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Ensaios-->Totalitarismo tupiniquim -- 05/03/2007 - 13:34 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
TOTALITARISMO TUPINIQUIM

02.03, 17h51

Por Maria Lucia Victor Barbosa, socióloga

A ideologia que respaldou o totalitarismo nazista ou nacional-socialismo floresceu nas condições político-econômicas da Alemanha, na década de 20.

Na revolução de 1918, o Partido Social-Democrata foi o grande responsável pela implantação da República na Alemanha e seus primeiros governos representaram um compromisso com partidos de centro, pois havia se afastado das idéias marxistas de ruptura com o sistema político existente, passando a defender ações reformistas de cunho social.

Na crise de 1929 foi a vez do Partido Nazista ter notável crescimento. Além de enorme penetração popular foi encarado pela classe alta como representante de seus interesses econômicos. Aos poucos todos os partidos foram se submetendo à liderança de Hitler.

Em 1933, o Partido Nazista chegou ao poder e se transformou em partido único com a eliminação paulatina, através de leis, dos outros partidos. Ao mesmo tempo, militantes mais à esquerda foram afastados ou mortos. Enquanto isso, Hitler ia se impondo de maneira incontestável, seduzindo a nação pela força de seu carisma aliado à intensa propaganda produzida pelos meios de comunicação de massas e dominando através de eficiente aparelho repressivo. Ele já não era mais o primeiro-ministro, mas o ditador que, em empolgantes discursos acentuava a esperança e prometia ao povo alemão um futuro brilhante numa linguagem que podia ser compreendida até pelas pessoas mais simples.

Possíveis insatisfações e ódios eram canalizados para os judeus, o que desviava a atenção de problemas concretos. Desse modo o Holocausto foi aceito como natural, como purificação da raça superior ariana, com a vantagem de que a eliminação dos judeus abria espaços para a classe média alemã nas atividades do comércio e da indústria.

Muito útil também a utilização de símbolos e conceitos marxistas, devidamente adaptados à ideologia nazista. Assim, o proletariado tornou-se proletariado racial e a luta de classes deslocou-se para a guerra proletária contra os Estados capitalistas. Não se falava mais na utopia da sociedade sem classes, mas numa futura comunidade do povo alemão que dominaria o mundo. Todas essas idéias permeavam a totalidade da vida dos alemães e norteavam seu comportamento.

Aos poucos o Estado totalitário foi substituindo o 'Estado burguês'. O processo incluiu certas providências como a extinção do Poder Legislativo através do cerceamento de suas prerrogativas. No Poder Judiciário julgava-se de acordo não com a lei, mas com a vontade de Hitler. Conseqüentemente se deu o desmesurado fortalecimento do Executivo que assumiu o poder de legislar através do ditador e dos seus auxiliares diretos. Simultaneamente foi implementado o controle completo da burocracia estatal ou aparelhamento do Estado.

Claro que isso não se repetirá jamais de forma idêntica. Foi tudo levado a cabo em certas circunstâncias de um dado país, numa determinada época e sob o influxo de uma sui-generi personalidade carismática. Mas as sementes que floresceram no nacional-socialismo não seriam passíveis de novas floradas trágicas com outros nomes, em outras épocas, em outras sociedades? Será que o nacional-socialismo (nazismo) morreu ou está de volta na América Latina através de uma versão adaptada, adulterada, inferiorizada, longe anos-luz da envergadura carismática e maligna de um Hitler, mas igualmente nociva?

No Brasil o PSDB se rotula de social-democrata e, enquanto FHC governou aproximando-se dos partidos do centro o PT se fortaleceu, obteve penetração popular e chegou à presidência da República. Note-se que o PT sempre se apresentou como partido superior, o único ético, e seus membros até hoje parecem se sentir acima dos mortais e das leis, e fadados a conduzir o povo para um nebuloso 'outro mundo possível'.

No poder, finalmente, depois de quatro campanhas presidenciais, Luiz Inácio utilizou fartíssima propaganda respaldada pelos meios de comunicação de massas. Sua linguagem atinge o homem comum e as metáforas futebolísticas não são mera coincidência. Ele contempla tanto os pobres com as bolsa esmola quanto os ricos com lucros fabulosos. Promete ao povo um futuro brilhante, um espetáculo do crescimento. Já os ódios e ressentimentos são canalizados para os norte-americanos. Eles são culpados pelos nossos erros, mazelas, fracassos. No primeiro mandato, Luiz Inácio, através de seu auxiliar direto, José Dirceu, dominou o Congresso e o STF que passaram a fazer sua vontade, pelo menos através da conveniência e da obediência de muitos de seus membros. Quanto a burocracia estatal foi aparelhada.

Neste segundo mandato o Congresso sucumbiu de vez. Uns poucos parlamentares de brio não conseguem fazer frente à ofensiva do Executivo desmesuradamente fortalecido. Foi dito que o presidente da República se reunirá uma vez por semana com os presidentes da Câmara e do Senado, certamente para passar suas ordens. Se já não se podia falar em partidos políticos, esses amontoados de ambições que mais se parecem com clubes de interesses, agora se pode dizer que tais agremiações esvanesceram. Não existem oposições. As instituições navegam nas águas do poder que emana da corte centrada no Palácio do Planalto. Especula-se despudoradamente sobre um terceiro mandato para Luiz Inácio e a mudança do sistema presidencialista para o parlamentarista poderia servir a esse propósito, se não se usar a democracia de massas dos plebiscitos manipulados. Enquanto isso, sob as bênçãos dos Poderes constituídos e demais instituições, o MST e a CUT se unem em selvagem violência no meio rural, não apresentada pelos meios de comunicação. A violência urbana é defendida nas hierarquias governamentais mais altas. Todo poder aos bandidos, parecem dizer as autoridades. Onde será que elas querem chegar? Promete-se mais crescimento econômico e o IBGE muda a metodologia de aferição de dados para que possamos ser bem mais do que o Haiti.

É claro que a figura de Hugo Chávez com seus ímpetos expansionistas, se presta muito mais à lembrança de um Hitler tupiniquim. Mas no Brasil não estamos muito longe de certas essências do poder que, em alguns aspectos, relembram pelo menos certos traços de uma das mais abomináveis formas de domínio que já existiu: o totalitarismo nazista. Devidamente afrouxado e ao nosso estilo dúbio, é claro, mas totalitarismo.


(*) Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga, autora entre outros livros de: 'O voto da Pobreza e a Pobreza do Voto: a Ética da Malandragem (Jorge Zahar Editor) e América Latina: Em Busca do Paraíso Perdido' (Editora Saraiva).


***

Comentário do embaixador Meira Penna, presidente do Instituto Liberal de Brasília:

Cara Maria Lúcia,

Seu artigo é ótimo e sua opinião absolutamente certeira mas acho que V. exagera um pouco.

O fenômeno totalitário representado pelo National-Soclialistische Deutscher Arbeiter Partei (Partido Nacional NacionalSocialista dos Trabalhadores Alemães) ou Nazismo, possuía um componente racista e anti-semita que possuía um passado no século XIX em figuras menores e desequilibradas como o francês conde de Gobineau (que foi embaixador da França junto à corte de Pedro II, deixando uma de suas “obras de arte” no Museu Imperial de Petrópolis) e o inglês Houston Stewart Chamberlain, esse também pensador medíocre.

Em 1934, houve uma crise interna chamada a Noite dos Longos Punhais, em que os SS, a elite dos partidários de Hitler, assassinaram centenas de seus próprios partidários, tanto à direita (general von Schleicher) quanto à esquerda, os “SA” ou camisas pardas que foram suprimidos a ferro e fogo). O que é extraordinária é como idéias tão primárias tenham podido seduzir o povo mais culto da Europa, aquele que produziu Kant, Hegel e Nietzsche, além da grande música do século XIX. Nietzsche que era um sifilítico absolutamente genial predisse o que iria acontecer. Chamava os racistas de “prolet-arianos”... equiparando o marxismo à esquerda com o racismo à direita.

Para mim o Nazismo, assim como o Bolchevismo na Rússia, representam aberrações coletivas difíceis de explicar pela lógica da filosofia política. Rússia comunista e Alemanha nazista provocaram a Segunda Guerra Mundial e se pode calcular em pelo menos cem milhões de vítimas o que os movimentos dirigidos por Hilter e Stáline provocaram

Quanto a Chávez, não deve ser levado a sério. O próprio Bolívar predisse que seu pais se iria transformar num quartel, com a Colômbia numa Universidade e o Equador num mosteiro. Com um pequeno interstício democrático nos anos 60, a Venezuela SEMPRE foi governada por generais, decaindo agora para esse Sargentão cafajeste e tragi-cômico. Houve um desses “caudillos”, Juan Vicente Gómez, que ficou quase 30 anos no poder, morrendo de morte morrida..

Mas esses ditadores latino-americanos são uma pequena corja de ratos hidrófobos comparados com os tigres do totalitarismo euro-asiático. Sua comparação com o que se passa no Haiti é mais apropriada...

Grande Abraço do amigo e admirador

Meira Penna

www.meirapenna.org




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