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Cordel-->NÃO TEM QUEM FAÇA O QUE FIZ -- 12/11/2003 - 11:38 (José de Sousa Dantas) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
NÃO TEM NA FACE DA TERRA QUEM FAÇA IGUAL O QUE FIZ
Francisco Massaranduba de Lacerda (LIGEIRINHO)

Cair do terceiro andar (*),
no fosso de um elevador,
além da queda e a dor,
cadê ninguém me tirar,
fiquei morrendo sem ar,
chega acendia o nariz,
é certo o que o povo diz,
aqui só paga quem erra.
Não tem na face da terra
quem faça igual o que fiz.

Com quinze anos de idade,
só escrevia o meu nome,
cansei de dormir com fome,
e nem conhecia a cidade,
mas por força de vontade,
até o cientifico eu fiz,
inda quero ser Juiz,
pra mandar prender quem erra.
Não tem na face da terra
quem faça igual o que fiz.

Já amansei burro brado,
montei em touro valente,
curei cavalo doente,
trabalhei que só o diabo,
já plantei pé de quiabo,
trabalhei em chafariz,
já fui um homem feliz,
morando no pé da serra
Não tem na face da terra
quem faça igual o que fiz.

Já viajei pra Brasília,
com cinco filhos na cola,
mantive todos na escola,
quatro filhos e uma filha,
depois vendi a mobília,
e fui para Imperatriz,
pra trabalhar de garis,
melhor que fosse na guerra.
Não tem na face da terra
quem faça igual o que fiz.

Pra sustentar a “famia”,
já trabalhei no roçado,
tirei leite e tangi gado,
no pingo do meio dia,
já vendi cerveja fria,
com nambu e codorniz,
já arrebentei o nariz,
de bebo quando ele erra.
Não tem na face da terra
quem faça igual o que fiz.

Já vendi cachorro quente,
na calçada do mercado,
vendi milho cozinhado,
já trabalhei de servente
já abri coco no dente,
já pintei prédio em Paris,
já vendi chá de raiz,
de pau tirado da serra,
Não tem na face da terra
quem faça igual o que fiz.

(*) Fato verídico ocorreu com o próprio LIGEIRINHO, em 2001.

TEM MULHER QUE TEM MOELA NO LUGAR DO CORAÇÃO
Francisco Massaranduba de Lacerda (LIGEIRINHO)

Uma vez em João Pessoa,
na praia do Jacaré,
conheci uma mulher,
além de bonita, boa;
eu levei essa coroa,
pro chope do Alemão,
voltei sem nenhum tostão,
tudo o meu, ficou com ela.
Tem mulher que tem moela
no lugar do coração.

Eu casei com Benedita,
fui morar na capital,
me dizendo que era a tal,
bichona boa e bonita,
comprei tudo pra maldita,
apartamento e mansão,
e me deixou sem razão
pra os troços ficar pra ela.
Tem mulher que tem moela
no lugar do coração.

Minha nega adoeceu,
vendi um carro e um prédio,
comprei tudo de remédio,
quase acabo o que é meu,
veja o que aconteceu,
disse: vá dormir no chão,
nunca mais vi um colchão,
a cama ficou pra ela.
Tem mulher que tem moela
no lugar do coração.

Fui morar numa fazenda,
com uma tal de Margarida,
uma bichona comprida,
mas era de encomenda,
pegou logo a minha tenda,
espalhando pelo chão,
depois pegou o fogão,
atirou pela janela.
Tem mulher que tem moela
no lugar do coração.

O meu amigo Toinho,
que se casou com Raimunda,
levou um chute na bunda,
ficou morando sozinho,
ela passou no caminho,
com um cacete na mão,
metia o pau no negão,
que arrebentava a costela.
Tem mulher que tem moela
no lugar do coração.

QUANDO EU IA, ELA VOLTAVA
LIGEIRINHO

Num viveiro de palito,
eu fui sócio com a vizinha,
eu levei uma rolinha,
e ela trouxe um periquito -
o bicho gordo, bonito,
a rola grande, sadia,
enquanto a rola crescia,
o periquito empenava.
Quando eu ia, ela voltava,
quando eu voltava, ela ia.

Ia um menino passando,
com a rolinha na mão,
ele empurrou no calção,
pra ninguém ficar olhando,
depois vi ela rasgando
o calção com agonia,
mas a rola só saía
depois que o calção furava.
Quando eu ia, ela voltava,
quando eu voltava, ela ia.

Com Maria Pitombeira,
nós fomos para o roçado,
num jumento encangalhado,
e na descida da ladeira,
fui abrir uma porteira
nem eu, nem ela sabia,
pau entrava, pau saía,
pau saía e pau entrava.
Quando eu ia, ela voltava,
quando eu voltava, ela ia.

Arrumei uma alesada,
deu trabalho essa mulher,
quando eu pedia um talher,
ela vinha com a enxada,
eu pedi uma coalhada,
com cuscuz numa bacia,
e a sem vergonha trazia
sopa de preá com fava.
Quando eu ia, ela voltava,
quando eu voltava, ela ia.

A fim de uma hospedagem,
um hotel fui procurar,
um doido foi me mostrar,
o hotel Boa Viagem,
entreguei minha bagagem,
ao chefe da portaria,
piranha entrava e saía,
e o cabaré começava.
Quando eu ia, ela voltava,
quando eu voltava, ela ia.

Numa égua carregada,
vinha cheio de aguardente,
ela se acuou na frente
da casa da namorada,
eita vergonha danada,
que eu passei naquele dia,
e quando a chibata batia
ela um traque disparava.
Quando eu ia, ela voltava,
quando eu voltava, ela ia.

O QUE É PRA BAIXAR, TÁ LÁ EM CIMA
E O QUE É PRA SUBIR, TÁ LÁ EMBAIXO
Francisco Massaranduba de Lacerda (LIGEIRINHO)

Esse ano eu estou numa moleza,
comprei trinta mil dólares no mercado,
eu pensei se deixasse ele guardado,
era o lucro no bolso com certeza;
foi aí quando eu tive uma surpresa,
vi um banco fazendo algum despacho,
muita gente partiu pro cambalacho,
e o mercado mudou todo esse clima.
O que é pra baixar, tá lá em cima,
o que é pra subir, tá lá embaixo.

Fui pra o médico medir minha pressão,
quando ele mediu, ficou com medo,
disse, venha amanhã de manhã cedo,
pra fazer os exames do pulmão,
ver também como está o coração,
tô notando o seu pulso muito baixo,
outra veia eu procuro, mas não acho,
desse jeito morreu a minha prima.
O que é pra baixar tá lá em cima,
o que é pra subir, tá lá embaixo.

QUANDO EU PODIA, EU NÃO QUIS,
AGORA EU QUERO E NÃO POSSO
Francisco Massaranduba de Lacerda (LIGEIRINHO)

Quando eu podia estudar,
ficava fazendo cera,
cochilando na cadeira,
pra o professor reprovar,
meu pai não podia olhar,
às vezes vendia troço,
reduzindo o que era nosso,
pra pagar o que eu fiz.
Quando eu podia, eu não quis,
agora eu quero e não posso.

Ir passear no Japão,
conhecer sua beleza,
depois ir pra Fortaleza,
fazer a grande excursão,
visitar a região,
vendo o campônio no roço,
num vilarejo, eu almoço,
na terra dos cariris.
Quando eu podia, eu não quis,
agora eu quero e não posso.

REFORMA DA PREVIDÊNCIA DÁ PRA UNS E OUTROS NÃO
Francisco Massaranduba de Lacerda (LIGEIRINHO)

A reforma tributária,
já tramita no congresso,
cheia de tanto processo,
qual sendo a reforma agrária,
a política monetária,
tem que dar mais atenção,
lembrando que a nação
precisa de assistência.
Reforma da previdência
dá pra uns e outros não.

Não sei por que tanta emenda,
que prejudica o mais pobre
não há remédio que sobre,
com preço baixo na venda,
o Ministro da fazenda,
já deu sua opinião,
vamos abrir o bocão,
e dizer com insistência.
Reforma da previdência
dá pra uns e outros não.

FERNANDO HENRIQUE saiu,
deixou a proposta pronta,
LULA vai pagar a conta,
desde quando ele assumiu,
o rombo que a gente viu,
nos cofres desta nação,
é uma esculhambação,
de doer na consciência.
Reforma da previdência
dá pra uns e outros não.

O rico fica mais rico,
o pobre fica mais pobre,
só quem escapa é o nobre,
muita gente quer um bico,
reclamam quando eu critico
da triste situação,
um País que tem carvão
mas que está indo à falência.
Reforma da previdência
dá pra uns e outros não.

Dá certo pra o deputado,
que tem um alto salário,
dá certo pra o empresário,
que tem um carro importado,
mas o assalariado,
é quem não tem condição,
quando recebe um tostão,
está devendo em toda agência.
Reforma da previdência
dá pra uns e outros não.

QUADRÃO PERGUNTADO
Francisco Massaranduba de Lacerda (LIGEIRINHO)

Já foi no sul do país,
conheço de cabo a rabo,
já amansou burro brado,
isso aí eu nunca fiz;
já andou em São Luiz,
já morei no Maranhão,
você conhece o Sertão,
foi lá onde eu fui criado.
Isso é Quadrão perguntado,
isso é responder Quadrão.

Você quer ser Deputado,
DEUS me livre eu tenho medo,
Por que? Tem algum segredo!
muito real desviado,
existe voto comprado,
tem em toda região,
e tem político ladrão ?
Quem não rouba, sai roubado
Isso é Quadrão perguntado,
isso é responder Quadrão.

Você tomava cachaça,
uns cinco litros por dia,
já chorou em cantoria,
quando o povo entra de graça,
já vendeu carro na praça,
só carreta e caminhão,
já teve algum avião,
tô com bem quinze comprado.
Isso é Quadrão perguntado,
isso é responder Quadrão.

Sua mulher é bonita,
já foi miss mundial,
já desfilou carnaval,
toda enfeitada de fita.
Será que o povo acredita,
que eu vou morar no Japão,
sabe falar Alemão,
eu sou professor formado,
Isso é Quadrão perguntado,
isso é responder Quadrão.

Você já brigou na guerra,
há vinte anos atrás,
já soltou bomba de gás,
que chega abalava a terra,
já dormiu no pé da serra,
cercado por um leão,
como tava o coração,
batendo bem compassado.
Isso é Quadrão perguntado,
isso é responder Quadrão.




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