana-de-açúcar em Cuba, porque era colonialista, hoje a bendizem. Hoje, essa mesma monocultura pertence a um governo comunista e por isso só já é bom. Se o álcool, como combustível ecológico, é promovido por Bush, é imperialista; porém, se é promovido por Lula, então é um magnífico produto ecológico de primeira necessidade.

Em qualquer caso, a estabilidade ecológica de um ecossistema não se deve medir pelo número de indivíduos de uma só espécie, mas pela saúde populacional de todas as espécies que habitam essa localidade. Da mesma maneira que resulta um disparate devastar uma mata e não reflorestá-la imediatamente com suas espécies autóctones, é outro disparate (e talvez maior) exigir sua preservação em detrimento das espécies (incluindo a humana) que poderiam servir-se dela. Uma floresta é unicamente necessária se pode ser utilizada pelas espécies que o habitam. Do contrário, homens, aves e aranhas nos negariam o crédito. A Sierra de Cristal cubana, como o Amazonas inteiro, poderiam muito bem ser devastados, sempre e quando se fizesse de forma gradual, a longo prazo, e replantando os recursos explorados pelos mesmos que existiam ali.

Os Estados Unidos são o “Satã” anti-ecológico do mundo, porém ao mesmo tempo os ecologistas da ONU premiam o regime cubano por devastar caoba e plantar eucaliptos. O WWF do Canadá premia o regime cubano com milhões de dólares por “preservar” a Ciénaga de Zapata, enquanto que ao resto do mundo desenvolvido, esse mesmo WWF diz que preservar as florestas é uma obrigação nacional. A ONU, em suas tentativas de governar o planeta de maneira centralizada, afirma contar com os melhores cientistas em matéria climático-ambiental. Sua voz, portanto, (além de constituir-se em um preceito neo-marxista, não aceita dissidentes) tenta converter-se em lei planetária. Para isso, adotou os modelos computadorizados, empregou centenas de teóricos de renome e implantou uma política mundial de terror psicológico.

Por desgraça, a biologia não pode ser analisada como a física e o clima de nosso planeta é (também) muito influenciado pelas bactérias que o habitam. Confesso sem vergonha que sempre fui um péssimo aluno em matemáticas e que invejo todos esses teóricos da complexidade algorítmica; porém, essa simulação, apesar de poder estruturar (em princípio) uma floresta pluvial selvática a partir das moléculas (a síntese da qual lhes falava) que a compõem, carece da informação que lhe permita tomar em conta todos os elementos de interação dentro do ecossistema. Então, se aparece uma mariposa imprevista, uma simples mariposinha que não estava na lista, deveriam aceitar que sua imperceptível respiração é capaz de mudar o perfil inteiro da prognosticada folhagem.

Do mesmo modo como ocorre no simulador de vôo desenvolvido pela Microsoft, a imaginação destes cientistas plana em térmicas inexistentes. Sou um aficcionado pela aviação e, portanto, um admirador impudico da simulação de vôo por computador. O considero um instrumento fantástico para estimular o sentido da navegação imaginária e para entreter, a um custo risível, àqueles verdadeiros pilotos que não possuem um avião próprio. Desde que o primeiro simulador de vôo apareceu no mercado digital até este de hoje (FSX), o progresso foi impressionante. Ponha-se os comandos na cabine de um planador que entra em uma térmica e o perceberá em seus instrumentos, porém... (e aqui está o problema) quando buscamos a base da nuvem, ou checamos o tipo de solo sobrevoado, nem sempre encontramos uma resposta apropriada que satisfaça ao piloto real.

Então sim, simular o clima é original, atrativo, porém é sumamente especulativo. Prognosticar mudanças climáticas seria importantíssimo, se fosse possível. Como os teóricos da ONU e do IPCC podem assegurar que os algorítmos que a folharada do Amazonas produzirá serão idênticos aos seus? Como, pergunto, se nem sequer se estudou o aporte de CO² que gera uma pequena ilhota de mangue do arquipélago cubano? E se em Cuba estima-se que conhecemos apenas uma centésima parte das espécies que habitam o arquipélago, como será o conhecimento que há das espécies que habitam o Amazonas? Alguém pode me dizer como será a fauna aviária dessa ilhota cubana depois de uma tormenta tropical? Preservará essa ilhota as mesmas espécies e o estado populacional de seus insetos antes e depois da migração das aves?

Ninguém pode calcular o CO² vertido na atmosfera se não conhece com exatidão suas fontes e níveis de produção. Você pode dizer que o homem expulsa 50.000 ppm de CO² em cada expiração, porém as variáveis possíveis (desde o DNA até o pulmão) convertem essa mesma pessoa em um tosco boneco antropomórfico só parecido com os que Pablo Picasso pintava. Afinal, falamos de ciência ou de arte? Como pode o teórico e seu computador saber que seu ecossistema mundial não constitui mais que uma mera Guernica politicamente enfocada? Como teria brilhado essa mesma Guernica se Picasso não fosse um comunista fervoroso? Em uma tela, a nuvem simulada por computador pode camuflar-nos seus hexágonos e fazer-nos imaginar suas partículas de água; porém, na realidade, como dizia Calderón, os sonhos...

Para a ONU e para todos os ecologistas ao estilo Sierra Club, Greepeace ou WWF, Cuba é um país comprometido com a ecologia porque seu governo promove a fome e insta sua população humana a abandonar a ilha. Um sistema político como o cubano, insinuam sem pudor, poderia suceder a Gaia à qual aspiram os ecologistas em um mundo sem indústrias e povoado por uns poucos adeptos (líderes) e seus cegos seguidores (sua classe escravizada). Isto não lhes recorda algo? A mim me lembra Hitler e as teorias desenvolvidas na Alemanha, graças à lei suíssa de August Forel. Como convencer estes ecologistas se nem sequer são capazes de imaginar que, acabando-se as sementes da primavera, uma ave como o chochín (ave parecida com o pardal – N. T.) cubano é capaz de se adaptar a essa escassez e comer insetos?

Estes ativistas, se acabam-se as sementes, preferem antes a extinção do chochín do que nutrir estes trogloditas (me refiro ao gênero destas aves, não aos ecologistas) com sementes transgênicas. O caso mais repercutido é o do Zimbabwe, onde milhares de pessoas foram condenadas à epidemia de fome porque o Greenpeace convenceu o ditador Robert Mugabe a não aceitar o milho transgênico que lhe enviavam desde os Estados Unidos. À primeira vista o discurso parece moral, porém se se está familiarizado com o trabalho científico no campo da genética teria que dizer que estes ecologistas são politicamente fascistas. Querem salvar o mundo – dizem –, só que não têm a menor idéia de como tratar o doente. Ignoram que o nível populacional de qualquer espécie aumenta, ou diminui, segundo o ecossistema relaxe ou não seus sistemas naturais de controle.

Em todos os ecossistemas, quer sejam florestas ou cidades, as espécies têm picos reprodutivos altos e baixos segundo dite seu entorno. A imposição de um determinado preço à carne é equivalente à sua disponibilidade. O mesmo experimenta o Gavião de Monte, nos montes das Escaleras de Jaruco. Quanto menos ratos tenha ao redor da palma onde nidifica, mais longe terá de voar e mais trabalhoso lhe resultará conseguir o alimento. Seguramente, este gavião deverá atravessar territórios ocupados por outros gaviões procriando e estes, lhes asseguro, não são nada gentis. Estes caóticos padrões de custo e benefício, além de indiscerníveis, funcionam como leis sócio-biológicas naturais e a natureza não conhece nem ética, nem moralidade.

O caos é um dos princípios autenticamente naturais da biosfera. Caos é vida, é evolução. A depredação é caos e é caos também a sobrevivência. Por que pagar impostos ecológicos após a passagem de um furacão? Por que pagar impostos eco-políticos em detrimento do bem-estar familiar? Por que tenho que sair de minha casa às 5:00 da manhã, passando frio, para tomar um trem a caminho do trabalho, se posso fazer o mesmo percurso comodamente em meu automóvel e em um terço do tempo que me impõe o transporte público? Para quem se fabricam os carros, ou os iates de grande tonelagem? Só para gente como Paul Watson e o Príncipe de Edimburgo? Por que devo fazer esse esforço ecológico se os do Greenpeace dilapidam 6 mil toneladas de diesel para irem se embebedar a bordo do “Artic Sunrise” pelos rios do Brasil?

O objetivo destes eco-políticos é fazer nos sentirmos irresponsáveis. Devemos pagar impostos pela impertinente irresponsabilidade de utilizar combustíveis fósseis. Depois, quando já estivermos fartamente conscientes de nossas culpas, nos farão sentir irresponsáveis por iluminar nossas casas à noite e nos imporão impostos por isso. Assim, consecutivamente, nos criticarão depois por escovarmos os dentes três vezes ao dia, por utilizar sapatos de couro, ou por interromper a vida alheia ao consumir carnes ou frutas. Não só nos convencerão dessa falta de misericórdia e dos massacres animais que temos causado, como nos imporão impostos por emitir CO² ao respirar. Se você acredita que isto é um non sense, espere um pouco e verá o absurdo convertido em leis por decreto. É só uma questão de tempo...

A simulação climática demanda a gritos uma maior informação biológica. O que foi aprendido desde Carolus Linnaeus até a data de hoje nos sugere que, mesmo avançando no conhecimento de maneira exponencial, nos falta mais de um século e meio antes de poder contar com o banco de dados empírico necessário. A biologia é hoje em dia uma ciência adulta, mas não nas ¾ partes do planeta onde recentemente começaram a praticá-la. As bactérias, os vertebrados, os ecossistemas, todos, podem ser vistos como máquinas onde as leis da física e da química têm a última palavra, porém somente se contamos com todas as peças do quebra-cabeças e conhecemos suas interrelações. No momento, apenas temos o desejo e a boa-vontade, porém ir mais além não seria ciência, senão mera advinhação.

Os códigos do DNA e seus 75 milhões de nucleotídeos nos lembram que pretendemos saber mais do clima do que do cérebro que tenta compreendê-lo. Centenas de milhares de aminoácidos formam as proteínas que um vertebrado requer para existir, porém quando menciono essas cordas de aminoácidos a um dos ecologistas do Greenpeace na estação de trens de minha cidade, o jovem se confunde e crê que lhe falo de um instrumento musical. O discurso desses ambientalistas é primitivo, porém foram programados no quartel general de Gland. “Tem que combater Bush, suas propriedades petroleiras, a Exxon e a Mobil”, e o pobre coitado não sabe que o Greenpeace é patrocinado pela Shell, ou que obtêm milhões de dólares da carne de baleias que eles mesmos dizem proteger.

Os verdadeiros cientistas estão dedicados em diminuir o câncer, as enfermidades genéticas ou as infecções virais, e pouco a pouco conseguirão. Os computadores e seus modelos matemáticos são ferramentas necessárias e logo serão imprescindíveis nesses misteres. Porém, antes que o ser humano possa prognosticar algo (biologicamente falando), primeiro deverá entender os mecanismos do desenvolvimento orgânico, suas relações genéticas, o rol dos sinais intercelulares, a forma em que o embrião se encaixa em si mesmo, os mecanismos de divisão celular, a apoptosis e a transcrição (informação intracelular do DNA) genética que determina a diferenciação dos órgãos e dos tecidos.

Qualquer simulação, portanto, sem estas bases biológicas incorporadas a seus algorítmos, apenas representaria um passatempo interessante para os momentos de ócio. Se ao menos se soubesse como sintetizar uma só célula eucariótica, a inferência nas demais seria aceitável. Se as espécies conhecidas fossem integradas a estes modelos, a simulação climática passaria então a ser, em vez de uma arte abstrata (de abstração matemática), uma ferramenta científica de valor limitado. Ao visualizar o clima em uma tela, há que fazê-lo adicionando-lhe a biosfera, pois funciona como um todo. Há que ser honestos e reconhecer que, sejam quem forem as espécies envolvidas, o mundo continua sendo um ecossistema “perfeitamente habitável”, graças ao desenvolvimento da indústria humana. Desde as frias águas da Antártica, até as dunas quentes dos desertos africanos.

Então, antes que vocês se decidam a pagar impostos, ou antes de aderir ao catastrofismo da mudança climática e pagar uma cotização ao Greenpeace ou qualquer dessas organizações eco-terroristas (porque dobram a vontade do vulgo com mentiras e com terror), façam-se as seguintes perguntas: 1. Contamos com os dados necessários para simular um ecossistema florestal com céu límpido e ventos acima dele? 2. Serão válidos esses princípios de simulação, independentemente de nosso cérebro, nosso comportamento e a forma com que percebemos nossos ecossistemas? 3. O ser humano percebe o ambiente do mesmo modo que um aracnídeo o percebe? 4. É o idioma matemático que se ocupa da biologia compatível com aquele que se ocupa da física?

Pague impostos se assim desejar, porém todas as respostas são, no momento, negativas. A ciência demonstra que os alarmes lançados desde a especulação carecem de poder. A pseudo-ciência, levada aos empurrões ao campo da política sempre aponta na direção errada. Em 1970 os ecologistas nos aterrorizavam com o resfriamento global e hoje já ninguém mais se lembra disso. Entre 1970 e 2000, Paul Ehrlich nos prognosticava milhões de mortos por culpa da fome e dos pesticidas, e hoje, graças à genética, os chineses podem semear uma espécie de milho transgênico que suporta o frio em latitudes onde antes não crescia mais que a vegetação rala. Hoje nos assustam com o dióxido de carbono e amanhã o farão com outra coisa. Todo este non sense ambiental, desde a negação dos genes de Fritz Engels, até o consumo elétrico de Al Gore, não são mais que idéias originadas por cérebros que sempre viveram parasitando.


[*] Paul R. Ehrlich é talvez o mais disparatado dos ecologistas vinculado a esta indústria do terror psicológico. Ehrlich tem sido acobertado (curiosamente) pelas mesmas instituições que simpatizam com a política ambiental de Fidel Castro: Greenpeace, Sierra Club, a Fundação Mundial para a Vida Silvestre (WWF), a Volvo, a Fundação MacArthur, as Nações Unidas e a Fundação Heinz.


Nota: Este artigo foi recentemente publicado na Revista Hispano Cubana, nº 28, maio-setembro de 2007, págs. 103-112.


Tradução: Graça Salgueiro


(*) O autor nasceu em Havana, em 1961. Graduado como técnico veterinário e mais tarde Ornitólogo, foi expulso de Cuba em 1992, após passar pela prisão de Villa Marista. Já na Suiça, onde vive até hoje, estudou ecologia humana, ética e deontologia no Swiss Hospitality Engineering Consultants S.A e Biologia Molecular na Universidade de Berna onde trabalha como pesquisador. Autor de vários artigos, conferências e dois livros, dentre os quais “Natumaleza Cubana”, com prefácio de seu amigo Guillermo Cabrera Infante.


***

Obs.: Eu, como esse tal de mister Ehrlich, também tenho uma profecia a fazer. No meu caso, é sobre o aquecimento global:

'As tundras vão virar taigas. E as taigas, enfinitas plantações de trigo. A Sibéria, que no futuro alimentará o mundo, agradece o cigarro que hoje você fuma'.

Ou seja, cerveja: como afirmou Lula depois daquele acidente em que morreram mais de 20 cientistas na Base de Lançamentos de Foguetes de Alcântara, 'há males que vem para o bem'... Ele tem razão: o Canadá, a Rússia e o norte dos EUA poderão se tornar os maiores fabricantes de vinho do mundo, com o aumento de sua gélida temperatura média anual.

Salute!

F. Maier



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