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Ensaios-->A 1ª tentativa de tomada do poder: Intentona Comunista -- 05/06/2007 - 16:46 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
As primeira tentativa de tomada do Poder: Intentona Comunista de 1935

Félix Maier

As primeiras reivindicações trabalhistas no Brasil ocorreram no início da industrialização do Brasil, ao romper o século XX, insufladas por imigrantes espanhóis e italianos, cujo movimento anarquista tinha fortes vínculos com o incipiente movimento operário. Em 1º de fevereiro de 1908, foi criada no Rio de Janeiro a Confederação Operária Brasileira (COB), que se destacou por fomentar greves e ser contrária à Lei do Serviço Militar.

Com a vitória da Revolução bolchevique na Rússia, em 1917, a COB passou a fomentar a doutrinação marxista-leninista no Brasil, promovendo tumultos, “sempre explorando supostos benefícios que a revolução comunista já começava a proporcionar ao povo russo” (SOUZA, 2002: 29). Nesse mesmo ano, ocorre um grande movimento grevista, que culmina em greve geral e em um aumento de 20% sobre os salários, além de melhorias nas condições de trabalho, o que acarreta o respeito de boa parte da população à COB.

O início da influência esquerdista nas Forças Armadas coincide com o início do movimento “tenentista”, tido por muitos escritores como sendo a revolta dos “Dezoito do Forte” (Forte de Copacabana), no Rio de Janeiro, em 5 de julho de 1922 – ano de criação do Partido Comunista –, embora outros historiadores afirmem que o “tenentismo” teve início com os militares que proclamaram a República, em 1889.

“A designação de ‘tenentes’ surge no primeiro semestre de 31, no momento de ferrenha luta pelo controle do poder. Em meados de 31 o termo ‘tenentismo’ se generaliza, referindo-se a uma ‘corrente’, um ‘partido de tenentes’, que é visto como muito forte na cena política” (BORGES, 1992: 20).

Para lembrar a data dos “Dezoito do Forte”, a 5 de julho de 1924 há uma rebelião militar em São Paulo, comandada pelo general da reserva, Isidoro Dias Lopes. O Presidente Artur Bernardes reage violentamente, mandando bombardear bairros fabris e operários. Após muitos saques, bombardeios, os revoltosos deixam a capital paulista. “Os militares rebelados, sob a direção do general Isidoro, partem para o oeste do estado, sendo perseguidos e vencidos na batalha de Catanduvas, no Paraná. De lá vão para Foz do Iguaçu, onde se encontram com outras forças militares gaúchas também rebeladas desde outubro e novembro do mesmo ano; essas forças são comandadas pelo capitão Luiz Carlos Prestes. O encontro se dá em abril de 25. Isidoro quer o exílio, e por ele se decide, aparentemente porque sua idade não lhe permitiria acompanhar a decisão dos outros chefes, que optam por uma ‘guerra estratégica de movimento’: essa é a origem da famosa Coluna Miguel Costa-Prestes” (BORGES, 1992: 66) (1).

Rafael Correia de Oliveira, então secretário particular de Miguel Costa, um dos revoltosos de 1924, foi o primeiro jornalista brasileiro a contactar Prestes em seu exílio na Bolívia. “Segundo depoimento pessoal de Luiz Carlos Prestes, teria sido esse jornalista quem pela primeira vez lhe pusera nas mãos livros de Karl Marx” (BORGES, 1992: 106). Oliveira, em editoriais de “O Tempo”, em 1931, apóia comunistas, elogia a caminhada da Espanha para “a esquerda” e a Revolução liberal no Peru; “apresenta como modelo para a ‘Revolução Brasileira’ a Revolução de Sandino, então em curso na Nicarágua; faz uma crítica à presença de fuzileiros navais americanos nesse país” (BORGES, 1992: 89-90).

Em Buenos Aires, Prestes lança o Manifesto de Maio (1930), declarando-se comunista, fato que tem grande repercussão. No mesmo ano, Prestes lança em Buenos Aires a Liga de Ação Revolucionária (LAR), em que repudiava e acusava todos os antigos companheiros da “Coluna Prestes”. Miguel Costa, argentino de origem, que se instalara com Prestes em Buenos Aires, volta a Porto Alegre para participar do movimento revolucionário de outubro de 1930, comandado pelo tenente-coronel Pedro Aurélio de Góes Monteiro.

A partir de 1930, começa a cisão do “tenentismo” e o expurgo das velhas lideranças militares. Em 1931, é fundado o Clube 3 de Outubro, que buscava conferir maior coesão à atuação dos “tenentes” revolucionários. “Logo após Getúlio ter assumido o poder, o Tenentismo, porém, começou a se cindir em duas correntes: de um lado os partidários do liberalismo político; do outro uma minoria radical que ingressou no PC-SBIC. Assim, acompanhando a polarização política do País, em 1934 o Tenentismo já estava desarticulado e com seus líderes na Ação Integralista Brasileira ou na Aliança Nacional Libertadora (comunista)” (SOUZA, 2002: 36).

Em julho de 1934, a I Conferência Nacional do PC-SBIC reelegeu Antônio Maciel Bonfim, o “Miranda”, como secretário-geral. Para camuflar sua subordinação à Internacional Comunista, o PC-SBIC mudou seu nome para Partido Comunista Brasileiro (PCB).

Em fevereiro de 1935 foi criada a Aliança Nacional Libertadora (ANL), que iria desencadear o levante comunista conhecido como “Intentona Comunista”, em novembro do mesmo ano. O movimento, comandado por Prestes, eclodiu no dia 23 em Natal, 24 em Recife, e 27 no Rio de Janeiro, obedecendo ordens diretas do Komintern, que remeteu agentes comunistas e o “ouro de Moscou” (US$ 27,341.00) para promover o levante (Cfr. WAACK, 1993: 209). Além de Prestes, outros militares brasileiros foram recrutados para a Intentona: Maurício Grabois, Jefferson Cardin, Giocondo Dias, Gregório Bezerra, Agliberto Vieira, Dinarco Reis, Agildo Barata. O fratricídio deixou um saldo de 28 militares e dezenas de civis inocentes mortos (2). Muitos militares foram covardemente assassinados enquanto dormiam no quartel, fato que é contestado pela esquerda, porém sem amparo na História: “Quanto ao tenente Benedito Lopes Bragança, segundo o depoimento do 2º Tenente Aviador Oswaldo Ribeiro Mendes, o mesmo foi ‘assassinado sem defesa pelo Capitão Agliberto, dentro do carro do Capitão Sócrates’. Não estava, portanto, lutando, mas no banco traseiro de um automóvel” (SOUZA, 2002: 48). Com a deflagração da Intentona, os chefes militares conscientizaram-se de “quanto haviam perdido o controle da situação” (COELHO, 1976: 110).

Após a Intentona Comunista, a repressão política se tornou mais intensa. As penas aplicadas aos revoltosos foram brandas devido à Constituição liberal de 1934. Para os militares, a crise era “institucional”, pois o regime liberal reeditava as deficiências do sistema derrubado pela Revolução de 1930. Formou-se, assim, um clima favorável à aplicação de medidas de exceção, que culminou na implantação da ditadura do Estado Novo, em 1937.

“Este regime só se tornou possível porque atendia aos interesses do Exército tal como eram interpretados pela liderança militar que o garantiu. Embora com uma chefia civil no governo, o Estado Novo foi, de fato, uma ditadura dos militares: eles instauraram, impuseram quase sempre seus pontos de vista, elas a cancelaram. Quaisquer que tenham sido os interesses nacionais aduzidos, eles foram interpretados pelo prisma dos interesses do Exército” (COELHO, 1976: 111).

Preso, Prestes foi anistiado pelo Presidente Getúlio Vargas, em 1945, ano em que se elegeu senador pelo PCB, com 140 mil votos, até então a maior votação para o Senado. A bancada comunista, em 1945, foi de 14 deputados federais, entre eles o escritor Jorge Amado, Carlos Marighela e Gregório Bezerra. Em março de 1946, Prestes declara em pleno Congresso Nacional que “em caso de guerra entre a Rússia e o Brasil, lutaria ao lado da Rússia” (SOUZA, 2002: 51). O PCB é colocado na ilegalidade em 1947. Pregando a tomada do poder pela via pacífica, Prestes declara no início de 1964: “Nós já estamos no poder, embora ainda não tenhamos o Governo nas mãos” (SOUZA, 2002: 58). Em maio de 1980, Prestes é substituído na presidência do PCB pelo cabo Giocondo Dias, por muitos anos seu motorista e guarda-costas. O Senador Roberto Freire foi o último comunista brasileiro a receber o “ouro de Moscou”, por ocasião de sua campanha eleitoral à Presidência do Brasil, em 1989. Quem fez esta declaração foi o ex-diplomata da União Soviética no Brasil, Vladimir Novikov, coronel da KGB, que serviu em Brasília sob a fachada de Adido Cultural junto à Embaixada Soviética, nos anos de 1980 (Cfr. www.ternuma.com.br). O Ministro da Justiça do Governo FHC, Aloysio Nunes Ferreira Filho, foi “militante” do PCB e da Ação Libertadora Nacional (ALN), ocasião em que participou do assalto ao trem-pagador Santos-Jundiaí, em 1968, e depois se refugiou em Paris. O PCB transformou-se em Partido Popular Socialista (PPS) após a Queda do Muro de Berlim, porém foi recriado em 1995 pelos comunistas históricos que não aceitaram a nova ordem mundial após o fim da URSS.


Notas:

(1) A Coluna Prestes foi um movimento político-militar de origem tenentista, que entre 1925 e 1927 se deslocou por 13 Estados brasileiros, pregando reformas políticas e sociais e combatendo o Governo do Presidente Arthur Bernardes. Depois de andar 25.000 km em território nacional, os integrantes remanescentes refugiaram-se em San Mathias, Bolívia. Documentos do Marechal Juarez Távora e relatos recentes comprovam que a “Marcha” não foi conduzida pelo “Cavaleiro da Esperança”, mas por “cavaleiros do apocalipse”, que impuseram o terror por onde passaram, com roubos, estupros e execuções de quem não cooptou com o bando armado. A esse respeito, veja as reportagens “Marcha dos horrores” (revista “Veja”, 9/6/1999) e “Os algozes da Coluna Prestes” (jornal “Correio Braziliense, 20/6/1999).

(2) O levante assassinou 1 (um) tenente-coronel (Misael de Mendonça), 2 (dois) majores (João Ribeiro Pinheiro; Armando de Souza e Mello), 4 (quatro) capitães (José Sampaio Xavier; Benedicto Lopes Bragança; Danilo Palladini; Geraldo de Oliveira), 1 (um) 2º tenente da reserva Lauro Leão de Santa Rosa – convocado), 1 (um) 1º sargento (Jaime Pantaleão de Morais), 1 (um) 2º sargento (José Bernardo Rosa), 2 (dois) 3º sargentos (Caroliano Ferreira Santiago; Abdiel Ribeiro dos Santos), 1 (um) 1º cabo (Luiz Augusto Pereira), 13 (treze) 2º cabos (Alberto Bernardino de Aragão; Pedro Maria Netto; Fidelis Baptista de Aguiar; José Harmito de Sá; Clodoaldo Ursulano; Manoel Biré de Agrella; Francisco Alves da Rocha; João de Deus Araújo; Wilson França; Péricles Leal Bezerra; Orlando Henriques; José Menezes Filho; Manoel Alves da Silva) e 2 (dois) soldados (Luiz Gonzaga de Souza, da PM/RN; Lino Victor dos Santos, da PM/PE).


Bibliografia consultada:

BORGES, Vavy Pacheco. “Tenentismo e Revolução Brasileira”. Editora Brasiliense, São Paulo, 1992.

COELHO, Edmundo Campos. “Em busca de Identidade: o Exército e a Política na Sociedade Brasileira”. Forense Universitária, Rio, 1976, Coleção “Brasil – Análise e Crítica”.

SOUZA, Aluísio Madruga de Moura e. “Movimento Comunista Brasileiro – Guerrilha do Araguaia – Revanchismo – A Grande Verdade”. abc BSB Gráfica e Editora Ltda, Brasília, 2002.


Brasília, maio de 2003.


P.S.: Texto extraído do ensaio 'Nacionalismo e esquerdismo nas Forças Armadas', de minha autoria (F.M.).








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