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Ensaios-->Memorial do Comunismo: O caso Wielgus -- 02/08/2007 - 15:49 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
O caso Wielgus

Ronaldo Ausone Lupinacci (*)

http://www.jornalnovafronteira.com.br/index2.php?id_editoria=11&id=522

Em janeiro último eclodiu na Polônia escândalo religioso de extraordinária magnitude, ao qual o noticiário da grande imprensa deu, apenas e sintomaticamente, atenção muito breve e superficial. Vamos ao fato.

Monsenhor Stanislaw Wielgus havia sido nomeado pelo Vaticano para suceder ao Cardeal Glemp como Arcebispo da capital polonesa, Varsóvia. Meia hora antes da cerimônia de posse, entretanto, renunciou ao cargo porque uma comissão de inquérito havia comprovado sua colaboração com a polícia secreta do governo comunista pelo menos desde o ano de 1978. Essa colaboração era bem sabida por diversos setores católicos poloneses, nos quais suscitara grande indignação. Em que pesem as contradições emergentes dos pronunciamentos do Vaticano quanto ao seu conhecimento acerca da horrível traição, o próprio Wielgus - depois de nega-la e diante de provas irrefutáveis - se encarregou de confirmá-la, confessando o engajamento como agente da sinistra SB (polícia secreta polonesa, moldada segundo a KGB russa e por esta dirigida). Com a divulgação deste fato vários outros, análogos e escabrosos (como os assassinatos ocorridos na Nunciatura de Cuba, denunciados por Armando Valadares), vieram à tona na Polônia e alhures. O caso Wielgus emergiu, assim, como o topo visível de um imenso iceberg, de extensão mundial.

Qual a importância do fato? Capital, desde que se compreenda que a crise pela qual passa a Igreja Católica constitui o epicentro da crise (mais exatamente, conjunto de crises) existente na sociedade contemporânea. E que, conseqüentemente, se tenha a convicção de que enquanto a Igreja não vencer tal crise a sociedade temporal também não estará pacificada. Episódios correlatos ao affaire Wielgus vêm se sucedendo há bastante tempo. Como correlato entende-se aquilo que guarda conexão lógica. Explica-se em tal contexto o conteúdo de entrevista concedida anos atrás por Luiz Carlos Prestes, falecido líder do PCB, segundo o qual a Igreja Católica no Brasil era aliada dos comunistas.

Como, para o católico autêntico, comunismo e catolicismo são credos diametralmente opostos, o tema merece ser analisado em profundidade. Sobretudo para se saber como chegamos à situação superlativamente calamitosa.

Tenho para mim que na raiz desta árvore do colaboracionismo - que só gerou frutos venenosos - reside o erro consistente na tentativa de adaptação do catolicismo ao mundo moderno, vale dizer ao “novo período da História aberto pela Revolução Francesa”, segundo palavras proferidas pelo teólogo Joseph Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, ao comentar a constituição pastoral Gaudium et Spes, promulgada pelo Concílio Vaticano II. A orientação da Gaudium et Spes representou a afirmação explícita de tendências que tomaram grande impulso no final da década de 30 do século anterior, e desembocaram na formação da corrente católica “progressista”, sucessora da “modernista” taxativamente condenada pelo Papa São Pio X. Conforme esclareceu o próprio Cardeal Ratzinger no livro em que consta o trecho acima reproduzido, a constituição Gaudium et Spes consistiu em “tentativa de reconciliação oficial da Igreja com o mundo, tal como ele se tornou após 1789”, devendo entender-se por mundo “o espírito dos tempos modernos”. Ora, esta abertura para o mundo contemporâneo, inclusive no que diz respeito às escolas filosóficas (principalmente o marxismo e o estruturalismo) engendrou a colaboração entre católicos e comunistas. Aliás, tal abertura para o “mundo” foi confirmada e elogiada por vários outros teólogos de orientação “progressista” como von Balthasar, Chenu, Congar, von Geusau, Eyt, Kung, etc., todos detentores de grande influência na estrutura eclesiástica.

Poderá algum objetante dizer que o assunto aqui ventilado se acha ultrapassado em decorrência da queda do Muro de Berlim e do esfacelamento do império soviético. É fácil refutar a objeção: basta apontar para o agrupamento político que hoje dirige o Brasil para constatar como a colaboração entre católicos e comunistas se expandiu. Afinal, não foi o PT concebido para facilitar tal colaboração? E não são o MST, a CPT (Comissão Pastoral da Terra), o CIMI (Conselho Indigenista Missionário) exemplos vivos e atuantes do mesmo engajamento? Portanto o assunto é e continuará atualíssimo até que a crise na Igreja seja, finalmente, debelada.


(*) O autor é advogado pecuarista.



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