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Ensaios-->Memorial do Comunismo: Memória do Movimento Estudantil -- 16/08/2007 - 08:47 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Memória do Movimento Estudantil: AP e UNE

Félix Maier
Setembro de 2005

Preâmbulo

Nestes tempos em que até a própria Casa Civil, através de José Dirceu, antigo integrante do Movimento de Libertação Popular (Molipo), criado pelo serviço secreto cubano, promove uma campanha nacional para a recuperação da “memória do movimento estudantil”, achei interessante repassar aos meus leitores dois verbetes que constam em meu “Arquivos I - uma história da intolerância”: AP - Ação Popular e UNE - União Nacional dos Estudantes. É minha contribuição para com nossa História recente, pequena, porém honesta, sem as mentiras e as mistificações propaladas pelas esquerdas.


AP - Ação Popular

Em 1935, o Cardeal Leme cria no Rio de Janeiro a Ação Católica, para ampliar a influência da Igreja na sociedade.

A Ação Católica era dirigida por Alceu Amoroso Lima, seguia o conceito do Papa Pio XI e era favorável ao Integralismo, sendo acompanhado por vários padres, entre os quais Hélder Câmara. Outros intelectuais católicos: Jackson de Figueiredo (atuação a partir de 1918), Gustavo Corção, Alfredo Lage, Murilo Mendes, Pe. Leonel Franca; convertidos ao catolicismo: o positivista Júlio César de Morais Carneiro, Pe. Júlio Maria (redentorista), Joaquim Nabuco, Carlos de Laet, Felício dos Santos, Afosno Celso, além de Alceu Amoroso Lima.

A dissolução da AIB por Getúlio Vargas em 1938 e a derrota do Fascismo na II Guerra Mundial fizeram com que a Ação Católica se afastasse daquela linha ideológica e, com Dom Hélder Câmara, passou a adotar o modismo esquerdista, atrelado a pensadores como Emanuel Mounier, Teillard de Chardin, Lebret e outros.

No início da década de 1960, a Igreja estava ideologicamente dividida, tendo à esquerda Dom Hélder e à direita Dom Jaime de Barros Câmara e Dom Vicente Scherer. A Ação Católica tinha 3 organismos para condução de suas atividades: Juventude Estudantil Católica (JEC) – no meio secundarista, Juventude Operária Católica (JOC) – no meio operário, e Juventude Universitária Católica (JUC) – formado por estudantes de nível superior.

A PUC do Rio de Janeiro, orientada pelo Pe. Henrique Vaz, era o principal reduto esquerdista da JUC, onde despontava o líder Aldo Arantes.
Em Minas Gerais, a Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG reunia os principais agitadores da esquerda católica, como Herbert José de Souza (“Betinho”), José Serra, Vinícius Caldeira Brandt, Henrique Novais e Marcos Arruda.
Em 1961, no XXIV Congresso da UNE, a JUC, aliando-se ao PCB, elege Aldo Arantes para a presidência da entidade. “A AP cresceu com tal velocidade no movimento estudantil que nós, os comunistas, que vínhamos ganhando a presidência da UNE desde 56, a partir de 60 perdemos a AP, com Aldo Arantes, Vinícius Caldeira Brant, José Serra” (Sebastião Nery, in “Os filhos de 64”, Jornal Popular, Belém, PA, 6 Out 1995).

Logo depois, a UNE filiou-se à União Internacional dos Estudantes (UIE), organização de frente (onagro) do Movimento Comunista Internacional (MCI), culminando na ira dos conservadores da Igreja, que expulsaram Aldo Arantes da JUC.

Os católicos de esquerda, doutrinados para a “revolução brasileira”, abandonaram a Ação Católica e criaram a Ação Popular (AP).
Durante o Governo Goulart, a AP empenha-se nas “reformas de base”, situando-se à esquerda do PCB, o que causa a fuga de seguidores para o exterior após a Contra-Revolução de 1964.

A AP continua sua atuação no meio universitário e, nas discussões comunistas de 1965 a 1967, passa a seguir a linha maoísta, com a Revolução Cultural chinesa (que matou 10 milhões de pessoas), apoiando a luta revolucionária. Cuba doou 14 mil dólares para a AP enviar militantes para cursos de guerrilha naquele país. A AP enviou militantes para fazer cursos em Pequim, incluindo Haroldo Lima.

A AP criou o “Movimento Contra a Ditadura” e pregou o voto nulo para as eleições parlamentares de 15 Nov 1966. A AP enviou representante a Cuba para a IV Conferência Latino-Americana de Estudantes (1966), teve infiltração no setor metalúrgico (ABC e Contagem, MG). No campo, a AP organizou camponeses para cortar arame das propriedades (“picada de arame”) e o abate de gado a tiros; as áreas escolhidas para a agitação foram o Vale do Pindaré (MA), a região Água Branca (AL), Zona da Mata (PE) e Zona Cacaueira (Sul da Bahia).

Em 1966, a AP optou pela luta armada e pelo foquismo, em Congresso realizado no Uruguai, e passou a publicar o jornal “Revolução”.

No dia 25 de julho de 1966, essa organização promoveu o atentado terrorista no Aeroporto de Guararapes, Recife, ocasião em que morreram o jornalista Edson Régis de Carvalho (abdômen dilacerado) e o almirante reformado Nelson Gomes Fernandes (crâneo esfacelado), além de 15 feridos, alguns em estado grave, como o então tenente-coronel Sylvio Ferreira da Silva (hoje general aposentado, andando com bengala, devido àqueles ferimentos), que sofreu amputação traumática dos dedos da mão esquerda, lesões na coxa esquerda e queimaduras de primeiro e segundo grau. O alvo da AP era o marechal Costa Silva, candidato pela Arena à presidência da República, que deveria passar aquele dia pelo Aeroporto, mas se atrasou e escapou da morte.

O mentor intelectual do ataque terrorista foi o ex-padre Alípio de Freitas, membro da comissão militar e dirigente nacional da AP, e que já atuava nas Ligas Camponesas de Francisco Julião.

'Em 25/12/2004, Cláudio Humberto, em sua coluna, no Jornal do Brasil, publicou a concessão da indenização fixada pela Comissão de Anistia, que beneficia o ex-padre Alípio de Freitas, hoje residente em Lisboa. Ele terá direito a R$ 1,09 milhão.

Raymundo Negrão Torres, em seu livro O Fascínio dos Anos de Chumbo , Editora do Chain, página 85, escreve o seguinte:

Um dos executores do atentado, revelado pelas pesquisas e entrevistas promovidas por Gorender, foi Raimundo Gonçalves de Figueiredo, codinome Chico, que viria, mais tarde a ser morto pela polícia de Recife em 27 de abril de 1971, já como integrante da VAR-Palmares e utilizando o nome falso de José Francisco Severo Ferreira, com o qual foi autopsiado e enterrado. Esse terrorista é um dos radicais que hoje são apontados como tendo agido em defesa da democracia e cujos feitos estão sendo recompensados pelo governo, às custa do contribuinte brasileiro, com indenizações e aposentadorias que poucos trabalhadores recebem, recompensa obtida graças ao trabalho faccioso e revanchista da Comissão de Mortos e Desaparecidos, instituída pela lei nº 9.140, de 4 de dezembro de 1995. É um dos nomes glorificados no livro Dos filhos desse solo , página 443, editado com dinheiro dos trabalhadores e no qual Nilmário Miranda, ex-militante da POLOP e secretário dos Direitos Humanos do governo Lula faz a apologia do terrorismo e da luta armada, através do resultado dos trabalhos da tal comissão, da qual foi o principal mentor .

Raimundo Gonçalves Figueiredo é nome de uma rua, em Belo Horizonte/MG e sua família também foi indenizada' (Carlos Alberto Brilhante Ustra, in 'A Verdade Sufocada - A História que a esquerda não quer que o Brasil conheça', Editora Ser, Brasília, 2006, pg. 154-155).

Em 1968, para evitar outros “rachas”, a AP elaborou o documento “Seis Pontos de Luta Interna”, procurando consenso entre as Correntes 1 e 2. De inspiração maoísta, “o 1º ponto caracterizava o pensamento de Mao como a 3ª etapa da revolução marxista; o 2º ponto descrevia a sociedade brasileira como semi-colonial e semi-feudal; o 3º definia o caráter da revolução como nacional e democrática; o 4º fazia a opção pela guerra popular como forma de luta; o 5º referia-se aos partidos comunistas, considerando que o PCB se havia ‘contaminado pelo revisionismo’ e que o PC do B era um novo partido e não o continuador do PC fundado em 1922; finalmente o 6º ponto propunha a integração dos militantes à produção (isto é, que deixassem suas profissões e passassem a trabalhar e viver como operários e camponeses), com o objetivo de provocar a transformação ideológica dos que tinham origem pequeno-burguesa” (Del Nero, in “A Grande mentira”, pg. 263).

Após sua I Reunião Ampliada da Direção Nacional, a AP elegeu a China como modelo de revolução, ao mesmo tempo em que se afastou do PC de Cuba, retirando-se da OLAS e propondo que a UNE se afastasse da OCLAE, por considerá-la de “imobilismo e burocratismo”.

Em 1969, um militante da AP participou do seqüestro do Embaixador Americano Charles Burke Elbrick, em apoio ao MR-8. Em 1971, à noite, uma militante da AP atraiu Antônio Lourenço (“Fernando”), também da AP, para uma emboscada; “Fernando” recebeu vários tiros de rifle 44 e de revólver e foi trucidado a porretadas até a morte; o “justiçamento” ocorreu em Pindaré-Mirim (MA) e foi planejado pelo Comitê Seccional de Santa Inês, subordinado ao CR-8 (Coordenador das atividades da organização no Maranhão e no Piauí).

Em abril de 1971, após a II Reunião Ampliada da Direção Nacional, a AP assumia a denominação de Ação Popular Marxista-Leninista do Brasil (APML do B).

Posteriormente, foi aprovada a tese de unificação da AP com o PC do B. Maria José Jaime, membro do PT/DF (dirigente do INESC), foi um dos “militantes” que receberam treinamento na China, em 1969, quando pertencia à AP.

José Serra, Presidente da UNE quando se iniciou a Contra-Revolução de 31 de março de 1964 e Ministro da Saúde no Governo FHC, também pertenceu à AP.


UNE - União Nacional dos Estudantes

Durante o 2º Congresso Nacional de Estudantes, realizado em 1938, foi feita a proposta de criação da União Nacional de Estudantes (UNE), que teve sua 1ª Diretoria eleita em 1939.

Inicialmente, a UNE era apolítica. Entre 1940 e 1943, mobilizou a opinião pública e o Governo para participar da II Guerra Mundial contra o nazifascismo. Era tutelada pela ditadura Vargas e funcionava em uma sala do Ministério da Educação.

A partir de 1943, começa a insurreição, com comunistas e democratas lutando contra a ditadura getulista. A partir de 1959, aprofunda-se a marxização da UNE; nos anos 60, as organizações que dividiam as massas operárias, além da UNE, eram a JUC, o PC (que atuava através de seus diretórios estudantis), a Política Operária (POLOP) e a Quarta Internacional. Eram todos de esquerda, com dosagens diversas de ideologia marxista. O Partido de Representação Acadêmica (PRA), criado na Faculdade de Direito da USP, era considerado de Direita.

Também nos anos 60, dá-se o encontro ideológico, reunindo a JUC, a Esquerda Católica e o Esquerdismo marxista. A Faculdade Nacional de Filosofia (FNFi) desempenhou papel importante na agitação estudantil e no processo de marxização da Universidade. “Onde o professor é de tempo parcial, como na maioria da América Latina, a tendência dos estudantes é dar mais atenção a preocupações não acadêmicas, inclusive políticas”. (Seymor Martins Lipset, “University Students and Politics in Underdeveloped Countries”, in “Minerva”, Vol. III, nº 1, 1964, pg. 38-39).

As “Libélulas da USP”

”Trocadilho de Libelu (Tendência Liberdade e Luta), grupo estudantil-lambertista, que atuava na USP (Pierre Lambert foi um dos ideólogos da IV Internacional - Trotskista). O Ministro da Fazenda do governo Lula da Silva, Antônio Palocci, foi um de seus integrantes.

A USP foi fundada em 1934, no governo Armando Sales de Oliveira, e nesta, a Faculdade de Filosofia e Letras, que se tornaria, com Florestan Fernandes, Fernando Henrique Cardoso e Octávio Ianni, numa das matrizes de difusão do Marxismo. As “libélulas da USP” formam, pois, a intelectualidade marxista existente principalmente na Faculdade de Filosofia e Letras da USP, onde há o maior número de PhD em lingüística de pau por metro quadrado no país: Emir Sader, Marilena Chauí, Maria Aparecida de Aquino, Leandro Konder, Paul Singer etc.

Além dessas “libélulas” ainda atuantes na USP, podemos citar FHC, que alçou vôo extra muros, tornou-se presidente e pediu para que todos esquecessem o que escreveu quando era filiado à Ordem dos Odonatos”.
(Félix Maier in “Tribunal Russell: um onagro (quase) esquecido” - http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=2787)

No dia 28 de março de 1964, os Diretórios Acadêmicos das Faculdades Nacionais de Direito (CACO) e da Filosofia, da Universidade do Brasil, mais o de Sociologia da PUC, lançaram manifesto de apoio aos marinheiros e fuzileiros em greve na sede do Sindicato dos Metalúrgicos.

No dia 31 de março, exigiram de Jango armas para a resistência contra o levante de Minas, mas tiveram que se contentar com “manifestações anti-golpistas” na Cinelândia. Com a depredação da sede da UNE, o seu presidente, “apista” José Serra, empossado em 1963, pediu asilo à Embaixada do Chile. “Terminava, assim, o ciclo de agitação estudantil, que depois iria se desdobrar em trágicas conseqüências, no terrorismo e na ilegalidade” (José Arthur Rios, in “Raízes do Marxismo Universitário”). O mesmo Arthur Rios é autor de famosa frase: “Pais positivistas, filhos comunistas, netos terroristas”. Nada mais exato.

Na “campanha nacional de alfabetização”, no Governo Goulart, a UNE recebeu 5.000 dólares de Moscou - um exemplo do tal “ouro de Moscou” -, por intermédio da UIE, um dos mais famosos “onagros” comunistas.

1968 - O quente “ano de dinamite”

”Inicialmente, convém lembrar que vivíamos um período crítico da guerra fria, com muitos movimentos guerrilheiros marxistas sendo instalados em vários países da América Latina. Em 1967, a Tricontinental, em Cuba, com a presença de Carlos Marighela e do Senador Salvador Allende, entre outros, havia criado a Organización Latinoamericana de Solidariedad (OLAS), cujo objetivo era “criar um Vietnã em cada país sul-americano”, no dizer do ditador Fidel Castro. Che Guevara havia tentado levar essa revolução “foquista” para a Bolívia, onde foi morto no dia 8 de outubro de 1967. Não é por acaso que depois da criação da OLAS se intensificaram os atos terroristas no Brasil, especialmente nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.

A partir de 1968, surgiram a ALN de Marighela, de João Alberto Capiberibe (ex-Governador do Amapá) e do Ministro da Justiça de FHC, Aloysio Nunes ‘Ronald Biggs’ Ferreira, a VPR de Lamarca e do ex-Presidente da Petrobrás, Henri Reischtul, o MR-8 de Gabeira e Carlos Minc, a VAR-Palmares de Bete Mendes e a AP de Betinho e José Serra. Em 1969, a VAR-Palmares participou do roubo de um cofre em Santa Tereza, Rio, que pertenceria ao ex-Governador Adhemar de Barros, quando foram levados 2,5 milhões de dólares, sendo 1 milhão desviado para o Governo da Argélia onde atuava Miguel Arraes frente à FBI. (A atual Ministra do Apagão do Governo Lula, a sargentona Dilma Vana Rousseff, destacou-se no espisódio por seus serviços de arapongagem junto ao grupo terrorista. Isto, obviamente, não consta no currículo da Ministra no site http://www.mme.gov.br/site/menu/select_main_menu_item.do?channelId=5).

Deve-se acrescentar que a irmã francesa de Reischtul, Pauline, também ‘militante’ da VPR morreu em um tiroteio com a polícia, em Recife, em janeiro de 1973, depois de realizar um curso em Cuba.

O farol que iluminava todos aqueles atos terroristas era sempre Cuba, que oferecia cursos de guerrilha em Pinar del Río e que bem antes do contragolpe de 31 de março de 1964 já oferecia ensino guerrilheiro às Ligas Camponesas. Por isso, deve ser dito com todas as letras que tais movimentos não visavam libertar o Brasil da ditadura militar, como proferem as esquerdas hoje em dia, mas levar o Brasil à ditadura do proletariado, à ditadura comunista. Fosse o Brasil governado por militar ou civil, os atos terroristas teriam ocorrido de qualquer forma, considerando que um governo civil não estivesse compactuado com os comunistas, como ocorria durante o Governo de Jango.

Em 1968, havia uma ânsia incontida de muitos políticos em assumir as principais funções públicas do país, sonho retardado desde o já bastante longínqüo 31 de março de 1964 - uma eternidade para os políticos mais ambiciosos, especialmente os que desejavam assumir a Presidência da República, como Juscelino, Jango, Brizola e Lacerda. Por isso, havia no Congresso um descontentamento geral, tanto entre os parlamentares ‘imaturos’ da oposição, do PMB, quanto entre os políticos da Arena, que mais atrapalhavam o Governo do que ajudavam. ‘Abrir o nó’ que apertava as instituições democráticas, naquele momento, era uma temeridade, pois o país poderia voltar aos anos de anarquia que antecederam o 31 de março de 1964.

Pode-se provar, com uma longa lista de eventos ocorridos em 1968, que o fechamento do Congresso foi devido a algo muito mais grave do que um discurso feito intempestivamente por um deputado na Câmara (Márcio Moreira Alves, o ‘Marcito’), por mais que os detratores do Governo militar queiram afirmar em contrário. Senão, vejamos, alguns fatos ocorridos em 1968.

No dia 1º de maio, em um comício na Praça da Sé, em São Paulo, o Governador Abreu Sodré e sua comitiva foram expulsos da tribuna, a qual foi utilizada por agitadores para ataques violentos ao Governo militar.

No dia 26 de junho, o soldado do Exército, Mário Kosel Filho, foi explodido pela VPR de Carlos Lamarca em uma guarita do QG do então II Exército, onde tirava serviço de sentinela. Nesse mesmo dia (mera coincidência?), realizava- se no Rio a “passeata dos 100 mil”, reunindo estudantes, padres, artistas, “intelectuais” e outros.

No dia 22 de julho, a VPR rouba 9 FAL do Hospital Militar do Cambuci, em São Paulo.

No dia 10 de agosto, a ALN de Carlos Marighela assalta o trem-pagador Santos-Jundiaí, ação que rendeu ao grupo NCr$ 108.000.000,00 e consolidou sua entrada na luta armada. O Secretário-geral do Presidente Fernando Henrique Cardoso, depois seu Ministro da Justiça, Aloysio Nunes Ferreira, foi um dos que participaram daquele assalto, fugindo em seguida com a mulher para Paris, com documentos falsos. Em Paris, Aloysio Nunes Ferreira viria a participar da Frente Brasileira de Informações (FBI), criada em 1968 em Argel, Argélia, sob inspiração de Miguel Arraes, ligada a organizações de esquerda, de oposição ao governo militar do Brasil, órgão que tinha por objetivo promover a “desinformatsya” (5) tanto no Brasil como no exterior. “Marcito” também foi um ativo militante da FBI, junto com Fernando Gabeira e Francisco Whitaker Ferreira, sob as bênçãos do guru francês Jean Paul Sartre.

No dia 20 de agosto foi morto por terroristas o soldado da Polícia Militar de São Paulo, Antônio Carlos Jeffery.

No dia 12 de outubro, a VPR assassina o capitão do Exército dos EUA, Charles Rodney Chandler, projetando-se perante as organizações terroristas nacionais e internacionais.

No dia 7 de setembro foi assassinado o soldado da PM de São Paulo, Eduardo Custódio de Souza.

No dia 7 de novembro foi assassinado o Sr. Estanislau Ignácio Correa, ocasião em que os terroristas levaram seu automóvel.

Revolução Estudantil - de Paris ao Rio

Nesse mesmo ano de 1968, houve um ‘crescendo’ na agitação estudantil de todo o país, fruto da ‘Revolução Cultural’ implementada na China por Mao Tsé-Tung, com os famigerados ‘livros vermelhos’, que atingiu também Paris, quase derrubando o Governo Charles de Gaulle, e pela OLAS de Cuba, prometendo ‘um Vietnã em cada país latino-americano’. Em Paris, os estudantes eram influenciados pelas idéias neomarxistas de Marcuse e pelo líder estudantil Daniel Cohn Bendit, além de movimentos mundiais contra a Guerra do Vietnã, contestada principalmente pelos negros americanos.

Muitos estudantes, brasileiros ou não, queriam ser os ‘novos guevaras’, após o ‘martírio’ de Che na Bolívia, em 1967. A agitação estudantil era insuflada principalmente pela Ação Popular (AP), pela Dissidência da Guanabara (DI/GB), pelo Comando de Libertação Nacional (COLINA), pelo Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), pela Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e pela Ala Marighela (posterior Ação Libertadora Nacional - ALN). Os principais líderes estudantis eram Vladimir Palmeira e Franklin Martins, da DI/GB, e José Dirceu, da ALN.

No dia 28 de março de 1968 foi morto no Rio o estudante Edson Luís de Lima Souto, em um choque de estudantes contra a polícia. Durante seu enterro, foi depredado um carro da Embaixada americana e incendiado um carro da Aeronáutica.

No dia 31 de março, uma passeata de estudantes contra a Revolução deixou 1 pessoa morta e dezenas de policiais da PM feridos no Rio.

No dia 19 de junho, liderados por Vladimir Palmeira, presidente da UNE, 800 estudantes tentaram tomar o prédio do MEC no Rio, ocasião em que 3 veículos do Exército foram incendiados.

No dia 21 de junho, no Rio, 10.000 estudantes incendiaram carros, saquearam lojas, atacaram a tiros a Embaixada Americana e as tropas da PM, resultando 10 mortos, incluindo o sargento da PM, Nélson de Barros, e centenas de feridos.

No dia 22 de junho, estudantes tentaram tomar a Universidade de Brasília (UnB).

No dia 24 de junho, estudantes depredaram a Farmácia do Exército, o City Bank e a sede do jornal ‘O Estado de São Paulo’.

No dia 26 de junho ocorreu a ‘passeata dos 100 mil’, no Rio, e o assassinato do soldado Kozel, como já afirmado acima.

No dia 3 de julho, estudantes portando armas invadiram a USP, ameaçando colocar bombas e prender generais.

No dia 4 de julho, a ‘passeata dos 50 mil’ tinha como principal bordão ‘só o povo armado derruba a ditadura’. No dia 29 de agosto, houve agitação no interior da UnB, ocasião em que foi preso o militante da AP, Honestino Guimarães, presidente da Federação de Estudantes Universtários de Brasília (FEUB). O deputado Mário Covas lhe deu solidariedade.

No dia 3 de outubro, choques entre estudantes da USP e do Mackenzie ocasionaram a morte de um deles, baleado na cabeça.

No dia 12 de outubro realizou-se o XXX Congresso da UNE, em Ibiúna, SP. A polícia prendeu os participantes, entre os quais Vladimir Palmeira, José Dirceu e Franklin Martins. No ‘Woodstock’ tapuia de Ibiúna foram encontradas drogas, bebidas alcoólicas e uma infinidade de preservativos usados. Havia uma ‘escala de serviço’ de moças para atendimento sexual. Os líderes estudantis, em acordo com Marighela e com o Governo de Cuba, haviam chegado à conclusão de que o estopim para a luta armada viria de uma prisão em massa de estudantes, envolvendo comunistas e inocentes úteis, e jogaria essa massa nos braços da luta armada.

No dia 15 de outubro, estudantes tentaram tomar o prédio da UNE, queimando carros oficiais. Fernando Gabeira participou do ato terrorista.
(Cfr. Félix Maier, in “A TV Lumumba e o AI-5” - http://paginas.terra.com.br/educacao/varican/Bpolitico/Atvl_ai5.HTM).

O “Partido da Carteirinha do Brasil”

Nos últimos anos, o Partido Comunista do Brasil (PC do B), em rodízio com o Movimento Revolucionário 8 de Outrubro (MR-8), tornou-se um dos “donos” da UNE. Durante muito tempo, os falsos estudantes da organização fizeram uma festa imensa, com direito a diárias e serviços de hotelaria no Brasil e no exterior, por conta do sacrosanto e exclusivo direito de emitir carteiras estudantis, em média ao preço de R$ 15,00. Foi uma farra e tanto, até o Governo FHC desmamar o guloso bezerro mamão. Por conta daquela boquinha, o Partido do finado João Amazonas era conhecido como o “Partido da Carteirinha do Brasil”...

Revendo a história da UNE, comprova-se que a entidade estudantil nasceu como um pequeno pelego da ditadura varguista, para se transformar, durante a Guerra Fria, num imenso pelegão de Fidel Castro, de Mao Tsé-Tung e de Josef Stálin. Até hoje o cérbero estudantil não conseguiu livrar-se da pele de urso que veste, embora se apresente aos incautos com uma alva e cândida pele de ovelha.


Obs.: Alguns dados foram incluídos em 2007, como o que consta sobre a AP no atentado terrorista de Guararapes, extraído do livro do coronel Ustra, 'A Verdade Sufocada', de 2006 (F. Maier).


*********************

Para Entender a História do Movimento Estudantil Brasileiro

http://www.faroldademocracia.org/

Uma propaganda publicada no jornal O Globo de 13/08/2007, de dois filmes dirigidos pelo cineasta comunista Silvio Tendler, é precedida da seguinte questão:
Um grupo de estudantes parte do ponto A correndo a dois metros por segundo. A polícia montada parte do ponto B, a cem metros do A correndo a seis metros por segundo na mesma direção. Em quantos segundos os estudantes serão espancados pela polícia?
Os filmes são

1) Ou ficar a pátria livre ou morrer pelo Brasil;

2) O afeto que se encerra em nosso peito varonil.

CONHEÇA O TEMPO EM QUE VIDA DE ESTUDANTE ERA REALMENTE DIFÍCIL

Em seguida indica que tais filmes serão exibidos no Cine Odeon BR, com entrada franca, de 10 a 16/08, e também na TV Futura.
Ao pé deste anuncio aparecem a PETROBRÁS COMO A PATROCINADORA. Adiante, seguindo-se os ícones dos parceiros: Fundação Roberto Marinho, Museu da República, Ministério da Cultura, Governo Federal, etc.

Seria esse anúncio motivo de espanto? Claro que não. Faz parte da caminhada comunista, em célere curso no Brasil, financiado pelo suado dinheirinho do escorchado contribuinte brasileiro.

Senão, vejamos no artigo abaixo o que é o MOVIMENTO ESTUDANTIL, COMO SE ESTRUTURA, AGE, POR QUEM É COMPOSTO E DIRIGIDO, DESDE PRISCAS ERAS


Atendendo a um apelo e fazendo a minha parte

Jorge Baptista Ribeiro
Membro Fundador do Farol da Democracia Representativa

© 2005 MidiaSemMascara.org
Também transcrito na Revista DEFESA NACIONAL

Motivado pelo pedido da União Nacional de Estudantes (UNE) que vem pipocando nos intervalos comerciais da TV Globo, para que o povo unido que jamais será vencido ajudasse a construir e disseminar a memória do Movimento Estudantil, fui navegar no site indicado na propagada, a fim de verificar em que eu podia ajudar, pois além de ser testemunha ocular do Movimento Estudantil antes, durante e depois dos “anos de chumbo”, como estudante universitário na década dos anos 60, etc., julgo-me habilitado para contribuir.

De mais a mais, eu sempre tive o hábito de anotar o meu dia-a-dia, além de ler jornais dos quais recortava as notícias que de perto me interessavam, guardando os recortes para escrever as minhas memórias, quando chegasse à situação de vagabundo, como o ex-presidente Fernando Henrique qualificou os aposentados. Logo, faz sentido eu atender a tão atraente apelo da UNE, colaborando para que a memória dessa entidade seja a mais completa possível, espelhando verdades, normalmente omitidas ou falseadas.

É claro que uma andorinha só não faz verão! Portanto, reforçando o apelo da UNE, concito a todos que também puderem contribuir para uma modelar memória das façanhas da “esperta” garotada que se incorporem ao projeto, com seus conhecimentos, vivencias, etc. Aliás, o momento é bastante oportuno, pois a ordem é: vamos abrir os arquivos.

Inicialmente é preciso que se diga que a UNE, juntamente com a União Brasileira de Estudantes Secundaristas compõem o denominado Movimento Estudantil (ME).

Pela coincidência de algumas reivindicações específicas da sua categoria profissional com as dos estudantes e, portanto, identificando-se com o ME, surgiu um campo fértil para a comunhão político-ideológica de professores e alunos, tanto do ensino fundamental (ex-1º grau) como do ensino médio (ex-2º grau). Logo foram fundadas a Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior do Brasil (ANDES) e a Confederação dos Professores do Brasil (CPB), as quais, agindo separadamente ou em conjunto, criavam impasses de difícil solução, promoviam passeatas, greves, arruaças de rua, sempre se solidarizando com as atividades políticas do ME e, assim, caracterizando um movimento politicamente organizado de massa: O Movimento de Professores (MP).

Por seu turno, os funcionários de universidades criaram em 19 de dezembro de 1978, a Federação das Associações das Universidades Brasileiras (FASUBRA) que, inicialmente, aparentava não ser dominada por organizações comunistas, limitando-se a pertinentes reivindicações sobre a remuneração da categoria, tão ou mais mal paga do que o professorado. Entretanto, em janeiro de 1984, quando se realizou o I Congresso da classe, foi eleita para a presidência daquela entidade a ativa militante do Partido Comunista do Brasil (PC do B), Vânia Galvão. Daí em diante, as manifestações dos funcionários das universidades foram reforçadas por integrantes engajados de muitos outros estabelecimentos de ensino não universitários, configurando-se o Movimento de Funcionários (MF), nos mesmos moldes do ME e MP, isto é, orientados e dirigidos por militantes de organizações comunistas.

O conjunto de atividades reivindicatórias, calcado em conhecidos jargões e palavras-de-ordem esquerdistas, os procedimentos similares do ME, MP e MF e organizações comunistas, impõem um tratamento analítico mais amplo, isto é, analisarem-se as ocorrências num contexto de Movimento Educacional (M Ed), por sua vez integrado no Movimento Comunista Brasileiro, parte do Movimento Comunista Internacional.

Para não muito me estender, limito-me a citar alguns exemplos da direção do ME por organizações comunistas, para melhor iluminação do cenário subversivo dos denominados “Anos de Chumbo” e dos dias atuais:

Depois de acirradas disputas se revezando na manipulação de estudantes, o PCB agia, por intermédio da tendência “UNIDADE“, enquanto o PC do B executava a mesma tarefa, sob a capa do grupo VIRAÇÃO”. A Convergência Socialista (CS), organização trotskista que sem ser molestada pela “repressão”, em 1978 registrou-se em cartório da cidade de São Paulo como personalidade jurídica, mostrando que não “chovia” tanto chumbo, como dizem, originava-se da reunião, em 1973, de exilados brasileiros no Chile os quais, antes da queda de Salvador Allende, lá procuravam se reorganizar sob a denominação PONTO DE PARTIDA (PP), em 1974 transformada na Liga Operária (LO) e, em 1978, dando lugar ao Partido Socialista dos Trabalhadores (PST) que muito trabalhou no âmbito do Movimento Operário (MO), para a criação do Partido dos Trabalhadores (PT). A CS atuava, inicialmente, no meio estudantil em busca de quadros para preencher funções de realce na cúpula daquela organização subversiva. Fundindo-se com o braço secundarista da revisionista Organização Socialista Internacionalista (OSI), o “LIBERDADE E LUTA” (LIBELU) gerou o grupo ALICERCE DA JUVENTUDE SOCIALISTA (AJS), dando prosseguimento à sua marcante atuação subversiva no ME.

Exemplo mais recente da manipulação de estudantes por partidos políticos comunistas foi noticiado no jornal O Globo de 13/07/2003: Entidades praticamente desconhecidas do público, como a União da Juventude Socialista (UJS) e a Aliança da Juventude Revolucionária (AJR), orientadas por partidos políticos esquerdistas, na sede da UNE, situada no bairro do Catete/RJ, formavam comissão para promover badernas de rua, mascaradas pela reivindicação do passe livre. Tal comissão foi formada basicamente por agentes do PC do B, ao qual se liga a UJS e pelo Partido da Causa Operária (PCO), cujo braço estudantil é a AJR. Há ainda a Alternativa Socialista e o Fazendo a Diferença, braços do PT e a Juventude do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), fazendo os jovens de joguete do comunismo apátrida.

Continuando a navegar no site da UNE pude constatar que figuras ilustres e mais categorizadas do que eu, também estão prestigiando o ME, tais como: ex-presidentes e ex-militantes da UNE e da UBES, jornalistas como, por exemplo, Franklin Martins (1), cineastas, artistas, santas criaturas do clero esquerdista, líderes do Movimento dos Sem Terra (MST), entidades cubanas como a Organização Continental Latino Americana e Caribenha de Estudantes (OCLAE), a Federação Estudantil Universitária (FEU), a Federação Estudantil de Ensino Médio (FEEM), a União da Juventude Comunista de Cuba (UJC), a Central Globo de Comunicação, cujo diretor, Luis Erlanger, disse alegrar-se quando ouve o bordão “Globo e PC do B, tudo a ver”, autores de novelas da TV Globo, a Petrobrás, a Fundação Roberto Marinho, o jornal O Globo e o secretário-executivo do Ministério da Educação, Fernando Haddad, também integrante do grupo executivo da atual reforma universitária e da diretoria da UNE, além do ministro da Educação, Tarso Genro (2).

Prosseguindo, eis mais colaboração, fruto de relatórios de inquéritos, documentos e livros à disposição de interessados, pois de domínio público:

Da Resolução do Partido Comunista Brasileiro (PCB), baixada em outubro de 1961, transcrevemos o seguinte trecho:

“Dentre os setores da pequena burguesia, foram os estudantes que desempenharam o papel político mais ativo. A unidade e o desassombro dos estudantes, decretando a greve em todo o País, contribuíram para a ampliação e a firmeza da nossa luta”.

Em julho de 1962, o PCB lançou nova Resolução Política, na qual assim se manifestava:

“Nas cidades é, sobretudo, o movimento estudantil que expressa a crescente indignação das camadas médias, cada dia mais afetadas pela inflação, pelas dificuldades de abastecimento de gêneros mais essenciais, pelos problemas da habitação, transporte, saúde e educação. A greve nacional universitária revelou a força do movimento estudantil e seu crescente papel na vida política nacional”.

Ainda em 1962, a revista NOVOS RUMOS, número 200 (15/20 dezembro) – órgão de divulgação do PCB – publicava o que abaixo transcrevo, clarificando que o nacionalismo xenofóbico, no mais das vezes ingênuo e inconseqüente, sempre foi e será de mil e uma utilidades para o proselitismo dos comunistas, pois muita gente de boa cepa, por razões diversas que aqui não são oportunas, se presta ao triste papel de “colocar azeitonas em pastéis de recheio vermelho”:

“Ao mesmo tempo, devemos atuar no sentido de unir na frente nacionalista e democrática a pequena burguesia urbana, sobretudo os estudantes que constituem uma importante força revolucionária, assim como a intelectualidade progressista e a burguesia ligada aos interesses nacionais”.

No discurso proferido por João Goulart, no Rio de Janeiro, em 13 de março de 1964, no Comício das Reformas que assisti dentro do palanque instalado em frente ao edifício da Central do Brasil, posso citar o seguinte trecho no qual o presidente da República enfatizou o papel dos estudantes no processo que vinha se desenvolvendo, para transformar a República Federativa do Brasil numa República anarco-sindicalista:

“Também está consignada nesta mensagem (reformas – grifo meu), a reforma universitária reclamada pelos estudantes brasileiros, reclamada pelos universitários que sempre têm estado corajosamente na vanguarda de todos os movimentos populares e nacionalistas”.

Outro documento vindo de Moscou que, ao final da década dos anos 60, viria a instruir inquérito policial, apontava as universidades como um meio propício à difusão de idéias revolucionárias, como se segue:

“Sujeitos a continuas emoções, constantemente renovadas por nossos agentes, nem sempre sabem ou podem os estudantes controlar o seu estado emocional. Experimentam, destarte, de maneira exuberante, todas as manifestações do amor, do sexo, da arte, da pobreza e da beleza. É nas Universidades, onde os jovens de ambos os sexos se reúnem para debater problemas econômicos, históricos, políticos e sociais, para depois difundir as idéias revolucionárias, as quais não tardarão a frutificar”.

Para não ficar só falando dos russos, porque isso poderia causar desgostos aos representantes do atual Governo brasileiro que foram à China para se ilustrar sobre os direitos humanos, embora lá, estes sejam costumeiramente violados, a UNE poderia, também, consignar na memória do Movimento Estudantil a orientação contida em um boletim que, em 1969, lhe chegou às mãos, vindo de Pequim e que a seguir transcrevo:

“O manifesto antagonismo político e os protestos que se sucedem preocupam seriamente os estudantes do mundo capitalista. Os jovens se mostram entusiastas e extremamente ciosos dos seus direitos. Gostam de ser ouvidos e clamam ostensivamente pelos seus direitos. Nos últimos anos decidiram abandonar a razão, a ordem e a lei, para adotar o seu descontentamento político. Bem conduzidos e orientados por nossos experientes agentes, poderão chegar até mesmo à violência criminosa que, se preciso for, utilizaremos”.

No dia 7 de junho de 1962, na cidade de São Paulo, ocorreu uma greve de universitários de grandes proporções. No relatório do inquérito aberto pela polícia paulista, para apurar quais os seus responsáveis pode-se ler:

“Nela elementos não identificados, mas sensivelmente estranhos à classe estudantil, insuflavam o prosseguimento da greve, fazendo passar, de mão em mão, bilhetes datilografados, onde se lia: - Nossa campanha vai de vento em popa. Os fósseis já perderam a autoridade. Não tugiram nem mugiram, diante da nossa investida, estão acovardados e não se animam a reagir. Pé na tabua, enquanto os bons ventos estão soprando. Amanhã pode ser tarde. Os gorilas estão na moita. Não sabem o que pretendem. Mas os micos estão ativos. Cuidado com eles. Se houver pancadaria tratem de arranjar muitas vítimas. A imprensa está preparada e a nosso favor. Preparem as fotos. Devem ser feitas com atenção, por gente capaz. Não percam tempo. Nunca houve maior oportunidade. Governo avacalhado, divergências entre gorilas e Aragarças, bóia pela hora da morte. Descontentamento geral. Somos 34.000. Nem todos se afinam com o grupo, mas, por bem ou por mal, acabam aderindo. É só questão de jeito e vaselina. Gaita não falta para amolecer os duros e forçar os moles. Aguardem instruções dos sabidos”.

Outro registro digno de ser incorporado à Memória do ME, seria o que assim, em 1963, preceituava:

“Os estudantes devem pleitear, com maior energia e persistência, reivindicações cada vez maiores, prevalecendo-se da Reforma do Ensino em andamento. Há um todo interesse na criação de um clima de agitação e na desmoralização das autoridades universitárias, a fim de obrigar as autoridades federais a dar amplo e irrestrito apoio à União Nacional dos Estudantes. Para isso contamos com a conivência de muitos professores, livres-docentes, assistentes, antigos alunos e, sobretudo, com os “estudantes crônicos”, como ponto básico para alcançar o que pretendemos. Contamos, também, com o apoio de operários, e lavradores, interessados na luta armada para a posse da terra”.

Também poderiam fazer parte da Memória da UNE outras recomendações, contidas em um livreto, intitulado “CAMINHO DA HUMANIDADE – DAS CAVERNAS AO COMUNISMO”. Nele os propagandistas do credo vermelho recomendavam aos estudantes “uma ação politizadora intensa no seio das massas, feita por meio de aulas impressas, distribuídas aos ainda não engajados e aos operários”.

Stalin, em “Questões do Leninismo”, página 503, edição mexicana de 1941, produziu um ensinamento que acredito em muito ajudaria a UNE a mais arregimentar jovens estudantes para o seu “Movimento Salvador da Humanidade”. Lá, está dito:

“É certo que os jovens não possuem os conhecimentos necessários. Mas conhecimentos se adquirem. Hoje não os possuem, mas amanhã tê-los-ão. Por esse motivo o problema é ensiná-los até que assimilem o leninismo. Camaradas da Juventude Comunista: aprendei, ensinai o bolchevismo e empurrai os vacilantes! Falai menos e trabalhai mais e vereis como tudo marcha facilmente!”

Ainda no site da UNE encontrei algumas queixas sobre dificuldades financeiras daquela entidade que por uma lacuna na Memória do ME, para a qual agora contribuo, deixou de dizer que a fonte que secou vinha de Moscou, por intermédio, principalmente, da União Internacional de Estudantes (UIE). A UIE estava sediada em Praga, tinha como vice-presidente um brasileiro, - Nelson Vanuzzi - e se tornara praticamente na “Seção Estudantil do Cominform”, conforme referência do Presidente da União Nacional de Estudantes da Inglaterra. Bem se encaixaria nessa lembrança o fato da UIE ter financiado em 1963, em Salvador/Bahia, o Seminário Internacional de Estudantes dos Países Subdesenvolvidos e, inclusive, ter contribuído com cinco mil dólares, para subsidiar a Campanha de Alfabetização de Adultos, patrocinada pelo Ministério da Educação e Cultura de Jango Goulart, naquela época dirigido por um outro Tarso:

“O também comunista Paulo de Tarso Santos, um dos elementos que, juntamente com o frade jesuita Cardonnel, o padre brasileiro Henrique de Lima Vaz e o estudante Herbert José de Souza - vulgo Betinho –, exerceu grande influência na estruturação da organização marxista-leninista Ação Popular (AP), cria da esquerda clerical católica”.

Seria de grande significado para o Movimento Estudantil brasileiro e, portanto, digno de registro na memória da UNE, o intenso relacionamento da UNE com a Federação Mundial da Juventude Democrática (FMJD), inicialmente uma entidade apolítica, criada em 1945, mas já em 1949 dominada pelos comunistas. Tinha a sua sede em Budapest, após ter sido expulsa da França e se transferindo para Praga durante a Revolução Húngara.

Também seria de imenso valor histórico para a posteridade, a menção na Memória do Movimento Estudantil, de que da mesma forma que atualmente o PT seleciona os estudantes para cursos em Cuba, cabia ao PCB a seleção dos estudantes brasileiros que naquela época deviam freqüentar escolas soviéticas, como a Universidade Patrice Lumumba ou os centros de treinamento guerrilheiro e politização da Tchecoslováquia.

O contato permanente da UNE com a subversiva Central Geral de Trabalhadores (CGT), no seio da Frente de Mobilização Popular e o comparecimento de instrutores cubanos de guerrilhas na sua sede social, julgo seja outra valiosa informação colaboradora que presto ao projeto de Memória daquela agremiação de estudantes que, conforme nos contou o Arnaldo Jabor (O Globo de 17/8/2004), era um celeiro de gatinhas que eram convencidas da necessidade da prática do amor livre nos “aparelhos”, para que o imperialismo ianque fosse aniquilado.

Para que o clero esquerdista não me acuse de parcial, devo falar da estreita colaboração de dois grandes “padrinhos” do Movimento Estudantil que, se não homenageados pelos organizadores da memória estudantil, sem dúvida, serão injustiçados: que me perdoem a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e um sem número de outros “religiosos” progressistas, brasileiros e estrangeiros.

D. Evaristo Arns e D. Helder Câmara merecem destaque. D. Arns que em 1964 foi de encontro às tropas que deram o “Kick off” na Contra–Revolução de 1964, para abençoá-las, em 1978 fez publicar no periódico da sua Arquidiocese a realização do II Encontro da Pastoral Universitária, a realizar-se de 28 a 30 de julho na cidade de São Paulo, com a participação dos estudantes das Comunidades Universitárias de Base de São Paulo/SP, Rio Grande do Sul, Lins/SP, Ribeirão Preto/SP, Belo Horizonte/ MG, Juiz de Fora/MG, Rio de Janeiro/RJ, Bauru/SP e São José do Rio Preto/SP. Essa divulgação de Sua Eminência Reverendíssima revelava que a “Comunhão de Base” estava se articulando na Universidade de São Paulo e em outras cidades. Reiterava o papel crítico que pode assumir a universidade na transformação da sociedade, aduzindo que o Encontro foi restabelecido após 10 anos de interrupção. Concluía que o momento era de construção.

D. Helder, por sua vez, em novembro de 1977 publicou na Arquidiocese de Olinda e Recife o documento intitulado Assembléias, nº 2, contendo as diretrizes operacionais para o Movimento Estudantil, sob o título “Movimento Estudantil e Pastoral Estudantil”. Segundo esse documento a educação, em qualquer sistema social, situava-se ao nível de superestrutura e, em conseqüência, quem procurasse operar mudanças no âmbito educacional, estaria contribuindo para a mudança do sistema social. Quanto ao Movimento Estudantil, o Reverendíssimo D. Helder, assim se manifestou nesse mesmo documento:

“O Movimento Estudantil é a mobilização e organização dos estudantes para lutar contra esse estado de coisas (contradições sociais – grifo meu). Ele surgiu e se fortaleceu com o objetivo específico de lutar por uma educação libertadora e pela construção de uma sociedade autenticamente democrática. A Igreja está a serviço do Homem e tem uma tarefa de libertação”. (Grifo do documento)”.

Embora mais tivesse para contar, para não cansar os meus leitores fico por aqui com a minha pequena mas sincera e humilde colaboração ao Projeto da Memória do Movimento Estudantil da UNE.

Entretanto, quero aproveitar o ensejo para ressaltar a enorme responsabilidade da família e da escola para que os nossos jovens não sejam utilizados como bucha de canhão, por mãos perversas, como se pode ver, resumidamente, acima, no meu atendimento ao apelo da UNE e no filme “O que é isso, companheiro?”, baseado no livro do ex-militante da UNE, guerrilheiro urbano e seqüestrador, o hoje deputado federal, Fernando Gabeira. Nesse filme se vêem “chefões”, se resguardando e motivando jovens carentes, desassistidos e maldosamente pervertidos, para irem às ruas levarem pancadas da polícia, etc.

Enfatizando a importância da família como primeira responsável pela formação básica do caráter da prole e da escola, genericamente, como encarregada da complementação educativa que desde as primeiras letras à fase universitária constrói ou deforma elite do amanhã, apresento o resultado do teste de personalidade de Rorschach, para aferição do perfil psicológico, ao qual foram submetidos, voluntariamente, 44 jovens, dentre os estudantes presos no Rio de Janeiro em 1968.

Dos 44 examinados, 32 (73%) foram considerados como pessoas portadoras de sérias dificuldades de relacionamento, escasso interesse humano e social ou angustias por imensa dificuldade de comunicação. Como imaturos foram apontados 23, dos quais, cerca da metade, estava incluída no grupo de difícil relacionamento; 18 foram incluídos no grupo dos desajustados, sendo que 3/4 dos mesmos pertenciam ao grupo dos difíceis.

Posteriormente foi verificado, por intermédio de um questionário aplicado por psicólogos que desconheciam a aplicação do teste, que esses jovens, na sua maioria, provinham de lares mal estruturados por problemas de alcoolatria, prevaricação, conflitos entre os pais, abandono dos seus chefes, privações financeiras, tiveram perversores na vida escolar que mais agravaram os seus desajustes e inundaram seus corações de ódio.

Finalizo, lembrando que o futuro de uma Nação pode ser visualizado na justa medida da preponderância ou não da família organizada, da isenção ou engajamento ideológico no ensino escolar e do espírito cristão, suplantando ou sucumbindo ao materialismo.


NOTAS:

(1) FRANKLIN DE SOUZA MARTINS ('WALDIR', 'FRANCISCO', 'MIGUEL', 'ROGERIO', 'COMPRIDO', 'GRANDE', 'NILSON', 'LULA')

- Filho do falecido senador esquerdista Mário Martins, ingressou no PCB em 1966, atuando no Comitê Secundarista da então Guanabara.

- Foi militante da DI/GB e do MR-8. Foi presidente do DCE/UFRJ e vice-presidente da UNE.

- Em Out 68, foi preso no Congresso da UNE, em Ibiúna.

- Em Abr 69, foi eleito para a Direção Geral do MR-8 e, em meados desse ano, participou do seqüestro do embaixador dos EUA.

- Em fins de 1969, fugiu do Brasil no esquema da ALN, indo fazer curso em Cuba.

- Refugiou-se em Santiago do Chile, onde, em Dez 72, foi eleito para a nova Direção Geral do MR-8; regressou ao Brasil em Fev 73, indo estruturar o Comitê Regional de São Paulo.

- Atualmente (e desde há alguns anos), trabalha como comentarista político da Rede Globo de TV e já foi diretor da sucursal do jornal 'O Globo' em Brasília/DF.

- Redigido por Franklin Martins e Fernando Gabeira e aprovado por Joaquim Câmara Ferreira, o 'Velho' ou 'Toledo', ficou pronto o panfleto que seria deixado no carro do embaixador após a ação.

- Esse manifesto inseria o seqüestro dentro do contexto das demais ações terroristas, classificando-o como um 'ato revolucionário'. Fazia propaganda 'anti-imperialista', acusando o embaixador de representante dos 'interesses espoliativos norte-americanos no Brasil'. Exigia a libertação de quinze presos políticos - a serem anunciados oportunamente - que deveriam ser conduzidos para a Argélia, Chile ou México, onde lhes deveria ser concedido asilo político. A outra exigência era 'a publicação e leitura completa dessa mensagem nos principais jornais e estações de rádio e televisão de todo o país'.

- Finalizando o manifesto, um ultimato concedia 48 horas para o governo aceitar as condições impostas e mais 24 horas para que os presos fossem transportados para o exterior em segurança; o não atendimento das condições acarretaria o assassinato - segundo eles, o 'justiçamento' - do embaixador americano. O manifesto era assinado pela Aliança Nacional Libertadora (ALN) e pelo Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8).

(2) TARSO FERNANDO HERZ GENRO ('CARLOS, 'RUI')

- Gaúcho de Santa Maria/RS, onde foi Aspirante R/2 de Artilharia.

- Em 1966, atuava na UNE e era militante do PC do B. Atraído para a luta armada, saiu do PC do B e ingressou, em 1968, na Ala Vermelha. Em 1970, ficou preso durante três dias no DOPS; solto, fugiu para o Uruguai. Na década de 80, foi militante do clandestino Partido Revolucionário Comunista (PRC). Ingressou no PT, pelo qual foi deputado federal e vice-prefeito de Porto Alegre.

- Ex-prefeito de Porto Alegre, candidatou-se ao governo do Estado, tendo perdido em 2º turno.

- Atualmente (2004) é o Ministro da Educação do Governo de Lula da Silva e envida seus melhores esforços numa Reforma do Ensino, nitidamente, consentânea com a ideologia totalitarista que continua professando.



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