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Ensaios-->Boris Yeltsin: o homem que mudou a história da Rússia -- 24/05/2007 - 15:39 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
BORIS YELTSIN: O HOMEM QUE MUDOU RADICALMENTE A HISTÓRIA DA RÚSSIA

Manuel Cambeses Júnior (*)

O ex-presidente Boris Yeltsin, falecido em 23 de abril próximo passado, aos 76 anos, passará à História como o homem que expulsou os comunistas do Kremlim, em agosto de 1991, e o primeiro chefe de Estado que deixou voluntariamente o poder na Rússia.

A instigante biografia desse engenheiro de construções, um homem impulsivo, que mudou radicalmente a História de sua pátria e do mundo, é bastante contraditória. Nasceu em Butka, uma cidade situada nos Urais, em fevereiro de 1931, em uma família de camponeses muito pobres – vítimas das coletivizações forçadas decretadas por Stalin – , e chegou a ser o líder dos comunistas de Ekaterimburgo, importante cidade da parte central da Federação Russa, localidade onde a família dos czares, os Romanov, que governara o Império Russo por três séculos, foi sumariamente fuzilada por ordem de Lênin, nos primeiros meses da Revolução Russa.

Toda a sua infância transcorreu em uma granja coletiva e no complexo industrial estatal de Berezniki, na parte central dos Montes Urais. Enquanto estudava, tinha que trabalhar para ajudar a precária economia familiar. Viveu de maneira direta o sistema comunista de propriedade coletiva. Muitos biógrafos assinalam que isto o marcaria para sempre.

Por quatorze anos consecutivos trabalhou em complexo metalúrgico, como engenheiro. Em 1961, ingressou no Partido Comunista (partido único), onde ascendeu, paulatinamente, até conseguir ser nomeado, em 1976, primeiro-secretário do partido, em Oblast.

Daí em diante tornou-se um fervoroso reformista do regime comunista. Em 1985, Mikhail Gorbachov foi eleito secretário-geral do Partido Comunista e Yeltsin expressou seu apoio incondicional ao gigantesco programa de reformas denominado Perestroika. Gorbachov encomendou-lhe a missão de combater os grandes vícios do regime comunista, aprofundados desde a terrível gestão de Leonid Brezhnev: a incompetência manifestada na gestão pública, o servilismo da alta dirigência comunista, a imensa desídia no cumprimento de suas funções e, o pior de todos os males que afetava o regime, a corrupção.

Boris Yeltsin assumiu suas funções sem nenhum tato e arremeteu contra tudo que se opusesse às reformas; todo aquele que pretendesse continuar com o regime socialista de maneira conservadora e se beneficiasse da corrupção, incluindo alguns dos mais altos dirigentes da cúpula partidária, invariavelmente, foi severamente atacado por Yeltsin. Valeu-se da Glasnost (política de abertura informativa) para se declarar publicamente contra outros chefes do partido, fato nunca permitido até esse momento. Toda a roupa suja era anteriormente lavada no seio do partido, nunca perante a opinião pública.

Esse controverso procedimento brindou-o com uma imensa popularidade, mas também lhe valeu o cargo. A cúpula do partido pressionou Gorbachov para que o destituísse. Iniciou-se, então, uma campanha para humilhá-lo perante o povo. Entretanto Gorbachov não o defenestrou completamente, nomeando-o vice-presidente do Comitê Estatal da Federação Russa. Yeltsin, longe de ser desacreditado como se pretendia, converteu-se na primeira vítima da Perestroika e isso fez crescer a sua popularidade. Na realidade, ele nunca perdoou Gorbachov por ter cedido às pressões dos dirigentes do partido.

Dois anos mais tarde, apresenta-se como candidato a deputado para o primeiro Parlamento idealizado por Gorbachov e ganhou as eleições, vencendo o candidato oficial do Partido Comunista com 89,6% dos votos. Já no exercício das atividades parlamentares, intensificou sua luta reformista com propostas radicais em matéria de economia, exigindo a modernização, a profissionalização e institucionalização do Exército, além de permitir a liberdade de cultos religiosos.

Gorbachov mostrou-se muito cauteloso ao aplicar a maioria daquelas petições. Em 1991, ele se apresenta como candidato à eleição presidencial e ganha comodamente. Dois meses mais tarde, o Partido Comunista organiza um golpe de Estado que termina em fracasso. Yeltsin, posicionado sobre um tanque, pede ao povo que defenda Gorbachov, eleito recentemente, e, dessa forma, ajuda o golpe a fracassar. Yeltsin apareceu diante das câmeras de todo o mundo como o “salvador da democracia” frente à ameaça de regresso dos comunistas ao poder. De imediato converteu-se no líder máximo e aproveitou sua influência para eleger-se presidente, com 57,38% dos votos.

Imediatamente estabeleceu uma economia de mercado e privatizou as empresas públicas. A aceleração do processo produziu, como corolário, um acentuado incremento das desigualdades sociais e da miséria. Por outro lado, a ausência de controles institucionais em um regime presidencialista muito forte acentuou a corrupção no país, colocando a Rússia à beira de uma guerra civil. Isto veio a ser fator determinante nas eleições legislativas de 1995, causando tremendo desgaste ao Partido Comunista. Entretanto a oposição se dividiu e, em julho de 1996, ganhou as eleições, sendo reeleito presidente da Rússia.

Como presidente, liberalizou os preços, dissolveu a KGB e privatizou as terras. Autorizou o desmembramento da União Soviética, que havia herdado o império dos czares, que foram acumulando territórios desde Ivan, o Terrível. Também ordenou o bombardeio do Parlamento russo e determinou a invasão da Chechênia. Em 1996, foi reeleito presidente, sofrendo um ataque cardíaco em sua campanha. Seu comportamento era tão espontâneo que não ocultava sua tendência ao alcoolismo nem tampouco sua estranha aficção por beliscar os traseiros das mulheres.

Depois da crise financeira de 1998, em que o rubro perdeu 75% de seu valor, sua figura política ficou muito desgastada e, em 31 de dezembro de 1999, se demitiu alegando problemas de saúde, entregando o poder a Vladimir Putin, agente qualificado da KGB, que hoje governa com mão de ferro a autoritária democracia russa.

Boris Nikolayevich Yeltsin, nascido, criado e formado dentro da mais férrea ditadura comunista, terminou usando seus imensos erros e acertos para acabar com essa forma de dominação do ser humano, disfarçada no coletivo, para enriquecer uma cúpula dominante e sacrificar as grandes maiorias. Determinado e impulsivo, mudou radicalmente a história da Rússia e, conseqüentemente, do mundo.


(*) O autor é coronel-aviador da reserva da Força Aérea; conferencista especial da Escola Superior de Guerra, membro do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil e vice-diretor do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica.

10/05/2007


Obs.: Texto extraído de www.reservaer.com.br/




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