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Ensaios-->Ministério da Propaganda -- 17/04/2007 - 13:45 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Ministério da Propaganda

por Ipojuca Pontes (*) em 16 de abril de 2007

Resumo: O que identifica qualquer governo totalitário, comunista, nazista ou fascista, é o permanente desejo de “neutralizar” a informação e repassá-la de acordo com sua verdade particular – uma verdade, de ordinário, francamente facciosa em defesa da manutenção do poder.

© 2007 MidiaSemMascara.org


O ministro da Comunicação e Propaganda do governo Lula, Franklin Martins, um dos seqüestradores do embaixador americano Charles B. Elbrick, em setembro de 1969 e ex-comentarista político (demitido) da Rede Globo de Televisão, disse no Fórum Nacional de TVs Públicas, realizado em Brasília, que a nova TV que o governo Lula pretende instalar ainda este ano, “É uma TV pública de qualidade e com bala na agulha”.

Não sei o que o atual ministro da Comunicação e Propaganda entende por TV pública de qualidade mas um fato é inquestionável: de “bala na agulha” ele conhece bastante. Foi, simplesmente, integrante ativo e porta-voz da facção revolucionária que, de arma em punho, a pretexto de combater a “ditabranda” dos militares de 1964, assaltou bancos, invadiu quartéis e delegacias para “expropiar” armas e destruir com explosões prédios públicos que, segundo seu entendimento, “simbolizavam a opressão” e, o que é mais revelador, “justiçar” com rajadas de balas os antagonistas políticos que se contrapunham ao projeto de transformar o Brasil numa Cuba em tamanho gigante.

De certo modo, a idéia de um Ministério da Propaganda nasceu quando o governo viu cair por terra, em setembro de 2004, o sinistro projeto de criação do Conselho Federal de Jornalismo e da Ancinav. Os motivos alegados eram outros mas ambos, Conselho e Ancinav, iriam deter poder de polícia para punir os que se tornassem inconvenientes aos planos de se promover, no primeiro mandato de Lula, o processo de “transição para o socialismo” - conforme previsto na declaração final do Foro de São Paulo, ocorrido na cidade de Porto Alegre, em 30 de julho de 1997.

No documento do Foro, elaborado por alguns dos aliados de fé do atual ministro da Comunicação e Propaganda, eram assinalados alguns itens fundamentais para se chegar ao controle da informação no Brasil, uma vez “que a questão da comunicação e da telecomunicação tem um sentido estratégico no enfrentamento ao neoliberalismo”. De forma objetiva, o documento apontava a urgente necessidade de se constituir não só o controle público sobre os meios de comunicação mas, sobretudo, o dever de se reorganizar sistemas de comunicação no sentido contrário da “concentração monopolista”.

(Para quem ainda não sabe, o Foro de São Paulo é uma diabólica entidade comunista criada por Fidel Castro e o PT em 1990, logo após o colapso da União Soviética e da queda do Muro de Berlim, com o objetivo programático de “reconquistar na América Latina o que foi perdido no Leste Europeu”).

Já durante um debate televisivo na campanha do segundo mandato, em São Paulo, Lula da Silva apontava para a criação de uma Lei Geral de Comunicação Eletrônica, como programa de governo, com o objetivo, entre outros tantos, de elaborar dispositivos legais para “regulamentar e descentralizar a mídia”. Na mesma fala, o ocupante do Palácio do Planalto referiu-se pontualmente ao fomento aberto de canais de comunicação para sindicatos, associações e entidades de classe, referindo-se, em particular, a adoção de política de incentivos legais e econômicos necessária à maior “pluralidade da informação”.

O venerado Leon Trotsky, o homem da “revolução permanente”, costumava dizer, em outras palavras, que a burocracia do governo socialista antes de distribuir a grana com a patuléia, mete em primeiro lugar a sua parte (considerável) no bolso. É justamente o que faz agora com o anúncio da TV pública do planalto, orçada, de início, em R$ 250 milhões. Lula, antes de repassar as benesses dos meios de comunicação para os “companheiros de jornada”, resolveu criar a sua própria televisão pública, segundo ele, uma “coisa séria, não para falar bem do governo ou para falar mal do governo, mas uma coisa para informar”. O ocupante do poder central faz, todavia, uma advertência aos futuros mentores do novo aparato público: quer uma “informação tal como ela é, sem pintar de cor-de-rosa, mas também sem pichá-la”. Em suma, Lula quer um jornalismo “neutro e construtivo”, mas quem vai embarcar nessa canoa de peru sem cabeça?

O que identifica qualquer governo totalitário, comunista, nazista ou fascista (no fundo, tudo a mesma coisa), é o permanente desejo de “neutralizar” a informação e repassá-la de acordo com sua verdade particular – uma verdade, de ordinário, francamente facciosa em defesa da manutenção do poder. Na URSS, por exemplo, Djanov, mentor da política cultural russa e porta-voz do governo stalinista, afirmava que o controle da informação era a chave para a transformação ideológica e a formação do espírito das massas. Joseph Goebbels, por sua vez, criou um fabuloso aparato audiovisual (rádio e cinema) para incutir na cabeça do povo alemão os bons propósitos de Hitler e seu projeto de manter acesa a tocha do Terceiro Reich durante mil anos. Já Fidel Castro, com a ajuda de Armando Hart, o ministro da Cultura (junto com Alfredo Guevara, do Icaic), criou um sistema de informação a serviço da desinformação, da censura e do culto a personalidade, disposto a sonegar ao povo cubano até mesmo a notícia da doença terminal que acomete o Líder Máximo.

Para dourar a pílula, o ocupante do Planalto deixou transparecer que a sua emissora de televisão, a ser tocada com a grana de empresas públicas, dará cursos de matemática, português e inglês ao meio dia, às duas da tarde, além de exibir peças teatrais e outras atividades culturais. Mas o grosso da programação, não duvidem, servirá para acompanhar e promover a criação da “democracia participativa” e realçar a importância dos “movimentos sociais”, liderados por abnegados como Stédile e José Rainha.

Pelos serviços já prestados à causa vermelha e ao governo Lula, quando comentarista político da TV Globo, Franklin Martins, o “isento”, é o tipo talhado para, no Ministério da Propaganda, informar e promover a gradativa “transição para o socialismo” planejada pelo Foro de São Paulo.

Quem duvidar é só esperar para ver.


(*) O autor é cineasta, jornalista, escritor e ex-Secretário Nacional da Cultura.





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